As últimas pesquisas eleitorais antes do primeiro turno das eleições de 2026 saem neste sábado (3), véspera da votação, marcada para amanhã (4). Serão divulgadas, no final do dia, novas rodadas do Datafolha e da Quaest. A rodada mais recente da pesquisa Datafolha para o Governo de Pernambuco, divulgada na última quinta-feira (1º), aponta a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) com 46% das intenções de voto, enquanto João Campos (PSB) soma 44% do total na consulta estimulada para o primeiro turno.
A Coligação Pernambuco de Coração, liderada pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) a impugnação da pesquisa Quaest com as intenções de voto para o governo do estado, prevista para este sábado (3). As informações são do Diário de Pernambuco.
O candidato Ivan Moraes (PSOL) somou 2% na pesquisa atual (antes, tinha 1%), enquanto Renan Hallais (Missão), registrou 1% (antes, não havia pontuado). Professora Camila (UP), Victor Assis (PCO) e Guilherme Fonseca (PSTU) não pontuaram. Brancos, nulos e pessoas que não devem votar permanece em 4%, enquanto indecisos foram 3% (antes, eram 2%).
Nos votos válidos, Raquel Lyra ficou com 50% (antes, 51%), enquanto João Campos marcou 47% (antes, tinha 46%). Ivan Moraes somou 2% (antes, 1%) e Renan Hallais se manteve com 1% do total. Os demais candidatos não pontuaram.
Já no segundo turno, a governadora Raquel Lyra (PSD) obteve 50% das intenções de voto na disputa pelo governo de Pernambuco, enquanto o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) tem 46%. Ambos estão em um cenário de empate técnico.
Entrevistados que responderam que vão votar em branco, nulo ou nenhum dos candidatos citados permaneceram com 3%. O número de indecisos se manteve em 1%.
Confira as demais pesquisas para o Governo de Pernambuco antes do 1º turno
No último dia permitido pela legislação eleitoral para a campanha de rua, os dois principais candidatos ao governo de Pernambuco apostam todas as fichas na Região Metropolitana do Recife.
Considerada estratégica para a disputa, a região será o principal território das agendas dos candidatos, que intensificam a mobilização na reta final em busca dos votos dos eleitores indecisos e daqueles que ainda podem mudar de posição.
Trata-se da última oportunidade para ampliar a ofensiva nas ruas, conquistar votos e tentar chegar às urnas com uma vantagem construída até o último minuto da campanha. A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) passa pela capital, por Jaboatão dos Guararapes, Moreno, e encerra a agenda em Caruaru, no Agreste. O candidato do PSB e ex-prefeito do Recife, João Campos, também vai circular por Recife e Jaboatão, incluindo Olinda na rota.
Comparação
Raquel Lyra inicia os compromissos às 9h, com carreata que começa no bairro de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes, e adentra pelo Recife, com previsão de encerramento no bairro do Pina. Em seguida, a gestora vai ao município de Moreno, também na região metropolitana, onde comanda outra carreata a partir das 13h30.
Às 18h, a gestora inicia, em Caruaru, o último compromisso da campanha eleitoral antes do primeiro turno da eleição, amanhã (4). A cidade é base política da governadora, que já enfrentou, no município, outras cinco eleições em que saiu vitoriosa, incluindo duas para a Prefeitura de Caruaru, e a última para o governo de Pernambuco, em 2022.
Ainda na sexta, a pessedista realizou panfletagem no bairro da Imbiribeira, Zona Sul do Recife. Ela também esteve nos bairros das Graças, Encruzilhada, Aflitos, Ibura, Jardim São Paulo e Afogados. Em empate técnico com o principal opositor, Raquel Lyra aposta na comparação com o governo anterior para garantir votos.
“O eleitor tem uma decisão pela frente. Pode optar por uma governadora que está trabalhando muito, que entregou, que pegou uma casa desarrumada, mas garantiu investimentos, em três anos e meio, maiores em todas as áreas do que os oito anos do governo anterior”, declarou durante ato na Imbiribeira.
Indecisos
Já o candidato da Frente Popular de Pernambuco, João Campos, começa o dia de agendas pela Zona Norte da capital pernambucana, que governou por dois mandatos, até se afastar no início do ano, para disputar o comando do estado. A carreata sairá do Córrego do Jenipapo às 9h e deve seguir até a cidade de Olinda. A segunda e última parte da agenda vai contemplar a Zona Sul, iniciando o percurso no Jardim Jordão, às 15h30, seguindo para Jaboatão dos Guararapes.
Na reta final para a eleição, o socialista cumpriu agendas, na sexta, no bairro da Joana Bezerra, no Recife, e depois passou, em carreata, pelas cidades de Jaboatão, São Lourenço da Mata, Camaragibe e encerrou na Zona Oeste da capital.
No primeiro compromisso, Campos fez balanço positivo da campanha e dirigiu mensagem direta aos indecisos. “A gente chega na reta final da campanha feliz e animado, (pois) fizemos a melhor campanha, com mais propostas. (…) Para você que está indeciso, pode ter certeza que vocês vão ter um cara que vai dedicar a vida a Pernambuco. Assim como fiz para o Recife vamos fazer pelo estado”, prometeu.
Peso
A concentração das agendas na Região Metropolitana do Recife não ocorre apenas pelo peso eleitoral da região. Segundo o cientista político Isaac Luna, é também na área que se encontra uma parcela importante dos eleitores que ainda podem definir ou mudar o voto.
“Do ponto de vista matemático, a Região Metropolitana tem um peso inegável. E como também a maior parte de indecisos está na Região Metropolitana, as candidaturas e campanhas intensificaram agora lá para tentar convencer esse eleitor que tá indeciso”, afirmou.
O especialista ainda avaliou que a estratégia das carreatas passarem por diversos pontos da RMR tem o poder de conquistar eleitores pela “expectativa de vitória”, que pode ser demonstrada pelo volume dos atos.
“Esse último ato de campanha é um ato de reafirmação do volume da força da candidatura. E é também um momento simbólico de chamar a atenção pela última vez do eleitor, de tentar conquistar o voto de quem tá indeciso ou até de virar algum voto por conta dessa expectativa de vitória”, pontuou Isaac Luna.
Raquel chega ao último dia sob o peso de uma campanha marcada por recuos e episódios negativos
A governadora Raquel Lyra (PSD) chega ao último dia da campanha tentando a reeleição tendo de administrar uma sucessão de episódios que, ao longo das últimas semanas, alteraram o ambiente da disputa. Em vez de encerrar a campanha ditando os termos do debate, a gestora chega à véspera da eleição reagindo a uma agenda que passou a ser cada vez mais imposta pelo adversário.
O movimento mais simbólico ocorreu nos últimos dias, quando sua campanha incorporou a defesa da isenção de IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas, uma proposta que João Campos já havia apresentado durante a campanha. O episódio ganhou relevância menos pelo conteúdo da medida, que passou a ser compartilhado pelos dois candidatos, e mais pelo momento em que ocorreu.
A poucos dias da votação, a adesão tardia a uma proposta do adversário reforçou a percepção de uma campanha que, na reta final, passou a responder aos temas colocados por João. Em uma eleição disputada voto a voto, a capacidade de estabelecer a agenda é também uma dimensão importante da disputa política.
A campanha de Raquel chega a esse desfecho depois de acumular outros episódios que produziram desgaste e desviaram o foco da discussão sobre seu governo. Debates, controvérsias e decisões de natureza política e jurídica se sucederam nas últimas semanas, obrigando a governadora e sua equipe a administrar crises em um momento em que a prioridade seria consolidar a mensagem de continuidade da gestão.
O contraste ficou particularmente evidente nos debates. João Campos transformou boa parte dos confrontos finais em uma comparação entre aquilo que foi realizado no Recife e o que, segundo ele, deixou de ser entregue pelo Governo de Pernambuco. Delegacias, escolas técnicas, UPAs e outros compromissos passaram a ocupar espaço relevante nas discussões, enquanto Raquel precisou dedicar parte considerável de seu tempo a responder às cobranças do adversário.
O resultado é uma reta final em que a campanha de Raquel parece ter perdido parte da capacidade de controlar a própria narrativa. Os episódios se acumularam, as respostas passaram a ocupar mais espaço do que as propostas e, agora, a candidatura chega ao último dia tendo também de lidar com a apropriação de uma agenda apresentada originalmente pelo adversário.
A eleição, portanto, chega às últimas horas não apenas como uma disputa entre dois projetos, mas como um confronto marcado pela capacidade de cada campanha de conduzir o debate público. E, nesse aspecto, o último movimento de Raquel, ao assumir uma proposta que já vinha sendo defendida por João, tornou-se um símbolo de uma campanha que chega ao fim precisando reagir até mesmo na escolha dos temas que pretende apresentar ao eleitor.
Miguel na mira do MP – O Ministério Público de Pernambuco abriu inquérito civil para investigar suspeitas de irregularidades na compra de livros didáticos pela Secretaria de Educação de Petrolina, em 2019, durante a gestão do então prefeito Miguel Coelho. A apuração, originada em auditoria do Tribunal de Contas do Estado, envolve indícios de direcionamento em licitações e possível superfaturamento de R$ 3,3 milhões. O procedimento também vai aprofundar a análise dos valores para avaliar eventual responsabilização dos envolvidos e ressarcimento aos cofres públicos.
“Colinha” em cima do muro – A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) divulgou, ontem, uma “colinha” eleitoral sem indicar voto para presidente da República e manteve, até o fim da campanha, a posição de ficar em cima do muro na disputa nacional. O material traz o número da governadora e dos candidatos ao Senado Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD), mas deixa em branco também os espaços destinados a deputado federal e estadual.
“Gabinete do ódio” vai ao STJ – O presidente do STF, Edson Fachin, enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a investigação da Polícia Federal sobre um suposto “gabinete do ódio” ligado ao Governo de Pernambuco e que teria sido usado para disseminar notícias falsas na disputa contra João Campos (PSB). Na decisão, Fachin cita relatório da PF segundo o qual publicações do perfil oficial de Raquel Lyra (PSD) e de dois perfis apontados como integrantes da rede foram feitas a partir de um mesmo endereço de IP pertencente a uma autarquia estadual de tecnologia. Para o ministro, os elementos apurados indicam possíveis condutas ilícitas “no âmbito do governo do estado”, com suspeita de desvio de recursos para financiar notícias falsas com finalidade política e eleitoral. Fachin concluiu que o caso não envolve ataques ao STF, mas disputas políticas em Pernambuco, razão pela qual remeteu a apuração ao STJ, responsável por processos envolvendo governadores.
TRE rejeita pedido de Raquel e mantém Quaest – O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) rejeitou os pedidos da coligação de Raquel Lyra para suspender a pesquisa Quaest que mostrou a governadora e João Campos (PSB) empatados com 42% no primeiro turno. A campanha alegou falta de informações sobre os critérios estatísticos usados no levantamento e, depois, citou uma reportagem sobre pagamentos do PSB ao instituto. O relator Luiz Gustavo Mendonça de Araújo entendeu que a pesquisa cumpriu as regras do TSE e que não havia provas de interferência nos dados que justificassem a suspensão. No segundo turno, a Quaest também apontou empate, com 44% para cada candidato.
João ironiza Raquel por copiar propostas – João Campos (PSB) subiu o tom contra Raquel Lyra depois de a governadora anunciar, na reta final, a intenção de zerar o IPVA de motocicletas de até 180 cilindradas e aumentar o PJES das forças policiais, propostas já apresentadas pelo socialista durante a campanha. “Reconhecendo que suas propostas não saem do papel, Raquel passa a copiar as minhas”, ironizou João nas redes sociais. Em seguida, alfinetou a adversária: “Teve quatro anos para fazer e não fez”.
CURTAS
“DIAS SUJOS E SANGRENTOS” – Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, ontem, que os 21 dias entre o primeiro e um eventual segundo turno podem ser “os mais sangrentos e sujos da história de todas as eleições no Brasil”. O candidato acusou o PT, o STF e o TSE de poderem interferir na disputa e disse esperar uma “quantidade gigantesca” de fake news no período. Flávio também voltou a criticar o cancelamento do debate da TV Globo e classificou a decisão como “um movimento muito brusco, obsceno mesmo, contra a liberdade de imprensa”.
INTERFERÊNCIA EXTERNA – A campanha de Lula (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a suspensão dos serviços consulares presenciais dos Estados Unidos no Brasil seja incluída na investigação sobre uma possível interferência estrangeira nas eleições. Anunciada a dois dias do primeiro turno e justificada pela Embaixada norte-americana por “preocupações com a segurança”, a medida foi apontada pela defesa do petista como um gesto capaz de projetar instabilidade sobre o ambiente eleitoral. A petição também cita carta de senadores dos EUA que manifesta preocupação com eventual interferência do governo Donald Trump no pleito brasileiro.
DE OLHO NO BRASIL – Donald Trump voltou a afirmar que acompanha “muito de perto” a eleição brasileira, mas evitou declarar apoio a Flávio Bolsonaro. Questionado diretamente sobre a candidatura do filho de Jair Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos respondeu apenas: “Estamos de olho em tudo e vamos observar esta eleição de muito perto”. A postura contrasta com eleições recentes na América Latina em que Trump manifestou preferência pública por candidatos.
Perguntar não ofende: Raquel perdeu o controle da própria campanha na reta final?