O ex-ministro do Turismo e pré-candidato a deputado federal pelo Podemos, Gilson Machado Neto, admite uma contradição que, hoje, marca o campo da direita em Pernambuco. Embora tenha confirmado apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), ele reconhece que o cenário ideal seria vê-la declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.
Raquel, porém, segue “em cima do muro”. Enquanto esse gesto não acontece, Gilson diz apostar na derrota do PSB como prioridade política. Gilson afirma que a maior parte das lideranças conservadoras do Estado já decidiu caminhar com Raquel em 2026, apesar de a governadora manter a estratégia de não assumir publicamente um palanque presidencial.
“A grande maioria, 90%, 95%, já declarou apoio a Raquel”, afirmou, ao ser questionado sobre o posicionamento da direita pernambucana. O ex-ministro disse esperar que haja entendimento entre a governadora e o grupo bolsonarista para que Flávio Bolsonaro tenha espaço no palanque estadual.
“Eu espero que Flávio tenha espaço no palanque dela”, declarou. Ainda assim, deixou claro que a decisão de apoiar Raquel independe desse acerto. “Eu, Gilson Machado, vou hoje apoiar a Raquel Lyra.” Questionado se Raquel poderia continuar “em cima do muro”, respondeu que o apoio será mantido desde que ela não declare voto no presidente Lula (PT).
“Desde que ela não declare apoio ao Lula, seguimos com ela”, resumiu. Mesmo reconhecendo que o cenário ideal seria um posicionamento explícito da governadora, Gilson relativizou a necessidade de um palanque formal para a candidatura presidencial. “Nós queremos, sim, que ela declare apoio. Claro, quem não quer?”, disse. Em seguida, ponderou que o desempenho de Flávio não dependerá necessariamente desse gesto. “Eu acho que o voto para presidente não depende do voto da governadora.”
Para justificar a aliança, Gilson afirma que a prioridade do grupo é impedir a volta do PSB, através da candidatura de João Campos, ao Palácio do Campo das Princesas. “O meu voto é ‘não João’. Não PSB. Eu tenho responsabilidade política e compromisso com o futuro do Estado”, declarou.
Na avaliação do ex-ministro, apoiar Raquel tornou-se a alternativa mais viável para unificar a direita, ainda que a governadora preserve a neutralidade na disputa presidencial e não ofereça, por enquanto, o palanque que os aliados de Flávio Bolsonaro gostariam de ter em Pernambuco.
Na antevéspera de São João, dois pré-candidatos ao governo de Pernambuco botaram lenha na fogueira para não perder a chama da competitividade. Para isso, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) contaram com os aliados, em municípios estratégicos.
Raquel Lyra prestigiou a festa em Gravatá, no Agreste, ao lado do prefeito Padre Joselito (Avante) e da primeira-dama, Viviane Facundes (PSD). “Há boas décadas, como filha de Caruaru, frequento o São João de Gravatá e tenho a alegria de hoje mais um ano como governadora estar nessa festa que a cada ano vem se reinventando”, declarou à imprensa.
A governadora já participou de festejos juninos em Caruaru, Bezerros, Salgueiro, Araripina e avisou que nos próximos dias estará em Surubim e Carpina. Ontem chegou com a vice Priscila Krause; os prefeitos de Amaraji, Araújo Guimarães; Jaboatão, Mano Medeiros; de Passira, Severino Silvestre, e alguns secretários.
João Campos ficou “em casa” e repetiu a programação de quando era gestor do Recife. Depois de circular no Sítio da Trindade, em Casa Amarela, no domingo, participou ontem do 21º São João 60+, festa para quem tem 60 anos ou mais, realizada no Classic Hall, e que reuniu mais de seis mil pessoas.
“Hoje é dia de dançar forrar e agradecer porque a gente é nordestino”, disse, ao lado do prefeito Victor Marques (PCdoB); do secretário de Direitos Humanos do Recife, Marco Aurélio Filho; e do Rei e Rainha 60+, Ivan Ribeiro, 70 anos, e Maria das Dores, 92 anos.
De novas, as viaturas policiais que desfilaram ontem por avenidas do Recife só têm mesmo a fabricação. Na prática, não acrescentam nada à frota da segurança pública estadual, que está apenas passando por uma troca de carros de uma categoria mais elevada — as SUVs Renault Duster locadas em 2023 — pelas minivans Chevrolet Spin de 2026.
Ainda assim, a três meses das eleições, o Governo Raquel Lyra segue promovendo medidas de impacto visual para enganar desavisados, em uma demonstração de que ações de fachada são mesmo uma especialidade desta gestão.
O problema, porém, vai além dos artifícios pirotécnicos e envolve um aumento injustificado de gastos com a mesma quantidade de viaturas. O contrato de 2023, dos veículos Duster, tinha um custo mensal de R$ 3.747,49 por carro. Já o de 2026, das Spin, chega a R$ 6.239,64, o que representa 66,5% de sobrepreço.
Não à toa, o valor global da contratação saltou de R$ 99,8 milhões, no primeiro ano do atual governo, para R$ 209,2 milhões em 2026, um incremento de 109,5%. Quem vai ter que apurar por que o governo de Raquel está pagando mais que o dobro por carros menores e em quantidade igual à das viaturas que já existiam antes são os órgãos de controle, que costumam precisar de mais tempo para se debruçar sobre as burocracias dos contratos.
Já o eleitorado, que terá que tomar uma decisão sobre os rumos de Pernambuco em pouco mais de 90 dias, precisará refletir se os desfiles de viaturas são suficientes para botar bandidos na cadeia. As estatísticas dizem algo diferente. Nelas, Pernambuco aparece como o terceiro estado mais violento do país.
Pelo visto, até aqui, a pirotecnia não vem servindo ao povo. Esses números negativos jogam por terra o marketing de qualquer governo. São tão tóxicos quanto os tetos que caem sobre as cabeças de pacientes nos hospitais públicos ao mesmo tempo em que as fachadas são cuidadosamente pintadas a tempo do período eleitoral.
PURA MAQUIAGEM – Semanas atrás, o povo pernambucano descobriu que, na saúde, o Governo Raquel Lyra vem usando e abusando de uma maquiagem que já derreteu. Pelo visto, na segurança pública a aposta tem sido a mesma. Quantos inocentes perderão suas vidas por acreditarem em uma falsa sensação de segurança vendida à base de sirenes e carros enfileirados? As estatísticas, menos sujeitas à magia dos retoques, é que vão dizer.
Do alavantú ao anarriê – O neodireitista Túlio Gadelha, pré-candidato ao Senado pelo PSD, vem chamando a atenção não apenas por estar mais alinhado do que nunca ao campo da direita e dos conservadores, mas também porque, nas pesquisas divulgadas até o momento, seu nome não ultrapassou a faixa de 7% das intenções de voto. O que parecia ser um “alavantú”, um movimento para a frente, tem se transformado em um verdadeiro “anarriê”, passo atrás. Em vez de avançar, sua pré-candidatura demonstra dificuldades para ganhar tração, permanecendo estagnada nas pesquisas. Esse desempenho alimenta especulações sobre sua viabilidade eleitoral e sobre a possibilidade de deixar a chapa majoritária, em meio ao que alguns classificam como um “ostracismo ideológico”.
Bolsonaristas com Raquel – O ex-ministro do Turismo e pré-candidato a deputado federal pelo Podemos, Gilson Machado Neto, admite uma contradição que, hoje, marca o campo da direita em Pernambuco. Embora tenha confirmado apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), ele reconhece que o cenário ideal seria vê-la declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. Raquel, porém, segue “em cima do muro”. Enquanto esse gesto não acontece, Gilson diz apostar na derrota do PSB como prioridade política. Gilson afirma que a maior parte das lideranças conservadoras do Estado já decidiu caminhar com Raquel em 2026, apesar de a governadora manter a estratégia de não assumir publicamente um palanque presidencial.
Espaço para Flávio no palanque – O ex-ministro disse esperar que haja entendimento entre a governadora e o grupo bolsonarista para que Flávio Bolsonaro tenha espaço no palanque estadual. “Eu espero que Flávio tenha espaço no palanque dela”, declarou. Ainda assim, deixou claro que a decisão de apoiar Raquel independe desse acerto. “Eu vou hoje apoiar a Raquel Lyra.” Questionado se Raquel poderia continuar “em cima do muro”, respondeu que o apoio será mantido desde que ela não declare voto no presidente Lula (PT).
Risco zero de anulação – A defesa do senador Jacques Wagner (PT-BA), líder que balança, mas não cai do Governo no Senado, recorreu ao STF para anular a decisão que autorizou a busca e apreensão contra o parlamentar na semana passada. Mas as chances de anulação são perto de zero. A polícia suspeita da atuação parlamentar do senador em temas de interesse do Master, como na tramitação de propostas sobre crédito consignado e o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e ainda durante a fiscalização parlamentar sobre a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A PF apontou uma correlação entre essas atuações e supostas “vantagens econômicas indevidamente” recebidas por Wagner.
CURTAS
LICENÇA – Jaques Wagner, aliás, vai pedir licença do cargo de líder do governo no Senado, posto que ocupa desde o início do governo Lula. Apesar de Wagner ter dito que continuaria “na liderança até que o presidente peça que eu me retire” e que achava “muito difícil” que Lula o ejetasse, sua permanência se tornou impossível, segundo o colunista Lauro Jardim.
BENESSES – Em meio a discussões sobre benesses concedidas a servidores do Judiciário, juízes e procuradores aprovaram novas regras para permitir que as férias de 60 dias sejam parceladas em 12 vezes no ano. A mudança, na prática, pode aumentar o número de dias de descanso.
A VICE? – Sem alarde, a ex-presidente da Caixa no governo Bolsonaro, Daniella Marques, se filiou ao Republicanos no início do ano. Sua filiação a um partido político leva alguns aliados de Flávio Bolsonaro a especular sobre seu nome como eventual candidata a vice.
Perguntar não ofende: Quem vai ser o segundo senador de Raquel?