O Governo Raquel Lyra: entre a piada, o cachorro e a tragédia

Por Renato Fonseca

Senhoras e senhores, bem-vindos ao teatro do absurdo que se tornou a política pernambucana. Se Pernambuco estivesse em uma situação confortável, com serviços públicos funcionando, segurança em dia e uma gestão eficiente, talvez houvesse espaço para piadas. Mas não é o caso.

Raquel Lyra, que deveria estar ocupada em governar, prefere gastar energia com ironias baratas. Em resposta às críticas do jornalista Magno Martins, que há dois anos vem expondo os escândalos de sua gestão, a governadora resolveu adotar um cachorro e batizá-lo de “Magno”. Até aí, já tínhamos um nível infantil de provocação. Mas ela foi além: mandou adestrar o animal e, em vídeos anteriores, sugeriu que o “Magno” precisava ser domado. Se isso não é uma tentativa tosca de atacar um jornalista, então nada mais é.

E enquanto a governadora brinca com seu trocadilho canino, Pernambuco sangra. No último sábado, o clássico entre Sport e Santa Cruz virou um cenário de guerra. A cidade do Recife, sem policiamento adequado, viu torcedores e cidadãos reféns da violência. Pessoas morreram. O Estado, que tem a obrigação constitucional de garantir a segurança pública, falhou miseravelmente.

Sebrae - Esquenta semana do MEI

Por Cláudio Soares*

O recente jogo entre Sport e Santa Cruz transformou as ruas do Recife em um verdadeiro cenário de guerra. A brutalidade com que um torcedor, identificado pela camisa de seu time, foi atacado em plena praça pública é alarmante e inaceitável.

Em um ato insano, pegaram-o, tiraram sua roupa e introduziram um pau nele. Essa cena de crueldade é um reflexo da degradação da convivência social e do estado de violência que permeia o ambiente das ‘torcidas’.

Mas, de quem é a culpa? A responsabilidade recai sobre os grupos de torcidas organizadas, que muitas vezes se envolvem em confrontos violentos, ou sobre uma sociedade que permite que a violência se normalize?

Jaboatão dos Guararapes - Operação Chuvas

Na crônica de hoje, dou sequência aos gênios que conviveram com Luiz Gonzaga: Humberto Teixeira, autor de Asa Branca, o Hino do Nordeste. Também sertanejo como Zé Dantas, personagem retratado domingo passado, o gigante Humberto veio ao mundo em Iguatu, no Ceará, e desde criança, conforme declarou em várias entrevistas, já conhecia o baião, como Luiz em Exu.

“Eu tenho a impressão de que fatalisticamente, predestinadamente, eu tinha que me encontrar um dia com Luiz Gonzaga”, disse, no documentário “O homem que engarrafava nuvens”, de 2009. Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira não inventaram o baião. Há, inclusive, um registro sonoro deste gênero musical feito em 1930 por Stefana de Macedo (“Estrela d’alva”, de João Pernambuco).

Mas foram eles que urbanizaram e estilizaram o ritmo, dando-lhe uma nova roupagem – e causando uma revolução na música popular brasileira. Através das vozes do grupo cearense Quatro Ases e Um Coringa, o “Baião” chegou em outubro de 1946 arrasando quarteirões, conquistando o País inteiro e ganhando fama mundial.

Petrolina - Destino

Recifense perde quatro dias por ano no trânsito

Atenção, João Campos! A 14ª edição do TomTom Traffic Index, que avalia o tráfego em cidades ao redor do mundo com dados coletados em mais de 500 localidades de 62 países, revelou que os recifenses perdem, em média, mais de 108 horas por ano em congestionamentos nos horários de pico. Isso significa 4 dias e meio perdidos no meio do rush diário. São Paulo é a primeira em trânsito mais complicado (111 horas) — com Recife em segundo e Curitiba (107 horas) em terceiro.

A pesquisa posiciona Fortaleza como a capital com maior tempo médio de deslocamento por 10km, com 29 minutos. No Recife, o período gasto em média nesses 10km é de 26 minutos. Em Brasília, no Distrito Federal, os motoristas desperdiçam 16 minutos. E se o recifense se descolar por 15km apenas na hora do rush? Vai perder 1h36min, quando poderia, em horários alternativos, gastar 53 minutos — o que, convenhamos, já é um tempo elevado. O paulistano, coitado, faria esse trajeto, nos horários de pico, em impressionantes 1h43min. Os moradores de Fortaleza, por sua vez, gastaram 1h42min.

No ano passado, 379 cidades de 500 (76%) viram sua velocidade média geral diminuir em comparação a 2023. Apesar dessa diminuição, as velocidades médias em condições ótimas, caracterizadas por tráfego fluido, permaneceram estáveis ​​e até mostraram pequenas melhorias na maioria das cidades. Isso sugere que a deterioração observada nas velocidades médias é principalmente impulsionada por fatores dinâmicos que afetam os níveis de congestionamento, em vez de mudanças na infraestrutura rodoviária.