Soube, há pouco, da morte do empreendedor Luiz Geraldo, aos 85 anos, em Caruaru, no último fim de semana. Em novembro do ano passado, de passagem pela capital do forró, fiz uma visita sentimental a ele, que não via há mais de 40 anos, desde que não resistiu ao último pau de arara, mesmo já bem-sucedido empresarialmente. Abaixo, reproduzo o texto que fiz em 21 de novembro. Que Deus o tenha!
Dois cafés, duas histórias de vida
Dizem que o reencontro quando movido pelo sentimento da verdadeira e saudável saudade tem a enorme capacidade de renovar o sangue que faz o coração pulsar mais forte. Foi assim que me senti, há pouco, ao visitar o empresário do café que fez mais sucesso em Afogados da Ingazeira durante 20 anos, entre o final da década de 60 e o início da de 80: Luiz Geraldo. Vindo de Cabrobó, onde nasceu, montou uma grife no Sertão do Pajeú: o Café Catedral.
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Seu Luiz, como assim o tratávamos, hoje com 84 anos, mora em Caruaru, cidade que o acolheu no embalo de outro grande empreendimento de igual sucesso: o Café Soberano. Catedral e Soberano viveram dois momentos de fertilidade econômica em Pernambuco, ambos capitaneados pela competência, coragem e o tino gerencial de Luiz Geraldo.
O Café Catedral foi, na verdade, a primeira grande fábrica de Afogados da Ingazeira. Abriu de imediato mais de 200 empregos diretos e outra penca de indiretos. O produto era moído, torrado e distribuído para abastecer o mercado consumidor num raio de mais de 80 municípios, do Pajeú ao Sertão do Francisco, atingindo também terras baianas, entre elas Juazeiro, cidade irmã de Petrolina.
Luiz Geraldo montou um negócio sólido. Tinha uma frota de caminhões, carretas e outros modelos de fazer inveja para a entrega do café, afamado em campanhas publicitárias pela cabeça brilhante de Antônio Carlos, da Arcos Publicidade.
Com o passar dos anos, Luiz Geraldo foi vítima do descontrole e dos espertalhões. No início dos anos 80, a indústria fechou em Afogados da Ingazeira, mas dois anos depois, convidado por Edgar Wanderley, do Cirol Royal, café já notabilizado no mercado nordestino, aceitou o desafio de fincar raízes na terra de Vitalino com o Café Soberano.
Deu certo, coincidentemente, também, por 20 anos, estágio de tempo do Catedral. Caruaru e Afogados da Ingazeira viraram cidades simbolizadas pelo cheiro do café, abrindo um oásis econômico num chão euclidiano. A lenda de que Sertão é só seca e miséria foi removida das mentes dos descrentes numa epopeia personalizada na figura de Luiz Geraldo, o benfeitor.
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