O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (6) que o PL, partido de Flávio Bolsonaro, age para atrapalhar a votação pelo fim da escala 6×1 no Senado. A Casa deu início às discussões sobre a PEC (proposta de emenda à Constituição) no fim do dia.
“O dia de hoje é importante porque o meu adversário vai ter que tomar uma decisão, se vai mandar a bancada do partido dele votar favorável ao fim da jornada 6×1”, disse Lula.
“Pelo que eu fui informado, eles estão tentando atrapalhar a votação para que essa votação não aconteça. E a sociedade brasileira está de olho, porque é um tema de muita vontade dos brasileiros, que mexeu com milhões e milhões de trabalhadores no país”. As informações são da Folha de S. Paulo.
Leia maisO petista deu a declaração em seu QG de campanha, onde afirmou que também fará futuras falas sobre as bets. Ao fim, Lula se disse à disposição para responder perguntas, mas toda a fala foi apenas transmitida pela equipe do petista e cinegrafistas da imprensa geral. Não houve acesso de repórteres ao recinto.
Pouco antes do primeiro turno, Lula editou uma MP que pôs fim às chamadas bets no Brasil. Como mostrou a Folha, parte da equipe petista viu a medida como um erro, após Lula ficar para trás no primeiro turno. Parte da percepção indica que as plataformas receberam forte defesa de influenciadores e a restrição não surtiu o apoio esperado.
“Tenho outras coisas importantes para falar para vocês, mas não posso falar agora porque eu queria falar só da escala 6×1. Mas eu tenho coisas importantes sobre as bets pra falar, que tá acontecendo uma fiscalização extraordinária, mas amanhã nós tocaremos nesse assunto.”
Ainda em sua fala, Lula disse que a máscara dos parlamentares irá cair no momento em que o Senado começar a votação. “A gente vai ver quem efetivamente quer que o povo tenha uma vida mais digna, descanse mais e cuide mais da família, ou vai estabelecer essa jornada que as pessoas só têm um dia para descansar”, disse ainda.
O petista também disse que o PL demonstrará se “tem coragem ou não” de votar a favor da alteração da escala de trabalho. Chamou a votação de dia D para descobrir se a legenda, segundo ele, colaborará com os trabalhadores.
Flávio, que já se referiu à discussão de redução da jornada de trabalho como inoportuna, acusou o petista de ser oportunista com a pauta, durante declaração nesta terça. A redução da jornada é uma das principais bandeiras do governo para este ano, e vem sendo discutida há meses entre a equipe de Lula e o Congresso Nacional.
A PEC já foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e passará por teste de fogo no plenário, agora sob pressão do resultado das urnas no último domingo (4), com maioria de direita.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse, ao chegar ao Legislativo que poderá colocar a proposta em votação na próxima semana, para a análise em primeiro turno. Pelo regimento da Casa, as PECs precisam passar por cinco sessões de discussão antes da primeira votação, e de mais três, antes da segunda.
Segundo os cálculos apresentados por Alcolumbre, se a PEC do fim da 6×1 for aprovada na primeira votação, a segunda não aconteceria antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro.
Lula disse que a sociedade espera o cumprimento, por parte de Alcolumbre, do combinado de colocar o tema em pauta na primeira semana após o primeiro turno.
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