O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira que somente ele mesmo e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) são hoje líderes nacionais. O petista afirma que há “muita gente boa surgindo” dentro do seu grupo político e cobrou que viagem pelo Brasil para se projetarem politicamente fora dos próprios estados.
A declaração ocorreu nesta sexta-feira durante entrevista de Lula aos podcasts “As Cunhãs” e “Não Inviabilize”. O petista é candidato à reeleição no pleito deste ano. As informações são do jornal O GLOBO.
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Questionado sobre quem poderia ser o o líder da esquerda a partir de 2030, Lula citou seis nomes: os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Rui Costa (PT-BA), o governador Rafael Fonteles (PT-PI), o candidato ao Executivo de Pernambuco João Campos (PSB), o ministro da Secretária-geral Guilherme Boulos (PSOL), e o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT).
— Liderança você precisa criar. Os quadros, nós temos. O cara precisa ter uma compreensão das desigualdes sociais desse país e trabalhar para acabar com elas — disse Lula.
Em seguida, uma das entrevistadoras chamou atenção para um gesto recente de Lula no qual o presidente citou Haddad como possível sucessor. O petista, então, responde:
— Tem muita gente boa. O Haddad é uma delas. O Haddad é um companheiro com um potencial de crescimento extraordinário.
Sucessão de Lula
No início de agosto, Lula colocou Haddad como seu sucessor ao afirmar durante convenção partidária:
— Qual é o país do futuro que eu vou entregar, quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por oito anos, estiver sendo presidente da República?
Como mostrou o GLOBO, a declaração foi vista por aliados como uma indicação da preferência por ter seu ex-ministro da Fazenda como sucessor. Mas, ainda na visão dessas pessoas próximas, o petista, ao seu estilo, se corrigiu a tempo de deixar em aberto a possibilidade de um outro nome ficar com o posto.
O entendimento de lideranças da legenda é que a discussão sobre a sucessão de Lula, que aos 80 anos anunciou estar disputando a última eleição de sua carreira política, terá início imediatamente após uma eventual vitória do líder petista na disputa de outubro.
Haddad deixa transparecer nos bastidores ter a intenção de ser alçado ao posto. A sinalização concreta de Lula para isso é aguardada em uma eventual montagem do novo governo, caso ele conquiste a reeleição, com uma possível indicação do ex-chefe da equipe econômica para a Casa Civil. A pasta, com assento no Palácio do Planalto, é responsável por coordenar as ações da gestão.
Mas a avaliação entre aliados é que, mesmo que faça gestos a favor de Haddad, Lula não deve fechar as portas para outros quadros. Ao longo dos seus três mandatos, lembram interlocutores, o líder petista sempre estimulou as disputas entre os subordinados.
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