O conflito no Oriente Médio, que já resultou no Brasil em impactos no aumento de óleo diesel e está afetando empresas de vários segmentos, também tem tendência de modificar o setor de Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração (AVACR) no ano de 2026, que está refazendo suas projeções, principalmente quanto aos insumos.
Um dos efeitos disso, de acordo com relatório divulgado recentemente pela Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), é que o Produto Interno Bruto do País (PIB), deve desacelerar ainda mais que o previsto em virtude do conflito.
Leia maisO momento, conforme explicou Toribio Rolon, Diretor do Departamento de Economia e Estatística da ABRAVA, lembra o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, mas com diferenças significativas.
Segundo ele explicou, no conflito entre Rússia e Ucrânia foi observada uma crise de “matérias-primas físicas”. O mundo descobriu a dependência de metais russos e grãos ucranianos. Porém, para a construção civil e a indústria automotiva, o aumento do aço e do níquel foi o golpe mais duro.
Por sua vez, na guerra entre EUA e Irã o que se está sendo observada é uma crise de “fluxo e energia”. “O impacto é mais transversal: o diesel mais caro encarece desde a entrega da última milha até a operação de máquinas pesadas”, informou.
Além disso, conforme explicou Toribio, o fechamento de rotas marítimas vitais cria um “problema logístico” que aumenta o custo de qualquer insumo importado, independentemente da sua origem.
“Para o Brasil, o conflito no Irã tende a ser mais inflacionário no curto prazo devido à política de preços de combustíveis e à dependência de fertilizantes daquela região, afetando o custo de produção de alimentos e o frete industrial. Já a guerra na Ucrânia teve um impacto mais estrutural em setores específicos como o imobiliário (custo do aço) e tecnológico”, acentuou.
Um dos pontos preocupantes do conflito é a elevação dos custos de produção de insumos. Isto porque a forte desvalorização do real em relação ao dólar em 2024 foi parcialmente revertida em 2025, reduzindo os custos dos insumos. Mas agora, fatores conjunturais e geopolíticos geraram incertezas sobre commodities, como o preço do cobre, essencial para o setor AVACR.
“As previsões para os custos dos insumos em 2026 ainda são incertas, devido à complexa geopolítica. A principal preocupação do momento entre as empresas deste segmento da economia é com o aumento dos fretes para o Brasil.
Em relação aos custos, dados da consultoria Solve Shipping (março/2026), apontaram que o valor do frete para um contêiner de 40 pés na rota Ásia–Brasil saltou para aproximadamente US$ 3.100. Este valor representa três vezes a média registrada em fevereiro de 2026, antes da escalada das hostilidades no Oriente Médio.
Uma das principais causas disso foi a suspensão de trânsitos pelo Estreito de Ormuz e as interrupções no Canal de Suez, que forçaram os navios a contornar o Cabo da Boa Esperança (África), adicionando cerca de 3.500 milhas náuticas e US$ 1 milhão em custos de combustível por viagem.
Em relação ao cobre especificamente, com base nos dados mais recentes da London Metal Exchange (LME) e do mercado de futuros, o cobre apresentou uma trajetória de forte valorização nos últimos 12 meses (de março de 2025 a março de 2026), impulsionada pela demanda em setores de energia renovável e inteligência artificial.
Já em relação ao alumínio, com base nos dados mais recentes da London Metal Exchange (LME) e do mercado de commodities, o alumínio apresentou uma tendência de valorização constante nos últimos 12 meses (março de 2025 a março de 2026), impulsionada por gargalos na produção e pelo aumento da demanda em setores de transporte e embalagens.
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