Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), deixará o cargo no sábado (28). Desincompatibiliza-se para disputar uma vaga no Senado. Deixa em seu lugar a vice Celina Leão (PP) que, assim governadora, disputará a reeleição. Tudo isso, no entanto, tende a acontecer de uma forma totalmente inusitada.
A governadora que entra, sucessora do governador que sai, poderá fazer uma campanha de oposição a ele. O PL, partido que terá o senador Flávio Bolsonaro (RJ) como candidato à Presidência, fechou uma chapa puro-sangue ao Senado para apoiar Celina, tento como candidatas Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis. Ou seja, nessa hipótese, não há espaço na chapa para Ibaneis.
Leia maisO fato é que nos últimos dias ela se distanciou de Ibaneis, nem se falam. Se houver uma reconciliação, e Ibaneis for candidato a senador na chapa de Celina, o PL sai da aliança. Se Celina ficar com o PL, Ibaneis poderá montar uma chapa contrária do MDB. Ou acabar saindo para deputado federal. Será mais uma história em que a tendência puro-sangue do PL vai virando um tiro pela culatra. Em vez de fortalecer a chapa raiz, efeito oposto.
A esquerda vai assistindo de camarote aos tapas e beijos dentro do governo de Ibaneis. Ibaneis enfraqueceu-se com o envolvimento no rolo do Master, e Celina tenta se descolar dele, ainda que o risco de acabar envolvida não esteja dissipado. Os dois nomes à esquerda, ligados ao governo, Leandro Grass (PT) e Ricardo Capelli (PSB) apostam no aumento desses desentendimentos no GDF para lucrar com isso. Grass e Capelli preferiam que um apoiasse o outro. Mas isso vai ficando difícil. Tendem a formar chapas separadas.
Na terça-feira (24), o ex-governador e ex-senador do Distrito Federal Cristovam Buarque filiou-se ao PSB. Durante um tempo, Cristovam foi o presidente do Cidadania no DF. E planejava formar uma federação entre seu antigo partido e o PSB. Na brigalhada que virou o Cidadania, Cristovam resolveu deixar o partido com Roberto Freire e ir para o PSB.
Dois cálculos dominam o PSB. O primeiro obter coeficiente eleitoral e cumprir cláusula de barreira. Uma eventual candidatura de Cristovam a deputado federal ajudaria a puxar votos. Mas Capelli tem planos mais ousados. Sua ideia é que Cristovam seja uma das peças para formar uma “frente ampla”.
“Eu vou montar uma frente ampla. E vou ganhar a eleição”, disse Capelli ao Correio Político. Acrescentando um desafio: “Com ou sem PT”. Quem irá fazer parte dessa frente ampla, porém, Capelli não disse. “No momento certo, todos saberão”, respondeu o ex-interventor na segurança, em tom misterioso.
Pelo lado de Leandro Grass, há também a percepção de que o caso Master/BRB mudou muito o cenário que, no começo, parecia totalmente favorável à vitória de Celina e à eleição de Ibaneis para o Senado. Avaliam que Celina é o nome a ser batido, mas que o quadro no Senado já se alterou.
As projeções que vêm sendo feitas pela equipe de Leandro Grass vão no sentido de que os dois nomes eleitos para o Senado tendem agora a ser Michelle Bolsonaro, pelo PL, e a reeleição de Leila do Vôlei, ou Leila Barros, pelo PDT. Se os partidos do governo formarem uma chapa só, o outro nome na chapa seria a deputada Erika Kokay (PT).
Há ainda o fator José Roberto Arruda. Em princípio, o ex-governador, que se filiou ao PSD, está inelegível. Mas ele insiste que as recentes mudanças feitas na Lei da Ficha Limpa o beneficiam. Espera uma decisão da Justiça Eleitoral nesse sentido. Se Arruda entrar no jogo, o quadro eleitoral no DF sofrerá novo abalo.
Ainda assim, há uma percepção no entorno de Grass de que Arruda, mesmo de volta, não retorne com a mesma força. Avalia-se que o caso Master pode respingar nele. Não diretamente, porque não há nada nesse sentido. Mas indiretamente, por ter sido condenado em um processo que envolveu corrupção.
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