Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Prossegue a nossa história política com ares de novela mexicana. No último capítulo, o patriarca da família, que está preso e tenta preservar seu legado elegendo os membros da sua família, recebe na prisão alguns aliados. E indica apoio ao Senado em Santa Catarina à deputada Caroline de Toni (PL), para compor a chapa ao lado de seu filho 02, Carlos Bolsonaro (PL), que trocou o Rio de Janeiro, onde era vereador, pela cidade de São José, próxima de Florianópolis, para a aventura catarinense. Então, o senador Esperidião Amin (PP), no papel de idoso abandonado, resolve, pela primeira vez, se manifestar: vai às redes sociais e declara somente o seguinte: “Quero reiterar, sou candidato ao Senado por Santa Catarina”.
Direita totalmente desarrumada
Se Amin afirma que será candidato, significa, então, que isso não se dará pela mesma chapa de direita que se forma para a reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Significa que a direita, no estado mais bolsonarista do país, está totalmente desarrumada pela migração de Carlos para o seu jogo eleitoral. Depois da unção de Jair Bolsonaro a Carol de Toni, pronunciou-se Jorginho Mello, incluindo a deputada na sua chapa.
Amin: “Sou candidato ao Senado”
Jorginho Mello disse, então, que a chapa terá como vice o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), Carol de Toni e Carlos Bolsonaro. O problema é que não há muito tempo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tinha resolvido intervir em Santa Catarina, determinando que Mello mantivesse o compromisso que tinha assumido antes com o PP para dar uma das vagas ao Senado para Amin. Valdemar teme que, a partir de Santa Catarina, se forme uma onda que tire o PP da aliança em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência.
Carol fez movimento anterior
Quando Valdemar interveio no jogo, foi Caroline de Toni quem ameaçou sair do PL para disputar o Senado por outro partido. É ela quem lidera as pesquisas de intenção de voto. O fato é que ou ela ou Amin terão de sobrar na chapa, porque ninguém parece ter coragem de mexer em Carlos Bolsonaro, ainda que sua migração tenha provocado reações de grupos catarinenses.
Com o PSD
A partir da disposição de Amin de não abrir mão do Senado, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que pretende sair para o governo, convidou-o para compor sua chapa. Amin não se pronunciou. Anda cogitando ir, inclusive, à Papudinha para esclarecer a situação diretamente com Jair Bolsonaro.
Com o MDB
João Rodrigues conversa também com o MDB, que também foi escanteado da chapa de Jorginho Mello, que, antes de fechar com Adriano Silva, prometera para o partido a vaga de vice. O MDB está fazendo uma consulta aos filiados sobre se querem chapa própria, Rodrigues ou seguir com Mello mesmo sem vaga.
Sem Flávio
Qual é o grande risco de toda essa negociação? Que esse racha no estado mais à direita do país enfraqueça a candidatura de Flávio e fortaleça a outra opção conservadora: a que será lançada pelo PSD. Se formaria ali uma forte aliança na direção de um dos três governadores pré-candidatos do partido de Gilberto Kassab.
À esquerda
A brigalhada vai produzindo outros contornos. O presidente do Sebrae, Décio Lima, é candidato ao Senado pelo PT. E, então, em um estado conservador, busca tirar proveito da divisão convidando alguém mais à direita para compor a sua chapa: no caso, o nome cogitado é o ex-deputado estadual Gelson Merísio (Solidariedade).
Lula
Segundo andou dizendo Décio Lima, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria diretamente envolvido na composição de uma chapa com Gelson Merísio como candidato a governador. Além de Décio, a chapa imaginada teria a ex-deputada federal Ângela Albino (PCdoB) na outra vaga para o Senado.
Desarrumações
Tais desarrumações tornam os próximos capítulos emocionantes. Vale também ficar de olho no núcleo do DF. Sem lugar na chapa da vice-governadora Celina Leão (PP), o governador Ibaneis Rocha (MDB) volta a imaginar a candidatura ao governo do deputado Rafael Prudente (MDB).


















