Por Osvaldo Matos Pernambucano*
Para mim, o resultado de uma eleição não se resume a quem conquistou um mandato. Também importa quem ajudou a construir aquela vitória e de onde veio a confiança que levou o eleitor a escolher seus candidatos.
É aí que entra Jair Bolsonaro.
Como cientista político e social, procuro olhar além da apuração. Observo o que move as pessoas, os vínculos que elas mantêm com suas lideranças e os motivos que fazem um projeto continuar vivo mesmo nas circunstâncias mais difíceis.
Leia maisBolsonaro construiu uma relação com seus eleitores que muita gente ainda tem dificuldade de compreender. Há brasileiros que veem nele alguém que fala por suas convicções, expressa suas indignações e representa o país que desejam para os filhos.
Pode-se discordar dele. Mas ignorar essa relação compromete qualquer análise.
Sua influência sobre a escolha de candidatos mostra o tamanho dessa confiança. Uma indicação só tem força quando o eleitor acredita em quem a faz. E essa confiança foi construída ao longo de anos, em meio a disputas, erros, acertos e enfrentamentos.
Flávio recebeu a responsabilidade de dar continuidade a esse projeto. O apoio do pai tem peso, mas também aumenta a cobrança. Quem recebe um patrimônio político dessa dimensão precisa mostrar o que fará com ele.
Vejo o mesmo desafio nas demais lideranças desse campo. A identificação com Bolsonaro ajuda a conquistar votos, mas o mandato exige trabalho, presença e respeito aos compromissos assumidos. O eleitor merece mais do que uma fotografia de campanha.
Quanto a Bolsonaro, as limitações à sua atuação não apagam o vínculo com seus apoiadores. Na minha avaliação, subestimar essa ligação tem sido um dos grandes erros de quem tenta explicar a política brasileira apenas pelos acontecimentos de Brasília.
É preciso ouvir o que se diz nas ruas, dentro de casa, no trabalho. É nesses lugares que a confiança se mantém — e é de lá que vem o voto.
Por isso, considero Bolsonaro uma figura central para compreender este momento. Seu peso político ultrapassa sua participação pessoal na campanha e aparece nas escolhas de quem continua tomando seu nome como referência.
O desafio agora é fazer essa confiança valer a pena. O Brasil precisa de representantes que entreguem resultados e honrem a palavra dada.
A força de uma liderança se revela também nisso: na qualidade de quem ela ajuda a eleger e no legado que essas pessoas conseguem construir.
*Publicitário, cientista social e político
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