Considerada o “novo presídio de famosos”, a Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, recebeu esta semana o banqueiro Daniel Vorcaro. Não por muito tempo: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou nesta quinta-feira a transferência do dono do banco Master para a Penitenciária Federal em Brasília, um dos quatro presídios federais do país, além de Porto Velho (RO), Mossoró (RN), Catanduvas (PR) e Campo Grande (MS).
A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, que apontou riscos à segurança pública e à integridade física do investigado caso ele permanecesse em presídio estadual. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisO banqueiro foi preso na última quarta (4), por determinação de André Mendonça, no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero. Inicialmente, foi para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos e, na manhã desta quinta, chegou até Potim, de onde será levado para o sistema federal.
Em agosto do ano passado, O GLOBO passou um dia dentro da penitenciária federal de Brasília, a menos de 15 quilômetros da Praça dos Três Poderes, o centro do poder do país. Na ocasião, do alto de uma das torres de vigilância, policiais penais praticavam tiro ao alvo com armas israelenses recém-adquiridas para reforçar o arsenal de guerra que protege o presídio.
Construída inicialmente para isolar os líderes de facções, a unidade virou modelo contra planos de fuga e resgate e abriga alguns dos presos mais perigosos do país. No local, cercado por uma muralha de 9 metros de altura, estão reclusos os principais nomes do Primeiro Comando da Capital (PCC), como Marcos Hermes Camacho, o “Marcola”, e seu irmão, Alejandro Herbas Camacho Júnior, o “Marcolinha”; um integrante da máfia italiana, Nicola Assisi, conhecido como “fantasma da Ndrangheta”; e até um espião russo, Sergei Cherkasov, que tem a extradição disputada entre Estados Unidos e Rússia.
A rotina no presídio
O dia dos detentos começa às 7h com o acionamento da luminária das celas individuais. As luzes são apagadas impreterivelmente às 22h, quando é hora de dormir: “Atenção, silêncio na ala”, avisa o agente.
Para sair da cela, o preso é algemado pela portinhola e se dirige de costas e cabeça abaixada até um dos quatro pátios do banho de sol, que mais parecem uma quadra cimentada com uma faixa amarela pintada no chão. A vista do céu é coberta por uma tela antidrone.
Os presos dão voltas na linha e fazem exercícios físicos em grupos de até três pessoas — ultrapassar esse limite pode ser considerado falta disciplinar. Às quartas-feiras, eles recebem uma bola de borracha e se dividem em times para jogar futebol.
Aos fins de semana, os internos são autorizados a assistir à televisão que fica em um dos pátios. A programação inclui a transmissão de shows, filmes ou jogos de futebol (os preferidos), mas nunca ao vivo.
Na unidade federal de Brasília, o cigarro está na lista de itens vetados, ao lado de chocolate, refrigerantes e bebidas alcoólicas. Os presos recebem seis refeições ao dia, com direito a lanchinho pós-jantar.
Para evitar a saída de um preso para atendimento médico, a penitenciária de Brasília conta com minifarmácia, clínica odontológica e ambulatório — onde é possível fazer pequenos procedimentos cirúrgicos. Todas as macas e cadeiras têm suporte para algemas.
Com tempo livre e estimulados por um programa que abate o tempo de pena mediante a entrega de resenhas literárias, os presos federais se tornam leitores assíduos — um dos títulos mais requisitados por eles é a coletânea de “Game of Thrones”, de George R. R. Martin. Os livros passam por vistoria constante para não serem utilizados para troca de bilhetes.
O parlatório é o único local onde os detentos têm contato com alguém de fora, uma vez que as visitas íntimas são proibidas. Seja com o defensor ou familiares, todos os diálogos são grampeados e monitorados por uma equipe de inteligência, que já flagrou advogadas escondendo bilhetes no sutiã ou mesmo na boca.
Para se chegar à ala dos presos, é preciso passar por três detectores de metal e não há sinal de celular. O espaço aéreo é fechado. E scanners radiografam o subsolo em busca de túneis nas proximidades.
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