Por Djnaldo Galindo*
Tenho observado com preocupação a forma como a atual gestão municipal de Arcoverde tem conduzido sua relação com empreendimentos privados que geram emprego, renda e serviços essenciais à população. Entendo que há uma contradição evidente quando estabelecimentos como o Hospital São Camilo e a escola bilíngue Maple Bear, apesar de sua relevância econômica e social, enfrentam dificuldades estruturais básicas, enquanto recursos públicos são destinados a iniciativas de caráter mais imediato e midiático.
O Hospital São Camilo representa, a meu ver, um dos mais importantes investimentos recentes na saúde do Sertão pernambucano. Com aportes superiores a R$ 9 milhões, financiados pelo Banco do Nordeste por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), a unidade se prepara para receber a primeira estrutura do Grupo Oncoclínicas no interior do Nordeste. Isso amplia a oferta de serviços especializados, especialmente na área oncológica, e posiciona Arcoverde como referência regional em saúde.
Leia maisReconheço que o impacto do hospital vai além da assistência médica. Ele movimenta a economia local, estimula serviços complementares e gera novos postos de trabalho. No entanto, percebo que o poder público municipal não tem realizado investimentos básicos no entorno da unidade, como pavimentação, iluminação adequada, sinalização e melhorias no transporte coletivo, o que dificulta o acesso de pacientes, familiares e profissionais.
Situação semelhante observo em relação à escola bilíngue Maple Bear, que integra o polo educacional do município. A instituição também enfrenta limitações estruturais de acesso. Considero que a presença de uma escola com proposta bilíngue fortalece a cidade, atrai famílias e contribui para elevar o padrão educacional local.
Outro aspecto que me chama atenção é a relação política envolvida. Empresários que investiram recursos próprios, assumiram riscos e geraram empregos — e que inclusive apoiaram a atual gestão — não estariam recebendo sequer o suporte mínimo em infraestrutura pública. Não defendo privilégios, mas acredito que o município tem o dever de criar condições adequadas para que empreendimentos com função social relevante possam operar plenamente.
Quando a prefeitura deixa de garantir acesso adequado a um hospital ou a uma escola, entendo que não prejudica apenas os proprietários, mas pacientes, estudantes e toda a população que depende desses serviços.
Também avalio que há uma priorização de ações festivas e assistencialistas, que geram visibilidade imediata, mas não estruturam o desenvolvimento da cidade. Essa estratégia, muitas vezes comparada à lógica do “pão e circo”, pode produzir efeitos momentâneos, mas não resolve desafios estruturais.
Acredito que Arcoverde precisa de uma gestão que reconheça o valor estratégico dos seus polos de saúde e educação. O Hospital São Camilo e a escola Maple Bear não são apenas negócios privados; são instrumentos importantes para o crescimento econômico e social do município. A ausência de investimentos públicos em infraestrutura de acesso, na minha avaliação, revela falhas de planejamento e de definição de prioridades que podem comprometer o desenvolvimento sustentável da cidade.
*Analista político
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