O presidente estadual do Cidadania em Pernambuco, Cláudio Carraly, divulgou uma nota pública em que critica declarações do ex-deputado Roberto Freire, feitas em entrevista ao meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o Direto de Brasília. No texto, Carraly afirma que as posições defendidas por Freire não correspondem às deliberações mais recentes dos congressos nacional e estadual do partido e reforça que o Cidadania PE mantém alinhamento com o campo democrático e progressista.
Confira a nota na íntegra:
Leia maisComo presidente estadual do Cidadania em Pernambuco, eleito democraticamente no XXI Congresso do partido, venho a público manifestar minha profunda discordância com as declarações do ex-deputado Roberto Freire, em entrevista ao podcast ‘Direto de Brasília’ e publicadas na Folha de Pernambuco.
É fundamental esclarecer um ponto que vem sendo deliberadamente esquecido no debate público: Roberto Freire não representa a vontade majoritária do Cidadania no Brasil. A direção nacional legítima do partido, eleita democraticamente em seu último congresso nacional, passou pelo abandono da presidência por parte do então presidente, cabendo ao então vice-presidente, Comte Bittencourt, assumir a presidência e tornar-se a partir daí o presidente nacional do Cidadania.
As posições defendidas por Freire são totalmente minoritárias no partido, para não dizer irrelevantes. Ele se mantém no cargo apenas por uma decisão interlocutória da justiça, sendo, na prática, presidente de si mesmo e de pouquíssimas pessoas que o cercam. Essa situação momentânea não pode ser confundida com legitimidade política ou representatividade da vontade partidária.
O XXI Congresso do Cidadania em Pernambuco foi categórico ao definir nossos rumos políticos: compromisso com o campo democrático e progressista, defesa intransigente das conquistas sociais e consolidação da aliança histórica com as forças de esquerda em nosso estado. Essa não foi uma decisão de cúpula, mas expressão legítima da vontade da base partidária pernambucana.
As declarações que equiparam lulistas e bolsonaristas como supostos adversários da democracia representam uma falsificação grosseira dos fatos históricos recentes. Não foram eleitores de Lula que invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal em 8 de janeiro de 2023. Não foram governos do PT que tramaram golpes militares ou perseguiram instituições democráticas. Foi justamente a vitória do presidente Lula em 2022, com apoio de amplo espectro de forças políticas, que salvou a democracia brasileira de um projeto autoritário declarado.
Criar uma equivalência moral entre quem defende direitos sociais e quem promoveu ataques sistemáticos às instituições é mais do que um erro de análise: é uma distorção perigosa que serve apenas para legitimar o discurso desgastado da salvação pela ‘terceira via’, que verdadeiramente nunca teve sustentação real na sociedade brasileira.
Causa perplexidade que alguém que se declara de esquerda defenda simultaneamente a candidatura presidencial de Eduardo Leite, figura pública que se autodeclara de direita, e a manutenção de uma federação com o PSDB, partido que tem responsabilidade histórica direta na erosão democrática brasileira.
É preciso memória histórica: foi o PSDB liderado por Aécio Neves que, inconformado com a derrota de 2014, inaugurou no Brasil a estratégia de questionar as urnas eletrônicas e deslegitimar resultados eleitorais. Mesmo após a auditoria do TSE ter confirmado a lisura do processo eleitoral, insistiram em lançar suspeitas infundadas sobre a vitória legítima, criando um ambiente de desconfiança que envenenou o debate democrático brasileiro. Ali nasceu o ovo da serpente que abriu as portas para o bolsonarismo e seus ataques sistemáticos às instituições. Apresentar esse campo político como alternativa democrática é ignorar deliberadamente os estragos profundos que causou ao país.
Em Pernambuco, reconstruímos o Cidadania comprometido com: a defesa intransigente da democracia e das instituições republicanas; o campo progressista e popular, nosso espaço político histórico; a aliança programática com partidos de esquerda e centro-esquerda, que compartilham nossa visão de transformação social; e uma eventual federação que fortaleça nosso campo político, não que nos aproxime dos responsáveis, seja por ação ou omissão, pela tentativa golpista.
Roberto Freire afirmou que ‘respeitará a decisão do congresso partidário’. Pois bem: tanto o XX Congresso Nacional quanto o XXI Congresso de Pernambuco já decidiram. A maioria esmagadora do Diretório Nacional elegeu Comte Bittencourt presidente, e nossa militância estadual, de forma soberana e democrática, traçou rumos claros que não passam pela defesa de candidaturas de direita ou por alianças com os arquitetos da desestabilização democrática. Exigimos que essas decisões sejam respeitadas e que uma minoria ínfima, apoiada apenas em liminares judiciais, não imponha caminhos que contradizem a vontade expressa da base partidária nacional e pernambucana.
É com pesar que vejo uma liderança que teve, décadas atrás, vínculos com ideários transformadores dar uma volta de cento e oitenta graus e se reposicionar hoje no campo da direita brasileira, ou servindo diretamente aos seus interesses. Não se trata de ataque pessoal, mas de constatação política sobre escolhas que afastam o Cidadania de sua razão de existir e de nossa tradição progressista.
Como presidente estadual eleito democraticamente, reafirmo: o Cidadania de Pernambuco tem lado, tem projeto e está com o conjunto da sociedade. Seguiremos firmes na defesa da democracia, em aliança com as forças progressistas, respeitando e fazendo valer a decisão amplamente majoritária do partido em âmbito nacional e estadual. Nosso compromisso é com o campo histórico que nos constituiu: o campo da esquerda democrática, dos direitos sociais e da transformação que coloca os interesses coletivos acima de qualquer projeto de poder pessoal.
Saudações socialistas e radicalmente democráticas!
Cláudio Carraly
Presidente Estadual do Cidadania/PE
















