O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a um “cachorro louco” nesta sexta-feira. A declaração ocorreu enquanto o petista comentava o veto ao projeto de lei da dosimetria, que previa alterar as penas aplicadas aos condenados pelo atos de 8 de janeiro. Sem citar o nome do rival político, Lula disse que o antigo chefe do Executivo tentou destruir a democracia e “vai morder alguém” caso seja liberado da prisão.
— Você acha que, se você tiver um cachorro louco preso e soltar ele, ele vai estar mais manso? Ele vai morder alguém (…) Esse cidadão, que foi condenado a 27 anos e três meses de cadeia, tinha um plano para matar o Lula, o (Geraldo) Alckmin e Alexandre de Moraes. E não foi ninguém da oposição que denunciou, foram os comparsas dele que delataram ele — afirmou Lula em entrevista à TV Aratu, de Salvador. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisBolsonaro atualmente cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo da Papuda, conhecido como Papudinha. O ex-presidente foi transferido para a unidade em 15 de janeiro.
Quando questionado sobre a possibilidade de derrubada dos vetos, Lula afirmou que seria um “problema do Congresso Nacional”.
— Eu fiz o meu papel. Vetei porque não concordo. Esse cidadão tem que ficar preso. Se você liberta ele, se desmoraliza a seriedade da Suprema Corte que o condenou.
O petista assinou o veto integral à proposta no mês passado, em cerimônia no Palácio do Planalto que marcou os três anos dos ataques golpistas. Integrantes do governo Lula apostam na pressão da sociedade civil junto aos parlamentares para evitar a derrubada do veto.
A ideia de anunciar o veto no ato faz parte da estratégia desenhada por integrantes do governo para tentar mobilizar a sociedade a pressionar o Parlamento, numa disputa política acerca do tema. De acordo com governistas, o objetivo é buscar uma mobilização social como foi na tramitação da PEC da Blindagem, no ano passado, que levou à rejeição da matéria no Senado, após ter sido aprovada na Câmara.
O projeto, conhecido como PL da Dosimetria, foi aprovado pela Câmara e pelo Senado e vinha sendo defendido por seus articuladores como uma tentativa de reduzir tensões políticas em torno das condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes. O texto alterava critérios de cálculo das penas e de progressão de regime para crimes contra o Estado Democrático de Direito, o que, segundo críticos, poderia resultar na redução das condenações já fixadas pela Corte.
Entre os principais pontos da proposta estavam a proibição da soma de penas quando mais de um crime fosse cometido no mesmo contexto — fazendo prevalecer apenas a condenação mais grave — e a flexibilização das regras para progressão de regime, permitindo a mudança para o semiaberto ou aberto após o cumprimento de ao menos 16,6% da pena, independentemente de reincidência ou do uso de violência ou grave ameaça.
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