Todos os passageiros de Pernambuco estavam em risco? Ou só os da Logo Caruaruense?
Por Larissa Rodrigues – repórter do blog
A governadora Raquel Lyra (PSD) tentou apagar o incêndio iniciado pela denúncia do portal Metrópoles anunciando, ontem (16), que a Logo Caruaruense, empresa de ônibus do seu pai, o ex-governador João Lyra Neto, vai encerrar as atividades. Mas esse fogo tem potencial incalculável de prejuízos à imagem da gestora, por causa das inúmeras perguntas sem respostas que ficaram no ar e que dizem respeito à segurança das pessoas.
Se a Logo Caruaruense não era fiscalizada há três anos, as outras empresas de transporte intermunicipal também não eram? Nesse caso, todos os passageiros de Pernambuco estavam correndo risco de vida nesse período? Ou só não havia fiscalização na Logo Caruaruense, porque pertencia ao pai de Raquel? É necessária uma investigação profunda pelas autoridades competentes no setor, porque quaisquer que sejam as respostas a esses questionamentos serão gravíssimas.
Leia maisEm um cenário, o Governo do Estado teria feito vistas grossas para as vistorias não realizadas em todas as empresas. Em outro, teria acobertado que a empresa do pai da governadora operasse sem manutenção em seus veículos e com ônibus ultrapassados. Não há resposta confortável para Raquel. Nos dois cenários, a segurança de passageiros e trabalhadores esteve em risco na sua gestão.
É preciso elucidar se a governadora tinha conhecimento da falta de vistorias na Logo Caruaruense. Se tinha, o que a fez não agir? Se não tinha, como acreditar que uma chefe de Poder Executivo que não sabe o que se passa na empresa do próprio pai vá ter controle do que ocorre em sua gestão em todo o Estado?
A investigação do portal Metrópoles apontou que todos os ônibus da Logo Caruaruense têm mais de 10 anos, idade em que os veículos não podem mais operar. “O Decreto nº 40.559/2014 determina que será feito o cancelamento do registro dos ônibus que ultrapassarem uma década. A idade média da frota também estaria quase três vezes acima do exigido por lei, saltando de 5 anos para cerca de 14,5 anos”, diz o trecho de uma matéria assinada pela jornalista Isadora Teixeira.
Diante dessa informação, qual é o real estado dos ônibus das outras empresas? A manutenção dos veículos foi fiscalizada durante o governo de Raquel? A Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) fez o seu trabalho durante os três anos dessa administração? Ou ficou amarrada por alguma ordem superior? Se a EPTI fez o seu trabalho, por que não informou a Raquel sobre a situação? Se não fez, foi proibida? Por quem? Ou foi negligente?
Processo parado – De acordo com a reportagem do portal Metrópoles, a EPTI abriu processo administrativo para avaliar a renovação do certificado da Logo Caruaruense, mas o processo está parado desde fevereiro do ano passado. Pela legislação, a EPTI pode suspender a circulação de veículos irregulares e aplicar penalidades. Mas não o fez com a empresa do pai de Raquel. Por qual razão? O Metrópoles descobriu um documento da EPTI indicando que os veículos rodam sem vistorias há, pelo menos, três anos. A reportagem mostrou o atraso no pagamento da Taxa de Certificado de Registro Cadastral (CRC), exigência relacionada à segurança dos passageiros, e divulgou que Raquel Lyra integrou o quadro societário da empresa até 2018.

Repercussão na oposição – Deputados estaduais de oposição já se pronunciaram sobre o episódio da Logo Caruaruense, indicando que o assunto deverá ser pauta na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nos próximos meses. O líder do PSB na Casa, Sileno Guedes, disse haver um “apagão” no trabalho da EPTI durante o Governo Raquel Lyra. Ontem (16), o parlamentar ressaltou que vem alertando há meses sobre a omissão do órgão na realização de vistorias e fiscalizações em linhas regulares e alternativas.
O que disse Sileno – “Agora está explicado por que eu cobrava tanto e o Governo de Pernambuco não reagia quando o assunto era transporte intermunicipal. A EPTI não está fazendo o dever de casa para fiscalizar as empresas das linhas regulares, como a que pertence à família da governadora, e não está cumprindo o decreto que regulamenta o transporte complementar, levando esses trabalhadores de volta à clandestinidade. No fim das contas, enquanto o Governo Raquel Lyra se omite, os operadores e passageiros é que estão em perigo nas estradas, sobretudo nos rincões mais distantes do nosso estado”, declarou Sileno.
Presidente em exercício – O presidente em exercício da Alepe, Rodrigo Farias (PSB), afirmou que a decisão da empresa Logo Caruaruense de entregar as linhas representa “uma confissão das irregularidades”. Segundo o parlamentar, o caso atinge um grau de gravidade que já se configura como um escândalo nacional. “A entrega das linhas não apaga as irregularidades já cometidas. É uma confissão de culpa, omissão da governadora. E o mínimo que se espera é uma investigação profunda, com punição rigorosa, cobrança das taxas devidas e aplicação das multas retroativas. O governo precisa agir com transparência, porque essa situação é grave e envergonha Pernambuco”, afirmou Farias.

Tratamento desigual – Já o deputado Waldemar Borges (MDB) gravou um vídeo para o Instagram no qual critica a forma desigual com a qual as pessoas estão sendo tratadas em Pernambuco, relatando que, como parlamentar, é frequentemente abordado por motoristas, principalmente do meio rural, que têm seus veículos apreendidos por alguma irregularidade, como atraso de IPVA, mas os ônibus do pai de Raquel Lyra rodavam sem condições. “É uma maneira desigual de se tratar o pequeno e o grande, causa realmente indignação. Não é só devolver as linhas para a EPTI e achar que com isso a situação está superada. Não está. Pernambuco tem o direito de receber todas as informações em relação a esse caso e o governo tem o dever de prestar esses esclarecimentos”, ressaltou.
CURTAS
Tarcísio jogou a toalha? – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (RP), declarou, na última quinta-feira (15), o seu apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, este ano. “A direita vai estar unida em torno de um nome”, afirmou. “E o meu nome é o Flávio”, disse, descartando uma possível candidatura ao Planalto.
Disse que nunca quis – “Eu nunca desisti porque nunca teve essa candidatura. Nunca teve esse projeto. É engraçado porque vocês não acreditam, mas sempre estou falando que o meu projeto é reeleição”, declarou Freitas. As informações são do Poder360.
Pavimentação no Cabo – O prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (SD), assinou, esta semana, um pacote de ordens de serviço para a pavimentação de 120 ruas no bairro de Garapu. Com a medida, a localidade passará a ter 100% de suas vias pavimentadas. O primeiro lote, lançado na última quinta-feira (15), beneficia 25 logradouros. O segundo, outras 20 ruas.
Perguntar não ofende: Todas as empresas de transporte intermunicipal também estavam sem fiscalização em Pernambuco, ou foi um privilégio da Logo Caruaruense?
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