O prefeito do Paulista, Yves Ribeiro, que está no sétimo mandato como chefe do Executivo, comemorou, nesta quinta-feira (23), a aprovação pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco da 33ª conta do seu governo. O gestor já foi prefeito por duas vezes em Itapissuma, duas em Igarassu e, atualmente, comanda Paulista pela terceira vez.
Yves disse que ter mais uma conta aprovada demonstra o compromisso que tem na aplicação dos recursos da população. “Ao longo desses meus 50 anos de vida pública sempre me pautei na correta destinação do erário municipal. Cada real que entra na Prefeitura volta para o povo, através de obras e serviços”, afirmou.
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a retirada da Federação PSDB/Cidadania da coligação Pernambuco de Coração, liderada pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD). Em decisão assinada ontem (26), o ministro Dias Toffoli considerou que a aliança contrariou regras internas da federação e determinou que o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) adote, com urgência, as providências necessárias para considerar a posição de neutralidade da federação na disputa majoritária estadual. As informações são do Diário de Pernambuco.
Na decisão, Toffoli destacou que o Estatuto e a Resolução n.º 1/2026 do PSDB-Cidadania estabelecem regras para que decisões estratégicas sobre alianças majoritárias sejam submetidas aos colegiados da federação. Ademais, o ministro considerou relevante o fato de dez dos 19 integrantes do Colegiado Nacional terem manifestado, antes da convenção, discordância com a condução da aliança estadual.
No início de agosto, a federação havia optado pela neutralidade no estado, alegando divergência entre as legendas. Enquanto os tucanos defendiam a aliança com Lyra, o Cidadania preferia o apoio à candidatura do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Contudo, apesar do posicionamento oficial do bloco, a direção nacional do PSDB declarou apoio individual à governadora.
Com a decisão do Supremo, o TRE-PE deverá recalcular o tempo de propaganda eleitoral gratuita e adotar as demais medidas decorrentes da retirada do PSDB-Cidadania da coligação Pernambuco de Coração. Por meio de nota, enviada ao Diario de Pernambuco, a coligação de Raquel Lyra informa que a equipe jurídica da campanha “está analisando a íntegra do material e, de antemão, antecipa que irá recorrer da decisão”.
O Movimento Cores de Petrolina realiza hoje à tarde, em Petrolina, a 7ª Parada LGBTQIA+ da cidade, reunindo mais de 10 mil pessoas na Praça das Algarobas. O evento leva música, arte, diversidade e conscientização política às ruas e reúne a população LGBTQIA+, aliados, artistas e moradores em uma grande celebração da diversidade.
O ponto alto da manifestação, porém, será um grande protesto contra a governadora Raquel Lyra. A mobilização cobra atenção e apoio ao setor, que não vêm sendo recebidos, pelo Governo de Raquel Lyra e pela prefeitura de Petrolina.
A manifestação contra Raquel Lyra ganha ainda mais força diante da repercussão do episódio que ficou conhecido pela expressão “faz sem ela saber”. A frase foi dita pela governadora em um vídeo gravado em 2025, no qual ela sugere que uma mulher fosse submetida a uma laqueadura sem saber. O episódio ganhou repercussão nacional e se transformou em uma verdadeira vergonha nacional para Pernambuco e para todos os pernambucanos.
Com o tema “Nosso voto, nossas cores”, a Parada também reforça a importância da participação política da população LGBTQIA+. Para a organização, o evento é, ao mesmo tempo, uma celebração da diversidade e um espaço de reivindicação de direitos, visibilidade e políticas públicas.
A programação reúne Alan Cleber e banda, além dos DJs Candite, Anamauê, Vênus, Gleu, Gust, Akira, Othierry, Rhuanzito e Pedro Alencar. As performances drag ficam por conta de Lilica, Tassio Tavares, Saphira Hills e Lilly Alface. A concentração acontece na Praça das Algarobas e, ao final da programação, os participantes seguem em caminhada até a Orla de Petrolina.
A passagem de Raquel Lyra (PSD) pelo Mercado da Madalena, no Recife, na manhã deste domingo (27), foi marcada por manifestações contrárias à sua candidatura. Um grupo numeroso de apoiadores de João Campos (PSB) recebeu a governadora com palavras de ordem em favor do adversário e do presidente Lula (PT).
O coro mais ouvido uniu as duas candidaturas: “É lá e lô, é lá e lô, é Lula presidente e João governador”. Raquel também foi alvo de um refrão dirigido diretamente à sua campanha. “Tchau, Mainha, tchau, Mainha. Dia 4 de outubro, eu vou votar no quarentinha”, cantaram os manifestantes. A provocação faz referência ao número de João Campos nas urnas e ao apelido “Mainha”, usado por apoiadores do PSD para se referir à governadora.
A agenda, organizada como uma visita a comerciantes e frequentadores de um dos mercados mais tradicionais do Recife, acabou atravessada por uma manifestação pública de apoio aos adversários. Em parte da passagem de Raquel pelo local, os gritos por Lula e João dominaram o ambiente ao redor da comitiva.
O governo federal começou a disparar ontem (26) mensagens pelo WhatsApp orientando cidadãos que têm dinheiro depositado em sites ou aplicativos de apostas a retirar os valores até 5 de outubro.
Na mensagem, o governo informa que foi publicada a MP (medida provisória) que proíbe as bets no Brasil e orienta os apostadores a sacar os recursos. Também informa que, caso o apostador não consiga fazer a retirada até o dia 5, as empresas devolverão os valores por meio dos bancos até 14 de outubro. As informações são da CNN Brasil.
“Informamos que foi publicada a Medida Provisória que proíbe bets no Brasil. Se você tem dinheiro em sites ou aplicativos de apostas, retire o valor até segunda-feira, 05/10. Se você não puder fazer a retirada até essa data, as bets devolverão o seu dinheiro, por meio dos bancos, até 14/10”, diz o texto, que é enviado pelo canal oficial do Gov.br no Whatsapp.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou na última sexta-feira (25) a proibição de cassinos online, como o jogo do tigrinho, e as casas de apostas esportivas, as chamadas bets.
Lula também enviou ao Congresso Nacional um PL (projeto de lei) que endurece regras para o mercado ilegal de apostas. O texto define conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. Com isso, a partir do dia 6 de outubro, segundo o ministro, não haverá mais sites ou patrocínios das bets no país.
Confira o cronograma das medidas com a proibição das bets:
25/9: publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas;
Até 5/10, 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores;
A partir de 6/10: os sites e aplicativos de apostas saem do ar;
Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF;
De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos;
A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu liminarmente a veiculação de um jingle da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que associa o senador Flávio Bolsonaro (PL) a suspeitas de rachadinha, ao caso do Banco Master e à compra de imóveis com dinheiro em espécie. O jingle tem como o refrão: “Foi o Flavio Bolsonaro” ao relacioná-lo a esses casos. A propaganda foi exibida sete vezes em inserções de rádio, entre os dias 28 e 31 de agosto, em quatro emissoras.
Na decisão, Nunes Marques argumenta que a desinformação eleitoral não se restringe à divulgação de informações falsas, mas também a distorção de fatos. Para o ministro, a propaganda pode induzir os eleitores a erro ao apresentar denúncias e investigações sem esclarecer seu andamento ou desfecho.
O jingle cita o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afirma que Flávio Bolsonaro pediu R$ 61 milhões ao empresário para financiar um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A peça também menciona a homenagem feita pelo senador ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega, apontado como miliciano, e afirma que o parlamentar recebeu depósitos em dinheiro por meio de uma loja de chocolates. Além disso, associa a família Bolsonaro à compra de pelo menos 51 imóveis com dinheiro em espécie e cita o esquema de rachadinha atribuído a Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.
A campanha do senador acionou o TSE sob a alegação de que a propaganda apresentava “conteúdo fabricado e manipulado”. Também apontou supostas irregularidades na identificação da legenda responsável pela veiculação e dos candidatos beneficiados, o que, segundo a representação, poderia resultar em multa prevista em resolução da Corte.
Ao analisar o caso, Nunes Marques destacou que a propaganda utiliza o tempo presente para tratar de uma denúncia sobre rachadinha que já foi arquivada. O ministro também ressaltou que a peça não esclarece a origem nem o estágio da investigação da Polícia Federal sobre o suposto pagamento de Vorcaro. Da mesma forma, não informa o andamento das apurações sobre os depósitos em espécie e a compra de imóveis com dinheiro vivo.
Para o presidente do TSE, a combinação entre o formato do jingle, de fácil memorização e ampla repetição, e o contexto em que foi veiculado pode levar os eleitores a interpretar de forma equivocada os fatos apresentados.
Donald Trump não é de esconder o jogo. Na terça-feira, deixou claro que a defesa da democracia e o combate ao narcotráfico foram só pretextos para invadir a Venezuela. “Assinamos o maior acordo de petróleo da história”, festejou, na Assembleia Geral da ONU. “Foi uma guerra, mas talvez tenha sido o maior negócio já feito. Ao vencedor, os despojos”, congratulou-se.
O presidente dos Estados Unidos avisou que não vai permitir “ameaças à América” no Hemisfério Ocidental. “Se necessário, usaremos todo o nosso poderio militar inigualável para assegurar os interesses vitais dos EUA”, informou.
No caso venezuelano, os interesses podem ser medidos em barris. A operação que derrubou e prendeu Nicolás Maduro abriu caminho para os americanos assumirem o controle de 21% das reservas do país, o equivalente a 65 bilhões de barris de petróleo. “Os números são absolutamente incríveis”, celebrou Trump.
Em sete dias, o Brasil vai às urnas para escolher o próximo presidente. A disputa é marcada pela interferência explícita da Casa Branca, que já impôs um tarifaço a exportações, chantageou autoridades com a Lei Magnitsky e, num ato inédito de hostilidade, cassou o visto da embaixadora brasileira em Washington.
Os americanos não disfarçam. Querem a vitória da família que, no passado recente, subordinou a política externa brasileira aos desejos do próprio Trump. Na ausência do pai, o republicano aposta no filho. O irmão dele, ex-deputado cassado e foragido no Texas, já se escalou para o cargo de chanceler do irmão.
De olho nos despojos, a Casa Branca escancarou a ingerência eleitoral no início de junho. Horas depois de anunciar uma nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, Trump postou uma foto com Flávio Bolsonaro no Salão Oval. Descreveu o candidato do PL como “um jovem inteligente que ama muito o seu país”.
O senador já deu pistas de como retribuiria a gentileza. Em março, declarou que o Brasil seria “a solução para os EUA quebrarem a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras”. Também atacou o decreto do governo que impôs regras para responsabilizar plataformas digitais por publicações que envolvam fraudes, apologia à violência, exploração sexual infantil e nudez sem consentimento. Ao advogar em favor do lobby das big techs, disse defender a liberdade de expressão.
Depois do discurso na ONU, Trump se reuniu com presidentes de 14 países da América Latina e do Caribe governados pela direita. Eles assinaram um comunicado que abre caminho a sanções econômicas e operações militares na região, a pretexto de combater “organizações narcoterroristas transnacionais”. O Brasil não foi convidado, mas está na mira do pacote.
Na quarta-feira, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, descreveu a relação da família Bolsonaro com Trump como “obscena”. O democrata sugeriu que a interferência americana só deve aumentar na reta final da eleição. “Eu ficaria muito preocupado”, disse ao portal Metrópoles.
Às vésperas do primeiro turno, Flávio Bolsonaro percorre um calvário que seu pai impôs a Lula na eleição de 2022. Molha a camisa para negar que, se eleito, pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Há quatro anos, no primeiro dia da campanha em que media forças contra Lula, Jair Bolsonaro associou o adversário à ideia de fechamento de igrejas. Em 16 de agosto de 2022, ele postou o seguinte no antigo Twitter:
“É preciso estar atento. A partir de hoje, mais do que nunca, os que amam o vermelho passarão a usar verde e o amarelo, os que perseguiram e defenderam fechar igrejas se julgarão grandes cristãos, os que apoiam e louvam ditaduras socialistas se dirão defensores da democracia”.
– É preciso estar atento. A partir de hoje, mais do que nunca, os que amam o vermelho passarão a usar verde e a amarelo, os que perseguiram e defenderam fechar igrejas se julgarão grandes cristãos, os que apoiam e louvam ditaduras socialistas se dirão defensores da democracia.
Na esteira da campanha religiosa de Bolsonaro, a mentira de que Lula fecharia igrejas passou a ser disseminada por bolsonaristas nas redes sociais. Em 4 de outubro de 2022, o TSE mandou apagar 31 postagens. Ente elas, havia postagens de Flávio Bolsonaro, do deputado Mario Frias e de Filipe Martins, então assessor de Assuntos Internacionais da Presidência.
Nessa época, o bolsonarismo confundia a difusão de inverdades com liberdade de expressão. Os devotos do “mito” tacharam a decisão do TSE de censura. Neste sábado, suprema ironia, a campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao Ministério Público Eleitoral a prisão preventiva de George Marques, funcionário da Secretaria e Comunicação do Planalto. Acusa-o de propagar desinformação sobre o caso de Nossa Senhora Aparecida.
O candidato do PL começou a se enroscar com a religião no mês passado. Em 23 de agosto, ao justificar sua ausência no debate promovido pela Band, Flávio Bolsonaro fustigou Lula. Numa alusão ao fato de que o rival também faltaria ao debate, disse que gostaria de debater “com quem não acredita em Deus”. Acrescentou que, chegando ao Planalto, um dos seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
No feriado de 7 de Setembro, o arcebispo dom Orlando Brandes defendeu durante a missa no Santuário Nacional de Aparecida a soberania nacional. A certa altura, declarou: “Nossa Senhora, padroeira do Brasil, neste ano eleitoral, que elejamos aquelas pessoas segundo o nosso coração, segundo a nossa consciência, segundo o nosso conhecimento.”
Dias atrás, bispos católicos da região amazônica publicaram nas redes sociais um vídeo orientando os fiéis a não votar em “candidatos com ficha suja” ou que “utilizam o nome de Deus”.
Na noite da última quinta-feira, a jornalista Maria Cristina Fernandes informou na GloboNews sobre a existência de “um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos” que estaria se mobilizando em favor de um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira.
A jornalista não mencionou o nome de Flávio Bolsonaro. Mas seu comentário passou a ser difundido nas redes como se a proposta estivesse relacionada ao filho de Bolsonaro. O candidato se apressou em divulgar um vídeo. Na peça, declarou-se “surpreendido com uma mentira, uma fake news daquelas, pra variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto.”
Horas depois, a GloboNews divulgou uma retratação para “corrigir” uma associação que não constava do comentário de Maria Cristina Fernandes. Na nota, a emissora mencionou um projeto apresentado em 2007 pelo Professor Victório Galli, que posteriormente se vinculou ao bolsonarismo.
A proposta alterava a Lei 6.802, de 1980, que estabelece 12 de outubro como feriado nacional em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. O texto pretendia substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A maluquice foi arquivada pela Câmara em agosto de 2008.
Para o bolsonarismo, a fé é acreditar em algo que todos sabem ser falso. Na polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, Flávio Bolsonaro caiu no feitiço religioso criado pela esperteza do pai. E na política, a esperteza, quando é muito grande, acaba engolindo o dono.
A campanha presidencial de Renan Santos (Missão) prepara um grande ato de protesto contra a TV Globo caso ele realmente fique de fora do debate na quinta (1º).
A ideia é fazer uma concentração, com a presença do candidato, em frente à sede da emissora no Jardim Botânico, no Rio. O debate em si acontecerá longe dali, no Projac. A emissora convidou apenas quatro candidatos à Presidência para o debate, o último antes do primeiro turno das eleições: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).
A emissora seguiu o critério previsto em lei, que garante participação apenas a candidatos de partidos que tenham eleito ao menos cinco parlamentares em 2022. Segundo regras repassadas a assessores de candidatos, a Globo informou que, caso algum dos convidados falte, pode chamar um substituto.
Até agora Lula e Flávio não foram aos debates de primeiro turno, mas tudo indica que ambos deverão participar.
A uma semana da eleição presidencial, as pesquisas mais recentes indicam que o presidente Lula (PT) lidera as intenções de voto em 11 estados, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente em oito, além do Distrito Federal. As demais sete localidades registram empate técnico, incluindo dois entre os três maiores colégios eleitorais do país (Minas Gerais e Rio). A reportagem do UOL considerou os cenários de 1º turno na pesquisa estimulada.
Datafolha fez pesquisas para o cenário presidencial no Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Já a Quaest fez pesquisa em todos os estados (exceto o Piauí) e no DF.
Pesquisas Datafolha e Quaest das duas últimas semanas consolidam a preferência do eleitor nordestino pelo candidato petista. Lula está na liderança nos nove estados da região, sendo que em seis deles a diferença com Flávio Bolsonaro é superior a 30 pontos percentuais. Os estados onde o presidente tem maior vantagem são: Piauí, com 39 pontos percentuais, Pernambuco, 36, Maranhão, 37, e Bahia, 35.
Flávio domina no Sul do país. Dentre os três estados da região, dois são redutos bolsonaristas: Paraná e Santa Catarina. No primeiro, o placar é de 40% a 26%, e no segundo, 50% a 23%.
Rio Grande do Sul tem empate técnico, com vitória numérica do candidato do PL. Segundo pesquisa Quaest no estado, 35% dos gaúchos preferem Flávio e 31%, Lula. A margem de erro deste levantamento é de três pontos percentuais.
São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, indica vitória de Flávio. De acordo com o Datafolha, Flávio está com 38%. Lula tem 33%. Em pesquisa anterior, da Quaest, o senador marca 34% contra 31% do atual presidente. Ambos os levantamentos têm margem de erro de dois pontos.
No Rio e em Minas Gerais, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados. O petista está numericamente à frente em Minas, enquanto o bolsonarista aparece mais bem posicionado no Rio. No Espírito Santo, há um empate técnico no limite da margem de erro, com 37% para Flávio e 31% para Lula.
A região Norte tem dois estados com vantagem de Lula, três com Flávio à frente e dois empates. Amapá e Pará registram liderança de Lula. Acre, Rondônia e Roraima estão com o candidato do PL; Amazonas e Tocantins têm embate técnico, com vitória numérica de Lula.
Por fim, pesquisas mais recentes no Centro-Oeste apontam um empate e três vitórias de Flávio. O Datafolha indica vitória de Flávio (41%) no DF, com 34% de votos para Lula. De acordo com a Quaest, há um empate em Goiás, com vantagem numérica para Flávio (33% x 27%). Pelo mesmo instituto, Flávio está à frente em Mato Grosso (50% x 25%) e em Mato Grosso do Sul (42% x 27%).
Lula e Flávio empatam nas pesquisas nacionais
Os dois institutos de pesquisa mostram os candidatos tecnicamente empatados no cenário nacional, com o presidente à frente. Segundo o Datafolha, Lula tem 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio. Na Quaest, o petista aparece com 37%, ante 33% do rival. Os dois levantamentos têm margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Neto de Miguel Arraes, três vezes eleito governador de Pernambuco e líder histórico da esquerda brasileira no século 20, o candidato a deputado estadual Daniel Valença (PSOL-PE), optou por omitir o sobrenome ilustre em seu nome de campanha, preferindo adotar o sobrenome paterno, que compartilha com outro parente famoso: o tio Alceu Valença.
Daniel Arraes de Alencar Valença, 42 anos, é filho de Carmen Silvia Arraes, a Nena, filha do líder político, e de Décio Valença, irmão do autor de “Anunciação” e “La Belle de Jour”. Segundo ele, a decisão de omitir o sobrenome do clã político se deve a uma série de fatores: um pedido da mãe, que o achava mais parecido com o pai e receava perseguição política como a que os Arraes sofreram na ditadura; o hábito patriarcal de se adotar o nome paterno; e a rejeição a quem prioriza sobrenome em vez de propostas.
“Não é uma negação. Tenho muito orgulho do meu avô e da história dele. Mas não vou fazer política pelo sobrenome. A política pernambucana vai melhorar quando as pessoas não votarem em sobrenomes, mas em programas”, diz.
Engenheiro eletrônico com mestrado em energia eólica (ambos pela UFPE), Valença é ciclista e ativista na área da mobilidade. Caso eleito, será mais um herdeiro Arraes na política.
O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, seu primo em segundo grau, é bisneto de Arraes, mas não tem o sobrenome ilustre porque o pai dele, Eduardo Campos, também não tinha — exatamente por receio de perseguição na ditadura.
As primas em primeiro grau Marília Arraes (ex-deputada federal e candidata ao Senado pelo PDT) e Maria Arraes (PSB, deputada federal e candidata a deputada estadual), são igualmente netas do ex-governador.
Nesta eleição, enquanto as primas e a maior parte dos Arraes estão com João Campos, Daniel apoia o candidato do PSOL ao governo de Pernambuco, Ivan Moraes. E critica a gestão do seu primo na Prefeitura (“João privatizou os parques públicos”), bem como a da governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição.
“Raquel privatizou a Compesa, os sinistros de trânsito aumentaram muito na gestão de João. Ambos contribuem com coisas contra as quais a gente tem lutado, como o colapso climático, o desmatamento da APA Aldeia-Beberibe e outras.”
Daniel diz que as discordâncias com os parentes são políticas, não pessoais. “Somos uma família forjada na democracia, a gente sabe muito bem trabalhar as discordâncias sem precisar fazer arenga.”
Cicloativista há 15 anos, Valença afirma que nunca quis entrar na política institucional, e que só tenta agora por compromisso com a militância, que o instou a se candidatar. “Relutei bastante, mas estou cumprindo uma missão do movimento cicloativista pernambucano. É uma candidatura militante, para cumprir os objetivos do movimento — espalhar a bandeira da mobilidade, da segurança no trânsito, da democratização do espaço público —, não um objetivo pessoal. Jamais usaria o sobrenome como forma de alavancagem política.”
Miguel Arraes (1916-2005) teve três mandatos como governador de Pernambuco, mas o primeiro (iniciado em 1963) foi interrompido pouco mais de um ano depois da posse, quando foi cassado e preso pela ditadura e depois obrigado a se exilar. Voltaria a ser eleito para o cargo em 1986 e em 1994.
Arraes teve dez filhos de dois casamentos, sendo oito com a primeira esposa (Célia), entre os quais Nena, a mãe de Daniel, e dois no segundo casamento, com Magdalena.
A governadora Raquel Lyra (PSD) trouxe para o debate político uma expressão que passou a usar para definir sua posição: “Sou pernambuquista”. Quis dizer com isso que a sua prioridade é defender os interesses do Estado. Mas, antes de defender Pernambuco, é preciso sobretudo defender as mulheres em geral, especialmente as pernambucanas.
Mulheres que ainda enfrentam diariamente diferentes formas de violência, seja física, psicológica, sexual, moral, patrimonial e institucional. Mulheres que precisam de políticas públicas fortes, prevenção, acolhimento, proteção e uma rede especializada que esteja realmente presente onde elas vivem.
E foi justamente por isso que me causou tamanha indignação ouvir da governadora, ao saber que uma mulher já tinha vários filhos, ser objeto de uma laqueadura sem saber. “Faz sem ela saber.” A frase, dita por ela, é criminosa.
Não foi apenas a palavra “laqueadura” que me atingiu. Foi a naturalidade do “sem ela saber”. Porque uma laqueadura diz respeito ao corpo, à autonomia e à decisão da própria mulher. A legislação brasileira exige sua manifestação expressa de vontade. Não é uma decisão que outra pessoa possa tomar escondida dela.
Raquel, diante da brutal repercussão, reconheceu que sua fala foi equivocada e pediu desculpas. O pedido de desculpas precisa ser registrado. Mas isso não impede que nós, mulheres, possamos refletir sobre o peso daquela frase.
Para mim, “faz sem ela saber” ultrapassa aquele episódio. Quantas mulheres já viveram alguma forma o “faz sem ela saber”? Decisões tomadas sobre elas sem ouvi-las. Escolhas feitas por elas sem consultá-las. Direitos ignorados. Corpos tratados como se não lhes pertencessem. Violências silenciadas. Vontades desconsideradas.
É nesse sentido que essa frase me incomoda profundamente: porque ela me remete a uma estrutura histórica em que, tantas vezes, alguém acredita que pode decidir pela mulher aquilo que somente ela deveria decidir.
E quando uma frase assim parte de uma mulher que é governadora e que também tem formação jurídica e trajetória no serviço público, merece ainda mais reflexão.
Então, fica a pergunta: de qual “pernambuquismo” estamos falando? Porque, para mim, defender Pernambuco precisa começar também por defender a autonomia, a dignidade, a segurança e a voz das mulheres pernambucanas.
Não existe defesa de Pernambuco sem defesa das suas mulheres. E nenhuma mulher deveria precisar conviver com tamanha violência do seu aconselhamento: “Faz sem ela saber.”
*Bióloga e consultora na área de saneamento e abastecimento.
Uma semana depois de o Brasil tomar conhecimento de que a governadora Raquel Lyra (PSD) defendeu uma laqueadura sem consentimento em uma paciente da rede pública, a gestora está novamente envolvida em uma polêmica sobre falta de defesa das mulheres.
A deputada estadual Roberta Arraes (PP), que disputa novamente uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), relatou à governadora ter sido agredida pelo ex-prefeito de Araripina Raimundo Pimentel (PSD). Roberta Arraes fez o relato à Raquel Lyra durante uma agenda política da governadora no Hospital de Câncer do Sertão do Araripe, em Araripina, na última sexta-feira (25).
Após afirmar para Raquel que estava indo embora da agenda por ter sido agredida, Roberta Arraes realizou um Boletim de Ocorrência contra Raimundo Pimentel, que nega as acusações. Vídeos que tomaram as redes sociais mostram o momento em que Roberta diz a Raquel que está deixando o local e o motivo. No entanto, a governadora não paralisou a agenda política e seguiu ao lado do ex-prefeito Raimundo Pimentel para gravar imagens a serem usadas em sua campanha.
Raquel Lyra está sendo acusada por ativistas dos direitos das mulheres de não ter acolhido uma possível vítima de agressão e ter ignorado o relato de Roberta Arraes, além de ter continuado a agenda ao lado do suposto agressor. Uma dessas ativistas é a atriz Luana Piovani, que há anos milita em favor das mulheres nas redes sociais. Ela postou nos stories do seu Instagram, ontem (26), o vídeo do jornalista pernambucano Ruan Braga que questiona Raquel Lyra.
No mesmo story, Luana Piovani afirmou: “gente mas qual a dúvida que a governadora Raquel Lyra é a pior mulher para representar mulher. Pensa como homem, só quer saber de alianças para se manter no poder. Ela me envergonha como MULHER!!!” Veja imagem abaixo:
Roberta Arraes relata no Boletim de Ocorrência que sofreu “empurrões” e que Raimundo Pimentel mandou que ela chamasse seu marido. As imagens dos vídeos que ganharam as redes mostram que enquanto Roberta Arraes está relatando para Raquel Lyra o que teria ocorrido, Raimundo Pimentel se aproxima e fala algumas coisas que não são entendíveis. A esposa dele, a deputada estadual Socorro Pimentel (PSD) também fala algumas coisas para Roberta Arraes neste mesmo momento.
Tanto Socorro Pimentelquanto Raimundo Pimentel também gravaram vídeos sobre o assunto. O ex-prefeito também realizou um Boletim de Ocorrência. Ele disse que prestou queixa por denunciação caluniosa contra Roberta Arraes.
Pauta nacional
Na semana passada, outra atriz se pronunciou nas redes sociais contra Raquel Lyra. A global Deborah Secco gravou um vídeo (veja aqui) no qual repudia a fala da governadora “faz sem ela saber”, sobre o episódio da laqueadura sem consentimento. O assunto ganhou destaque nacional, foi pauta em vários telejornais da GloboNews e jornalistas como Andréia Sadi, Natuza Nery, Flávia Oliveira, Mônica Waldvogel, Miriam Leitão e Octavio Guedes repercutiram a afirmação de Raquel.