Sou filho do impresso no jornalismo. Quando ingressei numa redação pela primeira vez, a do bicentenário Diário de Pernambuco, nos anos 80, me deparei com verdadeiros feudos. Um deles era a diagramação, a arte de fazer o jornal ficar mais atrativo, com um formato mais gostoso de ler, com manchetes de oito colunas na capa, para vender mais nas bancas.
Não sei por qual razão, me veio a memória ontem a figura de José Maria Garcia, o chefe dos diagramadores do DP. Era um craque em projetar qualquer página, principalmente a capa. Impossível o jornal sair para a impressora sem o crivo dele, sem o seu olhar arguto, crítico e criativo.
Por isso mesmo, era paparicado pela direção do jornal. Antônio Camelo, Gladstone Vieira Belo e Joezil Barros, os mandachuvas do velho DP, batiam continência para ele. Naquela época, o DP era o mais poderoso e influente jornal do Nordeste (mais lido na Paraíba e Alagoas, Estados vizinhos, do que os jornais locais). Ninguém ousava contrariar Garcia, como era tratado pelos mais íntimos.
Sem ele, não tinha jornal, a diagramação não funcionava. Era mais poderoso que o editor-geral. Zé Maria tinha tamanha consciência da sua força e do seu poder que se dava ao luxo de só diagramar a capa do jornal, a última da edição, depois dos seus tragos diários de conhaque na Cristal, uma lanchonete com cara de bar ao lado do jornal, na Pracinha da Independência, onde batia seu ponto todos os dias.
Era abusado, fumante inveterado, excelente contador de causos, quando de bom humor, o que era raro. Zombava do seu próprio poder. Quando fui promovido a editor da primeira página do DP, fui logo advertido: “Fique amigo do Zé Maria. E nunca cobre horário dele, nem muito menos vá buscá-lo na Cristal”, me avisou o editor-geral, Lúcio Costa, depois de dar mão à palmatória de que Garcia mandava mais do que ele.
Certo dia, num plantão de domingo, havia ocorrido um homicídio duplo envolvendo as famílias Alencar, Sampaio e Peixoto, que se digladiavam em Exu. O relógio já passava das 20 horas e nada de Zé Maria adentrar na redação para diagramar a primeira página, sob minha responsabilidade.
Cristão novo na edição, estava ansioso para fechar a primeira página. Impaciente, caí na besteira de ir buscar o todo-poderoso Garcia na Cristal. Levei um esculacho que nunca mais esqueci.
Não gostou de me ver invadindo o seu território, me olhou enviezado e sapecou: “Vá à merda, seu editorzinho de proveta”. Voltei e fiquei a esperar pela sua boa vontade por mais de duas horas.
Mas, mesmo sob o efeito de várias doses do seu conhaque preferido, fumando um cigarro atrás do outro, Garcia me produziu uma das mais belas capas da história do jornalismo pernambucano.
Nunca mais quis brigar com ele! Quanto mais bebia, mais criatividade ele exibia na arte da diagramação.
Uma análise mais superficial da pesquisa Atlas/Intel, divulgada na quarta-feira (21), talvez indicasse que ela é mais do mesmo. Como nas demais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vence em todos os cenários simulados, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Mas, nos detalhes, a pesquisa, caso outras venham a confirmá-la, revela um dado impressionante: a eleição presidencial congelou. Ou, como diz o cientista político André Cesar, ficou calcificada pela polarização. Os cenários pesquisados não variam. É como se o presidente tenha atingido seu teto. Mas esse teto o elege para um quarto mandato. Porque, segundo os cenários pesquisados, também os adversários de Lula tenham talvez atingido.
Com exceção de uma eventual disputa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro – que não haverá, porque Bolsonaro está inelegível e preso –, Lula tem o mesmo percentual de 48% qualquer que seja o adversário no primeiro turno. A diferença varia na casa além da vírgula. Contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 48,8%. Contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), 48,5%. Contra Michelle Bolsonaro, 48,2%.
Mesmo num cenário em que sejam candidatos tanto Flávio quanto Tarcísio, o percentual se mantém em 48,4%. Ou seja, nada altera, a não ser num detalhe abaixo da margem de erro da pesquisa, que é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, o patamar conquistado por Lula. Nem Flávio ganha votos quando Tarcísio está fora, nem Tarcísio quando quem sai é Flávio. É como se o eleitor tivesse se dividido no estádio brasileiro em duas torcidas. Quem torce para o time Lula, fica de um lado. E identifica todos os demais como time adversário.
A pesquisa levantou uma outra hipótese que parece totalmente improvável: o candidato do governo ser o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Haddad aparece com um percentual menor, mas também vence em todos os cenários. E, outra vez, parecendo cristalizar o quadro. Nas duas simulações com Haddad, ele oscila entre 41,5% (contra Flávio) e 42% (contra Tarcísio).
Mais impressionantes são as simulações de segundo turno. Qualquer que seja o adversário testado, o percentual de Lula é, segundo a Atlas/Intel, exatamente o mesmo: 49%. Somente contra o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD) seria 48%. Mas, na margem de erro, é também o mesmo.
Da mesma forma, é igual o percentual da maioria dos adversários. Tanto Jair Bolsonaro quanto Tarcísio de Freitas, Michelle ou Flávio Bolsonaro ficariam com 45%. Caiado e os governadores do Paraná, Ratinho Jr (PSD) e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ficariam com 39%. Leite teria percentual menor: 23%.
É possível que essa calcificação do cenário já tenha sido percebida pelo mundo político. E é ela quem talvez venha dificultando a formação dos palanques regionais, especialmente no campo da direita. Diante de um quadro sem grandes perspectivas nacionais, os políticos se movem pelos interesses locais.
O Distrito Federal é um exemplo. O que inicialmente parecia um passeio rumo à eleição da vice-governadora Celina Leão (PP) para o governo do Distrito Federal com uma fácil eleição do governador Ibaneis Rocha (MDB) para o Senado corre risco com a entrada no jogo de José Roberto Arruda (PSD) para o governo e Bia Kicis e Michelle para o Senado.
Ou Santa Catarina. Se Jorginho Mello (PL) parece ter perspectiva melhor para o governo, o quadro embolou para o Senado com a ida para o estado de Carlos Bolsonaro. Caroline de Toni (PL) e Esperidião Amin disputam a outra vaga de senador. Um dos dois terá que declinar ou será derrotado. Ou os dois.
Ou ainda São Paulo. Com Eduardo Bolsonaro (PL) fora do jogo, não se sabe para onde irá a direita. Vários nomes se assanham. O que abre espaços para um avanço de nomes governistas, como Fernando Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ou a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB).
O deputado Romero Albuquerque (União Brasil) rebateu declarações feitas, ontem, pelo deputado Antônio Moraes (PP) sobre a suposta lisura da Logo Caruaruense, empresa de ônibus pertencente à família da governadora Raquel Lyra (PSD) e que operava de forma irregular havia três anos. Segundo o parlamentar, Moraes cumpre o papel de alguém escalado pelo governo para tentar confundir a opinião pública em meio à falta de justificativas do Palácio do Campo das Princesas sobre as denúncias.
“O deputado fala do CRLV da frota da Logo Caruaruense, que é um documento exigido nacionalmente, inclusive por autoridades federais, mas se esquiva de comentar sobre as infrações administrativas da empresa, que deveriam ser fiscalizadas pela EPTI, um órgão estadual, mas não foram. Havia taxas atrasadas, falta de vistorias e frota sucateada, tudo comprovado em documentos da própria EPTI. O deputado, que tenta explicar o inexplicável, está sugerindo que esses documentos são falsos? Está atuando para esconder a omissão da governadora Raquel Lyra”, disse Romero.
Ainda segundo o parlamentar, a fala de Moraes contradiz o único esboço de reação feito pelo governo até agora: a exoneração do presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), Antônio Carlos Reinaux. “Se estava tudo certo, se a empresa era a de melhor qualidade no setor, como ele diz, por que o presidente da EPTI foi exonerado? Os aliados tentam falar em cortina de fumaça da oposição, mas é o próprio governo que está tentando confundir a sociedade com desinformação. E isso nós não vamos permitir”, completou.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou, hoje, o arquivamento das investigações que apuravam a suposta organização de blitzes destinadas a dificultar o deslocamento de eleitores no segundo turno das eleições de 2022. As informações são do portal Estadão.
As apurações tinham como alvo suspeitas de uso indevido de operações policiais para barrar eleitores em regiões onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentava vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais, especialmente em cidades do Nordeste.
Em agosto de 2024, a Polícia Federal indiciou o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, apontados como responsáveis por articular as abordagens realizadas durante o pleito.
Ao analisar o caso, a Procuradoria-Geral da República concluiu que não havia elementos suficientes para comprovar a participação dos policiais Alfredo de Souza Lima Coelho Carrijo e Leo Garrido de Salles Meira na prática criminosa. Moraes acompanhou o parecer e determinou o arquivamento em relação a eles.
Além desses dois servidores, também haviam sido indiciados quatro policiais federais cedidos ao Ministério da Justiça Alfredo Carrijo, Fernando de Sousa Oliveira, Leo Garrido de Salles Meira e Marília Ferreira de Alencar.
Quanto ao delegado Fernando de Sousa Oliveira, que exercia interinamente o comando da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal nos atos de 8 de janeiro, o inquérito foi arquivado em razão de sua absolvição pelo próprio Supremo na ação penal relacionada à trama golpista.
O presidente Lula e o PT não têm plano B para a disputa do governo de São Paulo, e querem que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vá para o sacrifício em 2026, mesmo sabendo que deve perder a eleição caso o candidato seja o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que pode tentar a reeleição.
Tarcísio tem a máquina pública na mão, popularidade na casa dos 60% e, a seu favor, a histórica trincheira antipetista do interior paulista – barreira que o PT não supera desde 1982. As informações são do blog da Júlia Duailibi
O partido já disputou eleições para o governo de SP com Lula, Eduardo Suplicy, Plínio de Arruda Sampaio, Marta Suplicy, José Dirceu, José Genoino, Alexandre Padilha, Luiz Marinho e o próprio Haddad. Todos perderam.
A avaliação é que, como há problemas em vários outros estados, a começar por Minas Gerais, que não tem um palanque ainda definido e Lula precisa correr atrás do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para convencê-lo a concorrer ao governo do estado, o PT não pode correr nenhum risco em São Paulo.
Haddad foi para o segundo turno com Tarcísio em 2022 e ganhou na cidade de São Paulo. Para o PT, a derrota dele em 2026, que é o cenário mais provável visto pelas lideranças do partido, seria uma derrota que não coloca a candidatura presidencial de Lula em risco.
Um aliado de Lula disse ao blog que, em 2022, o petista venceu a eleição nacional por uma margem de 2 milhões de votos, mas perdeu em São Paulo por 2,6 milhões. Se a derrota no estado tivesse sido mais ampla, o projeto presidencial teria naufragado.
A missão de Haddad, portanto, é repetir o desempenho de 2022: ir ao segundo turno, vencer na capital e segurar a diferença para garantir a vitória nacional de Lula. Qualquer outro nome poderia sofrer uma derrota acachapante que contaminaria a votação presidencial.
Aliados de Haddad, por outro lado, temem que o ministro saia queimado de mais uma derrota, porque ele é o candidato à sucessão de Lula em 2030, caso o presidente seja reeleito neste ano.
O raciocínio desse grupo é que Haddad já perdeu para Tarcísio em 2022. Uma nova derrota em 2026 daria discurso para o adversário em uma eventual disputa presidencial em 2030, carimbando Haddad como “freguês”.
A resposta dos aliados de Lula é que o cenário de Haddad candidato em 2030 só existe se houver vitória de Lula em 2026. Para o núcleo duro do governo, cada eleição é uma eleição. Se Lula for reeleito, a tendência é que Haddad assuma um posto de alta visibilidade, como a Casa Civil, uma vitrine para trabalhar seu nome para 2030.
Geraldo Alckmin deve ser candidato a vice na chapa da reeleição de Lula. Simone Tebet, que era uma opção, pode ser candidata ao Senado. E Alexandre Padilha deve continuar no Ministério da Saúde – quando ele disputou o governo de SP, em 2014, ficou em terceiro lugar. O cenário está para Haddad e não há plano B.
Ouro Preto é um charme, um pedação da história brasileira, principalmente sobre o período da Inconfidência Mineira, luta pelo fim do domínio português e o período da escravidão no País. Aqui, onde cheguei ontem com minha Nayla, a engenheira Tayse Lira e o casal Cid e Kelly, os principais artistas barrocos deixaram suas marcas e obras pela cidade, fator que faz com que a cidade seja um verdadeiro museu a céu aberto, recheado de atrações e pontos turísticos fantásticos.
Conhecer Ouro Preto é viajar no ciclo do ouro brasileiro. Daqui foram enviadas a Portugal 800 toneladas de ouro no século XVIII, isso sem contar o que circulou de maneira ilegal, nem o que permaneceu na colônia, como por exemplo o ouro empregado na ornamentação das igrejas.
O município chegou a ser uma das cidades mais populosas da América, contando com cerca de 40 mil pessoas em 1730 e, décadas após, 80 mil. A área de Villa Rica/Ouro Preto era muito maior englobando as atuais Congonhas, Ouro Branco e Itabirito, cidades próximas. Àquela época, a população de Nova York era de menos da metade desse número de habitantes e a população de São Paulo não ultrapassava 8 mil.
Ouro Preto foi o primeiro sítio brasileiro considerado Patrimônio Mundial pela Unesco, título que recebeu em 1980. Foi considerada também patrimônio estadual em 1933 e monumento nacional em 1938. Ouro Preto é famosa por ser um epicentro histórico e artístico do Ciclo do Ouro no Brasil, abrigando o maior conjunto homogêneo de arquitetura barroca e rococó do país, com obras-primas de mestres como Aleijadinho, e por ter sido cenário de eventos cruciais como a Inconfidência Mineira.
Por causa da atividade mineradora, construiu-se uma grande estrutura na cidade, que chegou a ser a mais populosa da América Latina. Em 1720, a cidade se transformou na capital da capitania das Minas Gerais, e permaneceria até 1897, quando Belo Horizonte se transformou na capital mineira.
Devido ao excesso de ouro, Ouro Preto foi um dos berços da arte Barroca no Brasil, com igrejas extremamente luxuosas e banhadas a ouro. O principal expoente do período barroco brasileiro é nascido na cidade, Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho.
Ouro Preto também foi palco de uma das primeiras revoluções republicanas, a Inconfidência Mineira. Liderada por Tiradentes, a revolta tinha como objetivo se livrar das altas taxas cobradas pela corte portuguesa sobre a exploração do ouro. Após ser delatado por um de seus companheiros, Tiradentes foi enforcado em praça pública e tornou-se um mártir da luta contra o domínio português.
Para quem quer fugir um pouco dos roteiros óbvios e descobrir um pouco mais sobre a história de Minas Gerais, há atrações imperdíveis. Tudo começa pelo Museu da Independência, um dos lugares mais incríveis de Ouro Preto, e um dos melhores para entender a história da região.
Nele, nos deparamos com objetos e importantes documentos que demonstram a importância do movimento que buscava ir contra o domínio português. Além disso, o prédio que abriga o museu é um dos mais bonitos e icônicos da cidade.
De lá, fomos a Igreja Nossa Senhora do Pilar, considerada a segunda mais rica do Brasil por conter em seu interior esculturas feitas em ouro maciço – além de pinturas feitas pelo pai de Aleijadinho. A igreja é um dos símbolos marcantes e emocionantes do catolicismo.
Tem também a Igreja São Francisco de Assis, uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo, construída em uma época em que o ouro não era tão abundante. Por isso, sua decoração não tem tantos enfeites e riquezas, detalhe que não tira sua beleza, imponência e importância.
As ruas e ladeiras de paralelepípedos de Ouro Preto formam uma arquitetura única e belíssima. O acesso a todos os restaurantes e conveniências se dá subindo e descendo ladeiras com esse piso nos remetendo as raízes coloniais. O forte da cidade são os artesanatos em Pedra Sabão e trabalhos manuais.
Por aqui também se encontra a maior mina de ouro aberta para visitantes em todo o mundo: a Mina de Passagem, no caminho entre Ouro Preto e Mariana. O passeio se inicia com uma explicação sobre a antiga mina e a situação dos escravos e trabalhadores.
Em seguida, os visitantes sobem em um carrinho e andam sob os mesmos trilhos utilizados pelos escavadores. Visitar o local é como fazer uma verdadeira viagem no tempo e voltar a 1800, época em que mais de 35 toneladas de ouro e outros minérios eram extraídos do seu chão rico e das suas rochas.
Fim da escala 6×1 impacta diretamente vida de mulheres brasileiras
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
Ao defender o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga (6×1) no Brasil, ontem (21), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, tocou no ponto mais sensível da pauta: a dupla jornada feminina. Dados de instituições consolidadas apontam que as brasileiras estão exaustas. Não por acaso, estão ávidas por votar em quem defende seus interesses, e o fim da escala 6×1 tem impacto direto na rotina das mulheres.
Assim como Boulos, é bom que outros políticos atentem para esse número: segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres são maioria e representam 53% do eleitorado brasileiro. Em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov, Boulos argumentou que o fim do modelo vai aumentar a produtividade e mencionou o trabalho doméstico.
“E por que aumenta a produtividade? Com seis dias de trabalho, um de descanso – e às vezes esse um, principalmente para as mulheres, é para fazer serviço de cuidado em casa – quando essa pessoa chega ao trabalho, ela já está cansada. Quando esse trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor. Então, o que a gente sustenta é baseado em dados”, afirmou.
Boulos não falou sem fundamento. O ministro apontou um estudo da Fundação Getulio Vargas, de 2024, envolvendo 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. O levantamento mostrou aumento de receita de 72% dessas empresas e de cumprimento de prazos em 44%. “Estão reduzindo mesmo sem a legislação”, destacou.
No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, apontam que as mulheres gastam, em média, 21 dias a mais do que os homens em tarefas domésticas, o equivalente a 499 horas a mais de trabalho. No período de um ano, os homens dedicam 612 horas aos afazeres domésticos, enquanto as mulheres, 1.111 horas, segundo o IBGE, exemplificando a necessidade do fim da escala 6×1 e o impacto da medida na vida das brasileiras.
Mesmo que não houvesse dados tão expressivos sobre a dupla jornada feminina no Brasil, ainda seria possível defender o fim da escala com exemplos de sucesso fora do país, como fez Boulos. O ministro contou que a empresa Microsoft, no Japão, adotou a escala 4 por 3 e teve aumento de 40% na produtividade individual do trabalhador, além de citar exemplos de outros países.
“A Islândia, em 2023, reduziu para 35 horas [semanais], com jornada 4 por 3. Sabe o que aconteceu? A economia da Islândia cresceu 5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%. Nos Estados Unidos, houve uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos três anos. Não foi uma lei, isso aconteceu pela própria dinâmica do mercado e aumentou, em média, 2% da produtividade”, disse.
Por falar em jornada feminina – É quase desumano deixar mulheres que trabalham em uma função pesada como a das merendeiras sem seus salários e benefícios. Este blog recebeu, ontem (21), denúncia dessa situação em Pernambuco e relatos dramáticos de mulheres que trabalham na rede estadual de ensino e estão com aviso de despejo, porque atrasaram os aluguéis por falta de pagamento de seus direitos. São mães e filhas que, na maioria das vezes, sustentam suas casas sozinhas. Alô Governo do Estado e Secretaria de Educação.
Por falar no Governo do Estado – A governadora Raquel Lyra (PSD) nomeou Yuri Coriolano como novo presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), responsável por fiscalizar os ônibus que rodam no Estado. Coriolano foi advogado de Raquel na campanha de 2022. As informações são do portal Metrópoles. A troca de comando ocorreu após a denúncia de que a empresa do pai da governadora, Logo Caruaruense, operava de forma irregular há pelo menos três anos. Vinculada ao governo estadual, a EPTI deixou de realizar as vistorias obrigatórias na companhia.
Reação – Líder da oposição na Assembleia Legislativa (Alepe), o deputado estadual Cayo Albino (PSB) reagiu, ontem (21), à mudança no comando da EPTI, destacando a prática da governadora Raquel Lyra de demitir presidentes de órgãos e secretários apenas a pedido. “Será que isso é verdade ou a governadora não quer assumir a crise e confirmar que demitiu um auxiliar cujo órgão público que comandava deixou de fiscalizar, por três anos — justamente o período do atual governo — a empresa de ônibus Logo Caruaruense, da família da governadora? E por que a governadora mandou para lá uma pessoa da sua extrema confiança? Foi para esconder algo?”, indagou Cayo.
Crise no PL de Pernambuco – O ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto anunciou, ontem (21), que deixou o Partido Liberal (PL), alegando não ter apoio da direção estadual da sigla para ser candidato ao Senado. Ele se manifestou por meio de nota com título “Carta ao Partido Liberal e aos conservadores e liberais do Brasil.” Gilson reforçou que, apesar de ter sido escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para ser candidato ao Senado em Pernambuco, não tem apoio da direção estadual, comandada por Anderson Ferreira. A saída de Machado do PL é só mais um capítulo do racha do partido no Estado.
O que disse Gilson– “Troco de partido, mas não de lado. Sigo fiel aos meus ideais e valores. Sempre leal ao presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro. Minha relação com o presidente não é de circunstância; foi e é uma parceria construída e baseada na confiança, valores e projetos em comum por um Brasil melhor e mais justo. Continuo sendo o nome defendido pelo presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco. Porém, não sou o nome escolhido pela direção estadual do partido para essa missão. Dessa forma, sigo minha caminhada alinhada aos valores do presidente Bolsonaro”, afirmou Machado.
CURTAS
Liderança petista 1 – Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada ontem (21), testou cinco cenários de 1º turno e oito cenários de 2º turno das eleições presidenciais de 2026. Em todos, o presidente Lula (PT) lidera as intenções de voto. As informações são do portal Poder360.
Liderança petista 2 – De acordo com os dados da Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, se o quadro eleitoral se consolidasse sem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula venceria a disputa no 1º turno.
Carnaval 2026 no Recife – A Prefeitura do Recife realiza, hoje (22), uma coletiva de imprensa para apresentação das principais ações e anúncios do Carnaval 2026. O prefeito João Campos (PSB) participa da coletiva, na qual serão divulgadas informações sobre a programação dos polos, identidade visual e decoração, além de dados do turismo e detalhes sobre as Centrais Gastronômica e de Artesanato. Será às 11h, no Paço do Frevo, na Praça do Arsenal da Marinha.
Perguntar não ofende: O PL de Pernambuco ficou menor ou maior sem Gilson Machado?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (21) uma medida provisória que redefine os critérios de reajuste do piso salarial nacional dos professores da educação básica e garante um aumento de 5,4% em 2026. Com a correção, o valor mínimo pago aos docentes com jornada de 40 horas semanais passa de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63.
O percentual representa um ganho real de 1,5 ponto percentual acima da inflação de 2025, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que foi de 3,9%. Pela regra anterior, o reajuste seria simbólico, de cerca de 0,37%, o equivalente a pouco mais de R$ 18. As informações são do jornal O GLOBO.
A MP altera a fórmula de atualização do piso para adequá-la ao novo desenho do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), instituído por emenda constitucional. A partir de agora, o reajuste anual será calculado pela soma do INPC do ano anterior com 50% da média da variação real das receitas destinadas ao Fundeb por estados, Distrito Federal e municípios nos cinco anos anteriores.
O texto estabelece ainda que o percentual de correção nunca poderá ser inferior à inflação do ano anterior, garantindo, no mínimo, a preservação do poder de compra dos professores.
Segundo o Ministério da Educação, a mudança busca dar maior previsibilidade e estabilidade aos reajustes, além de alinhar a política de valorização do magistério à meta 17 do Plano Nacional de Educação, que prevê a equiparação do rendimento médio dos professores ao de outros profissionais com escolaridade equivalente.
Caberá ao Ministério da Educação, comandado por Camilo Santana, publicar a portaria que oficializa o novo valor do piso. A medida provisória entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 60 dias, prazo que pode ser prorrogado por mais 60.
A serra-talhadense Rocksana Patriota surge como possível candidata a deputada federal nas eleições de 2026. A movimentação política vem sendo articulada pelo marido de Rocksana, o ex-deputado Gonzaga Patriota, que atua na construção do projeto eleitoral e avalia a filiação da esposa ao Partido Socialista Brasileiro, legenda da qual é filiado histórico e atualmente ocupa a primeira suplência.
O Consórcio dos Municípios de Pernambuco (Comupe) realizou nesta quarta-feira, 21 de janeiro, uma reunião de planejamento voltada para as ações de 2026. O encontro teve como foco a discussão de inovação no serviço público, com a apresentação de propostas e diretrizes que irão nortear o próximo ciclo de trabalho da entidade.
Entre os pontos debatidos, esteve a automatização de alguns processos internos, com o objetivo de otimizar rotinas administrativas. A medida busca permitir que a equipe técnica concentre mais esforços na assessoria aos municípios, ampliando o contato direto e o acompanhamento das demandas municipais.
Durante a reunião, o presidente do Comupe, Sandrinho Palmeira, prefeito de Afogados da Ingazeira, conduziu as discussões e deliberou sobre encaminhamentos estratégicos para 2026, alinhando as ações do consórcio às necessidades dos municípios consorciados. “Estamos tomando decisões para modernizar o Comupe, automatizando processos internos para que nossa equipe esteja cada vez mais próxima dos municípios, oferecendo uma assessoria mais presente e um serviço mais eficiente em 2026”, afirmou o presidente Sandrinho Palmeira.
Uma fonte denunciou ao blog um pouso irregular de helicóptero em uma área de restinga na região de Carneiros, em Tamandaré, no Litoral Sul de Pernambuco, local onde é proibida a circulação e parada de veículos. Segundo o relato, a aeronave teria aterrissado sem qualquer identificação visível, fiscalização ou sinalização adequada, em um ponto que não é heliponto autorizado. Moradores afirmam que helicópteros devem cumprir plano de voo e utilizar áreas regulamentadas para pouso e decolagem.
O ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto anunciou que vai deixar as fileiras do Partido Liberal (PL), alegando não ter apoio da direção da legenda para ser candidato ao Senado Federal. Ele se manifestou por meio de nota, divulgada nesta quarta-feira (21), com título “Carta ao Partido Liberal e aos conservadores e liberais do Brasil.”
No documento, Gilson reforçou que, apesar de ter sido escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para ser candidato ao Senado, não tem a chancela da direção estadual da sigla liberal.
Ele lembrou as candidaturas que teve pela legenda, como em 2022 como candidato ao Senado, quando obteve 1,3 milhão de votos, ficando em segundo lugar na disputa. Em 2024, Machado Neto também teve destaque na disputa pela Prefeitura do Recife, tendo sido o segundo mais votado.
O ex-ministro ainda destacou a própria lealdade a Bolsonaro (PL), do qual foi ministro, e citou o senador Flávio Bolsonaro (PL). O filho mais velho do ex-presidente se lançou candidato à presidência da República no fim do mês passado.
Na carta divulgada hoje, Gilson informa que a decisão foi tomada em acordo com Flávio e com o irmão do ex-presidente, Renato Bolsonaro, pela impossibilidade de encontrar-se com Bolsonaro, que está preso na Papudinha.
Gilsom Machado não informou, no entanto, qual legenda deve passar a integrar. Na semana passada, Gilson chegou a produzir material adesivo com sua foto ao lado de Bolsonaro e distribuir, reforçando a pré-campanha de Flávio à presidência.
Confira a carta divulgada por Gilson Machado Neto:
Carta ao Partido Liberal e aos conservadores e liberais do Brasil
Comunico meu desligamento do Partido Liberal (PL) com a consciência tranquila de quem cumpriu o dever como cidadão e gestor de políticas públicas. Com lealdade, coragem e trabalho.
Troco de partido, mas não de lado. Sigo fiel aos meus ideais e valores.
Sempre leal ao Presidente Jair Bolsonaro e ao Senador Flávio Bolsonaro.
Minha relação com o presidente não é de circunstância, foi e é, uma parceria construida e baseada na confiança, valores e projetos em comum por um Brasil melhor e mais justo.
Continuo sendo o nome defendido pelo Presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco. Porém não sou o nome escolhido pela direção estadual do partido para essa missão.
Dessa forma sigo minha caminhada alinhada aos valores do Presidente Bolsonaro.
Minha intenção é somar e unir forças de forma positiva para o desenvolvimento do Brasil.
No PL, contribuí efetivamente para o fortalecimento da legenda, por meio de mobilizações populares e obtendo mais de 1,3 milhão de votos em 2022, além de repetir o segundo lugar em 2024, resultado direto da força da base e do povo nordestino.
Por estar, neste momento, com restrições de deslocamento e impedido de sair de Recife, não pude comunicar pessoalmente minha decisão ao Presidente Jair Bolsonaro.
A decisão, contudo, foi compartilhada com meus amigos Flávio Bolsonaro e Renato Bolsonaro, que compreenderam que este novo passo fortalece nosso projeto político para 2026.
Seguirei na linha de frente da luta pela liberdade de expressão e contra as perseguições políticas. Pautada nos valores conservadores e pelo respeito ao serviço público e as responsabilidades que se reque.
Sigo no projeto para uma nação cada vez mais soberano para Pernambuco e o Brasil.
O Ibovespa fechou em forte alta nesta quarta-feira (21), renovando a máxima histórica pelo 2º dia seguido e encostando nos 172 mil pontos, em movimento puxado principalmente por fluxo estrangeiro, com ações blue chips como Itaú Unibanco e Vale renovando seus topos históricos.
O otimismo foi reforçado pelo recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação às ameaças de impor tarifas como alavanca para tomar a Groenlândia. As informações são da CNN.
O Ibovespa encerrou o pregão em forte alta de 3,33%, aos 171.816,67 pontos.
Apenas neste pregão, foram superadas pela primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos. A mínima do pregão foi registrada na abertura, quando o Ibovespa marcou 166.277,91 pontos — na máxima do dia tocou 171.969,01 pontos.
Já o dólar fechou a quarta-feira em baixa firme ante o real em meio ao recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior e ao fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira.
O dólar à vista encerrou o dia com recuo de 1,10%, aos R$ 5,3209 — menor cotação de fechamento desde 4 de dezembro de 2025, quando atingiu R$ 5,3103. Em 2026, a divisa acumula queda de 3,06%.
Assim como em 2025, os ativos brasileiros se beneficiam pelo movimento de rotação global de capital em busca de diversificação. No ano passado, a bolsa brasileira registrou entrada líquida de estrangeiros de cerca de R$ 25 bilhões, segundo a B3. Neste ano, até o dia 19, o saldo está positivo em R$ 7,6 bilhões.
“É fluxo que explica essa alta da bolsa”, afirmou o gestor de uma empresa de previdência complementar.
Novas tensões geopolíticas globais e preocupações em torno da política comercial dos Estados Unidos têm corroborado para a migração de recursos, principalmente oriundos dos EUA, em meio a um cenário também de queda da taxa de juros norte-americana.
Estrategistas do JPMorgan avaliam que 2026 pode ser mais um ano com fortes fluxos de capital externo para as ações brasileiras, conforme investidores devem continuar buscando diversificação fora dos EUA, o que deve beneficiar emergentes.
A alocação de emergentes em fundos globais, observaram, está em níveis historicamente baixos e uma reversão à média dos últimos 10 anos poderia se traduzir em aproximadamente US$25 bilhões em ingressos para o Brasil.
“O ciclo de afrouxamento monetário no Brasil adiciona outra camada de otimismo”, acrescentaram, citando que economistas do JPMorgan esperam um ciclo de cortes de 3,5 pontos percentuais, com início em março, levando a Selic a 11,50% no final de 2026.
A equipe do JPMorgan ponderou que uma possível escalada de tensões geopolíticas e comerciais globais podem afetar o apetite por mercados de maior beta, enquanto, no Brasil, os riscos residem em queda de juros mais lenta ou maior ruído político.
No cenário eleitoral, os investidores também repercutem a primeira pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de 2026 mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turnos testados pelo instituto. O levantamento aponta ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) registram a mesma diferença em relação ao petista em uma disputa direta: 49% a 45%.
No Brasil, o Banco Central decretou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master.