Por Antonio Magalhães*
Quem apoiar uma chapa presidencial da direita encabeçada pelo governador Tarcísio de Freitas (SP), tendo como vice Michele Bolsonaro, vai garantir mais uma vitória de Lula para a Presidência da República, o “tetra” do lulismo. O bolsonarismo raiz vai perceber que houve chantagem contra Jair Bolsonaro, que indicou primeiramente Flávio para concorrer. E se mudou de opinião depois foi por pressão espúria de quem é contra o Brasil.
Os bolsonaristas entenderão que a mudança forçada foi uma forma da direita ser submetida ao “sistema”, sob a liderança aparente de Tarcísio, que tem como aliados banqueiros, a velha imprensa, o STF e um bando de oportunistas e traidores. Os votos orgânicos do ex-presidente desaparecerão para o terror de quem espera a submissão. Tente e verá.
Leia maisToda esta confusão é porque não ficou clara a negociação entre Michele, Tarcísio e Alexandre de Moraes (STF) para aliviar o rigor no cumprimento da pena do ex-presidente. Da sua cela em Brasília, Bolsonaro identificou o acerto para a ida ao presídio da Papudinha como uma armadilha contra Flávio e convocou Tarcísio à prisão para cobrar o apoio à pré-candidatura do filho. Na última hora da terça-feira (20), o governador desistiu do encontro que seria hoje de manhã (22) sem uma desculpa plausível.
Desta malfadada reunião na Suprema Corte, a jornalista do STF Daniela Lima (UOL) disse que o ministro Moraes achou Michele “suave na conversa e direta no objetivo do encontro”. Um suposto gesto de simpatia e humildade do algoz do marido da ex-primeira dama. No entanto, Moraes não quis correr o risco do rei inglês Ricardo III, na Idade Média, que ofereceu de joelhos sua espada à viúva Lady Anne para que ela cortasse sua cabeça por ter matado seu marido e sogro em batalha pelo reinado. Ao contrário da humildade, Ricardo III tentava mesmo seduzir a viúva. Mas Lady Anne resistiu à provocação e não decapitou aquele que oferecia simpatia com objetivo escuso. Tampouco Michele pensou nesta opção para Moraes, suponho.
O afastamento de Tarcísio está mais do que claro. Do ex-presidente ele só quer os votos e uma vice sem muito poder com o sobrenome Bolsonaro na chapa. O governador se orienta pela expressão que “para tudo permaneça como está, é preciso que tudo mude” do escritor italiano Giuseppe di Lampedusa em “O Leopardo”. A frase resume a estratégia da aristocracia siciliana na época da unificação italiana (Risorgimento): fazer concessões e adaptações superficiais às novas ideias liberais para manter o poder e os privilégios da elite, garantindo que, na prática, as estruturas de poder permanecessem as mesmas, um exemplo de conservadorismo disfarçado de mudança.
A ideia de que, para se manter no poder, é preciso que o “novo” apenas se reorganize por cima do “velho”, sem alterar as bases da hierarquia social vai de encontro aos preceitos e valores defendidos tanto pelo velho Bolsonaro, como pelo novo. No seu breve governo, 2019 a 2022, o ex-presidente enfrentou com sucesso uma pandemia global que desarrumou governos em todo o planeta. Teve que bater-se contra uma imprensa hostil, uma oposição ardilosa e um Judiciário intrometido e inconstitucional, reduziu impostos. Enfim, foi o governante antissistema, aquele que era visto como uma ameaça aos oportunistas de plantão. E, seu filho Flávio, tem condições políticas e de saúde para dar continuidade a este combate.
Por isso, acredita-se que nos próximos dias até 04 de abril, data da desincompatibilização dos governantes que querem concorrer a cargos diferentes do que ocupam, a maledicência chegará ao extremo com o propósito de inviabilizar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. E não faltam em Brasília, para tanto, traições, falcatruas, falta de transparência governamental, muito gasto público e compra e venda de votos. Dentro deste quadro trágico, as fofocas políticas vão atingir o estágio de excelência em comentários maldosos, às vezes até verdadeiros. A ver. É isso.
*Jornalista
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