Segundo ele, alguns desses desafios são reduzir 68% das emissões de gases de efeito estufa no setor, aumentar em 50% a eficiência energética dos produtos e avançar com a aplicação de fluidos refrigerante com GWP menor que 150 GWP — (Global Warming Potential ou Potencial de Aquecimento Global).
E a principal contribuição – que também envolve o consumidor final – não deixar o fluido refrigerante vazar para atmosfera, por meio da manutenção adequada, controle de vazamentos e da reciclagem dos equipamentos antigos.
Os estoques de fluidos refrigerantes dentro de equipamentos em uso equivalerão a 10% da meta definida na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para 2035. Não à toa, a estratégia já aparece no Plano Setorial de Mitigação da Industria, do Plano Clima.
A ABRAVA está participando e promovendo várias reuniões e está integrada a diversos grupos de estudo. Uma das iniciativas é o Programa Brasileiro de Eliminação de HCFC (Clorohidrofluorocarbonetos), que em sua terceira e última etapa tem disponibilizado US$ 36,5 milhões para projetos a serem implementados até 2027.
Em outra iniciativa, o recém-lançado Programa Brasileiro de redução dos HFC (Hidrofluorocarbonetos, onde alguns podem ser gases de efeito estufa potentes e usados como fluidos refrigerantes), deverá angariar ainda mais recursos para finalidade de descarbonização e aumento da eficiência energética de equipamentos.
A ABRAVA se prepara para receber em sua sede, em fevereiro, a visita técnica do Fundo Multilateral (órgão financiador destes programas), além de representantes das agências de implementação (PNUD, UNIDO e GIZ) e do Ministério de Meio Ambiente (MMA), como parte das agendas relacionadas à Implementação da Emenda de Kigali.
A Emenda de Kigali, firmada em 2016, consiste em um acordo internacional, integrado ao Protocolo de Montreal, que visa reduzir a produção e o consumo de HFCs, conectando a agenda de proteção da camada de ozônio à agenda climática.
Além disso, ainda em 2026, o MMA, por meio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), inicia a elaboração do Plano de Ação Nacional de Resfriamento.
Já na primeira semana de 2026, ABRAVA e PNUMA estiveram reunidos, definindo o apoio na elaboração deste plano e apresentando os pontos de interesse nacional do setor, como eficiência energética como estratégia de acessibilidade das soluções de adaptação ao clima extremo, de qualidade do ar interior.
Uma vez que o aumento do tempo em ambientes confinados precisa ser acompanhado do cuidado com o ar que respiramos, e o fortalecimento da economia circular neste seguimento. Considerado a autoridade global líder em meio ambiente, fundada em 1972 (após a Conferência de Estocolmo), o PNUMA atua como um facilitador central para acordos ambientais internacionais e continua a se atualizar para enfrentar crises planetárias.
Outro contato estratégico que tem sido feito pela ABRAVA é com o Ministério de Minas e Energia e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que lançou um comitê que acompanhará as ações de mapeamento da cadeia produtiva e os avanços de metas mais arrojadas em eficiência energética – de equipamentos à edifícios, com impacto positivo direto para a sociedade.
O grupo envolve indústrias, institutos, centros de inovação tecnológica e até instituições de pesquisa internacionais. O objetivo é avançar no tema e chegar a metas que resultem em índices que contribuam para ampliação da adaptação no enfrentamento do calor extremo, garantindo mais saúde e produtividade, além de contribuir com a redução do aquecimento do planeta.
“A ABRAVA tem participado das conferências internacionais como a COP e reuniões do Protocolo de Montreal há muitos anos. Hoje vivemos um momento geopolítico importante, no qual estão sendo colocados à prova todos dos debates ambientais e estar participando ativamente traz uma vantagem competitiva ao setor que pode tomar decisões baseadas na construção do conhecimento próprio sobre o tema”, afirmou o diretor.
“Por exemplo, reduzir a demanda por energia reduzindo o uso de climatização é importante, como afirmam alguns relatórios internacionais recentes, mas buscar eficiência energética pode ser uma estratégia muito mais assertiva para o Brasil, para democratização de acesso à equipamentos de ar-condicionado, levando conforto térmico a toda população, que precisa adaptar suas casas, escolas e ambientes de trabalho, ao calor extremo”, acrescentou Thiago Pietrobon.
“A demanda por ar-condicionado e refrigeração dobrou nos últimos dois anos e seguirá aumentando. Se hoje já temos equipamentos que custam bem menos que um celular, que consomem metade da energia que consumiam 10 anos atrás, e cerca de 80% das residências ainda não possuem climatização, fica evidente o quanto este mercado ainda crescerá. Planejar e se preparar agora é o que o setor está fazendo, juntamente com outros atores ambientais e da área energética, transformando o que seriam desafios futuros em oportunidades e benefícios para toda sociedade”, enfatizou o diretor de Meio Ambiente da ABRAVA.
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