O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco divulgou, nesta terça-feira (27), uma nota em reação à reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record, no último domingo (25), que apontou o uso da estrutura da Polícia Civil de Pernambuco em ações classificadas como perseguição a adversários políticos do governo Raquel Lyra.
Na manifestação, o sindicato afirma que o conteúdo da matéria expõe um padrão de instrumentalização da instituição, denuncia assédio institucional contra policiais civis, relata perseguições a dirigentes sindicais e cobra providências do Governo de Pernambuco, incluindo a regulamentação da Lei Orgânica da Polícia Civil e a abertura de diálogo com a categoria.
Confira o comunicado na íntegra:
Leia maisO Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (SINPOL-PE) vem a público repudiar de forma veemente a tentativa de instrumentalização política e eleitoral da Polícia Civil, prática escancarada na reportagem exibida neste domingo (25/01) pelo programa Domingo Espetacular, da Rede Record. A matéria revelou a utilização da estrutura da instituição para fins de perseguição e controle de adversários políticos, distorcendo a finalidade constitucional da atividade policial e comprometendo a credibilidade das investigações no Estado.
Além de evidenciar o desvio de finalidade, o episódio confirma um padrão: o assédio e a perseguição contra policiais civis para forçá-los a executar tarefas de interesse político do atual governo. Trata-se de um assédio institucional que combina ameaças de Corregedoria, remoções, transferências e processos disciplinares, mecanismos que, somados ao achatamento salarial, constituem hoje um dos principais fatores de adoecimento da categoria.
O próprio presidente do SINPOL, Áureo Cisneiros, tem sido alvo reiterado de perseguições por exercer atividade sindical. Após denunciar a precariedade das delegacias, das condições de trabalho dos policiais e mostrar que os propagados investimentos do Juntos pela Segurança não chegaram na Polícia Civil, o Governo Raquel Lyra instaurou Processos Administrativos Disciplinares (PADs) e acionou a Corregedoria numa tentativa de silenciar o sindicato e impedir a defesa dos direitos da categoria, que atualmente recebe o pior salário do Brasil e trabalha em condições degradantes: unidades policiais improvisadas em casas alugadas, cotinhas para compra de água mineral, material de limpeza, internet e material de expediente.
Em novembro de 2025, o SINPOL denunciou a instalação ilegal e o uso de câmeras com escutas clandestinas dentro de delegacias, prática não autorizada pela Justiça, que viola direitos, compromete investigações e transforma o ambiente policial em espaço de vigilância política sobre policiais, advogados e cidadãos comuns. O sindicato repudia e denuncia, mais uma vez, o uso de escutas clandestinas, incompatíveis com o Estado Democrático de Direito e com a atividade investigativa. E até a presente data o governo não informou quem tem acesso às imagens e áudios gravados nas delegacias.
Há mais de dois anos foi aprovada a Lei Orgânica Nacional da PolíciaCivil, cabendo aos Estados aprovarem suas respectivas legislações. A governadora Raquel Lyra permanece intencionalmente omissa. Mesmo assim, o SINPOL, em conjunto com outras entidades classistas, elaborou uma proposta de minuta de Lei Orgânica, construída de forma democrática, escutando e colhendo propostas da categoria e encaminhou formalmente à governadora, que até hoje não enviou o Projeto de Lei Orgânica da Polícia Civil de Pernambuco à Assembleia Legislativa. A lei é fundamental para impedir o uso político da Polícia Civil, salvaguardar direitos dos policiais, proteger a instituição, ter uma Corregedoria da Policia Civil e não uma corregedoria do governo que é utilizada para fins de perseguição. A Lei Orgânica garantira à população uma polícia investigativa voltada ao interesse público, e não aos interesses políticos e eleitorais de qualquer governo.
O SINPOL informa que, na próxima terça-feira, dia 27 de janeiro, às 15h, os policiais civis realizarão uma grande passeata, com concentração na sede do sindicato e encerramento no Palácio do Campo das Princesas. Esperamos que, enfim, a governadora Raquel Lyra receba a categoria, abra um canal de diálogo institucional e atenda às pautas urgentes: Extensão dos 33%, garantidos pela Justiça na ação da carga horária, para todos os policiais civis (ativa e aposentados); Envio à ALEPE do Projeto da Lei Orgânica da Polícia Civil de Pernambuco; e destinação dos investimentos anunciados pelo Programa Juntos pela Segurança, que, apesar de estarmos no último ano do governo Raquel Lyra, ainda não chegaram à Polícia Civil.
Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco
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