Por Luiz Queiroz – Capital Digital
Em entrevista ao blog Capital Digital, o presidente do Serpro, Wilton Mota, afirmou na última quinta-feira (19) que a estatal já opera no limite de sua capacidade instalada e confirmou que a expansão da infraestrutura tecnológica entrou em uma fase decisiva, com foco prioritário na implantação de um novo data center no polo de informática do Distrito Federal. Ele vinculou diretamente esse movimento à reforma tributária e ao crescimento acelerado do uso de inteligência artificial no governo federal, que elevam de forma estrutural a demanda por processamento, armazenamento e segurança da informação.
Segundo Mota, o projeto do novo data center em Brasília está pronto e as negociações para sua implantação avançam no âmbito da Biotic, iniciativa associada ao parque tecnológico do DF. A intenção é iniciar a construção ainda no primeiro semestre, adotando um modelo de crescimento escalável, capaz de acompanhar a demanda real sem gerar capacidade ociosa excessiva. Para o presidente do Serpro, “não faz sentido comprar supercomputador sem uso”, e a estratégia é preparar a infraestrutura para placas de IA e cargas críticas, ampliando o parque conforme os serviços cresçam.
Leia maisDe acordo com o presidente do Serpro, a pressão por novos data centers não vem apenas da Receita Federal e do Ministério da Fazenda, mas do ingresso de outros órgãos federais que passaram a migrar seus sistemas para o Serpro. Ao mesmo tempo, aplicações de inteligência artificial elevam significativamente o consumo de energia e processamento, exigindo planejamento de médio e longo prazo. Por isso, a estatal trabalha com um horizonte de 10 anos para o seu parque de data centers, tendo Brasília como prioridade imediata.
O plano de expansão vem acompanhado de números que dão a dimensão do esforço financeiro já em curso. Mota informou que, em 2025, o Serpro executou cerca de R$ 290 milhões a R$ 295 milhões em investimentos diretos, com foco em infraestrutura. Desse total, aproximadamente R$ 100 milhões foram destinados exclusivamente à segurança da informação, área que ele classifica como essencial para evitar prejuízos institucionais e vazamentos de dados. “Segurança não dá retorno, ela evita prejuízo”, resumiu.
Além dos investimentos diretos, o presidente destacou que a estratégia de nuvem do Serpro envolve parcerias estruturantes de longo prazo, com um volume estimado de R$ 1,5 bilhão ao longo de sete anos, amortizados gradualmente. Esse pacote sustenta a chamada nuvem soberana, ambiente onde rodam sistemas críticos do governo federal, incluindo as plataformas da reforma tributária. Embora esses valores não sejam exclusivos do novo data center do DF, eles formam a base financeira que viabiliza a expansão física e lógica da infraestrutura.
São Paulo e Rio de Janeiro
Embora não tenha informado na entrevista, é sabido que nos próximos meses o Serpro deverá apresentar um projeto que visa a “Evolução do Parque Tecnológico”. Para viabilizar o projeto, a estatal foi autorizada pela Comissão de Financiamentos Externos do Ministério do Planejamento a contrair empréstimo com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (braço financeiro do Banco Mundial) no valor de até US$ 433 milhões; cerca dava R$ 2,462 bilhões no câmbio do dia 27 de março, data em que ocorreu a aprovação. É mais do que o valor previsto por Wilton Mota (R$1,5 bilhão) para a expansão da infraestrutura da estatal num prazo de sete anos. A proposta de financiamento do Serpro foi a maior aprovada naquela reunião entre outros pedidos de empresas estatais que totalizaram US$ 920 milhões.
A ampliação no DF não exclui outros movimentos. São Paulo segue no radar, com estudos em andamento para decidir entre a construção de um novo centro de dados ou um retrofit profundo no facility existente, aproveitando áreas que serão liberadas após a migração de cargas. O Rio de Janeiro também aparece como possibilidade futura, em função da concentração de órgãos públicos e da existência de estruturas que podem ser reaproveitadas, desde que viáveis do ponto de vista energético. Mota falou que está revendo o que fazer com a infraestrutura ociosa no Andaraí (RJ).
Na visão do presidente do Serpro, a implantação do data center no polo de informática do Distrito Federal representa mais do que uma obra de expansão. Trata-se de um reforço estratégico da infraestrutura pública digital, voltado a garantir resiliência, alta disponibilidade e controle estatal sobre sistemas considerados vitais. Em um cenário de reforma tributária e avanço da IA, a mensagem é clara: sem novos investimentos físicos e orçamentários, não há como sustentar a próxima etapa da digitalização do Estado brasileiro.
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