Gilson Machado Neto, único pernambucano no primeiro escalão do Governo Bolsonaro, como todo ministro, tem direito a segurança, carro oficial e outros penduricalhos inerentes ao cargo em viagens nacionais e internacionais. Homem simples, tocador de sanfona e acostumado aos altos e baixos da vida como produtor de coco em Alagoas, Gilson dificilmente recorre às logísticas oficiais.
Anda de táxi, Uber e avião de carreira. Recentemente, pousou em Aracaju e se deslocou de Uber até o local do evento. Entre uma conversa e outra, o motorista quis saber o que ele fazia. De pronto, respondeu: “Sou ministro. O motorista deu uma risada debochada e sapecou: “Ministro, porra nenhuma! Fale a verdade, meu senhor”.
E acrescentou: “Já viu ministro andar de Uber? ” Novamente, Gilson insistiu: “Acessse o Google com meu nome, Gilson Machado Neto, e comprove. O Governo Bolsonaro é assim mesmo”. “O senhor está de brincadeira”, retrucou o motorista.
Chegando ao local do evento, a restauração de uma igreja histórica, Gilson pagou a corrida e se despediu do Uber. Este, sem acreditar ainda que havia conduzido um ministro, foi assistir à cerimônia sem Gilson tomar conhecimento da sua presença. Quando estava saindo, Gilson se deparou com o motorista, que disse: “O senhor não estava debochando mesmo da minha cara. Agora, quero uma selfie”. E saiu feliz da vida.
O motorista é contador e faz bico de Uber para aumentar a renda da família em Aracaju. Gilson é dono da Brucelose, banda de forró, plantador de coco em Alagoas, onde tem também uma rádio, além de criador de gado em Tocantins. É dono também de uma pousada em Alagoas e de outra emissora de rádio em Gravatá. Tudo, diga-se de passagem, antes de ser ministro, resultado do que Eduardo Campos dizia: “Pegar no serviço”.
Gilson ralou a vida inteira para construir o patrimônio que tem hoje. Quando estourou nas paradas de sucesso, sendo uma das bandas mais requisitadas do País, Gilson ganhou o dinheiro suficiente para investir em gado, coco e hotelaria.
Mas nunca abriu mão do preceito pelo qual se inspira até hoje: o gado só cresce com o olho do dono. Na semana passada, um motorista que levava uma carrada de coco da fazenda de Gilson para a Ceasa passou mal. Avisado, o ministro foi ao local e ele mesmo dirigiu o caminhão até o Ceasa.
Os receptores da carga tomaram um susto quando o ministro desceu e entregou a carga.
Com a proximidade das eleições, este blog vai ampliar sua cobertura e abrir espaço para novos talentos no time de reportagem. Se você é formado em Jornalismo, tem experiência na área de política e quer fazer parte do Blog do Magno, esta é a sua oportunidade.
Envie seu currículo para o e-mail blogdomagno.redacao@gmail.com com o assunto VAGA PARA REPÓRTER. Informações sobre salário e carga horária serão discutidas durante a entrevista.
O deputado Luciano Ducci (PSB-PR) começou a recolher na terça-feira (7) assinaturas para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que, entre outros pontos, propõe o estabelecimento de um mandato de 12 anos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
No momento, então, em que conversou com o Correio Político, Ducci ainda não medira a receptividade da sua proposta. Mas já avaliava que ele ao menos abria a discussão em um momento oportuno. O caso Master colocou as “excelências” da Corte na berlinda. Cresce a sensação de que aqueles onze senhores (no momento, dez) precisam descer um pouco do Olimpo em que se encontram. Precisam ser menos “supremos”.
Um sinal importante de que a PEC pode avançar foi a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado do projeto que acaba com a aposentadoria compulsória como forma de punição de juízes. Parece, portanto, um momento propício para rediscutir a forma de escolha dos ministros do Supremo. Além de estabelecer um mandato, a PEC de Ducci propõe um modelo mais democrático e menos personalista de indicação.
Hoje, um ministro do STF pode entrar com 35 anos e sair com 75. Pode ficar, assim, 40 anos na Corte. Ducci propõe um mandato de 12 anos. E sugere aumentar a idade mínima de entrada para 45 anos, o que já forçaria a entrada de juristas mais experientes. Mas principalmente o deputado reduzirá o caráter personalista das escolhas, hoje feitas exclusivamente pelo presidente da República. Isso faz com que a Corte hoje tenha ministros “contra” e “a favor” do presidente da vez, conforme quem os indicou. Ducci propõe um modelo compartilhado.
A PEC de Ducci divide as escolhas, num modelo próximo ao que hoje existe no Tribunal de Contas da União (TCU). O presidente escolheria cinco ministros. A Câmara dos Deputados, dois. O Senado Federal, outros dois. E o próprio Supremo Tribunal escolheria mais dois. A composição final permaneceria a mesma atual: o STF teria onze ministros no total.
Mas, mesmo no caso do poder que tiver a prerrogativa da escolha, ela não se dará ao seu bel prazer. As escolhas terão de sair de listas tríplices feitas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho (TST), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A escolha, então, teria de sair dos nomes dessa lista. Independentemente do notório saber jurídico de alguém da preferência, não mais seria possível escolher alguém por mera preferência pessoal: o advogado pessoal do presidente, por exemplo. Se não estiver na lista tríplice, não poderá ser indicado.
Embora seja um parlamentar da base do governo, Ducci não tem ideia de como sua proposta repercutirá entre os aliados do governo, que parecem mais próximos do STF. É uma ideia que talvez possa evoluir mais na oposição, que critica mais a Corte e sonha formar uma bancada capaz de aprovar impeachment.
Por outro lado, há hoje um esforço de descolamento da crise envolvendo o Master. Em entrevista ao site ICL, na quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer que teria aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a não permitir que o Master viesse a manchar a biografia que construiu como relator dos atos antidemocráticos.
Os que defendem o STF avaliam que a Corte precisou se empoderar diante dos riscos de ruptura democrática. No caso, o natural sistema de freios e contrapesos no qual um poder atua para evitar excessos dos outros. Mas, a essa altura, já houve a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos demais envolvidos.
Assim, cresce, inclusive, a ideia de que já seria hora de acabar com o inquérito dos atos antidemocráticos. Hora de o STF abdicar dos superpoderes que adquiriu porque o risco de ruptura democrática já teria sido sanado. Hora, talvez, de fazer um debate mais amplo quanto à forma como a Suprema Corte se compõe.
O deputado federal Fernando Monteiro (PSD) assumiu, ontem, a presidência da Frente Parlamentar em Defesa do Saneamento Básico, em cerimônia realizada no Instituto das Cidades (IDC), em Brasília. A posse consolida a atuação do parlamentar em uma pauta que já acompanha sua trajetória no Congresso Nacional, marcada pelo engajamento em iniciativas voltadas à ampliação do acesso ao saneamento e à melhoria da infraestrutura no país. A Frente integra a Coalizão das Cidades, iniciativa do IDC.
Com a presença do ministro das Cidades, Vladimir Lima; do presidente do Conselho do Instituto das Cidades, Bruno Sindona; e da diretora executiva da instituição, Beatriz Nóbrega; Fernando destacou o impacto direto do saneamento na vida da população e reforçou o compromisso com o avanço da pauta no Congresso. “O saneamento básico é uma das agendas mais importantes para o Brasil. Estamos falando de saúde e dignidade para fazer a diferença na vida das pessoas”, afirmou.
O parlamentar também enfatizou a importância da fiscalização e do fortalecimento das agências reguladoras para garantir resultados efetivos no setor. “Não adianta termos muitas regras e normas se não houver fiscalização. Precisamos fortalecer as agências reguladoras para garantir que o que está no papel se transforme em serviço chegando à ponta”, destacou. Na nova função, Fernando deve intensificar o diálogo com o governo federal, estados e municípios, além de representantes do setor, com foco na implementação de políticas que assegurem a universalização dos serviços.
O depoimento do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda não havia acabado na CPI do Crime Organizado e ele já era alvo de críticas de petistas e assessores no Palácio do Planalto. A reclamação central era que Galípolo teria “poupado” seu antecessor, Roberto Campos Neto, apontado pelos petistas e pelo presidente Lula como responsável pelas facilidades criadas para o Banco Master praticar suas fraudes bancárias.
O presidente do Banco Central já vinha sendo criticado por assessores de Lula e petistas por causa dos juros altos. Agora, foi criticado por ter dito na CPI que não há nada dentro do BC apontando que Roberto Campos Neto tenha feito algo de errado desde a criação do Master até o processo de liquidação do Banco Master. As informações são do blog do Valdo Cruz.
O fato é que Galípolo fez um depoimento estritamente técnico, institucional, como deve ser uma fala de um presidente do Banco Central. Foi assim quando falou de Campos Neto. Foi na mesma direção quando garantiu que Lula determinou a ele que não perseguisse nem poupasse ninguém na análise sobre a situação do Banco Master logo depois de uma reunião com o banqueiro no Palácio do Planalto.
Lula e o PT estavam mirando em Campos Neto para se distanciar da crise causada pelo dono do Master, Daniel Vorcaro. Contavam com uma fala de Galípolo levantando, no mínimo, suspeitas sobre a administração de Campos Neto para reforçar os ataques ao governo Bolsonaro. Galípolo, porém, se limitou a falar o que as auditorias e sindicâncias dentro do BC apontaram sobre a novela do Master.
O vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), publicou mensagem no X dizendo: “Gabriel Galípolo escolheu o caminho de tentar blindar Roberto Campos Neto. Ao afirmar que não existe auditoria, sindicância ou conclusão interna que aponte responsabilidade do ex-presidente do Banco Central, ele demonstra que o controle interno é insuficiente e pode servir de escudo para proteger quem comandava a instituição”.
Reservadamente, dentro do Palácio do Planalto, assessores também se mostravam frustrados pelo depoimento de Galípolo. Só que tudo o que um manual de um banqueiro central não recomenda é que ele entre no jogo político.
Campos Neto sofreu com isso ao aparecer com a camisa verde amarela da seleção brasileira para votar em 2022, símbolo adotado pelos bolsonaristas. Apesar do deslize, o presidente do BC de Bolsonaro aumentou os juros em plena campanha eleitoral, prejudicando seu chefe.
O ovo, uma maravilha da engenharia biológica, vem transcendendo suas funções vitais de reproduzir a vida em seres ovíparos e alimentar animais e humanos para atuar na política brasileira com muito destaque: um poderoso togado, conhecido como “cabeça de ovo” por sua calvície, complica mais a vida dos brasileiros do que os efeitos negativos pelo consumo descontrolado do alimento.
Como efeito colateral por críticas a esta figura ovoide, o fulano corre o risco de sofrer uma investigação policial, processo judicial ou até mesmo prisão. Um perigo pior do que a infecção pela bactéria Salmonela, que infecta 1% dos ovos de galinha e pode levar à morte crianças e idosos. E, curiosamente, como o ciclo reprodutivo das galinhas que libera um ovo a cada 24 horas, o espaço de tempo das crises políticas nacionais têm quase o mesmo ritmo: uma denúncia de corrupção ou outro mal-feito é substituída por um crime semelhante em dias, assim sucessivamente.
Dias desses, o próprio presidente Lula fez uma analogia com o ovo de uma serpente e o bolsonarismo. No entender do governante petista, a transparência natural do ovo permite claramente ver o réptil já perfeito que nascerá. Lula repete uma metáfora, difundida por um filme de Ingmar Bergman, de 1977, para algo que parece inofensivo no início, mas que guarda um mal terrível em gestação, prenúncio de uma catástrofe futura. Esta é a visão própria do presidente, sem comprovação, de que seria um risco para a democracia a eleição de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. Pura falação.
E neste mundo da política, o ovo tem sido também uma arma de protesto contra autoritários, uma saraivada de claras e gemas voadoras contra aqueles que traem seus eleitores ou cidadãos. Uma expressão crítica costumeira que vem atingindo governantes e seus egos gigantes. Hoje, os seguranças das “celebridades” têm sempre à mão um guarda-chuva, o instrumento mais eficaz para proteger o chefão ou chefona do bombardeio aéreo do “Gallus gallus domesticus”
Diante de tanta negatividade registrada nos parágrafos anteriores, há uma metáfora antiga que aponta o ovo com um poder criativo e de inovação de quem fez algo primeiro: é o chamado “Ovo de Colombo” que apresenta soluções simples e óbvias para problemas que pareciam impossíveis, mas que só são reconhecidas após serem reveladas. A lenda diz que Cristóvão Colombo, descobridor da América, equilibrou um ovo quebrando sua ponta, respondendo aos críticos que qualquer um poderia fazê-lo, mas só ele teve a ideia.
Talvez o Brasil precisasse de um Cristóvão Colombo com suas soluções simples e óbvias para desfazer este nó jurídico que foi imposto ao país pelos ministros da Suprema Corte. O Colombo imaginário apenas sugeriria obediência a Constituição Federal de 1988 na sua plenitude, determinando o respeito a toda legislação infraconstitucional. Simples assim. Seria um passo gigantesco em direção à democracia plena.
Já o ovo na história, no mundo da imaginação e na fé cristã aponta para a possibilidade de renascimento. A casca rompida é a vida que recomeça. Durante séculos ele tem estado à mesa como símbolo de celebração e abundância, sentimentos tão bem registrados plasticamente pelo artista pernambucano Francisco Brennand nas suas esculturas defronte do Marco Zero do Recife. É o alimento do dia a dia dando lições profundas de vida. É isso.
A minha empresa RI Consulting, fundada em 2019, presta serviço de consultoria política e empresarial para várias associações e federações do setor produtivo nacional. Faço acompanhamento de projetos de lei de interesse dos clientes que estão tramitando nas câmaras municipais, assembleias legislativas e Congresso Nacional.
Com o Banco Master, a RI Consulting fez contrato para acompanhar a tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional e acompanhamento de projetos de lei nos estados e municípios.
Nunca fiz reunião com Banco Central, BRB ou qualquer instituição citada nas investigações do Banco Master. Enquanto durou o meu contrato, enviei mensalmente relatório de serviços que, inclusive, tive o cuidado de registrar em cartório uma ata notarial.
Silvio Costa – ex-deputado federal e proprietário da RI Consulting
O banco Master repassou R$ 1,1 milhão para a RI Consulting, empresa do pai do ex-ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. Os dados foram repassados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado no Senado e obtidos pela reportagem.
O ex-deputado federal de Pernambuco Silvio Costa, pai do ex-ministro de Lula, configura como sócio na RI Consulting. O administrador é o empresário Carlos Antônio da Costa Cavalcanti Neto. Os repasses recebidos do Banco Master pela empresa foram feitos ao longo de 2025.
A RI Consulting Assessoria e Consultoria Empresarial e Governamental Ltda é registrada na Receita Federal como uma empresa de consultoria em tecnologia da informação, publicidade, organização de feiras, congressos e exposições e serviço de levantamento de fundos. O ex-ministro ainda não se manifestou sobre o caso.
Com uma gestão municipal marcada por investimentos em saúde e infraestrutura, o município de Ipojuca recebe – de ontem (7) até esta quinta-feira (9) – o XVI Congresso do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Pernambuco (COSEMS/PE). O evento reúne gestores, secretários e profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) de diversas regiões do estado, no Centro de Convenções do Hotel Armação.
A realização do congresso no município ocorre em um cenário de maior protagonismo de Ipojuca na articulação de políticas públicas e na organização da rede de serviços. A abertura contou com a presença do prefeito Carlos Santana, que acompanhou o início das atividades e ressaltou a importância de receber um encontro voltado à qualificação da gestão municipal em saúde. Segundo ele, a troca de experiências entre os municípios contribui para decisões mais eficientes e alinhadas às realidades locais.
“Assumimos a missão de reconstruir a saúde de Ipojuca, resgatando o município de um cenário de abandono para devolver a dignidade que o nosso povo merece. Em pouco mais de um ano de gestão, provamos que, com planejamento e respeito ao dinheiro público, é possível triplicar a nossa capacidade hospitalar e oferecer serviços especializados que antes eram um sonho distante para muitos. Nossa meta para 2026 é consolidar esse avanço, garantindo que o trabalho de verdade continue e que a saúde de Ipojuca seja, cada vez mais, uma referência de integração e respeito ao cidadão”, afirmou Santana.
Com o tema “Fortalecendo a Rede de Atenção à Saúde nos territórios: Integração, equidade e controle social em saúde nos municípios”, o congresso promove debates sobre desafios atuais da gestão, como saúde mental, transformação digital e o programa Agora Tem Especialistas. A programação também inclui a Mostra Pernambuco Aqui tem SUS – Medalha Paulo Dantas, que reconhece iniciativas exitosas no estado.
No primeiro dia, representantes de Ipojuca participaram da programação técnica conduzindo uma mesa sobre a operacionalização de sistemas de informação como SAI/SIH e CNES, com foco na qualificação dos dados e no fortalecimento da gestão da rede pública.
Além do prefeito, participaram da abertura a deputada estadual Simone Santana, o secretário municipal de Saúde, Neto Guerra, o presidente do COSEMS/PE, Elídio Moura, e outras autoridades da área. A organização do congresso também prestou homenagens a representantes do município, incluindo a secretária executiva Elaine Alves, em reconhecimento ao apoio na realização do evento.
Ao ser escolhida como sede do congresso, Ipojuca amplia sua inserção nos espaços de debate sobre o SUS em Pernambuco, em um contexto de estruturação contínua dos serviços e de fortalecimento da capacidade local de gestão, fatores que têm contribuído para a atração de iniciativas desse porte ao município.
Será lançado hoje, às 18h, na Livraria Jaqueira, no Bairro do Recife, o livro “Eduardo Campos – em histórias”, escrito pelos jornalistas Evaldo Costa e Ítalo Rocha Leitão. São 48 histórias que retratam o ex-governador de Pernambuco no seu tempo de criança, adolescente, jovem e adulto.
Em cada relato há traços biográficos de Eduardo Campos: sua formatura aos 20 anos em Economia pela UFPE, seu primeiro cargo público (chefe de gabinete do governador Miguel Arraes, seu avô), deputado estadual, 3 vezes deputado federal, ministro de Ciência e Tecnologia no primeiro governo de Lula em 2002, governador de Pernambuco por 2 mandatos e candidato à presidência da República em 2014.
O livro mostra ainda como Eduardo Campos conheceu seu avô Miguel Arraes no exílio, em Argel, capital da Argélia, e também sua participação na campanha vitoriosa de Arraes ao Governo de Pernambuco, em 1986, que teve como uma das marcas os versos de Louro do Pajeú cantados por Zeto do Pajeú: “Volta Arraes ao Palácio das Princesas, vai entrar pela porta que saiu”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, ontem, que cargos públicos não devem ser usados para enriquecimento pessoal. A declaração foi feita em entrevista ao ICL Notícias. Segundo Lula, salários de funções como deputado, governador e presidente não permitem que alguém fique rico. “Se alguém ficou rico durante o mandato, é porque teve outras coisas para ficar rico”, disse.
O presidente também afirmou que quem entra na política com esse objetivo não deveria ocupar o cargo e defendeu investigações rigorosas em casos de suspeitas de irregularidades.
O Partido Liberal (PL) avalia mais um nome feminino para ser vice do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): o da deputada federal Clarissa Tércio, do PP de Pernambuco.
Como mostrou a Coluna do Estadão, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que era considerada o nome mais forte, foi taxativa ao dizer que não estava nos seus planos compor a chapa do senador.
Clarissa está em seu primeiro mandato de deputada federal, mas cumpre os requisitos buscados por integrantes da campanha de Flávio: ser mulher e do Nordeste, onde a direita tem dificuldade de conquistar votos.
A deputada de 41 anos confirmou ter sido procurada por integrantes da sigla para tratar sobre a vaga de vice. “Fui sondada por algumas lideranças da direita, mas não participei de nenhuma reunião com o Flávio”, disse a parlamentar, que afirmou que aceitaria o convite.
“Eu estou na política por missão e me dedico muito ao que faço. Quando acredito numa coisa costumo dar tudo de mim. Com toda a certeza eu aceitaria o convite, se fosse algo para agregar e se chegar a ser um convite”, completou parlamentar.
Clarissa disse ser “grande defensora” do ex-presidente Jair Bolsonaro e acreditar que o filho 01 vai dar continuidade aos projetos do pai.
Quando pesquisas “estranhas” viram motivo de descrédito
O cenário político pernambucano atravessa um momento de inflexão em que a disputa eleitoral deixa de se restringir ao campo tradicional e passa a ser travada, também, no terreno sensível da credibilidade das pesquisas de opinião. Nesse contexto, a circulação recente de levantamentos controversos acabou por produzir um efeito colateral indesejado para a base governista.
No epicentro desse movimento está a governadora Raquel Lyra (PSD), cuja articulação política se vê tensionada após a divulgação de pesquisas encomendadas. Os números apresentados — que colocam a gestora à frente de João Campos — destoam de maneira significativa do conjunto mais amplo de levantamentos disponíveis e da percepção consolidada no meio político, que aponta o ex-prefeito do Recife como líder absoluto nas intenções de voto.
Em um primeiro momento, tais pesquisas poderiam cumprir uma função estratégica: oferecer à governadora um discurso de competitividade e, eventualmente, sustentar a narrativa de que estaria à frente na corrida eleitoral. No entanto, a tentativa de construção dessa imagem acabou por produzir um efeito inverso. Longe de consolidar força política, esses levantamentos passaram a gerar desconforto interno, constrangendo aliados que se veem obrigados a defender números cuja credibilidade é amplamente questionada.
A fragilidade dessa narrativa tornou-se ainda mais evidente com a divulgação de um levantamento do instituto Real Time Big Data, empresa de alcance nacional e reconhecida inserção no debate público. A pesquisa apresentou um cenário substancialmente distinto, com João Campos abrindo uma vantagem expressiva — cerca de 17 pontos percentuais — reforçando sua posição como principal liderança no atual quadro eleitoral.
O contraste entre os diferentes estudos não apenas evidenciou a inconsistência dos levantamentos anteriores, como também acelerou seu desgaste público. O que inicialmente poderia servir como peça de comunicação política rapidamente se transformou em objeto de ironia e descrédito, tanto nos bastidores quanto nas redes sociais, onde a repercussão negativa ganhou tração.
Especialistas em opinião pública costumam lembrar que divergências entre pesquisas são inerentes ao processo democrático, sobretudo em períodos pré-eleitorais. Contudo, quando as discrepâncias extrapolam margens razoáveis, a discussão deixa de ser meramente técnica e passa a envolver a própria confiança nas instituições responsáveis pela produção desses dados.
No caso em análise, o episódio revela um paradoxo recorrente na política contemporânea: o uso instrumental de pesquisas pode, em determinadas circunstâncias, comprometer justamente aquilo que se busca construir — a imagem de solidez. Para a base de Raquel Lyra, o resultado é inequívoco: o que poderia sustentar discurso acabou por fragilizá-lo, convertendo-se em fonte de desgaste e constrangimento público.
CENÁRIO TENEBROSO – Se a governadora já estava com dificuldades para aprovar as demandas do seu governo na Assembleia Legislativa, com a debandada do PP (Partido Progressistas) da sua base, ontem, o quadro se agravou. E muito. São dez parlamentares que engrossam o bloco da oposição. Mesmo em minoria, o bloco oposicionista tem assumido a dianteira nas comissões e no plenário. O projeto da LOA, a Lei das Diretrizes Orçamentárias, por exemplo, foi aprovado em 16 de dezembro, mas os deputados impuseram ao texto uma série de alterações, incluindo um aumento de R$ 350 milhões na arrecadação do Estado. A justificativa é um cálculo que considerava que o Executivo havia subestimado algumas receitas.
A gota d’água – O estopim do rompimento do PP com o Governo Raquel foi a demissão, ontem, do presidente da Ceasa, Bruno Rodrigues, ligado ao presidente estadual da federação Progressista, Eduardo da Fonte. Lá atrás, aliás, a governadora já havia desidratado o PP na estrutura do primeiro e segundo escalões. O partido ficou sem o Detran, Lafepe e o Porto do Recife. A tendência é de o partido buscar uma aproximação com o candidato da oposição ao Governo do Estado, João Campos (PSB).
Travou de vez – Mais uma vez, a votação da redação final do Projeto de Lei que trata da margem de remanejamento de recursos da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 foi adiada, ontem, na Assembleia Legislativa, por falta de quórum. Na sessão, apenas seis dos 49 deputados estiveram presentes, sendo necessária pelo menos a presença de nove parlamentares (1/5 – um quinto) para a abertura dos trabalhos. Entre os presentes estavam o presidente da Casa, Álvaro Porto (MDB), e os deputados João Paulo (PT), João Paulo Costa (PT) e Romero Albuquerque (PSB). Da bancada governista estiveram presentes Luciano Duque (Podemos) e Nino de Enoque (PL).
Temer na lista de Vorcaro – O Banco Master declarou ao menos R$ 59,03 milhões em pagamentos para políticos, dirigentes partidários, ex-ministros e um ex-presidente entre 2022 e 2025, mostram documentos da Receita Federal a que o jornal O Globo teve acesso. Os valores constam na declaração apresentada à autarquia pela instituição financeira de Daniel Vorcaro, preso por suspeita de fraudes. Um dos presentes na lista é o ex-presidente Michel Temer. De acordo com o documento do Master enviado à Receita, o escritório de advocacia do emedebista recebeu R$ 10 milhões pelos serviços prestados em 2025.
“Ninguém será subserviente” – Tão logo a bancada do PP debandou do Governo, criando um ambiente mais hostil ainda na Alepe para Raquel, o presidente estadual da federação Progressista, Eduardo da Fonte, evitou falar na palavra rompimento. “Vamos conversar com a bancada. Ninguém vai ser subserviente. Vamos analisar as pautas. Jamais vamos fazer qualquer encaminhamento que seja contra Pernambuco”, disse, referindo-se à reunião que terá na próxima segunda-feira com a bancada. Na pauta, a relação com o Governo Raquel e o destino que a federação tomará na eleição estadual.
CURTAS
CONTRATO – Temer foi contratado por Vorcaro para atuar na tentativa de venda do Master ao BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. À época, o governador era Ibaneis Rocha, também do MDB — ele deixou o cargo há duas semanas para concorrer ao Senado.
PARECERES – Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em novembro do ano passado, Temer disse que seu trabalho como advogado inclui pareceres e mediações. No caso do Master, ele contou que foi chamado por Ibaneis e pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para uma reunião em Brasília.
EM VITÓRIA – João Campos cumpre agenda hoje em Vitória de Santo Antão, na companhia do prefeito e aliado Paulo Roberto, uma das lideranças do MDB em ascensão. Na agenda, uma homenagem ao pai Eduardo Campos, adesões e encontro com lideranças que passam a se engajar ao projeto majoritário do socialista.
Perguntar não ofende: Por que a governadora vacila tanto na articulação política?