Por Rinaldo Remígio Mendes*
Vivemos tempos em que a informação corre mais ligeira do que o vento que sopra nas margens do Velho Chico. E, como acontece com tudo que chega rápido demais, muitas vezes chega também sem clareza, sem contexto, sem verdade inteira.
Foi assim que, nos últimos meses, um tema passou a rondar as conversas dos empresários, das feiras, dos escritórios e das mesas de café: a Reforma Tributária.
Recentemente, estive em Olinda, caminhando por aquelas ladeiras cheias de história, quando recebi uma ligação de um amigo comerciante, homem trabalhador, desses que sustentam o Brasil com o suor diário. Ele me perguntou, com voz apertada:
Leia mais— “E agora, Remígio… para onde vamos? Tanta conversa, tanta notícia desencontrada… essa reforma vai acabar com a gente?”
Parei por um instante. Respirei fundo. E respondi com a serenidade de quem já viu muita coisa mudar, mas também já viu muita coisa permanecer.
A verdade é que a Reforma Tributária vem para reorganizar o sistema de impostos sobre o consumo, substituindo tributos antigos como ICMS, ISS, PIS e Cofins por dois novos pilares: o IBS e a CBS.
Parece complicado quando se fala assim, com siglas e termos técnicos. Mas, no fundo, a intenção é simples: reduzir a bagunça e trazer mais uniformidade ao país inteiro.
E o que mais tranquiliza, especialmente os pequenos empresários, é saber que:
o Simples Nacional não vai acabar.
Ele permanece garantido como regime favorecido para quem empreende com coragem, começando pequeno e enfrentando desafios diários.
O que muda, neste início, é quase nada. A transição será lenta, gradual, feita por etapas até 2033. Nada de susto imediato. Nada de terremoto fiscal de um dia para o outro.
Haverá novidades, sim. Uma delas é a possibilidade futura de o Simples permitir créditos tributários em algumas operações, o que pode beneficiar quem vende para empresas maiores. Mas tudo será opcional e cuidadosamente avaliado.
Por isso, meu conselho como contador, professor e consultor empresarial há mais de 36 anos é direto:
não se deixe levar pelo pânico.
Reforma tributária não é um bicho de sete cabeças. É um processo. E processos se atravessam com informação segura, organização e acompanhamento profissional.
O Brasil muda, os sistemas mudam, as leis mudam… mas uma coisa permanece:
quem trabalha com seriedade, planejamento e orientação correta sempre encontra o caminho.
Ao final da conversa, meu amigo respirou aliviado. E eu também. Porque entendi mais uma vez que, além de números e impostos, nossa missão é oferecer confiança em tempos de incerteza.
A reforma está chegando, sim. Mas chega devagar.
E nós, juntos, saberemos conduzir.
*Professor universitário aposentado, administrador, contador e mestre em economia
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