Nesta segunda-feira (23), em cerimônia no Palácio do Campo das Princesas, no Recife, a governadora Raquel Lyra e o deputy CEO da European Energy, Jens-Peter Zink, assinam o contrato que oficializa a chegada ao Complexo Industrial Portuário de Suape da primeira indústria de produção de e-metanol do Brasil. Também conhecido como metanol verde, o e-metanol é obtido de fontes renováveis e livre de emissões poluentes, sobretudo quando é produzido a partir de uma matriz de hidrogênio verde. Serão investidos R$ 2 bilhões no empreendimento, que estima gerar 250 empregos diretos e cerca de 15 mil indiretos.
Em mais uma medida para reduzir o endividamento, o governo prepara programa de refinanciamento de débitos tributários voltado para microempreendedores individuais (MEIs). O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, antecipou ao jornal O Globo que a iniciativa é um desdobramento do Desenrola, que tem como foco dívidas bancárias, e terá como objetivo regularizar a situação de trabalhadores que estão em atraso ou que tiveram seu CNPJ cancelado por conta da inadimplência.
O “Refis” dos MEIs vai prever descontos de até 70% e parcelamento em até 12 anos. De acordo com o ministro, as transações serão limitadas a R$ 20 mil em dívidas e prestação mínima de R$ 25. Hoje, esse prazo é de até 2 anos, com parcela mínima de R$ 50.
O anúncio, a menos de três meses das eleições, faz parte de um pacote voltado aos micro e pequenos empreendedores que o presidente Lula deve apresentar. Além do refinanciamento, o governo enviará ao Congresso um projeto para elevar o teto de faturamento dos MEIs, para R$ 110 mil em 2027, e R$ 140 mil, em 2028.
O impacto previsto é de R$ 4 bilhões no período. Pereira afirma que não haverá medida de compensação. “Essa é uma despesa com natureza específica, porque é uma recomposição inflacionária. A gente não está aumentando uma despesa pública, estamos corrigindo um índice. Não tem impacto fiscal para esse ano. Para 2027, será de R$ 2 bilhões, que serão contemplados na peça orçamentária. E mais R$ 2 bilhões em 2028. No total, R$ 4 bilhões”, afirmou.
O governo, segundo ele, vai fazer um esforço para reorganizar a lógica do Simples. Primeiro, porque há os debates relacionados à adaptação dele à Reforma Tributária. Em segundo, porque a avaliação que hoje o Simples gera muitas distorções
BEM NA EDUCAÇÃO – Pesquisa do instituto Ipsos-Ipec mostra como os brasileiros classificam o governo federal nos principais segmentos. A educação continua a ser a área mais bem avaliada, enquanto aspectos econômicos, como combate à inflação e controle de gastos públicos, ocupam as últimas posições do ranking. A sondagem se baseia em 2.000 entrevistas presenciais realizadas entre 13 e 17 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Líder socialista na contramão – O lider do PSB na Câmara dos Deputados, Jonas Donizette (SP) não está afinado com a direção nacional, que em São Paulo tem negociado a candidatura da ex-ministra Simone Tebet ao Senado e o ex-governador Márcio França como vice de Fernando Haddad. Ontem, Jonas jogou lenha na fogueira ao insistir na candidatura de França ao Governo de São Paulo. O congressista avalia que a presença do ex-governador aumenta a possibilidade de que a eleição estadual não seja definida já no 1º turno. “Sempre defendi uma candidatura própria em São Paulo. É importante para a gente ter o nosso palanque do partido. É importante a gente poder, pela votação da legenda, fazer um número maior também de deputados. A mesma lógica que o PT usa, eu acho que serve para a gente também”, disse, em entrevista ao site Poder360.
Já vai tarde – Governistas comemoram a degola do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do Governo no Senado. Vira-se, segundo esses aliados de Lula, a página sobre o tema e o governo consegue mudar de assunto. Havia riscos de a permanência de Wagner contaminar a agenda de Lula na Bahia na próxima semana. O presidente irá ao Estado participar das comemorações do 2 de Julho, data comemorativa da Independência da Bahia. Também está prevista a inauguração de um hospital em Alagoinhas (BA), a reinauguração do Teatro Castro Alves, na capital, e o lançamento do canteiro de obras da Ponte que vai ligar Salvador à Ilha de Itaparica.
Lei seca sem bons resultados – A Lei Seca não vem surtindo o efeito necessário para reduzir os acidentes no trânsito por consumo de álcool. Segundo levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), 18 estados brasileiros já apresentam taxas de mortalidade superiores à média nacional, que é de 6,2 mortes para cada 100 mil habitantes. Esse crescimento interrompe um período de cinco anos consecutivos de queda, fazendo com que o índice de mortes relacionadas ao consumo de bebida alcoólica retornasse aos níveis de 2016.
Tebet quer CPI do Master – Convidada do podcast Direto de Brasília desta quinta-feira, a ex-ministra Simone Tebet, pré-candidata ao Senado pelo PSB em São Paulo, defendeu, ontem, a criação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) ou CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar o caso do Banco Master. Para ela, isso já deveria ter sido feito como forma de o Congresso Nacional mostrar transparência para a população. “É dever do homem público dar transparência ao verdadeiro dono do poder. O poder vem do povo, a soberania é popular, ele vai às urnas, ele vota e ele quer saber o que o seu congressista está fazendo. Estamos falando do maior escândalo de corrupção do sistema financeiro do país, quiçá do mundo”, afirmou. Segundo Tebet, apesar da investigação conduzida pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e o Supremo, as CPIs abrangem não só os aspectos jurídicos, mas também os políticos.
CURTAS
ADIAMENTO 1 – A ex-ministra Simone Tebet, pré-candidata ao Senado em São Paulo pelo PSB, cancelou, ontem, sua presença no podcast Direto de Brasília, que transferi de terça passada para hoje para atender um pedido de adequação na sua agenda. Alegou que foi chamada para uma conversa em Palácio com o presidente Lula (PT) no mesmo horário.
ADIAMENTO 2 – Na verdade, a conversa com Lula deve se dar em torno do imbróglio que se transformou a formação da chapa da oposição em São Paulo. Por enquanto, a chapa seria Fernando Haddad (PT) para governador com Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) para o Senado. O vice seria o ex-governador Márcio França (PSB), que não tem entusiasmo pela vice, mas pelo Senado.
MANTIDO – Apesar do tiroteio na madrugada de ontem na estação do forró em Serra Talhada, resultando em uma morte e 15 feridos, a prefeita Márcia Conrado (PT) manteve a programação junina. A gestora divulgou uma nota informando que o policiamento será reforçado e que o episódio, embora lamentável, foi um fato isolado.
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Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (24), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) diz ter sido desrespeitada e maltratada pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), durante conversa por telefone sobre o palanque do Partido Liberal (PL) no Ceará.
“Ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para dizer o que me disse, teria sido melhor que não tivesse ligado. Foi muito ríspido, me desrespeitou e me tratou mal ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem.”
Segundo Michelle, o episódio ocorreu após ela manifestar oposição à articulação conduzida por lideranças do PL cearense para uma composição com Ciro Gomes (PSDB) já no primeiro turno da disputa estadual. A ex-primeira-dama defende que a direita apoie a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do estado.
Críticas à aliança com Ciro
No vídeo, Michelle afirmou que a resistência à aproximação não é uma questão eleitoral, mas de coerência política.Ela relembrou declarações de Ciro contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e disse considerar contraditório que integrantes do bolsonarismo apoiem uma aliança com alguém que, segundo ela, contribuiu para a inelegibilidade do ex-chefe do Executivo.
A ex-primeira-dama ainda acusou os filhos de Bolsonaro de agirem de forma coordenada ao reagirem publicamente às suas críticas. “Os irmãos se uniram, de forma coordenada, com textos muito parecidos entre si. Parecia combinado, premeditado”, afirmou.
Defesa de atuação no partido
Ao rebater críticas de que não teria experiência política, Michelle destacou sua atuação à frente do PL Mulher. “Sou presidente nacional do PL Mulher. Viajei o Brasil inteiro, montei diretorias nos 27 estados e no Distrito Federal, ajudei a eleger 1.005 mulheres em 2024. Mas, para ele e para alguns ao seu redor, eu não entendo de política”, disse. Michelle também negou rumores de que estaria pressionando por candidaturas ou exigindo pedidos de desculpas. De acordo com ela, o conflito com Flávio começou antes de qualquer discussão sobre cargos ou projetos eleitorais e está relacionado a “respeito e consideração”.
Atrito expõe divisão no bolsonarismo
A crise ocorre em meio às divergências dentro do campo bolsonarista sobre a estratégia para as eleições de 2026 no Ceará. Na semana passada, Michelle voltou a demonstrar apoio público a Eduardo Girão e afirmou que a direita não deveria fazer “aliança com o mal”, declaração interpretada como uma referência à aproximação entre o PL e Ciro Gomes.
A articulação tem o apoio de André
Fernandes e de aliados do ex-presidente no estado, que defendem a união de forças para enfrentar o PT. Michelle, por sua vez, sustenta que uma eventual composição com Ciro só deveria ser discutida em um eventual segundo turno.
O presidenciável Ronaldo Caiado deixou claro, segundo o registro hoje feito pelo G1, de que terá paciência com Raquel, mas que terá palanque em 2026 em Pernambuco.
O candidato defendeu a candidatura do partido e que todos os filiados e aqueles que terão todo o apoio e os benefícios por estarem no partido têm compromisso de votar com o partido. E isso passa diretamente pela governadora Raquel Lyra e por Túlio Gadêlha, que tem sido o fiel da balança de criar a construção da unidade da direita em torno de Raquel.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu licença do cargo de líder do governo no Senado, dias após ser incluído na lista de alvos da 9ª fase da Compliance Zero, operação que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Nesta quarta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o líder do governo no Senado no Palácio da Alvorada. A conversa durou cerca de duas horas.
Após o encontro, Wagner afirmou em uma publicação nas redes sociais que, decidiu em acordo com o presidente, se afastar da liderança no Senado. “Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente @LulaOficial, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal”.
“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, escreveu Wagner.
Endereços ligados ao senador em Salvador (BA) e Brasília foram alvos de mandados de busca e apreensão na última quinta-feira (18). Jaques Wagner é apontado pela Polícia Federal como “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais”.
Segundo a investigação, o senador é próximo do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, instituição financeira que também foi liquidada pelo Banco Central (BC). A Polícia Federal investiga se o senador teria recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio por medidas no Congresso que ajudariam o Banco Master, como a chamada “Emenda Master”.
Há também suspeitas em torno da compra de um apartamento de luxo em Salvador e repasses que somam R$ 3,5 milhões em nome de familiares do parlamentar. Ele nega ter cometido irregularidades.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu aval para que o partido tenha uma candidatura própria ao governo de Minas Gerais. O petista se reuniu na manhã desta quarta-feira com integrantes do diretório mineiro e o presidente do PT, Edinho Silva, para encaminhar o palanque no estado, considerado crucial para a campanha. A expectativa, agora, é que inicie um processo interno de diálogo no PT para definir o nome que representará a chapa.
“O entendimento construído coletivamente reafirma uma resolução decidida há um mês de que o Partido dos Trabalhadores vai apresentar uma candidatura própria em Minas Gerais. As definições sobre esse projeto serão construídas nos próximos dias, a partir do diálogo entre o partido e as forças políticas comprometidas com um projeto democrático e popular para o estado”, afirmou a presidente do PT estadual, Leninha, em nota divulgada à imprensa após o encontro. As informações são do jornal O Globo.
Desponta como favorita para encabeçar a chapa a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, até então pré-candidata ao Senado. De acordo com interlocutores dela, Marília enfrenta resistência a essa possibilidade, já que teria um caminho considerado mais fácil para ser eleita ao Senado.
A expectativa é que o partido bata o martelo no prazo de uma semana. Marília é considerada favorita por ter tido o melhor desempenho em pesquidas internas. Lideranças petistas consideran que não há um outro nome do partido que possa garantir um palanque forte para Lula. A definição depende agora de conversas com a ex-prefeita de Contagem.
A conversa nesta quarta destrava o processo de definição do cenário no segundo maior colégio eleitoral do país. A opção preferida de Lula era que o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) fosse o candidato ao governo estadual. A tentativa de convencimento do petista, no entanto, foi frustrada e Pacheco indicou que deverá deixar a vida pública ao final de seu mandato, neste ano.
Como o jornal O Globo mostrou, integrantes do PT vinham cobrando atuação mais incisiva de Lula nesse processo de definição da chapa diante da demora em buscar uma solução. Historicamente, o candidato à presidência que vence no estado costuma ser eleito presidente.
O presidente do PT, Edinho Silva, vinha conduzindo as conversas para montagem dos palanques. Ele se reuniu com nomes do PSB que passaram a ser considerados alternativas, diante da resistência apresentada por Pacheco. Ele esteve, por exemplo, com o ex-presidente da Fiesp Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar e que recentemente se filiou à sigla.
Além de Minas, ainda há indefinições em outros palanques do petista, principalmente São Paulo. Lula está previsto para se reunir ainda hoje com os ex-ministros Márcio França, Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva —todos cotados para a chapa encabeçada por Haddad ao Palácio dos Bandeirantes. A expectativa é que haja uma definição sobre a vice e as duas candidaturas ao Senado.
O clima de insatisfação dentro do Avante em relação à governadora Raquel Lyra (PSD) pode provocar um novo movimento no tabuleiro político no Estado. O deputado Waldemar Oliveira, líder do partido na Câmara dos Deputados, endureceu as críticas públicas à condução política da governadora depois que perdeu para Fernando Monteiro o apoio do prefeito e ex-prefeito de Custódia, fez mil votos a menos na contabilidade para a chapa federal do Avante.
Segundo o parlamentar, Raquel passou, de uma hora para outra, a prestigiar lideranças que, segundo ele, não estiveram ao seu lado nos momentos mais difíceis de sua trajetória política. Essa mudança de postura teria gerado forte incômodo entre aliados históricos.
Enquanto isso, o prefeito João Campos retomou o diálogo com o Avante e suas principais lideranças. Nos bastidores, a avaliação é de que ele atua com habilidade para construir uma convergência política e atrair o partido para seu campo, o que pode alterar significativamente o xadrez eleitoral de 2026.
Uma das vítimas do tiroteio que deixou um morto e ao menos 15 feridos durante os festejos de São João na Estação do Forró, em Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco, usou as redes sociais para relatar os momentos de pânico vividos na madrugada desta quarta-feira (24).
A jovem, identificada como Rafaela, afirmou ter sido atingida por dois disparos na perna esquerda durante a ocorrência. Segundo ela, uma das balas passou de raspão, enquanto outra permaneceu alojada na região da canela e deve ser retirada por meio de cirurgia após a cicatrização do ferimento.
O caso aconteceu durante a programação junina realizada na Estação do Forró. De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), um homem de 36 anos, apontado como suspeito de efetuar disparos, morreu após ser baleado. Ao menos 15 pessoas ficaram feridas, entre elas cinco policiais militares e dez civis.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Rafaela contou que estava próxima ao local da confusão quando ouviu pessoas alertando que havia um homem armado. Ao tentar fugir, percebeu que havia sido atingida. “Eu só escutei quando falaram assim: ‘ele tá armado, é tiro’. No que eu olho para trás, que eu vou correr, eu só sinto o impacto na minha perna”, relatou.
A jovem afirmou que a troca de tiros ocorreu em meio às pessoas que acompanhavam a festa e criticou a forma como a situação foi conduzida. “Eram mais de cinco policiais disparando contra ele e simplesmente a gente estava na frente”, declarou.
No relato, a vítima também questionou as condições de segurança do evento e a ausência de revistas na entrada da festa. “Imagina se uma bala dessa pega uma criança? Imagina se uma bala dessa pega um idoso? Cadê a segurança pública? Por que simplesmente numa festa que vai ter mais de 100 pessoas não tem uma revista na hora da entrada?”, questionou.
A Polícia Civil informou que instaurará um inquérito para apurar as circunstâncias e as motivações do caso.
Segundo a SDS, todas as vítimas foram socorridas para unidades hospitalares da região. O Hospital Eduardo Campos informou ter recebido quatro feridos em estado estável, sendo dois policiais militares e dois civis. Dois pacientes receberam alta e outros dois permanecem internados.
A Prefeitura de Serra Talhada manifestou solidariedade às vítimas e aos policiais feridos e informou que a programação desta quarta-feira (24) foi mantida.
A cúpula nacional do Republicanos avalia interromper o processo de afastamento que marcou a relação nos últimos meses com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A possível mudança de rota acontece enquanto a cúpula do partido tenta se descolar das fraudes financeiras do Banco Digimais, do Bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus.
O banco foi alvo de uma operação da Polícia Federal, e a avaliação na sigla é que o governo Lula não tem se movido na tentativa de encontrar soluções para o rombo da instituição financeira. A Universal tem forte ligação com o Republicanos. O presidente do partido, Marcos Pereira, é bispo da igreja e aliado próximo de Macedo. Apesar disso, a aliados, Pereira diz que a legenda conquistou vida própria e que grande parte dos parlamentares não têm ligação com a Universal nem é evangélica.
Dentro desse contexto de insatisfação com o governo Lula, vem ganhando força em conversas no partido a defesa do nome da economista Daniella Marques para vice de Flávio. Ela foi presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro, integrou a equipe do ministro Paulo Guedes e hoje assessora a pré-campanha de Flávio na área econômica. “Ela é forte, inteligente e está no Republicanos. Pode ser uma boa vice dele (Flávio)”, disse a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Daniella se filiou ao partido em abril, prazo máximo para estar apta a concorrer em outubro. Ainda não há definição sobre o caminho que o Republicanos vai tomar na campanha presidencial, e alas do partido próximas a Lula defendem a neutralidade, com cada integrante se posicionando de acordo com seus interesses.
A reaproximação do Republicanos com Flávio acontece após uma resistência inicial do partido em compor com ele. A cúpula nacional da legenda se mostrou insatisfeita com a escolha do senador e não do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato a presidente apoiado pelo bolsonarismo.
O escândalo de fraude financeira do banco Master também contribuiu para a afastar o senador da legenda. Foi revelado que Flávio mantinha uma relação de proximidade com Daniel Vorcaro, dono do Master, e isso provocou uma queda do senador nas pesquisas. O senador não chegou a recuperar o mesmo patamar de antes da crise, mas conseguiu se estabilizar nos últimos levantamentos.
Por outro lado, a crise teve efeitos mais profundos na federação União-PP, que também tem seus dirigentes partidários com relações próximas com Vorcaro. A federação vê hoje a neutralidade como caminho mais provável, enquanto o Republicanos ainda avalia a possibilidade de apoio ao PL.
Há poucos meses, a cúpula do Republicanos vinha dando sinais de uma trégua com Lula e de afastamento em relação a Flávio. Como mostrou a newsletter Jogo Político, do jornal O Globo, a mudança de postura da Universal sobre o PT ficou evidente na Semana Santa. Embora tenha passado o mês de março anunciando que enviaria um recado crítico para a esquerda nos eventos da Sexta-feira da Paixão em estádios lotados pelo Brasil, isso não aconteceu. No mesmo período, Pereira também deu entrevistas marcando distância em relação a Flávio.
Reservadamente, no entanto, integrantes do partido reconhecem que o caso Digimais adicionou mais um ingrediente nessa disputa interna. Outro grupo sustenta que a operação da PF não tem relação com o caminho político que a sigla deve tomar e que a decisão sobre a disputa ao Palácio do Planalto será tomada independentemente dos rumos das investigações da PF.
O banco chegou a negociar uma possível compra pelo BTG, em uma operação que previa um aporte de R$ 7 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Embora privado, o FGC tem o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal como membros, o que assegura influência do governo federal. Sem essa operação e diante da operação da PF que gerou o bloqueio de R$ 670 milhões, mercado e agências de classificação de risco veem situação do Digimais se complicar.
Alvo de operação da Polícia Federal (PF) na última terça-feira, o Digimais é suspeito de fraudar o sistema financeiro do país com uma série de operações. A investigação aponta que a instituição que pertence ao líder da Igreja Universal fraudava seu balanço e supervalorizava ativos para maquiar seu patrimônio e induzir investidores ao erro.
O Digimais afirmou, em nota, que está à disposição das autoridades para dar explicações e colaborar com a Justiça. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, afirmou o banco, em nota.
O governo de Minas Gerais finalmente divulgou, por ordem judicial, a lista das empresas que receberam incentivos fiscais na gestão de Romeu Zema. Uma linha da planilha chamou a atenção da oposição mineira: a Eletrozema recebeu R$ 2.282.543,68 de desconto no ICMS a partir de 2024.
Como o nome indica, a cadeia de lojas de eletrodomésticos pertence ao Grupo Zema, cujo principal acionista é… o ex-governador Zema.
A coluna procurou o pré-candidato ao Planalto pelo Novo, mas ele ainda não se manifestou.
Em março, antes de renunciar ao governo de Minas, Zema defendeu que a lista das empresas beneficiadas por isenções continuasse em sigilo. “Essa questão é como se fosse um segredo industrial. Nós não vamos dar publicidade a isso porque seria extremamente pernicioso para o estado de Minas”, disse.
Nos bastidores da política pernambucana, o senador Fernando Dueire (PSD) tem deixado cada vez mais evidente sua insatisfação com a governadora Raquel Lyra (PSD). Na avaliação do parlamentar, existe uma dívida política que precisa ser reconhecida.
Dueire considera que sempre agiu com lealdade, correção e espírito público, valores que, segundo aliados, sempre orientaram sua relação com a governadora. Ao longo do mandato, esteve ao lado do governo em momentos decisivos, defendendo projetos estratégicos, como a aprovação de empréstimos e outras matérias consideradas fundamentais para Pernambuco.
O senador entende que sua atuação foi marcada pelo compromisso institucional, sem criar constrangimentos ou impor condições. Por isso, o que espera agora não é um gesto de favorecimento, mas apenas um reconhecimento republicano pela parceria construída e pela contribuição que deu ao governo desde o início da gestão. Enfim , cobra de forma subjetiva um gesto de caráter.
O debate sobre envelhecimento deixou de estar restrito à saúde e passou a incluir, cada vez mais, a organização das finanças. Em um país que envelhece rapidamente, pensar em estratégias para garantir renda, acesso a cuidados médicos e estabilidade econômica tornou-se parte do planejamento de longo prazo. Nesse contexto, a busca pelo melhor seguro de vida surge como uma das ferramentas que podem complementar a proteção financeira ao longo da terceira idade.
Os dados confirmam a dimensão dessa transformação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tinha 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2022, o equivalente a 15,6% da população. O contingente cresceu 56% em relação a 2010, refletindo o avanço da longevidade no país.
A discussão sobre como envelhecer com qualidade também ganhou espaço nas políticas públicas e na educação. Na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025, os participantes foram convidados a refletir sobre o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. A escolha do assunto escancara como o aumento da população idosa deixou de ser apenas uma questão demográfica para se tornar um debate sobre qualidade de vida, inclusão social, acesso à saúde e planejamento financeiro ao longo da vida.
Diante disso, a segurança financeira passa a ser um dos pilares da autonomia durante o envelhecimento. A capacidade de manter despesas essenciais, acessar serviços de saúde e enfrentar imprevistos influencia diretamente a autonomia na velhice, e, quanto mais cedo essa organização começa, maiores são as possibilidades de construir uma reserva capaz de sustentar os anos posteriores à aposentadoria.
Como planejar a segurança financeira na longevidade: busca pelo melhor seguro de vida, previdência privada e reserva de emergência estão entre as opções
Preparar-se para a terceira idade envolve diferentes estratégias. A aposentadoria pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continua sendo uma importante rede de proteção, mas especialistas em educação financeira defendem a necessidade de diversificar as fontes de renda para reduzir a dependência de um único benefício.
Nesse planejamento, diferentes instrumentos podem cumprir funções complementares. A previdência privada, por exemplo, ajuda a formar uma renda adicional para a aposentadoria, reduzindo a dependência exclusiva do benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Já os investimentos de perfil conservador, como títulos de renda fixa, costumam ser buscados por quem procura preservar patrimônio e manter previsibilidade nos rendimentos. A reserva de emergência funciona como uma proteção para despesas inesperadas, especialmente em uma fase da vida em que gastos com saúde tendem a aumentar.
Entre as alternativas de reserva e segurança, o melhor seguro de vida também pode contribuir para a segurança financeira, oferecendo coberturas que vão além da indenização por morte. Dependendo do contrato, o produto pode prever assistência em casos de invalidez, diagnóstico de doenças graves e outras situações que podem comprometer a renda e o orçamento familiar.
A necessidade desse preparo fica evidente nos indicadores do mercado de trabalho. Dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que, em 2024, 24,4% das pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas, o equivalente a, aproximadamente, um em cada quatro idosos.
Embora muitos permaneçam ativos por escolha, parte desse contingente continua trabalhando por necessidade financeira, o que denuncia também a importância de políticas públicas voltadas ao envelhecimento, incluindo acesso à saúde, programas de educação financeira e mecanismos de proteção social, capazes de reduzir desigualdades ao longo da vida.
Planejamento hoje, tranquilidade amanhã
O envelhecimento da população brasileira mostra que a longevidade deixou de ser uma projeção distante para se tornar uma realidade concreta. Aqui, vale ressaltar que organizar as finanças pensando nos anos de velhice não significa acumular um patrimônio elevado, mas criar condições para atravessar essa fase com maior previsibilidade, segurança e assistência.
A construção de uma reserva financeira, a revisão periódica do orçamento, a preparação para despesas médicas e a contratação de instrumentos de proteção adequados ao perfil de cada pessoa ajudam também a reduzir as vulnerabilidades futuras. Um estudo conduzido pela Universidade Binghamton, nos Estados Unidos, e liderado pelo pesquisador Ian McDonough acompanhou cerca de 2.800 adultos mais velhos durante uma década.
Os resultados indicaram que muitos participantes mantiveram ou aprimoraram sua capacidade de administrar recursos financeiros ao longo do envelhecimento, reforçando a importância da educação financeira e do planejamento de longo prazo para a preservação da autonomia na terceira idade.
Assim, em um país no qual a população idosa continua crescendo, planejar o futuro tornou-se uma medida prática para preservar o bem-estar na velhice. A organização das finanças ao longo da vida pode reduzir os impactos de despesas inesperadas e ampliar as possibilidades de escolha e liberdade durante o envelhecimento. Em um cenário de maior longevidade, essa preparação se torna um dos fatores que contribuem para anos mais estáveis e independentes.
O Brasil vive atualmente uma das maiores transformações de seu mercado de entretenimento e apostas. Em poucos anos, as chamadas “bets” e “tigrinhos’’ passaram de fenômeno marginal para uma presença constante na vida nacional. Estão nas camisas dos clubes de futebol, nos estádios, nas transmissões esportivas, nas redes sociais, nos programas de televisão e nos celulares de milhões de brasileiros.
A questão central, entretanto, não é a legalidade da atividade. O Congresso Nacional autorizou as apostas de quota fixa em 2018, por meio da Lei nº 13.756/2018, e a União Federal regulamentou o setor posteriormente com a Lei nº 14.790/2023 e normas da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
O problema reside em outro ponto: a velocidade de expansão do mercado parece muito superior à velocidade da proteção dos consumidores. A proporcionalidade e o princípio da precaução de danos, que tem ocorrido e crescido de forma alarmante.
A publicidade das apostas tornou-se onipresente. A promessa de ganhos rápidos, aliada ao fácil acesso por aplicativos e meios digitais, cria um ambiente de estímulo permanente ao jogo. Nesse contexto, cresce também um fenômeno cada vez mais preocupante: a ludopatia.
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, a ludopatia consiste em transtorno comportamental caracterizado pela perda do controle sobre o impulso de apostar. Seus efeitos podem ser devastadores. Superendividamento, destruição de patrimônios familiares, depressão, ansiedade e suicídios são apontados por estudos médicos como consequências do vício em jogos.
Não se trata de questão moral ou religiosa. Trata-se de saúde pública. A Constituição Federal estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Determina igualmente a proteção do consumidor, da dignidade da pessoa humana e dos grupos vulneráveis. Quando uma atividade econômica possui potencial de causar danos relevantes à coletividade, o Estado não pode limitar sua atuação à arrecadação ou à simples autorização de funcionamento, deve intervir.
A responsabilidade estatal inclui fiscalizar, advertir, informar e prevenir. A própria legislação das apostas reconhece a necessidade do chamado “jogo responsável”. Todavia, ainda se observa insuficiência de campanhas públicas de conscientização, ausência de advertências ostensivas semelhantes às existentes em produtos potencialmente nocivos e reduzida discussão pública sobre os impactos psicológicos e sociais das apostas online. Há fiscalização insuficiente.
Outro aspecto relevante é a proteção das crianças e adolescentes. Embora a participação de menores seja proibida, a publicidade das bets invade diariamente transmissões esportivas, plataformas digitais e redes sociais frequentadas por milhões de jovens brasileiros. A normalização cultural das apostas merece reflexão séria por parte da sociedade e das autoridades reguladoras.
A obra genial “O Jogador”, de Fiódor Dostoiévski, escrita no século XIX, continua surpreendentemente atual. O autor descreve a lenta submissão do indivíduo ao fascínio do jogo e à ilusão do ganho fácil. Mais de cento e cinquenta anos depois, a tecnologia mudou, mas a fragilidade humana permanece a mesma.
À medida que acontece uma Copa do Mundo de Futebol, cresce também o investimento publicitário das plataformas de apostas e aumentam os jogos. O que muitos já chamam de “Copa das Bets” exige atenção especial e urgente dos órgãos reguladores.
Defender uma fiscalização mais rigorosa não significa defender a proibição das apostas. Significa reconhecer que liberdade econômica e responsabilidade social devem caminhar juntas, devendo haver proporcionalidade.
A grande questão jurídica do momento não é saber se as apostas podem existir. Elas já existem. A questão é saber se o Estado brasileiro está cumprindo integralmente seu dever constitucional de proteger a saúde pública, os consumidores e os grupos mais vulneráveis diante de uma atividade que movimenta bilhões de reais e influencia milhões de pessoas diariamente. Não está.
Esse é o debate que o país precisa enfrentar, urgentemente, antes que os custos sociais da omissão se tornem gigantescos.
Entrei com ação popular na Justiça Federal solicitando várias providências por parte da União, ante o agravamento do período da Copa do Mundo. Estamos criando a Associação de Apoio ao Apostador, no sentido de orientar, acolher, conscientizar e eventualmente assessorar juridicamente. Em breve, além de um instagram, estaremos abrindo uma plataforma digital. O jogo abusivo, sem os cuidados devidos, não pode acabar com várias famílias brasileiras, destruindo vidas.