Não é fácil andar em Diamantina pelas suas ruas de pedras. São lindas, charmosas e compõem um cenário que nos remetem ao tempo da sua colonização, mas tem hora que dá uma canseira. E o jeito é dar uma paradinha, sentar na calçada e tomar uma água gelada.
Por Valéria Lucena*
O Censo 2022 do IBGE expõe uma realidade que nós, profissionais do Direito, já percebíamos no dia a dia: as famílias pernambucanas mudaram. E mudaram muito. Pela primeira vez, o estado tem praticamente o mesmo número de pessoas casadas e solteiras. Mas o dado que mais chama minha atenção é outro: as uniões consensuais, sem casamento civil ou religioso, já representam 42,76% dos relacionamentos. A informalidade afetiva se tornou predominante em Pernambuco, revelando escolhas legítimas, modernas e coerentes com um tempo em que as relações se moldam mais à autonomia do que à tradição.
Essa transformação, porém, traz desafios jurídicos que não podem ser ignorados. Ainda é comum ouvir pessoas acreditando que a união estável garante automaticamente pensão, herança ou partilha de bens. Não garante. Ao contrário do casamento, que se prova com uma certidão, a união estável precisa ser demonstrada. E quando essa comprovação não existe (nenhum contrato, nenhuma escritura, nenhum registro) o companheiro pode enfrentar obstáculos enormes justamente no momento mais vulnerável: uma separação inesperada, um falecimento ou um conflito entre herdeiros.
Leia maisPor isso, sempre repito algo que defendo com convicção: formalizar não é burocratizar o amor. É protegê-lo. Escrituras públicas e contratos de convivência deixam claros direitos e deveres, evitam interpretações equivocadas e reduzem significativamente disputas dolorosas entre filhos, familiares e companheiros. Planejamento patrimonial não é sobre desconfiança; é sobre responsabilidade emocional e financeira. Quando bem utilizados, esses instrumentos garantem dignidade, previsibilidade e respeito às escolhas de cada família.
O Censo também revela que mais de 10% dos lares abrigam mais de uma família e que 67% das casas não têm crianças menores de 10 anos. Estamos diante de um ambiente de envelhecimento populacional, vínculos múltiplos, famílias recompostas e arranjos cada vez mais complexos. Tudo isso demanda um olhar ainda mais sensível e técnico. Testamentos, pactos e acordos passam a ser fundamentais para assegurar que a vontade de cada pessoa prevaleça , especialmente em lares onde convivem histórias e afetos de origens diferentes.
Outro ponto importante é o mito da “dupla união estável”. Os tribunais brasileiros seguem o princípio da monogamia. Mesmo em situações de boa-fé ou dependência econômica, não há reconhecimento pleno de duas famílias simultâneas. Em casos excepcionais, pode até existir alguma proteção patrimonial limitada, mas jamais equiparação. Esse é um choque de realidade para quem acredita que relações paralelas terão o mesmo amparo da lei.
Desde 2017, casamento e união estável são praticamente equivalentes no campo sucessório, graças à decisão do STF. Companheiros herdarem como cônjuges é um avanço civilizatório. Mas a diferença prática permanece: provar a existência da união estável é essencial. E essa prova pode ser simples, quando a relação está documentada, ou extremamente difícil quando tudo se apoia apenas na informalidade.
Diante de famílias cada vez mais plurais, diversas e afetivamente complexas, o planejamento jurídico se torna parte do cuidado. Eu defendo que falar sobre testamentos, pactos, contratos de convivência e sucessão é um gesto de maturidade emocional e respeito mútuo. É garantir que o afeto que construímos durante a vida não se transforme em conflito depois dela. É, acima de tudo, assegurar que quem faz parte da nossa história esteja realmente protegido.
*Advogada especialista em Direito Sucessório
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Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão. Está preso. Incomunicável. Não tem acesso a redes sociais. Não dá entrevistas. Mas, mesmo assim, é ele ainda quem dita boa parte do ritmo da política brasileira. E muito disso acontece pela estratégia adotada por seus advogados de defesa.
Os advogados sabem que boa parte dos diversos recursos que o tempo todo fazem ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes não têm sentido e serão negados. Mas obrigam Moraes a se manifestar. E, feito o pedido e feita a manifestação, mantêm Bolsonaro em evidência. Em evidência, Bolsonaro se mantém no debate político nacional.
Leia maisOrienta os humores do eleitorado nas pesquisas. E a eleição de outubro, assim, passa por ele. Assim foi na quinta-feira (15) após a decisão de Alexandre de Moraes de transferir Bolsonaro da sede da Polícia Federal (PF) para a área do Complexo Penitenciário de Brasília conhecida como Papudinha. A defesa de Bolsonaro reclamava dos 12 metros quadrados da sala do PF. E vai reclamar agora dele ficar em um espaço cinco vezes maior.
Na estratégia dos advogados de Bolsonaro, há ainda a crença de que o estilo explosivo de Alexandre de Moraes não irá falhar. Nos seus despachos, Moraes será sempre duro. Dirá que prisão não é “colônia de férias” e coisas do tipo. Ajudará, assim, a manter, um ambiente de vitimização, que será explorado com a ajuda das manifestações dos filhos e da esposa do ex-presidente, Michelle. No fundo, nada disso precisa fazer sentido. Para quem é contra Bolsonaro, bate a busca para ele de privilégios que outros presos não têm.
Para quem é a favor, é a prisão injusta de um homem de mais de 70 anos com problemas de saúde. Os exageros de uma parte ou de outra não contam quando o que se deseja é mesmo manter esse clima de radicalização emocionada. Em parte, Bolsonaro e sua defesa não inventam muita coisa. No tempo em que esteve preso, o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez parecido.
Há diferenças, porém. E só o tempo dirá o quanto vão pesar no futuro essas diferenças de estratégia. Lula procurou sempre passar a ideia de que não vergava com a prisão, de que a enfrentava com a disposição de reagir politicamente no momento em que readquirisse a liberdade para recuperar seu espaço.
Já Bolsonaro centra-se na ideia de parecer fragilizado. Em parte, porque, de fato, tem problemas de saúde. Mas em parte porque se busca construir junto a seus seguidores a ideia de que agora seja uma espécie de mártir. Para alguns, acenando que, no seu caso, o trabalho já seria de sucessão do espólio.
Não parece haver no horizonte de Bolsonaro, a essa altura, uma perspectiva de revisão da sentença. Como havia no caso de Lula. Primeiro, no caso de Lula sua condenação não estava transitada em julgado. Ainda cabiam recursos. O episódio da Vaza Jato ajudou a anulação da condenação.
Quando ficou claro que o então juiz Sergio Moro combinava com os procuradores acusações que viravam sentenças, o STF anulou as condenações. Lula não apenas ficou livre como teve recuperados seus direitos políticos. No horizonte próximo de Bolsonaro, essa não parece ser uma possibilidade. Daí, a diferença de estratégia.
Assim, no caso de Bolsonaro, o caminho que parece possível é reduzir ao máximo seu tempo de prisão. Como se busca no Congresso com o PL da Dosimetria. Bolsonaro, assim, cumpriria aí pouco mais de dois anos de prisão em regime fechado. Mas ainda assim não estaria automaticamente de volta à política.
O cenário talvez tenha feito Bolsonaro perceber que enfrentar a prisão com demonstrações de saúde e vigor talvez não fossem mais o melhor caminho. Mas se apresentar como um homem frágil e injustiçado que defenderia seu legado e construiria a sua sucessão e o nome de seu herdeiro.
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Blog da Folha
A governadora Raquel Lyra (PSD) afirmou que não tem preocupação com a relatoria dos projetos do Executivo terem ficado sob responsabilidade de deputados da oposição na Comissão de Justiça da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
As matérias consideradas estratégicas para o estado foram enviadas à Casa em 31 de dezembro para análise no período extraordinário convocado pela governadora. Ao participar da aula inaugural para novos oficiais da Polícia Militar na manhã desta segunda-feira (19), no Recife, Raquel Lyra disse se preocupar apenas com a aprovação dos projetos em plenário.
Leia mais“Todos os projetos que mandamos para a Assembleia Legislativa foram votados e aprovados independentemente se o relator era da situação ou oposição. Vamos continuar trabalhando firmes para garantir que eles possam ser colocados em plenário e votados o mais rápido possível, inclusive porque um deles trata da Lei Orçamentária Anual”, declarou a governadora.
A gestora se referiu ao projeto de altera a Lei Orçamentária Anual de 2026, que, apesar de ter sido enviada para a apreciação junto às demais matérias, não começou a tramitar. O texto não deve passar pela Comissão de Justiça, sendo pautado na Comissão de Finanças e Orçamento, conforme parecer da Procuradoria do Legislativo. O colegiado marcou reunião para esta terça-feira (20).
Três projetos tiveram a tramitação iniciada na semana passada no colegiado de Justiça, o primeiro que refinancia a dívida do estado com bancos nacionais, o segundo permite o uso de recursos do empréstimo de R$ 1,7 bilhão no Fundo de Desenvolvimento Social do estado e outro que trata da transferência de recursos do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) para o Executivo no volume de R$ 180 milhões.
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou, hoje, que não pretende se candidatar a nenhum cargo eletivo em 2026, apesar da insistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que dispute uma vaga por São Paulo. As informações são do portal Poder360.
A declaração foi feita em entrevista ao Uol News. Segundo Haddad, o tema vem sendo tratado diretamente com Lula desde a semana passada, em conversas que ele classificou como pessoais e respeitosas. “Eu disse em todas as ocasiões que não pretendia me candidatar em 2026. Isso vale para qualquer cargo”, afirmou.
Leia maisHaddad relatou que mantém com Lula uma relação que vai além da política institucional. “Eu tenho uma relação pessoal com o presidente Lula, que transborda a questão política. Falo até em nome da minha família. O presidente é uma pessoa querida por todos nós”, disse.
De acordo com o ministro, as conversas com o presidente envolvem uma avaliação de sua trajetória política, especialmente desde que deixou a Prefeitura de São Paulo. “Tenho aprofundado o tema com ele, fazendo uma retrospectiva do meu percurso na política ao longo dos últimos anos, sobretudo depois que deixei a prefeitura”, declarou.
Haddad afirmou que ainda não há decisão tomada e que o diálogo segue em aberto. “É uma conversa de amigos e companheiros. Não concluímos nada nessa 1ª conversa. Ele está colocando os pontos dele, eu estou colocando os meus, muito respeitosamente”, disse.
O ministro também mencionou o longo período em que tem ocupado cargos de 1º escalão no governo federal. “Vou completar 10 anos à frente de ministérios: quase 7 no Ministério da Educação e mais de 3 na Fazenda. Se você perguntar ao ChatGPT quantos brasileiros ocuparam por tanto tempo ministérios tão relevantes, vai achar poucos na história”, afirmou.
Apesar da longevidade nos cargos, Haddad disse que, neste momento, não está focado em disputar eleições. “Eu adorei todas as experiências pelas quais passei, mas não estou pensando nisso agora”, declarou.
Segundo ele, sua prioridade é discutir o futuro do país e o papel do Brasil no cenário internacional. “Quero um tempo para discutir o projeto de país, o que vai ser do Brasil nesse contexto internacional tão dramático e desafiador, interna e externamente”, disse. Haddad afirmou que só depois de refletir sobre esses temas pretende avaliar alternativas para o futuro político. “Depois dessas ponderações, poderei responder”, concluiu.
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só terá um mês para analisar sugestões da sociedade e de plataformas digitais antes de definir as novas regras das eleições de 2026. A mudança mais aguardada está relacionada ao uso da inteligência artificial (IA) nas campanhas.
Enquanto as normas não saem, proliferam nas redes sociais conteúdos adulterados, relacionados principalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputará o quarto mandato, e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto. As informações são do portal Estadão.
Leia maisAs audiências públicas para receber sugestões da sociedade civil foram marcadas para os dias 3, 4 e 5 de fevereiro. O TSE divulgará nesta segunda-feira, 19, as resoluções para consulta do público. As normas que vão orientar a atuação da Justiça Eleitoral neste ano precisam ser aprovadas até 5 de março.
Com a aproximação das eleições de outubro, imagens de pré-candidatos editadas ou geradas por IA já se tornaram recorrentes nas redes sociais. Na semana passada, uma foto manipulada do presidente Lula “musculoso” foi compartilhada por petistas na internet.
“O homem tá forte e o projeto é longo. Vem tetra!”, escreveu o deputado Lindbergh Farias (RJ), líder do PT na Câmara, em post no X, ao divulgar a foto editada. O presidente, que tem 80 anos, vem reiterando em declarações públicas que disputará as eleições se estiver com “100% de saúde”.
Em dezembro, também circulou no TikTok um vídeo que simulava uma reportagem de telejornal e atribuía a Flávio Bolsonaro a liderança na corrida presidencial, informação que contraria os dados das pesquisas eleitorais. Um mês antes, em novembro, outro vídeo falso mostrava o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, dizendo que pediu a prisão de Flávio.
O marco da IA foi aprovado no Senado e atualmente é debatido na Câmara, em uma Comissão Especial. Havia a expectativa de que a proposta, sob relatoria do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), fosse votada no final de 2025, o que não ocorreu. Assim, o tema entrou em 2026 como uma das pendências do Congresso, mas enfrenta resistências por parte das plataformas, que questionam especialmente o trecho do texto sobre direitos autorais.
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Por Tales faria – Correio da Manhã
A esquerda está apostando todas as fichas em um único candidato ao Palácio do Planalto: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Se ele vencer no primeiro turno, tudo bem. Mas o grande risco é de a eleição ir para o segundo turno. E é nisso que o bolsonarismo aposta.
Escolhido pelo pai como seu candidato a presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelou a estratégia em vídeo de 5m32s divulgado na tarde deste sábado, 17, nas suas redes sociais. Ele pediu que os eleitores parem de bater nos possíveis candidatos de direita e de centro-direita, que deverão se unir “no tempo certo”:
Leia mais“Não caia em pilha errada, o [governador de São Paulo,] Tarcísio [de Freitas (Republicanos),] é um aliado fundamental. A [ex-primeira-dama] Michelle [Bolsonaro (PL)] tem um papel importantíssimo. Eu tenho certeza de que você […] também queria ver meu pai, Jair Messias Bolsonaro [PL], livre, de volta à Presidência da República. E eu vou lutar até depois do fim para isso acontecer”, disse.
Ele inclui nessa aliança praticamente todos os presidenciáveis de direita, como os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) e “tantas outras lideranças de direita”:
“Você não gostaria de presenciar o momento em que eu Tarciso, Michele, Ratinho, Zema Caiado e tantas outras lideranças de direita estivéssemos juntos no mesmo palanque, pela mesma causa para resgatar o Brasil das garras do atual governo? Calma, que isso vai acontecer no tempo certo. Até lá vamos concentrar os nossos esforços em apontar pro verdadeiro culpado pelo caos em que está o nosso país, que é o atual governo.”
O tempo certo é o segundo turno. Quando, então, na estratégia de Flávio Bolsonaro, estarão todos “juntos no mesmo palanque, pela mesma causa”, que seria resgatar o “Brasil das garras da esquerda”.
É verdade que, para a estratégia dar certo, Flávio terá que convencer, antes, seus próprios irmãos. Eles ficaram incomodados, por exemplo, com as análises apontando que Tarcísio e Michelle articularam a transferência de Bolsonaro da sede da Polícia Federal, atropelando os filhos. Carlos chegou a postar nas redes socais:
“Tenho convicção absoluta, diante dos fatos mais recentes, de que o objetivo jamais foi medir forças com os filhos de Jair Bolsonaro. Isso sempre foi apenas a superfície do jogo. O verdadeiro intento, ainda que de forma dissimulada, é medir forças com o próprio Jair Bolsonaro.”
Neste sábado ele volou à carga: “O enredo é cristalino. Insistem diariamente em qualquer iniciativa que anule Jair Bolsonaro e favoreça determinados interesses. Se existe um acordo, confesso que não posso afirmar, mas todo o movimento se torna, a cada dia, mais óbvio. Tentar anular Flávio Bolsonaro e “desqualificar” a carta do último presidente [de apoio de Bolsonaro à candidatura de Flávio] virou ponto de “honra” entre os envolvidos. Tenho plena certeza do método e de onde isso vai chegar. Deram o cheque esperando, depois, tentar o xeque-mate.”
Carlos sempre, enigmático: cheque, que cheque?
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O deputado federal Eduardo da Fonte (PP) solicitou ao ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), a avaliação da inclusão dos municípios do Araripe pernambucano nas obras de abastecimento de água rural do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
No ofício encaminhado à Casa Civil, o deputado explica que os municípios do Araripe enfrentam graves dificuldades de acesso à água potável, especialmente nas zonas rurais. “Nosso objetivo é garantir que o Araripe também seja contemplado nas ações do Novo PAC, levando água para quem mais precisa e promovendo justiça social e desenvolvimento regional”, afirmou Eduardo da Fonte.
Leia maisSe aprovado, o PAC contemplaria municípios como Araripina, Bodocó, Exu, Granito, Ipubi, Moreilândia, Ouricuri, Santa Cruz, Santa Filomena e Trindade. Além disso, o programa chegaria a uma população de mais de 330 mil pessoas.
A solicitação leva em consideração os investimentos já aprovados pelo Governo Federal, que somam R$ 105 milhões, destinados a 14 projetos de abastecimento rural em Pernambuco que beneficiará cerca de 38 mil pessoas nas regiões do Agreste e do Sertão. Apesar de atender áreas com elevada vulnerabilidade social e escassez hídrica, a Região do Araripe não foi contemplada nesta etapa.
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O ex-presidente Michel Temer lamentou a morte do ex-ministro Raul Jungmann, confirmada ontem, em Brasília. “Um brasileiro que soube servir ao país. Por onde passou deixou sua marca. Fosse como ministro da Reforma Agrária, ministro da Defesa e Segurança Pública, fosse como grande parlamentar. Tristeza no plano cívico, saudades no plano pessoal. Descanse em paz, Raul!”, escreveu.
Na gestão de Temer, Jungmann comandou o Ministério da Defesa e, em 2018, tornou-se o primeiro ministro da Segurança Pública do Brasil. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, esteve à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. As informações são do portal G1.
Leia maisNo governo Temer, Jungmann também foi responsável por coordenar operações baseadas em decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autorizaram o emprego das Forças Armadas em estados afetados por crises na segurança pública.
A informação da morte foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração, instituição da qual era diretor-presidente desde 2022. Jungmann lutava contra um câncer no pâncreas. Foi internado em novembro de 2025 e chegou a deixar o hospital em dezembro. No fim do mês, próximo ao Natal, voltou a ser internado e saiu após o Ano Novo. Ele foi internado novamente neste sábado (17). O ex-ministro deixa dois filhos e uma neta. Velório e cremação serão realizados em cerimônia restrita a parentes e amigos em Brasília.
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A TV Cultura anunciou, na última sexta-feira, que o jornalista Ernesto Paglia será o novo apresentador do programa Roda Viva, uma das atrações mais tradicionais da televisão brasileira. As informações são do portal CNN.
O jornalista irá estrear no comando do programa em fevereiro de 2026, logo após o Carnaval. O Roda Viva, que em 2026 completa 40 anos, é conhecido por debates sobre temas sociais, culturais, econômicos e políticos com convidados de destaque, tanto do Brasil quanto do exterior.
Leia maisPaglia tem uma carreira de mais de 40 anos no jornalismo, com passagens marcantes pela Rede Globo. Ele atuou como repórter especial e correspondente internacional, destacando-se em coberturas de grande relevância, como correspondente em Londres, com foco em política, economia e questões sociais.
Em declaração, Maria Angela de Jesus, presidente da Fundação Padre Anchieta (que dirige a TV Cultura), ressaltou que a escolha de Ernesto Paglia é parte de uma renovação desejada para o Roda Viva.
“O nome de Paglia é fruto de uma decisão da diretoria executiva e vem ao encontro da renovação que buscamos nesse momento. Com sua ampla experiência e competência, ele irá fortalecer o compromisso da TV Cultura com um debate plural e relevante”, afirmou.
Paglia se mostrou empolgado e honrado com o desafio. “Tenho a honra de ser o novo apresentador do programa de entrevistas mais prestigiado e tradicional da TV brasileira, o Roda Viva. Estou muito feliz, e o meu compromisso com o público será manter o alto nível conquistado pelo programa nos seus 40 anos de história”, declarou.
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Por José Adalbertovsky Ribeiro
Dedico este lindo artigo ao meu colega o Prêmio Nobel de Literatura Gabriel Garcia Marques Ribeiro, que descreveu o caudilho ditador em seu labirinto
MONTANHAS DA JAQUEIRA — O ex-ditador Nicolas Maduro é uma caixa de Pandora. Ele guarda mil demônios no coração. São os demônios do roubo, da tortura, da tirania e da traição ao seu povo. A costela dele Cília Flores conhece os segredos das flores do mal, de que falava o poeta Charles Baudelaire.
Leia maisO poeta dizia: “Embriague-se. É preciso estar sempre embriagado, Para não sentir o horrível fardo do tempo que nos verga os ombros e nos inclina para a terra. Embriaguem-se, não necessariamente com vinho, mas com poesia ou virtudes, ou amor, na busca por êxtase, beleza e para não ser escravo martirizado do tempo, da mortalidade e do tédio”.
Maduro embriagou-se com as flores do mal e se ferrou.
Cília Adela Gavídia Flores de Maduro tem nome de personagem do surrealismo mágico de Gabriel Garcia Marques. Ela e o ex-ditador estão enredados num labirinto, prisioneiros no Império capitalista.
O cowboy Donald Tramp pede um aparte, uma parte, para levar um papo-cabeça com o bandoleiro Nicolas Maduro. Oi, bicho! Não existe porta de saída no seu labirinto. A única janela, talvez, seja uma delação premiada para evitar a prisão perpétua. Com aquele bigode mexicano Maduro já tem cara de caboeta. Tramp mandou raspar o bigode dele.
Ressoa a sentença: Não haverá eleições este ano sem a interferência dos Estados Unidos. Sempre houve. A diferença é que este ano a “longa manus” dos EUA, sob o comando de Tramp, atuará na linha dos projetos conservadores e de direita. Mesmo assim o capitalista globalista George Soros continuará irrigando os movimentos sociais de esquerda, chamados de progressistas. Este é o nosso Hemisfério, proclama o cowboy, noves fora a ilha-presidio de Cuba.
“Ninguém me ama, ninguém me quer”, dizem os cubanos, cujo regime faliu. Se ao menos o cowboy Tramp resolvesse visitar o Palácio da Revolução em Havana para pegar o ditador Diaz-Canel pelos fundilhos e arrancá-lo do poder, os cubanos ficariam felizes. Rússia e Venezuela não há mais, a ilha-presidio sobrevive ao Deus-dará. O guru da seita vermelha fala em dignidade do povo cubano. Coitada da população, vivendo na indigência!
“Seu Traste, duvido que você venha pra cá!”, desafiou o valente revolucionário ditador, armado com uma espingarda tipo um tiro e uma carreira. Cuba libre! sonham os cubanos. Este é um capítulo ainda sem solução. Lá se vão 67 anos de ditadura desde 1959. Os ditadores culpam o embargo dos Estados Unidos pelo fracasso do regime. Venezuela faliu sem embargo. A Coreia do Norte é falida sem embargo. A antiga Alemanha Oriental faliu sem embargo. O inferno são os outros, ensinou o filósofo A falência múltipla de órgãos é inerente aos regimes comunistas e socialistas.
Comunistas, genéricos e derivados são intelijumentos pela própria natureza. A caterva vermelha não esquece nunca e não aprende jamais.
*Periodista, escritor e quase poeta
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Jantava com minha Nayla, ontem, em Diamantina, berço do estadista JK, quando recebi a notícia da morte do ex-ministro Raul Jungmann. Com ele, tive uma longa convivência a partir do momento em que assumiu a Secretaria de Planejamento no Governo Carlos Wilson. Foi uma passagem meteórica, porque logo em seguida assumiu a presidência do Ibama, em Brasília, start da sua brilhante carreira pública.
Era um dos personagens que vinha sondando para entrevistar no meu podcast Direto de Brasília, mas em momento algum consegui localizá-lo. Seu sumiço só compreendi mais adiante quando soube da sua luta contra um câncer no pâncreas. Jungmann era brilhante, uma inteligência rara, mas tinha um tremendo pavio curto no convívio com quem o contrariava.
Leia maisMas deu conta de todos os desafios postos em seu caminho. Sua passagem pelo Ministério extraordinário de Política Fundiária, criada pelo governo FHC em resposta ao Massacre de Eldorado do Carajás, o credenciou como gestor público por excelência no País. A pasta, tornada permanente, foi rebatizada de Desenvolvimento Agrário, onde ficou de 1999 a 2002.
Seu grande sonho era o parlamento, etapa em sua trajetória pública que também logrou êxito. Foi vereador do Recife e deputado federal por três mandatos (2002, 2006 e 2014), filiado ao MDB (para onde teve breve volta) e depois ao PPS. Foi presidente de algumas comissões da Câmara, como Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.
Convidado pelo ex-presidente Michel Temer, comandou o Ministério da Defesa de 2016 a 2018. Sua atuação prévia no Congresso e sua posição crítica ao governo de Dilma Rousseff (PT) o gabaritaram a assumir o ministério da Segurança Pública, desmembrado por Temer do Ministério da Justiça. Ficou à frente da pasta de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019.
Como ministro, ajudou na articulação do Susp (Sistema Único de Segurança Pública), aprovado em 2018, e defendido pelo atual governo para ser constitucionalizado na PEC da Segurança. Seu último cargo público foi o Ibram, uma organização privada, sem fins lucrativos, que representa cerca de 300 empresas e instituições do setor de mineração.
Jungmann também tentou chegar ao Senado por Pernambuco nas eleições de 2010, mas não se elegeu. Candidato à reeleição e no auge da sua popularidade, o então governador Eduardo Campos (PSB) derrotou Jarbas Vasconcelos e puxou os dois senadores – Humberto Costa e Armando Monteiro Neto.
Embora habilidoso e extremamente articulado, Jungmann não convivia bem com a crítica. Perdia o humor com uma nota de cinco linhas na minha coluna. Passou um período intrigado comigo quando lhe batizei de “Pense grande”, um dos motes da sua campanha ao Senado.
Nos seus ataques coléricos, que não foram poucos, me chamava de “Maligno”, apelido criado por Eduardo Campos. Na verdade, Jungmann teve seu auge no Governo FHC, com quem criou uma relação de amizade, sedimentada pela ex-primeira-dama Ruth Cardoso, uma das maiores amigas e admiradoras do ex-ministro.
Justiça seja feita, Jungmann viveu a vida pública com muita intensidade. Tinha uma enorme capacidade de trabalho. Era um trator, como dizia FHC. Será lembrado além do território pernambucano por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa em toda a vida pública.
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