A governadora Raquel Lyra exonerou ontem o criador de conteúdos e fotógrafo de campanha de Henrique Queiroz à Prefeitura de Buenos Aires, João Victor de Moraes. A exoneração, com efeito retroativo a 16 de maio, foi seguida pela nomeação da mãe de João Victor, Miriam Barata de Moraes, para o mesmo cargo de apoio administrativo ao gabinete do Instituto de Terras e Reforma Agrária do Estado de Pernambuco (Iterpe). A decisão foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado.
A tentativa de criação da federação entre União Brasil (UB) e Progressistas (PP), que recebeu o nome de União Progressista, nasceu com a ambição de formar uma das maiores forças partidárias do país. Com ampla bancada no Congresso e forte acesso ao fundo eleitoral, o bloco teria potencial para influenciar decisivamente as eleições de 2026.
No entanto, entre a formalidade jurídica e a realidade política existe um caminho cheio de obstáculos e Pernambuco pode se transformar em um dos principais nós dessa equação. Do ponto de vista institucional, o processo de registro da federação avançou.
O Ministério Público Eleitoral deu parecer favorável ao acordo entre as duas legendas, passo importante antes da análise definitiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ainda assim, a palavra final cabe à Corte Eleitoral, responsável por homologar oficialmente a federação.
O problema é que a política raramente segue apenas a lógica jurídica. Nos estados, divergências regionais entre União Brasil e PP têm levantado dúvidas sobre a viabilidade política da união. Pernambuco é um exemplo emblemático dessa tensão.
No Estado, as duas siglas estão posicionadas em campos diferentes da disputa pelo poder estadual. Setores relevantes do União Brasil defendem apoio à governadora Raquel Lyra, enquanto o PP mantém interlocução ativa com o campo político liderado pelo prefeito do Recife, João Campos. A divergência é tamanha que lideranças estaduais do União Brasil chegaram a defender que a direção nacional reavalie o pedido de registro da federação.
No centro desse impasse está a corrida por uma das vagas ao Senado. Dois nomes despontam como protagonistas naturais dentro do universo das duas siglas: o deputado federal Eduardo da Fonte, principal liderança do PP em Pernambuco, e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, figura ascendente do União Brasil.
A eventual federação colocaria os dois sob o mesmo guarda-chuva partidário, o que exigiria um difícil processo de definição interna sobre quem teria prioridade na disputa. Como a política raramente admite dois protagonistas para a mesma vaga, a tensão é inevitável.
Nos bastidores, começam a surgir sinais de rearranjos que poderiam redesenhar o tabuleiro estadual. Um dos rumores mais comentados é a possibilidade de Eduardo da Fonte integrar a chapa majoritária encabeçada por João Campos, ocupando a vaga ao Senado. As conversas entre o prefeito recifense e o parlamentar indicam que essa hipótese não é descartada.
Se esse movimento se consolidar, ele produziria um efeito dominó no campo adversário. Miguel Coelho, que mantém a pretensão de disputar o Senado, poderia buscar outro alinhamento político. Nesse cenário, cresce a especulação de que o ex-prefeito de Petrolina poderia migrar para o campo da governadora Raquel Lyra (PSD), reforçando o palanque governista na disputa estadual.
É justamente esse tipo de rearranjo que expõe o dilema da federação. Caso o TSE homologue a União Progressista, União Brasil e PP serão obrigados a atuar como uma única estrutura partidária nas eleições, o que tornaria muito mais difícil acomodar projetos políticos divergentes em Pernambuco. Se, por outro lado, a federação não sair do papel, cada partido manterá liberdade para seguir caminhos distintos, permitindo que Eduardo da Fonte e Miguel Coelho disputem o Senado em campos políticos opostos.
No fundo, o que está em jogo é mais do que uma decisão burocrática da Justiça Eleitoral. A homologação ou não da federação poderá reorganizar alianças, redefinir candidaturas e influenciar diretamente o desenho da disputa estadual em 2026.
Enquanto Brasília discute a arquitetura de uma superfederação partidária, Pernambuco mostra que a política continua sendo feita, sobretudo, no terreno das lideranças locais, das alianças regionais e das ambições eleitorais. E nesse tabuleiro, a disputa pelo Senado pode acabar sendo o fator decisivo para determinar se a União Progressista nascerá forte ou se ficará apenas no papel.
Rumo ao bolsonarismo – Apesar do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, já ter dito algumas vezes que o anúncio oficial do escolhido para disputar a Presidência da República pela legenda está previsto para a primeira semana de abril, o partido estuda antecipar o nome do escolhido, que será o governador do Paraná, Ratinho Júnior, segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo. O PSD é comandado em Pernambuco pela governadora Raquel Lyra, que vem acenando para o bolsonarismo, na medida em que influenciou o ingresso do deputado Pastor Eurico, radical de direita e bolsonarista raiz, no PSDB. Isso sem falar no ex-ministro Gilson Machado, cabo de guerra de Bolsonaro, agora no Podemos, partido da base raquelzista.
Silvão no Senado – Sem espaço na chapa de João Campos na disputa para o Senado, o ministro dos Portos, Sílvio Filho, recebeu convite de Raquel, mas continua discutindo com João Campos uma alternativa para permanecer no seu palanque. Falam que o acordo passaria pelo presidente Lula: Silvinho permaneceria no Ministério, seu irmão Carlinhos seria candidato a deputado federal e o pai Silvio Costa assumiria o Senado, caso a senadora Teresa Leitão vire ministra na ampla reforma ministerial que virá em abril. Silvão, como é mais conhecido, é o primeiro suplente de Teresa.
Articulação conjunta – Os senadores petistas Teresa Leitão e Humberto Costa, este já com vaga garantida na chapa de João Campos para disputar a reeleição, têm sido peças importantes no xadrez da composição chapa da oposição a Raquel. Nesta fase, conversam quase diariamente com Lula em busca de fortalecer o projeto majoritário de João, de forma que não se dissipem aliados com níveis altos de insatisfação, a ponto de serem fisgados por Raquel, como o ministro Sílvio Filho e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho.
Que horror! – O garoto de 14 anos suspeito de esfaquear três adolescentes em uma escola estadual de Barreiros, na Mata Sul, afirmou ao conselheiro tutelar da cidade, André Costa, que “estava com vontade de fazer (o ataque), porque não aguentava mais o bullying. “Ele era a fim dessa menina, de namorar com ela, mas chamavam ele de feio. Hoje ele não aguentou mais e já veio programado e preparado para fazer isso”, acrescentou Costa, que conversou com o garoto na delegacia, segundo reportagem no DP.
Sem bater continência pra Raquel – Ao antecipar seu apoio à reeleição do senador Humberto Costa (PT), o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro (PSD), deu mais uma prova da sua independência na relação com a governadora Raquel Lyra, de quem era vice e a sucedeu quando ela resolveu disputar o Governo do Estado em 2022. Rodrigo já decidiu também seus deputados sem ouvir Raquel: Anderson Luiz, seu secretário de Governo, deputado estadual, e Fernando Monteiro, deputado federal. Prego batido, ponta virada. É Rodrigo quem decide.
CURTAS
MUDANÇA – As recentes pesquisas de intenção de voto apontando já um empate técnico na corrida presidencial entre o presidente Lula (PT) e o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, acenderam a luz amarela no gabinete de Lula e entre os aliados mais próximos. Na reação, já se fala numa ampla mudança no conceito da comunicação no enfrentamento ao filho do ex-presidente.
ERRO ELEMENTAR – A ideia de priorizar a divulgação de entregas do terceiro mandato é compreendida por ministros mais à esquerda e petistas como insuficiente. Para o grupo de insatisfeitos, a tática de evitar, por ora, ataques mais enfáticos a Flávio passou a ser considerada um erro.
SEM EFEITO – Um diagnóstico, porém, é comum entre aliados: ministros do Centrão, aliados de partidos da base e integrantes da cúpula do PT admitem que a aposta do ministro Sidônio Palmeira, da Comunicação Social, de focar apenas na divulgação de pautas positivas ainda não decolou. Uma delas, a ampliação da isenção do Imposto de Renda (IR), não se traduziu em números positivos na popularidade de Lula, fato que preocupa para a corrida eleitoral.
Perguntar não ofende: Quando acaba a novela da homologação da federação PP com o União Brasil?
Policiais civis de Pernambuco iniciaram um acampamento em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, em protesto contra o que classificam como “descumprimento de compromissos assumidos pela governadora Raquel Lyra (PSD) com a categoria”.
De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), a mobilização ocorre após tentativas frustradas de diálogo com o Executivo estadual sobre reivindicações da classe. Os manifestantes afirmam que permanecerão no local até que haja uma resposta oficial do governo às demandas apresentadas. A seguir, confira a nota do sindicato na íntegra:
Governadora volta a descumprir compromisso e ignora policiais civis em Pernambuco
Mais uma vez, a governadora de Pernambuco falta com a verdade e demonstra total desrespeito com os profissionais da segurança pública. Após assumir publicamente o compromisso de dialogar e negociar com a categoria, simplesmente silenciou: não recebeu a representação, não apresentou resposta e sequer deu qualquer satisfação.
Diante desse cenário de descaso, os policiais civis decidiram resistir. Estamos acampados no Palácio do Governo e só sairemos quando a palavra empenhada for cumprida.
Não se trata apenas de uma pauta corporativa. Trata-se de respeito institucional, de valorização de quem combate o crime todos os dias e de compromisso com a segurança da população pernambucana.
Promessa pública não pode ser tratada como peça de marketing. O povo exige seriedade. A polícia civil exige respeito.
Seguiremos firmes, mobilizados e vigilantes.
Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol)
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 70 anos, foi transferido, hoje, para uma unidade intensiva dedicada a cuidados intermediários do Hospital DF Star, em Brasília (DF). O último boletim, divulgado hoje, indica que Bolsonaro “apresentou melhora clínica e laboratorial nas últimas 24 horas, com recuperação da função renal e melhora parcial dos marcadores inflamatórios”. As informações são do portal Poder360.
O documento afirma que o quadro é resultado da “resposta favorável à antibioticoterapia instituída”. Segundo o boletim, Bolsonaro “segue com suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora” e “não há previsão de alta da UTI neste momento”. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou em seu perfil no Instagram que o ex-presidente “foi transferido para a unidade semi-intensiva” por causa de “melhora dos marcadores da infecção”.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou, hoje, que pretende manter sua pré-candidatura à Presidência da República até o fim da campanha e negou que exista qualquer articulação para uma possível aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou com partidos da direita tradicional. As informações são do portal G1.
“Houve veiculação desse ponto na mídia, mas nunca houve e provavelmente não haverá nenhum convite formal a mim ou ao Partido Novo, porque o meu posicionamento é que eu levarei a minha pré-campanha e campanha até o final. Eu sou um pré-candidato diferente dos demais, eu não tenho carreira política e o Brasil precisa ter sua política oxigenada”, disse o governador durante visita à EPTV Sul de Minas, em Varginha (MG).
O chefe do Executivo estadual afirmou ainda que o cenário político nacional demonstra a necessidade de renovação. Para ele, quem já pertence ao meio político “tem dificuldade” de enfrentar práticas consolidadas em Brasília. “Temos um sistema político que precisa vir alguém de fora para dar uma chacoalhada. Quem pertence à política muitas vezes está acostumado a ver essas coisas e acha comum colocar pano quente numa situação dessas, o que eu não concordo”, afirmou.
Durante a visita, Romeu Zema disse que tem a intenção de “causar constrangimentos” ao longo da campanha. O governador afirmou que planeja defender propostas que, segundo ele, não contam com o apoio da maior parte da classe política.
“Quero mostrar que sou um candidato que não tem o rabo preso. Eu acho um absurdo o Brasil gastar 6, 7 bilhões por ano com o Fundo Partidário e o Fundo Eleitoral. Esses fundos perpetuam candidatos já eleitos. Fala-se tanto em distribuição de renda; vamos começar os políticos a distribuir os recursos do fundo. Pergunte pra eles se concordam com essa minha proposta”, declarou. Ele também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), classificando o atual cenário como “pouca vergonha”.
O partido Rede Sustentabilidade inaugurou, ontem, a sede do Diretório Estadual, localizada na Rua Doutor Virgílio Mota, n 70, no bairro do Parnamirim, Zona Norte do Recife. O evento reuniu lideranças políticas, militantes e apoiadores, marcando um novo momento de organização e articulação política no estado.
A atividade contou com a presença de figuras políticas ligadas à Rede, entre elas o presidente nacional do partido, Paulo Lamac, o deputado federal Túlio Gadelha (REDE), a dirigente nacional do partido Alice Gabino, o pré-candidato ao Governo de Pernambuco, Prof. Alfredo Gomes e o pré-candidato ao Senado, Paulo Rubem. Representando o PSOL, partido que a REDE está federada, marcaram presença o presidente estadual da Federação (PSOL-REDE) Jerônimo Galvão, o ex-vereador do Recife e pré-candidato ao Governo pelo PSOL, Ivan Moraes e demais correligionários.
No próximo dia (18) a federação PSOL/REDE realizará debate entre seus pré-candidatos à majoritários, cumprindo etapa que decidirá os nomes definitivos que a federação lançará oficialmente para as cadeiras de governo e senado. O debate deve acontecer na sede do partido (REDE) na zona norte do Recife.
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) realizará, na próxima quinta-feira, uma audiência presencial para discutir a cassação da chapa proporcional do MDB nas eleições municipais de 2024 em Buíque, no Sertão do estado. O caso envolve suspeitas de irregularidade no cumprimento da cota de gênero exigida pela legislação eleitoral.
Em decisão unânime proferida em 11 de fevereiro, a Corte rejeitou os embargos de declaração apresentados pela comissão provisória do partido no processo 61700600600247262024. Segundo o entendimento do tribunal, houve irregularidade na composição da chapa proporcional, com indícios de que uma candidatura feminina teria sido registrada apenas para cumprir formalmente a exigência mínima de 30% de mulheres nas candidaturas.
Caso a decisão seja confirmada, o tribunal poderá anular todos os votos obtidos pelo MDB no pleito de 2024 no município, o que resultaria na cassação dos mandatos dos vereadores eleitos pela legenda. Entre os atingidos estão Aline de Araújo Bezerra Tavares, então presidente da Câmara Municipal, além de Daílson Amorim, Djalma Araújo da Silva, José Lopes de Barros Filho, conhecido como Preto Kapinawá, e Ivanildo Almeida Cavalcanti, o Dodó. Com a eventual anulação dos votos, as cadeiras devem ser ocupadas por suplentes de outras legendas.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, consultor jurídico de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou, hoje, que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajou para Portugal em 2024 com um dos principais investigados pelo esquema de fraudes no INSS: o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. As informações são do portal G1.
Essa é a primeira vez que a defesa de Lulinha admite que ele teve relação com o Careca do INSS, que está preso desde setembro do ano passado. Carvalho afirma, no entanto, que Lulinha não participou das fraudes, não tinha conhecimento das irregularidades e nem recebeu dinheiro desviado de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Os desvios são investigados pela Polícia Federal, que deflagrou a Operação Sem Desconto em abril de 2025, e pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, no Congresso. A viagem a Portugal foi realizada a convite do Careca, em novembro de 2024, para que Lulinha visitasse com ele uma fábrica de produtos de cannabis medicinal.
“Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger, a empresária Roberta. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu, qualquer que tenha sido, contrato de forma direta ou indireta. Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite e viajou para Portugal”, disse Carvalho em entrevista ao GloboNews Mais.
De acordo com Carvalho, a visita à fábrica aconteceu, mas não gerou nenhuma parceria comercial entre Lulinha e o Careca do INSS. Lulinha não pagou pela viagem a Lisboa. O advogado disse não saber se quem custeou a viagem foi o Careca ou a empresa portuguesa que foi visitada.
O filho do presidente teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela PF, em janeiro deste ano, e pela CPMI do INSS no final de fevereiro. A quebra de sigilo aprovada pela CPMI foi suspensa por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O plenário da Corte ainda vai analisar o caso.
Em meio às intensas negociações de bastidores pelas vagas para disputar o Senado Federal, este ano, em Pernambuco, vale lembrar um fato curioso das eleições de 2022: naquele ano, a ex-deputada Marília Arraes quase foi a candidata do PT na corrida pela Casa Alta. Recebeu um pedido do próprio presidente Lula (PT) para se lançar ao Senado na chapa do então candidato ao Governo do Estado pelo PSB, Danilo Cabral.
O PT de Pernambuco chegou a indicar publicamente o nome de Marília Arraes como pré-candidata ao Senado, após a ex-deputada ameaçar sair da legenda. Um dia depois da divulgação do PT, Marília teve uma conversa presencial com o presidente Lula, em São Paulo. Mas insistiu no projeto de candidatar-se ao cargo de chefe do Poder Executivo.
Uma reportagem da Folha de São Paulo do dia 21 de março de 2022 trouxe uma fala de Marília sobre a indicação do PT ao seu nome para o Senado na qual ela reclama da divulgação e considera “precipitação sem limites”.
“A posição do PT de Pernambuco, indicando o meu nome para concorrer ao Senado pela Frente Popular revela, no mínimo, descuido com o tratamento de assunto tão sério e uma precipitação sem limites. Não fui consultada e não autorizei que envolvessem o meu nome em qualquer negociação, menos ainda que tornassem público, como se fossem os senhores do meu destino”, disse.
“Quando ela foi se encontrar com Lula, a direção nacional já havia se reunido conosco, da estadual, com a presença dela e definido que o nome (para o Senado) seria o dela. Foi unanimidade e as outras pré-candidaturas foram retiradas”, relembrou um membro da executiva estadual do PT.
Na época, Marília deixou o PT, filiou-se ao Solidariedade, concorreu ao Governo do Estado e perdeu a eleição para a atual governadora Raquel Lyra (PSD). Quem disputou o Senado pelo PT foi a ex-deputada estadual Teresa Leitão, que chegou à Casa Alta com mais de 2 milhões de votos. Atualmente, mesmo após uma campanha duríssima contra Raquel Lyra, Marília negocia com a gestora uma das vagas para disputar o Senado na chapa comandada por ela, inclusive sem haver definição se Raquel vai apoiar à reeleição do presidente Lula.
O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por unanimidade, a constitucionalidade das regras que limitam o número de candidatos registrados por partidos nas eleições proporcionais. A decisão foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7017, em sessão virtual concluída em 24 de fevereiro.
A decisão mantém em vigor a regra do artigo 10 da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), alterada pela Lei 14.211/2021: cada partido pode registrar, no máximo, um candidato a mais do que o número de vagas em disputa em cada circunscrição. As informações são do portal Estadão.
Em um Estado com dez cadeiras na Câmara dos Deputados, por exemplo, a legenda pode inscrever até 11 candidatos. A mesma lógica vale para assembleias legislativas, a Câmara Legislativa do Distrito Federal e as câmaras municipais.
A lei aprovada pelo Congresso previa duas exceções. Nos Estados com até 18 deputados federais, os partidos poderiam registrar candidatos a deputado federal e estadual em número equivalente a até 150% das vagas, margem maior para acomodar a menor representação dessas unidades da federação.
Nos municípios com até 100 mil eleitores, a mesma proporção de 150% valeria para o registro de candidatos a vereador. O então presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou esses dispositivos em 2021, e o Congresso não derrubou o veto. Com a decisão do STF, os vetos permanecem válidos e a regra geral de 100% mais um se aplica a todas as circunscrições.
A ação foi proposta pelo Cidadania. O partido alegou inconstitucionalidade formal no processo legislativo que originou a Lei 14.211/2021. Segundo a legenda, a presidência do Senado Federal ajustou a redação do texto aprovado pelo Congresso antes de encaminhá-lo ao então presidente da República, o que teria viabilizado o veto às exceções previstas no projeto original.
O Cidadania sustentou que a mudança violou o devido processo legislativo e os princípios democrático e da legalidade. O relator, ministro Kassio Nunes Marques, julgou a ação improcedente. Para ele, não houve alteração de conteúdo, mas apenas correção de erro de formatação.
A Lei Complementar 95/1998, que regula a técnica legislativa, determina que exceções à regra geral sejam previstas em parágrafos, e não em incisos, como constavam no projeto. O Senado adequou o texto a essa exigência sem modificar a substância da norma.
O ministro afastou, ainda, a tese de violação ao devido processo legislativo e aos princípios democrático e da separação dos Poderes. Nunes Marques ressaltou que correções internas do Poder Legislativo não autorizam intervenção do STF, salvo em caso de violação direta à Constituição.
“A judicialização da política, nesse caso, seria uma tentativa de reverter no Tribunal uma derrota sofrida na arena democrática”, afirmou o relator. Os demais ministros acompanharam o voto integralmente.
Perguntado sobre um possível apoio de Miguel Coelho (UB) à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), o ex-prefeito de Petrolina e adversário figadal do clã Coelho, Júlio Lossio, afirmou que todo apoio é bem-vindo.
“Todo voto e todo apoio serão bem-vindos. Nós, que acreditamos no projeto Raquel Lyra, queremos que ela some o máximo de votos e apoios que conseguir. Um tio que foi político dizia: Para encher o açude durante a chuva ninguém escolhe água. Para beber, filtramos e às vezes até fervemos. Sei que Raquel saberá escolher a água que vai beber em seu segundo governo”.
Vivemos uma época em que quase tudo parece pesado demais. As notícias chegam carregadas de pressa, conflitos e desconfiança. Às vezes dá a impressão de que a humanidade está se tornando um lugar mais frio. No entanto, enquanto o barulho do mundo tenta nos convencer de que tudo está perdido, existe uma força discreta trabalhando silenciosamente para manter a vida de pé. Essa força não aparece nos discursos nem nos palcos do poder. Ela vive nos gestos pequenos, quase invisíveis, que acontecem todos os dias entre pessoas comuns. São eles que, sem que percebamos, continuam sustentando o mundo.
Há dias em que parece que tudo perdeu o rumo. As notícias chegam carregadas de pressa, de conflitos, de disputas intermináveis e de uma sensação estranha de que a humanidade anda cansada de si mesma. Quem observa a vida apenas pelas vitrines do barulho pode facilmente acreditar que o mundo se sustenta por causa das grandes decisões, dos palácios, das máquinas ou das engrenagens da economia. No entanto, existe uma verdade mais silenciosa e profundamente humana que raramente aparece nas manchetes. O mundo continua existindo por causa de coisas muito menores, quase invisíveis, delicadas como o sopro de uma lembrança boa.
Ele permanece de pé quando uma mãe, antes que o filho atravesse a porta para enfrentar o dia, estende a mão com ternura e ajeita um fio de cabelo que insiste em cair sobre os olhos da criança. Nesse gesto simples mora uma proteção antiga, uma forma de dizer sem palavras que alguém estará sempre ali, guardando o caminho de volta. O mundo também se equilibra quando dois velhos caminham lentamente pela calçada de uma cidade qualquer, segurando um ao outro como quem segura o próprio tempo. Não têm pressa, porque aprenderam que o amor verdadeiro não precisa correr para chegar a lugar nenhum. Basta permanecer.
Há momentos em que a vida revela sua beleza de maneira ainda mais discreta. O mundo continua respirando quando alguém escolhe o silêncio para não ferir quem ama, mesmo tendo mil razões para levantar a voz. Há uma grandeza quase sagrada nessa decisão silenciosa de proteger o coração do outro. Também há beleza quando uma pessoa, mesmo cansada depois de um longo dia, encontra dentro de si um resto de luz suficiente para olhar para quem está ao lado e perguntar com sinceridade se está tudo bem. Às vezes, essa pergunta simples é o que impede que a solidão cresça dentro de alguém.
Quase nunca esses gestos são vistos. Nenhum jornal estampa na primeira página a notícia de que um pai esperou a filha adormecer para entrar no quarto em silêncio e cobri-la com cuidado porque o cobertor havia escorregado durante a noite. Nenhuma rede social registra o instante em que alguém, depois de uma longa batalha interior, decide perdoar em vez de continuar alimentando a ferida da mágoa. Esses acontecimentos não produzem aplausos nem comentários. Ainda assim, são eles que sustentam o equilíbrio secreto da vida.
Existe, espalhada pelo mundo, uma arquitetura invisível feita de ternura, paciência e cuidado. Ela não aparece nos mapas nem nos discursos, mas está presente em milhares de pequenos gestos que acontecem todos os dias dentro das casas, nas ruas, nos corredores dos hospitais, nas salas silenciosas onde alguém consola outro coração cansado. Se essa arquitetura de bondade desaparecesse por um único dia, talvez o mundo inteiro desmoronasse como uma casa construída apenas de pressa, orgulho e indiferença.
Por isso, quando alguém disser com convicção que a humanidade está perdida, talvez seja prudente duvidar um pouco dessa sentença. Porque enquanto existir alguém preparando o café da manhã com carinho para quem ama, enquanto existir alguém que espere acordado até ouvir o barulho da chave girando na porta, enquanto existir alguém que se comova com a dor de um desconhecido, ainda haverá esperança respirando no coração do mundo.
O mundo não se salva apenas pelas multidões nem pelos discursos grandiosos que ecoam nas praças. O mundo continua sendo salvo todos os dias por pequenos gestos de amor que quase ninguém vê, mas que sustentam silenciosamente a delicada tarefa de continuar vivendo.
E talvez seja exatamente isso que nos mantém de pé. O fato de que, mesmo em tempos difíceis, ainda existe alguém em algum lugar praticando um gesto simples de bondade sem saber que, naquele instante, está ajudando o mundo inteiro a continuar existindo.
*Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras