Os prefeitos pernambucanos foram surpreendidos, na sexta-feira, com a notícia de uma queda de 10,4% no pagamento da 2ª parcela do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) que deve ser transferida hoje pela União. Essa redução na transferência pode impactar diretamente o cumprimento de obrigações, como o repasse do duodécimo para as Câmaras Municipais e o pagamento do 13º salário dos servidores.
O vice-presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Marcelo Gouveia, prefeito de Paudalho, destacou que muitos prefeitos já estão atrasando o pagamento do INSS e correndo risco de processos judiciais. Ele também mencionou a frustração em relação à promessa do presidente Lula de compensar as quedas do FPM por meio de parcelas extras para garantir que os municípios recebam o mesmo valor nominal do ano anterior. Até o momento, as parcelas de julho, agosto e setembro não foram liberadas.
O aiatolá Alireza Arafi foi eleito neste domingo (1) líder supremo interino do Irã, um dia após a morte do aiatolá Ali Khamenei, segundo agências estatais iranianas. Arafi assumirá temporariamente a chefia do país e comandará o processo de escolha do novo líder supremo, função central no sistema político iraniano.
A nomeação foi confirmada pelo Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, responsável por mediar decisões estratégicas. “O Conselho de Discernimento do Interesse do Estado elegeu o aiatolá Alireza Arafi como membro do conselho interino de liderança”, afirmou o porta-voz Mohsen Dehnavi em publicação na rede X. O conselho interino também contará com representantes do Executivo e do Judiciário até a definição do sucessor permanente. As informações são do portal g1.
O grupo provisório conduzirá o país até que a Assembleia dos Peritos “eleja um líder permanente o mais rápido possível”. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou que o processo deve ser concluído rapidamente e que um novo líder supremo será escolhido em “um ou dois dias”. Arafi foi selecionado horas depois de três altas autoridades assumirem temporariamente a liderança institucional do país.
Entre os integrantes do comando interino estão o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário Gholamhossein Mohseni-Ejei e um jurista do Conselho dos Guardiões. Khamenei morreu após um bombardeio coordenado pelos Estados Unidos e Israel contra o complexo presidencial onde ele estava, na madrugada de ontem, no horário de Brasília. A morte foi confirmada oficialmente pelo governo iraniano ainda à noite.
Desde 28 de fevereiro, o mundo acompanha a mais grave escalada militar no Oriente Médio em décadas. A operação conjunta de Estados Unidos e Israel, “Fúria Épica”, não foi um ataque cirúrgico. Foi um bombardeio prolongado que, conforme admitido pela televisão estatal iraniana, decapitou a cúpula do regime. O Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, está morto. Anunciaram 40 dias de luto. O regime perdeu a cabeça.
O Irã retaliou. Mísseis foram lançados contra Israel e contra bases americanas em pelo menos sete países — Catar, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes, Jordânia, Iraque e Arábia Saudita. As defesas funcionaram em grande parte, mas um detalhe incomoda qualquer analista atento: a configuração da armada americana.
Os EUA montaram a maior força naval na região desde 2003. São dois porta-aviões: o USS Abraham Lincoln (CVN-72) e o USS Gerald R. Ford (CVN-78).
O Lincoln, veterano da classe Nimitz comissionado em 1989, está no Mar da Arábia, próximo a Omã, operando como carro-chefe de um grupo de ataque composto por três destroyers da classe Arleigh Burke: USS Frank E. Petersen Jr., USS Spruance e USS Michael Murphy (comunicados oficiais do CENTCOM e USNI News). A esses, somam-se mais de 60 aeronaves e cerca de 5.600 militares a bordo do porta-aviões. Os destroyers da classe Burke, cada um com cerca de 90 células de lançamento vertical (VLS), formam a espinha dorsal da defesa antiaérea do grupo. O jornal San Diego Union-Tribune menciona um total de nove navios americanos na região, o que inclui outras embarcações operando separadamente no Golfo Pérsico e Mar Vermelho.
O Ford, a joia da coroa — o maior e mais avançado porta-aviões do mundo —, foi mantido no Mediterrâneo oriental, próximo a Israel. Seus reatores A1B geram cerca de 600 megawatts de energia elétrica, três vezes mais que os da classe Nimitz. Para dimensionar: essa capacidade é suficiente para abastecer uma cidade de porte médio como Arcoverde, em Pernambuco. Esse excedente energético foi deliberadamente projetado para alimentar sistemas de alto consumo, como as catapultas eletromagnéticas (EMALS) e armas de energia direcionada — incluindo o misterioso “discombobulator” usado na operação que capturou Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro deste ano (conforme revelado pelo presidente Trump e reportado pela imprensa internacional).
Do ponto de vista militar, a separação geográfica entre os dois grupos merece análise.
O Irã possui mísseis como o Khorramshahr-4, também chamado Kheibar, com alcance declarado de 2.000 km e ogiva de 1.500 kg, capaz de atingir velocidades hipersônicas na reentrada (dados do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais – CSIS). São armas projetadas para enfrentar alvos de alto valor como um porta-aviões.
Tanto o Lincoln quanto o Ford estão tecnicamente dentro do alcance desses mísseis. A diferença crucial está no ambiente de defesa. O Ford, no Mediterrâneo oriental, navega sob o guarda-chuva das defesas terrestres de Israel — um país com uma das mais densas redes antimísseis do mundo (sistemas Arrow, David’s Sling e Iron Dome). O Lincoln, no Mar da Arábia, depende primariamente de seus próprios meios: os três destroyers Aegis, os caças F-35C e F/A-18 em patrulha aérea, e suas camadas defensivas finais.
Se a lógica fosse puramente defensiva, a concentração dos dois grupos de batalha criaria uma bolha defensiva muito mais robusta. Não foi o que se optou por fazer.
A hipótese da isca
Cabe uma pergunta: o posicionamento do Lincoln reflete um cálculo estratégico específico?
Há quem enxergue a guerra como instrumento de política interna. O presidente Donald Trump enfrenta eleições de meio de mandato em 2026. Um conflito prolongado e impopular pode ser um fardo. Mas um ataque devastador contra um símbolo máximo do poderio americano — um porta-aviões com milhares de tripulantes — poderia ter o efeito contrário, unificando a nação em torno do líder.
Não por acaso, o próprio Trump advertiu publicamente, dias antes do início da operação, que “vidas americanas podem ser perdidas”. Se fossem baixas pontuais e esperadas, não haveria necessidade de um anúncio tão enfático. A declaração soa como preparação psicológica para um evento de maior magnitude.
Some-se a isso o fato de o Lincoln ser um navio da classe Nimitz com 37 anos de serviço. Para manter a frota de 11 porta-aviões, os EUA precisam dos novos navios da classe Ford, cuja construção está atrasada (relatórios do Congressional Research Service). A perda de um Nimitz em combate aceleraria a necessidade — e o orçamento — para concluir os novos. Seria trágico, mas, num cálculo frio, poderia ser visto como um “mal necessário” para renovar a frota com navios capazes de operar armas como o “discombobulator”.
O Irã tem capacidade para afundá-lo?
A pergunta central permanece.
O Irã pode não ter a precisão cirúrgica americana, mas tem o ataque de saturação. Com um dos maiores arsenais de mísseis balísticos do Oriente Médio, pode lançar centenas de mísseis e drones simultaneamente. Três destroyers oferecem cerca de 270 células de lançamento, mas um ataque de saturação visa justamente esgotar esses interceptadores.
E há o fator Kheibar — o mesmo míssil Khorramshahr-4, a arma mais pesada do Irã. Se ainda não foi usado, pode estar guardado para o momento em que as defesas estiverem sobrecarregadas. Dois ou três impactos desse tipo em pontos críticos do navio — convés de voo, hangar ou depósitos de combustível — podem significar danos estruturais irreversíveis.
O risco humano
Um porta-aviões da classe Nimitz tem capacidade para mais de 5 mil tripulantes (dados do Registro Naval dos EUA). A evacuação de um navio em chamas, com explosões secundárias, é um cenário de pesadelo. A história registra acidentes como o do USS Forrestal em 1967, que matou 134 homens. Num ataque inimigo, seria muito pior.
Se isso ocorrer, a pressão sobre Trump será imensa. A população clamará por vingança, mas também questionará por que o navio estava ali, exposto, enquanto o Ford foi mantido a salvo sob proteção israelense.
O enigma persiste
A diplomacia americana negociava em Genebra até dois dias antes do ataque. Ao mesmo tempo, montava a maior armada desde 2003. Posiciona o navio mais valioso a salvo no Mediterrâneo e deixa o veterano Lincoln como “ponta de lança” no Mar da Arábia, dentro do alcance dos mísseis iranianos.
Pode ser incompetência estratégica. Pode ser um cálculo de risco. Pode ser a materialização de uma hipótese sombria: a de que, para justificar uma guerra total e acelerar a renovação da frota, é preciso que o inimigo desfira um golpe doloroso num navio que homenageia o presidente mártir.
Se essa hipótese se confirmar, o ocaso do USS Abraham Lincoln não será apenas uma tragédia militar. Será um episódio definidor do cinismo geopolítico do nosso tempo.
Nota: Este artigo é uma análise estratégica baseada em informações de fontes abertas e capacidades militares conhecidas. As principais referências incluem comunicados oficiais do CENTCOM, USNI News, San Diego Union-Tribune, CSIS, Congressional Research Service, e reportagens da imprensa internacional sobre a operação na Venezuela e o conflito no Oriente Médio. Elaborado com auxílio do Deepseek.
Os financiamentos de moradias a famílias que perderam a casa nas fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais seguirão o modelo adotado nas enchentes do Rio Grande do Sul há dois anos, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem. Em declaração conjunta à imprensa após a reunião com os prefeitos de Juiz de Fora, Ubá e Matias Pereira, Lula afirmou que a União dará apoio integral às cidades atingidas.
As medidas incluem assistência às prefeituras e linhas de crédito para pequenos empresários prejudicados pelos temporais. “Aprendemos com a tragédia no Rio Grande do Sul. Vamos ajudar os prefeitos a recuperar suas cidades, vamos ajudar os pequenos empresários a ter crédito para recuperar suas empresas e vamos dar casa para as pessoas que perderam suas casas”, declarou Lula.
O presidente determinou a criação de um escritório federal em Juiz de Fora para acelerar os trabalhos de reconstrução.
Assim como nas enchentes do Rio Grande do Sul, as novas residências, explicou o presidente, não serão reconstruídas em locais considerados de risco. Caso o município não disponha de terrenos adequados, o governo poderá adotar o modelo de “compra assistida”, já utilizado em outras tragédias climáticas no país.
Nesse formato, a família que perdeu o imóvel recebe um valor do governo federal e pode adquirir uma casa nova ou usada em qualquer cidade do estado. Todo o custo é arcado pela União. “Se a cidade não tiver terreno, vamos arrumar. Se não tiver, vamos adotar o sistema de compra assistida”, afirmou Lula.
O presidente ressaltou que a prioridade é garantir moradia digna e segura às famílias atingidas, evitando a reconstrução em encostas ou áreas sujeitas a alagamentos.
Sobrevoo e visita a desabrigados
O presidente desembarcou pela manhã na região e sobrevoou cidades atingidas. Em Juiz de Fora, município mais afetado, visitou áreas devastadas e conversou com moradores que estão em abrigos improvisados. A cidade concentra o maior número de vítimas e registra milhares de desalojados.
Além de Juiz de Fora, municípios como Ubá, Matias Barbosa, Divinésia e Senador Firmino também sofreram impactos severos, com deslizamentos de terra, alagamentos e danos a prédios públicos.
Em encontros com prefeitos da região, Lula pediu que as administrações municipais façam um levantamento detalhado dos prejuízos para viabilizar a liberação de recursos federais. “O que for material, seja na saúde, na educação ou na infraestrutura, nós vamos garantir que seja recuperado”, disse.
Recursos e medidas emergenciais
O governo federal já anunciou a liberação de recursos para ações emergenciais e assistência humanitária nas cidades em situação de calamidade pública. Os valores serão destinados ao restabelecimento de serviços essenciais, apoio a abrigos e reconstrução de estruturas públicas.
Também foi confirmada a antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para famílias atingidas. Moradores dos municípios afetados poderão solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), conforme as regras para desastres naturais. Além disso, pequenos empresários terão acesso facilitado a crédito para retomar atividades e recompor estoques e equipamentos perdidos.
Ao final da agenda, Lula reforçou que o apoio federal não dependerá de alinhamento político com prefeitos ou lideranças locais. “Não importa o partido do prefeito. Teve problema na cidade, tem projeto bem-feito e demanda verdadeira, nós vamos ajudar”, afirmou.
O presidente reconheceu que vidas perdidas não podem ser recuperadas, mas garantiu que o governo atuará para restabelecer as condições de moradia e infraestrutura. “A vida a gente não consegue trazer de volta. Mas podemos garantir que as pessoas tenham perspectiva e dignidade para recomeçar”, concluiu.
Lula visitou as cidades afetadas pelas enchentes acompanhado dos ministros Jader Filho (Cidades); Alexandre Padilha (Saúde); Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional); Wellington Dias (Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome); do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira; e do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Também participaram do pronunciamento a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, e o prefeito de Ubá, José Damato.
“Me atrevo a falar em nome de todos os prefeitos da região. Nós vamos fazer o dever de casa, levantar detalhadamente as necessidades e vamos colocá-las para o governo federal. E tenho absoluta certeza de que ninguém vai ficar para trás. Ninguém vai ficar sem casa, ninguém vai ficar desassistido. A vida não conseguimos recuperar, mas a perspectiva de vida a todos podemos garantir”, declarou Margarida Salomão.
A pedido de Lula, o evento encerrou-se com um minuto de silêncio em memória dos mortos no desastre climático.
Diante do elevado volume de chuvas registrado ontem, especialmente com precipitações acima da média histórica e acumulado significativo em poucas horas, a Prefeitura de Araripina publicou o Decreto nº 022/2026, declarando Situação de Emergência nas áreas urbana e rural do município, afetadas por desastre natural classificado como Chuvas Intensas (COBRADE 1.3.2.1.4).
A medida foi adotada após parecer técnico nº 02/2026 da Comissão Municipal de Defesa Civil (COMPDEC), que constatou alagamentos, enxurradas, danos estruturais em residências, prédios públicos, estradas vicinais, pontes e sistemas de drenagem, além de prejuízos que comprometem o abastecimento, o transporte de pacientes e o acesso a serviços essenciais.
Com o decreto, ficam autorizadas a mobilização de todos os órgãos da Administração Municipal para ações de resposta ao desastre, assistência às famílias atingidas, reabilitação das áreas afetadas e reconstrução de estruturas danificadas. Também está prevista, em casos de extrema necessidade, a dispensa de licitação para aquisição de bens e contratação de serviços essenciais ao enfrentamento da situação, conforme a legislação vigente.
O documento determina ainda que a Defesa Civil realize levantamento técnico detalhado dos danos, com elaboração do Formulário de Informações do Desastre (FIDE), que subsidiará o pedido de reconhecimento da Situação de Emergência junto ao Governo do Estado e à União. O prazo de vigência do decreto é de 180 dias.
O prefeito Evilásio Mateus destacou que a prioridade da gestão é proteger vidas e garantir assistência imediata à população. “Nosso compromisso é estar ao lado das pessoas, principalmente neste momento delicado. Estamos mobilizando todas as equipes, garantindo suporte às famílias atingidas e tomando as medidas necessárias para restabelecer a normalidade o mais rápido possível. Araripina é uma cidade forte, e vamos enfrentar essa situação com responsabilidade, união e muito trabalho”, afirmou.
A Prefeitura segue em regime de plantão permanente e orienta que, em situações de risco, a população acione a Defesa Civil e evite áreas alagadas ou com comprometimento estrutural.
Fortes chuvas atingiram a cidade de Araripina, no Sertão de Pernambuco, na tarde de ontem, provocando alagamentos e transbordamentos, deixando moradores em alerta. De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), foram registrados 101 milímetros de chuva em um intervalo de apenas seis horas. Foi o município onde mais choveu.
Imagens e relatos de moradores apontam que o Riacho São Pedro transbordou, alagando ruas e dificultando a circulação de veículos e pedestres na parte baixa da cidade. O Açude do Governo, no bairro de Cavalete II, também transbordou, agravando a situação de inundação em áreas residenciais e vias públicas.
Os bairros Zé Martins e Universitário estão entre os mais afetados. A água invadiu casas e terrenos, segundo informações preliminares das equipes de emergência.
Equipes das Secretarias de Infraestrutura e Assistência Social atuam no atendimento às famílias atingidas e na desobstrução de vias. A prefeitura de Araripina declarou alerta máximo e orienta a população a evitar áreas alagadas.
O economista Jeffrey Sachs afirmou que o assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei pelos governos de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e de Benjamin Netanyahu pode desencadear uma guerra de grandes proporções, com potencial de se transformar em um conflito global. A declaração foi feita em entrevista concedida à jornalista Liu Xin, da CGTN, logo após a morte de Khamenei.
Segundo Sachs, trata-se de um episódio de extrema gravidade, que ultrapassa os limites de uma ação militar pontual. “Este é um desastre, evidentemente. O assassinato de um líder de outro país não é algo trivial. Esta é uma guerra que provavelmente se tornará uma guerra generalizada no Oriente Médio, e pode se espalhar para uma guerra global”, afirmou.
Iran’s state media confirmed that Supreme Leader Ayatollah Ali Khamenei was killed in U.S.-Israeli attacks. Are we facing total jungle rule in international relations? What is the strategic logic or principle, if any, that the U.S. and Israel are relying on to justify such an… pic.twitter.com/HZKoD38Bao
O economista avaliou que a decisão de eliminar o principal líder político e religioso do Irã representa uma escalada brutal e perigosa. “Os Estados Unidos e Israel acenderam o estopim de um desastre completo, e fizeram isso de uma maneira absolutamente brutal”, declarou, acrescentando que a ação demonstra uma concepção primitiva de política externa baseada em assassinatos para tentar remodelar governos estrangeiros.
Escalada no Oriente Médio
Sachs alertou que a tendência, diante do cenário criado, é o fortalecimento do aparato militar iraniano, especialmente da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). “O que deve acontecer, muito provavelmente, é que a Guarda Revolucionária Islâmica estará efetivamente no controle durante esta guerra, e eu esperaria que a guerra continuasse”, disse.
Para ele, a expectativa de que a eliminação de lideranças possa produzir um regime mais “dócil” é ilusória. “A CIA e o Mossad pensam que, ao matar o líder e alguns outros dirigentes, conseguirão criar um regime submisso. Essa é a ideia deles de política externa”, afirmou, demonstrando ceticismo quanto à eficácia dessa estratégia. “Sou muito cético quanto a isso. Quase sempre falha.”
“Estados Unidos estão inebriados pela própria arrogância”
Na entrevista à CGTN, Sachs foi ainda mais incisivo ao analisar o momento geopolítico. “Os Estados Unidos estão inebriados pela própria arrogância neste momento”, declarou. Segundo ele, Washington age como se tivesse o controle absoluto da ordem internacional, o que amplia os riscos de confrontos sucessivos e imprevisíveis.
O economista também criticou o que considera uma postura intervencionista recorrente. “Eles acham que comandam o mundo. Isso é muito perigoso, muito ilusório e está levando a mais e mais violência ao redor do mundo”, afirmou.
Risco de conflito ampliado
Ao avaliar o impacto regional, Sachs destacou que o Oriente Médio já vive um ambiente de alta tensão e que o assassinato de Khamenei pode desencadear uma cadeia de retaliações. A combinação entre rivalidades históricas, alianças militares e interesses estratégicos de grandes potências eleva o risco de que o conflito ultrapasse as fronteiras da região.
Para Sachs, a substituição da diplomacia por ações de força tende a produzir efeitos contrários aos desejados, consolidando posições mais duras e aprofundando divisões. Em vez de estabilidade, a eliminação de lideranças pode gerar radicalização e prolongamento da guerra.
A entrevista concedida a Liu Xin insere-se em um momento de forte apreensão internacional, em que governos e organismos multilaterais acompanham com preocupação os desdobramentos da crise. A possibilidade de envolvimento direto ou indireto de outras potências transforma o episódio em um ponto de inflexão na geopolítica contemporânea.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo (1) que a morte do líder supremo Ali Khamenei é uma “declaração de guerra contra os muçulmanos” e falou em “vingança legítima” contra os Estados Unidos e Israel.
“O assassinato do grande comandante da comunidade islâmica é uma guerra aberta contra os muçulmanos, especialmente os xiitas em todas as partes do mundo. (…) A República Islâmica do Irã considera a vingança e a responsabilização dos autores e mandantes deste crime um dever e um direito legítimo”, afirmou Pezeshkian em pronunciamento oficial lamentando a morte de Khamenei. As informações são do portal g1.
Pouco antes do pronunciamento de Pezeshkian, a agência estatal iraniana Isna afirmou que o presidente iraniano estava saudável e em segurança.
Khamenei foi morto em um bombardeio coordenado entre EUA e Israel contra o complexo presidencial onde ele estava na madrugada de ontem. A morte foi confirmada pelo Irã apenas horas depois, já no final da noite.
Morte de Khamenei
O governo do Irã e a sua mídia estatal confirmaram a morte do aiatolá Ali Khamenei ontem. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado mais cedo que o líder supremo do Irã foi morto durante um bombardeio.
Khamenei comandou o país por quase quatro décadas. A morte foi inicialmente confirmada pela agência estatal Fars em seu perfil no Telegram. “O líder supremo da Revolução foi martirizado”, diz a publicação.
O gabinete do governo do Irã, cujo presidente é Masoud Pezeshkian, declarou 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado geral.
“É com profundo pesar e consternação que informamos que, após o ataque brutal do governo criminoso dos Estados Unidos e do regime abjeto sionista, o modelo de fé, luta e resistência, o líder supremo da Revolução Islâmica, sua eminência o grande aiatolá Ali Khamenei, alcançou a grande graça do martírio”, diz nota.
O texto classifica o episódio como um “crime” e diz que “marcará uma nova página na história do mundo islâmico e do xiismo”. “O sangue puro deste descendente do profeta fluirá como uma fonte impetuosa e erradicará a opressão e o crime americano-sionista. Desta vez, com toda a força e firmeza, e com o apoio da nação islâmica e dos homens livres do mundo, faremos com que os autores e mandantes deste grande crime se arrependam”.
Segundo a agência estatal, Khamenei foi morto em seu local de trabalho na manhã de ontem.
“Os meios de comunicação ligados ao regime sionista e à reação regional alegaram repetidamente que, por medo de assassinato, o líder da Revolução vivia em um local seguro e escondido. Seu martírio em seu local de trabalho provou, mais uma vez, a falsidade dessas alegações e da guerra psicológica do inimigo”, completa a nota.
A agência também compartilhou o comunicado das Guardas Revolucionárias do Irã, que lamentaram a morte. “O Corpo da Guarda da Revolução Islâmica, as Forças Armadas da República Islâmica e o vasto Basij (milícia popular) continuarão poderosamente o caminho de seu guia para defender o precioso legado deste líder supremo”.
O apresentador da TV estatal iraniana anunciou a morte de Khamenei emocionado.
O avanço acelerado das tecnologias digitais transformou profundamente a forma como nos comunicamos, trabalhamos e nos relacionamos. Smartphones, redes sociais, jogos online e plataformas de streaming trouxeram benefícios inegáveis, como acesso rápido à informação e maior conectividade. No entanto, o uso excessivo e desregulado dessas tecnologias tem sido cada vez mais associado ao desenvolvimento ou agravamento de transtornos mentais.
Um dos quadros mais discutidos atualmente é a dependência digital, também chamada de uso problemático da internet. Embora ainda não seja formalmente classificada como um transtorno independente em manuais diagnósticos como o DSM-5, esse padrão comportamental envolve perda de controle sobre o tempo de uso, prejuízos acadêmicos, profissionais e sociais, além de sintomas semelhantes aos observados em dependências químicas, como abstinência, irritabilidade e compulsão.
A ansiedade é outro transtorno frequentemente associado ao uso intenso de tecnologias. A hiperconectividade, a pressão por respostas imediatas e o medo constante de estar perdendo algo importante — fenômeno conhecido como fear of missing out (FOMO) — contribuem para níveis elevados de tensão psicológica. A chamada nomofobia, caracterizada pelo medo intenso de ficar sem o telefone celular, é um exemplo cada vez mais comum desse impacto.
A depressão também apresenta forte correlação com o uso excessivo de redes sociais. Plataformas como Instagram e TikTok estimulam comparações constantes, exposição a padrões irreais de sucesso e estética, além de reforço por curtidas e visualizações. Esses fatores podem intensificar sentimentos de inadequação, baixa autoestima e isolamento social, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.
Distúrbios do sono são outro efeito relevante. A exposição prolongada às telas, sobretudo à noite, interfere na produção de melatonina, prejudicando o ritmo circadiano. A insônia, por sua vez, aumenta o risco de irritabilidade, déficit de atenção, ansiedade e sintomas depressivos, criando um ciclo de adoecimento mental.
Além disso, observa-se impacto significativo em quadros como TDAH, principalmente em crianças e adolescentes. O consumo contínuo de conteúdos rápidos e altamente estimulantes pode dificultar o desenvolvimento da atenção sustentada, do autocontrole e da tolerância ao tédio, exacerbando sintomas de desatenção e impulsividade.
Diante desse cenário, torna-se fundamental promover o uso consciente e equilibrado da tecnologia, com limites claros, pausas regulares e incentivo a atividades offline, como exercícios físicos, convivência social presencial e práticas de autocuidado. A educação digital, aliada à atenção de profissionais de saúde mental, é essencial para prevenir o adoecimento psicológico e garantir que a tecnologia seja uma aliada — e não um fator de risco — para a saúde mental.
*Médico com Pós Graduação em Psiquiatria e Neurologia Clínica
A casa onde crescemos não é apenas tijolo e cimento. É nossa história contada em cômodos. Toda casa dos pais guarda em si a lembrança daqueles que nela moraram. Em especial, dos seus primeiros moradores. Quem pode tirar da memória a casa em que nasceu ou viveu grande parte da infância e adolescência?
Estou lendo “O velho Graça”, biografia de Graciliano Ramos. Nela, o grande escritor alagoano, de quem sou fã, já tendo devorado quase todos os seus livros, como “Vidas secas”, “Caetés”, “Memórias do cárcere” e “São Bernardo”, viveu sua infância entre Quebrangulo e Viçosa. E assim descreveu o que ficou na sua memória de uma casa que tinha um ambiente comercial: “O cheiro de fazendas, de querosene e de açúcar”.
A casa em que ele veio ao mundo também funcionava como armazém. A grande Rachel de Queiroz teve também suas recordações da Fazenda Junco, onde viveu sua infância. Ela descreve como o lugar de “poesia viva” e de sua formação pessoal, cenário central de muitas de suas crônicas.
Os grandes escritores frequentemente descrevem a casa dos pais não apenas como um local físico, mas como um repositório de memória, um refúgio emocional, e, muitas vezes, um lugar de onde é necessário sair para amadurecer.
As perspectivas variam entre o aconchego nostálgico e a angústia da limitação. Para mim, a casa de infância é vista como um lugar que molda o coração e que, uma vez vivido, nunca é totalmente destruído na memória. Vejo e sinto como um ambiente de amor, esperança e sonhos, santuário para onde desejo voltar.
Há pouco, soube que a casa em que vivi parte da infância e adolescência em Afogados da Ingazeira foi vendida pelas minhas irmãs, herdeiras do meu pai Gastão Cerquinha na partilha dos bens. Foi uma flechada no coração. Doeu muito, porque nela estão lembranças que não ficam só na memória. Ficam no coração.
Saí cedo de Afogados da Ingazeira para ganhar a vida no mundo. Mas regressava para ver meus pais com muita frequência. Sempre na mesma casinha, com um terraço em L no qual improvisei minha primeira redação como correspondente do Diário de Pernambuco, jornal que me acolheu como foca (jornalista em início de carreira).
Tinha também um quintal cheio de goiabeiras, mangueiras e seriguelas. Já no tempo da vida avançada, aos 80 anos, papai subia nos pés de seriguela e voltava com as mãos cheias da saborosa frutinha para nos encher de felicidade. Teve um tempo mais rural, no qual o vasto quintal, que a gente chamava de muro, serviu de habitat para uma vaquinha leiteira, bodes, galinhas e o peru de Natal.
Era ambiente também de prosas sem hora para acabar da família na calçada da rua. Apelidamos de Senadinho, o que se traduzia, na verdade, em tertúlias de falação da vida alheia. Seu presidente de honra era papai, mas quem sabia das fofocas mesmo era mamãe, que voltava das suas sessões de orelha quente do clube da terceira idade super bem informada.
Rever a casa dos meus pais era reviver quem fui. Era matar a saudade de quem me abrigou, dos abraços e do cheiro de infância. O coração sempre batia mais forte quando pisava no chão da casa que não mais nos pertence.
Era um casarão, localizado na Avenida Arthur Padilha, no coração da cidade. Nela, eu tinha meu quarto predileto. Em dias de festas de fim de ano, acordava com a retreta do saudoso Dinamérico Lopes. Havia um mesão para abrigar a filharada nos almoços intermináveis: nove filhos. Cada um tinha seu lugarzinho marcado na mesa. Papai só servia o almoço quando todos estivessem rente a ele, uma liturgia diante do nosso grande mestre, nosso varão.
Quando um filho sai de casa, parece que um dos cômodos fica sem luz, ouvia minha mãe Margarida se queixar. Ela tinha razão. O tempo me ensinou que a luz dos pais ilumina todo o caminho de nossas vidas. Ela tinha razão, volto a repetir. Cada despedida da casa deixava um pedaço do meu coração para trás. Sair da casa dos pais é um ato necessário de coragem, mas o apego é o que nos faz querer voltar.
Minhas irmãs estão cobertas de razão pela venda da casa. Foi justificada, compreendida por nós, irmãos homens. Mas não consigo mais passar em Afogados da Ingazeira com os olhos grudados na casa que foi dos meus pais. Dói o peito, traz a força das memórias felizes. Que saudade da minha casinha, do abraço dos meus pais e da simplicidade que me fez.
É uma dor indescritível, a dor da saudade, a dor do aconchego que se foi e nunca mais voltará. A casa dos pais é o aconchego onde as memórias de uma infância feliz e o amor eterno sempre nos esperam. É um refúgio de amor, segurança e memórias de infância, um porto seguro para onde sempre se pode voltar. É um lugar de acolhimento incondicional, onde as memórias de uma infância feliz e o amor eterno nos esperam.
A casa continua lá, intacta. Soube que vai virar ponto comercial. Com qualquer configuração que venha, para mim fica apenas o cheiro de café passado, o colo de mãe e a voz de pai. Fica o aperto no peito, um tijolo chamado pai e um telhado chamado mãe.
Quem nunca passou por isso? O dono olha a tabela Fipe, vê um valor animador, faz as contas e já imagina o dinheiro entrando na conta. Mas, na hora de negociar o carro, a proposta vem bem abaixo do esperado e a frustração é quase imediata. A sensação de que o carro “desvalorizou do nada” é comum, mas na maioria das vezes o problema não está no mercado, e sim na forma como a Fipe é interpretada. A tabela é uma das referências mais consultadas por quem vai comprar ou vender um carro no Brasil, mas confiar apenas nela pode levar a decisões equivocadas.
Na prática, a Fipe funciona como um valor médio de referência, enquanto o preço real do veículo é definido pelo que o mercado efetivamente paga: o chamado valor transacionado. Um exemplo concreto ajuda a entender essa diferença. No caso do Chevrolet Tracker 2024, versão LT, os números mostram como a realidade pode se afastar da tabela. Em São Paulo, quando o modelo entra como troca em uma concessionária na compra de um carro zero, o valor médio pago gira em torno de R$ 83.977. Já o preço de venda ao consumidor final fica próximo de R$ 102 mil. Pela tabela Fipe, porém, o mesmo veículo aparece avaliado em R$ 106 mil. Nos últimos 90 dias, houve ainda negociações com lojistas em torno de R$ 95 mil, evidenciando a distância entre o valor de referência e o preço efetivamente praticado.
Os dados são da plataforma Car Invest, criada pela autotech Auto Avaliar. A diferença acontece porque a Fipe não acompanha variáveis decisivas do mercado. “A Fipe é uma referência média, mas não representa o preço transacionado. Quem manda é a oferta e a demanda”, explica Elias Marrochel, diretor executivo da Auto Avaliar. Quando há muitos veículos disponíveis e pouca procura, o preço tende a ficar abaixo da tabela. Já em situações de alta demanda e baixa oferta, o valor pode superar a referência.
A quilometragem é outro fator determinante que a Fipe não considera. No caso do Tracker 2024, a média de carros negociados no mercado está em torno de 29.500 km. Se a concessionária analisa um exemplar com 25.000 km, revisões em dia e ainda dentro da garantia, o cenário muda. “Um carro com quilometragem abaixo da média e boa qualidade permite pagar melhor na compra, porque o risco é menor e a venda tende a ser mais rápida”, explica Marrochel. Nessas condições, o veículo pode até ser anunciado acima da Fipe, não por exceção, mas por leitura correta do mercado.
Método de avaliação – É por isso que concessionárias e lojistas não se baseiam apenas na tabela na hora de comprar um carro usado. Eles avaliam quanto tempo aquele modelo costuma ficar em estoque, o custo financeiro de manter o veículo parado, a margem necessária para a revenda e fatores externos, como lançamento de novas versões ou redução de preço do carro zero, que pressionam o valor do usado. “Comprar bem é essencial. Se o lojista pagar errado, o carro não gira”, resume o especialista.
Para o consumidor, entender essa lógica ajuda a alinhar expectativa e realidade. A Fipe continua sendo importante como referência geral e parâmetro para seguros, mas não garante preço nem liquidez. Ferramentas baseadas em dados transacionais ajudam a mostrar quanto o mercado está disposto a pagar de fato, considerando região, modelo e condições do veículo. No fim das contas, a tabela Fipe orienta, mas é o mercado que define o preço. Saber diferenciar referência de valor real é o primeiro passo para negociar melhor, seja na compra, na venda ou na troca do carro. “Quando você sai da Fipe e olha para o dado transacional, todo mundo ganha: o consumidor, o lojista e até a financeira. A informação real reduz distorções e decisões baseadas em expectativas irreais”, conclui o diretor da Auto Avaliar.
Vendas de 0km começam 2026 com alta de descontos – O mercado brasileiro de automóveis 0km começou o ano apresentando um cenário animador para o consumidor: a queda no preço médio de vendas, que ficou em R$ 159.679 no mês de janeiro e representou alta de 7,6% no valor dos descontos praticados pelas concessionárias, em relação ao valor sugerido pelas montadoras. Os dados são do PVZ – Estudo de Preços de Veículos 0km, feito pela MegaDealer com dados da plataforma Auto Avaliar. Esse foi o maior patamar de descontos desde junho do ano passado (7,7%). “O aumento na média de descontos, que subiu de 7% para 7,6% do preço sugerido, indica que várias concessionárias fazem a conta da sua rentabilidade pelo preço de compra, e não pela reposição do estoque”, afirma Fábio Braga, country manager da MegaDealer.
O giro médio de estoque de veículos novos, que vinha se reduzindo nos últimos meses, subiu de 32 para 44 dias. Mas, segundo Braga, é preciso considerar que, nesse período de transição entre um ano e outro, as montadoras dão férias coletivas aos seus colaboradores, e as concessionárias se concentram em estoques antigos. No recorte por regiões, o Norte se manteve com o maior patamar de descontos, desta vez ao lado do Sudeste (RJ, MG e ES), com alta de 8,3%. No estado de São Paulo, que é analisado individualmente, foi observado um desconto médio de 8,1%. As regiões Nordeste (7,1%), Sul (6,9%) e Centro-Oeste (6,8%) apresentaram taxas de descontos abaixo da média geral.
Outro ponto de destaque é a queda nos descontos entre veículos zero das marcas chinesas, especializadas em elétricos e híbridos. A GWM, por exemplo, saiu de uma redução de 1,1% registrada em dezembro para 0,4% em janeiro, enquanto os descontos nos modelos BYD caíram de uma média de 4,6% para 4%. “Um movimento recente é a consolidação dos elétricos e híbridos chineses no mercado brasileiro como um todo, o que diminui a necessidade de descontos devido a grande procura pelos consumidores. Para se ter uma ideia, no mercado de usados essa categoria foi a mais rentável para as concessionárias em janeiro”, afirma J. R. Caporal, CEO da Auto Avaliar.
BMW Série 1 M135 xDrive: 317 cv de potência – A quarta geração do BMW Série 1 acaba de chegar ao Brasil. Primeiro lançamento da BMW em 2026, o novo BMW M135 xDrive já está à venda nas concessionárias da marca. A ficha técnica impõe respeito no acirrado segmento de “hot hatches”: 317cv de potência e 0 a 100 km/h em 4,9 segundos. Lançado há 20 anos, o Série 1 foi totalmente renovado em sua quarta geração. Porta de entrada para os carros da linha M Performance, o novo M135 xDrive tem linhas esportivas (capô alongado e balanços dianteiro e traseiro curtos).
Os faróis são afilados, e a grade tradicional da BMW tem uma estrutura inovadora de barras verticais e diagonais internas. Uma grande entrada de ar inferior dá a ele uma aparência baixa, esportiva e colada à estrada. Os faróis de LED de série incluem elementos verticais para as luzes diurnas e indicadores de direção. A iluminação de contorno para a grade, chamada BMW Iconic Glow, é de série. O motor é turbo 2.0 litros – o mesmo que equipa o X2 M35i e o M235, com 317 cv e 44,0kgfm de torque, acoplados ao câmbio Steptronic de dupla embreagem e 7 marchas. A tração é integral xDrive. O preço de lançamento é R$ 459.950.
GR Yaris: seu por R$ R$ 354.990 – Confirmado para o mercado brasileiro no último Salão do Automóvel de São Paulo, o novo Toyota GR Yaris já está em pré-venda em todo o país. Desenvolvido a partir da expertise da Gazoo Racing no automobilismo e no Campeonato Mundial de Rali (WRC), o hot hatch chega em duas configurações – com câmbio manual ou automático. Inicialmente, ambas as versões estarão disponíveis por R$ 354.990, em condição especial e exclusiva de pré-venda. Os primeiros compradores terão prioridade no recebimento a partir de abril e serão convidados para uma imersão exclusiva no Autódromo Velocittà, incluindo atividades em pista e experiências de rali a bordo de um GR Yaris de competição.
Com uma série inicial limitada a apenas 198 unidades, sendo 99 de cada versão, os primeiros GR Yaris serão identificados por uma placa comemorativa numerada no console. Com DNA direto das pistas de rali, o GR Yaris foi projetado sem concessões. As entradas de ar nos pára-choques e nos paralamas melhoram a refrigeração e a aerodinâmica em uso extremo. Já os paralamas alargados acomodam as rodas forjadas e um sistema de freios de alta performance com discos ventilados, solução típica de carros de competição. O GR Yaris pesa apenas 1.305 kg (manual) e 1.325 kg (automático). Ele vem equipado com motor 1.6 turbo de três cilindros capaz de entregar impressionantes 304cv e 40,8 kgfm de torque, números que colocam o modelo entre os hot hatches mais potentes do mercado.
Qual a cor de carro usado mais procurada? – A Webmotors revelou as cores de carro que mais interessaram os brasileiros em 2025. O levantamento do Webmotors Autoinsights considera as visitas pelos veículos novos e usados anunciados na plataforma entre janeiro e dezembro do ano passado. No mercado de usados, os veículos da cor branca foram os que mais receberam visitas, com 22,21% do total de acessos entre as 10 cores mais requisitadas. Na sequência, aparecem preta (28,01%), prata (18,18%), cinza (17,82%), azul (7,41%), vermelha (7,14%), verde (2,16%), marrom (1,09%), bege (0,91%) e amarela (0,89%). Do lado dos carros 0km, os modelos da cor preta foram os mais procurados, com 22,6% dos acessos. Logo após surgem cinza (23,32%), branca (20,83%), azul (9,40%), prata (9,11%), vermelha (5,57%), verde (2,18%), laranja (0,69%), amarela (0,50%) e bege (0,38%).
Creta Action ganha nova central multimídia – O SUV modelo tricampeão de vendas da Hyundai no varejo, traz sua nova versão Action aos concessionários agora em 2026. A Hyundai Mobis, fornecedora oficial de peças e acessórios, passa a oferecer a opção do sistema de central multimídia com conectividade e segurança. O novo Action foi desenvolvido para atender à faixa de mercado de até R$ 120 mil, estando nos critérios de preço da legislação vigente para pessoas com deficiência (PCD). A central possui o mesmo design e usabilidade do aparelho atualmente já disponível na versão Comfort do modelo. Entre os principais recursos, destacam-se:
Tela capacitiva de 8 polegadas, com alta sensibilidade ao toque;
Interface rápida e estável;
Conectividade completa com Apple CarPlay e Android Auto, com e sem o uso de cabos;
Wi-Fi integrado para atualizações e funções conectadas;
Bluetooth para chamadas telefônicas e streaming de áudio;
Design alinhado ao interior do modelo, garantindo integração visual e funcionalidade genuína.
A central multimídia estará disponível em todas as concessionárias Hyundai, com instalação padronizada e garantia de 5 anos. O novo acessório estará disponível a partir de março de 2026.
Linha 2026 da Factor vai até R$ 19 mil – A Yamaha Factor chegou à linha 2026 sem mudar muita coisa. Ganhou, por exemplo, a nova opção de cor Titanium Grey (Cinza Fosco) com as rodas vermelhas. Continua sendo equipada com o motor 150cc flex que entrega 11,8cv de potência com gasolina (12 cv com etanol) e 1,3 kgfm de torque. Com 15,4 litros de capacidade no tanque de combustível, a Yamaha Factor tem autonomia de sobra para rodar mais de 800 quilômetros (55,3 km/l) sem precisar abastecer. A motocicleta, urbana, oferece conforto a partir do conjunto formado por guidão alto, assento amplo e macio e posição ergonômica das pedaleiras. Entre os destaques, o farol de LED com exclusiva luz de posição integrada e o painel estilo “Blackout”, com interface que facilita a vida do motociclista, melhorando a visualização dos dados exibidos na tela de LCD em todas as situações, de dia e de noite.
A Fluo ABS Hybrid custa R$ 16.790 – E por falar em Yamaha, a Fluo ABS Hybrid Connected já está na linha 2027 – e apenas com novas opções de cores e grafismos. A primeira scooter com sistema híbrido leve do Brasil vem equipada com um motor monocilíndrico de 125 cilindradas com comando de válvulas simples no cabeçote e refrigeração a ar que entrega 8,3cv de potência e 1,0kgfm de torque, com sistema de transmissão automático do tipo CVT e assistência elétrica especial. Ela também vem equipada com o Sistema Stop & Start, que desliga o motor quando a moto para e o religa automaticamente ao acelerar, reduzindo ainda mais o consumo de combustível e a emissão de poluentes. A primeira scooter com sistema híbrido leve do Brasil tem painel LCD, que oferece melhor visibilidade das informações ao motociclista, e tomada USB do Tipo A, para mais praticidade. O preço sugerido é de R$ 16.790 (além de frete), quatro anos de garantia e revisão com preço fixo.
Dia 20, o “Harley-Davidson Nights” – A Harley-Davidson vai realizar o “Harley-Davidson Nights”, uma celebração do melhor da cultura do motociclismo, com música, energia, conexão e motocicletas. Será na sexta-feira, 20 de março, nas concessionárias da marca na Ásia, Europa, América Latina, Oriente Médio e África, e receberá todos que desejarem vivenciar uma experiência Harley-Davidson. As concessionárias participantes oferecerão entretenimento ao vivo, gastronomia local, além de atividades que refletem a cultura única de cada local. Por meio deste evento internacional, ela busca reunir motociclistas e entusiastas em uma celebração compartilhada de comunidade e cultura duas rodas. Durante o evento, as concessionárias também apresentarão a nova linha de modelos 2026 da Harley-Davidson, oferecendo aos convidados e fãs da marca uma oportunidade exclusiva de conhecer as mais recentes inovações da marca.
Elétricos e híbridos: o que muda na rotina, frequência e custo da manutenção – A venda de veículos eletrificados avança no Brasil, demonstrando que a confiança do consumidor brasileiro na tecnologia segue aumentando. Com mais motoristas dirigindo veículos elétricos e híbridos ou dispostos a comprar um, as dúvidas agora se voltam à manutenção, com os consumidores buscando saber o que muda em termos de cuidado dos carros comparativamente aos movidos a combustão. Segundo a Osten Motors, um dos principais grupos automotivos do mercado premium —, as dúvidas dos consumidores ainda são muito frequentes, e as principais se referem à frequência das revisões, aos itens a serem inspecionados e às peças a serem substituídas.
“A eletrificação automotiva representa um novo paradigma em termos de manutenção preventiva. E os consumidores ainda estão buscando entender e se adaptar a essa mudança”, afirma Caroline Rocha, gerente regional de Pós-Venda da Osten Motors. No caso dos modelos 100% elétricos, ela explica que eles possuem uma quantidade muito menor de componentes mecânicos que devem ser inspecionados. Também o número daqueles que precisam ser substituídos é inferior. “Isso se reflete na menor frequência com que o veículo deve ser levado à concessionária, no tempo necessário para que o serviço seja realizado e até nas despesas envolvidas com a substituição de itens obrigatórios, que chegam a ser até 50% menores”, conta Caroline.
Esquema próprio – A consultora destaca que cada montadora tem um esquema próprio de manutenção, e isso exige uma mudança na mentalidade dos proprietários. No caso de modelos 100% elétricos da BYD, como o Dolphin, Dolphin Mini, Yuan e o Seal, a manutenção deve ser realizada no prazo de 12 meses ou a cada 20 mil km – no caso, o dobro do prazo indicado para os veículos a combustão. “Com menos itens a serem verificados e substituídos, o tempo in box é substancialmente reduzido, e o veículo fica disponível para o cliente em cerca de 2,5 horas”, informa Eduardo Santos, gerente de Pós-Vendas da BYD Osten, ao destacar que, conforme o manual do proprietário, nas manutenções ímpares, apenas o filtro do ar-condicionado é substituído.
Já nas manutenções pares, além desse filtro, são trocados apenas os fluídos de freio e de transmissão. Já para os modelos híbridos da montadora chinesa — incluindo a linha Song, o King e o Shark –, a manutenção preventiva deve ocorrer a cada 12 mil km ou 12 meses. Santos ressalta que, embora a frequência seja menor quando comparada a veículos a combustão, o tempo de parada é praticamente o mesmo, porque o número de componentes é maior do que nos veículos elétricos.
Frequência de manutenção – Já nos modelos da BMW, a estratégia adotada para determinar a frequência de manutenções preventivas é diferente de qualquer outra montadora do mercado, e segue o padrão dos modelos a combustão da marca. Isso porque não há um prazo definido para a realização da revisão, e o momento adequado é indicado por meio de um software embarcado, o Condition Based Service (CBS). “A forma como o veículo é utilizado é o fator determinante do prazo para realização da manutenção”, observa Marcelo Tavares, gerente de Pós-Vendas da BMW Osten.
“Se tomarmos como referência dois proprietários de um mesmo modelo de BMW que rodam cerca de 50 km por dia, a necessidade de manutenção de cada veículo será diferente, dependendo de fatores como o trajeto que eles realizam, se circulam em um centro urbano ou na estrada, e das condições do trânsito”, explica. Nesse caso, o próprio automóvel, por meio de sensores e de conexão com o sistema central da BMW, indicará quando a manutenção deve ser feita. “Em média, as paradas preventivas dos carros elétricos da BMW ocorrem a cada dois anos. Já os modelos híbridos vão realizar a manutenção de acordo com o CBS pelo menos uma vez por ano, variando um pouco de acordo com a forma de utilização dos veículos”, afirma.
Fator de uso – A maneira como o veículo é utilizado também é um fator determinante do tempo que ele ficará parado no box. Tavares conta que há proprietários de modelos híbridos que abastecem muito pouco seus veículos, optando por rodar com energia elétrica. “Nesses casos, a vida útil dos componentes do motor a combustão é prolongada, diminuindo a frequência da sua substituição e, consequentemente, reduzindo a estadia na concessionária. Tudo isso é determinado por software, que analisa e define o melhor momento para que a manutenção ocorra.” Uma dúvida frequente, entre os motoristas de veículos eletrificados, de qualquer que seja a montadora, refere-se às configurações do carro. Embora o proprietário receba todas as informações quando retira o veículo da concessionária, as dúvidas surgem com o passar dos dias.
Tipo celular – Eduardo Santos, gerente de Pós-Vendas da BYD Osten, afirma que as dúvidas sobre as configurações do carro respondem pela maior parte das vezes que o cliente do veículo eletrificado busca o pós-vendas. “Os carros elétricos são como os telefones celulares: no uso diário, apenas as funções básicas são necessárias. Por isso, surgem dúvidas quando o cliente quer acessar um recurso adicional.” Embora as interfaces estejam cada vez mais amigáveis, nem todo mundo tem a mesma facilidade. Santos conta que as dúvidas vão desde uma luz que não acende em determinada situação, ao travamento das portas, que não ocorre como desejado, até o controle do ar-condicionado. “As montadoras atualizam frequentemente a interface com os usuários para simplificar o acesso a todas as funcionalidades disponíveis. Mas, se mesmo assim, o cliente tiver alguma dificuldade ao navegar na central multimídia, basta procurar uma concessionária Osten que nossos consultores terão muito prazer em ajudar no que for preciso”, conclui.
Renato Ferraz, ex-Correio Braziliense, tem especialidade em jornalismo automobilístico.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), publicou um vídeo nas redes sociais neste sábado (28) para rebater duramente as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Zema classificou como “mentira” a acusação de que o governo mineiro não teria apresentado projetos para utilizar os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e afirmou que o governo federal impõe obstáculos a quem não é aliado político.
“O governo de Minas foi sim buscar esses recursos, apesar de todos os obstáculos que o governo do PT cria para quem não é do seu ‘grupinho’”, disparou o governador.
A reação de Zema ocorre após o presidente Lula culpar o governo mineiro pela ausência de investimentos em obras preventivas contra temporais. Durante a 6ª Conferência Nacional das Cidades, o ministro Jader Filho afirmou que o governo federal reservou R$ 3,5 bilhões para Minas, mas que o montante não teria sido utilizado por falta de projetos do Executivo local. Na ocasião, Lula classificou a situação como um “descaso” com a população mais pobre do estado. “Isso é o resultado do descaso histórico que se tem com o povo pobre deste país”, reclamou Lula. As informações são do portal Metrópoles.