O Progressistas (PP), partido que nos últimos meses se posicionou publicamente como oposição ao presidente Lula, começa a ensaiar um movimento de aproximação com o PT em alguns estados estratégicos do país.
Apesar do discurso nacional mais crítico ao governo, o PP integra a Esplanada dos Ministérios e carrega, historicamente, uma forte divisão interna — fator que ajuda a explicar as conversas em andamento. As informações são do g1.

Tradicionalmente, o partido é marcado por uma clivagem regional: lideranças do Norte e do Nordeste tendem a ser mais alinhadas a governos de esquerda, enquanto os quadros do Centro-Sul costumam se aproximar de projetos de centro-direita.
Esse racha interno gera dificuldades quando o partido assume uma posição nacional muito rígida em disputas presidenciais, pois pode criar rejeição local e atrapalhar alianças estaduais.
Diante desse cenário, caciques do PP têm defendido uma saída pragmática: a neutralidade na eleição presidencial.
A ideia é simples: ao evitar um alinhamento formal contra Lula, o partido libera suas lideranças estaduais para costurar os arranjos mais vantajosos localmente, com foco principal em ampliar bancadas na Câmara dos Deputados, objetivo central de praticamente todas as siglas.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, esse processo de distensão ganhou força após uma conversa reservada entre o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, e o presidente Lula, realizada fora da agenda oficial no fim do ano passado.
Ciro Nogueira nega o encontro, mas lideranças do partido relatam que esse teria sido o primeiro contato após um período de tensão, servindo justamente para reabrir canais de diálogo e facilitar negociações nos estados.
Atualmente, as conversas entre PP e PT estão em curso em pelo menos seis estados: Piauí, Paraíba, Maranhão, Ceará, Alagoas e Pernambuco. Em alguns deles, o entendimento buscado é apenas pela neutralidade; em outros, já se fala em alianças formais.
No Piauí, estado de Ciro Nogueira, o PT deve lançar Rafael Fonteles à reeleição ao governo, com uma chapa já formada ao lado de MDB e PSD. Ali, o interesse do PP é claro: evitar que Lula atrapalhe o caminho político do senador no estado.
Situação semelhante ocorre em Alagoas, onde Renan Calheiros pai e filho articulam uma chapa majoritária. Embora não estejam alinhados com Arthur Lira, principal liderança do PP no estado, o objetivo também é garantir que Lula não se coloque como obstáculo local.
Já na Paraíba, o movimento é mais explícito. Lucas Ribeiro, candidato do PP ao governo estadual, já declarou que seu palanque será de Lula, indicando uma aliança formal com o PT. Esse tipo de posicionamento reforça a avaliação de que, apesar do discurso nacional, o partido tende a adotar uma estratégia altamente descentralizada em 2026.
Lideranças do PP afirmam que a definição final deve ser empurrada o máximo possível para perto da janela partidária, justamente para observar como o tabuleiro político nacional e estadual vai se acomodar. A criação de federações, como a já aprovada envolvendo outras siglas, também entra nessa conta e pode alterar os cenários regionais.
Na Bahia, por exemplo, o PP integra o governo de Jerônimo Rodrigues (PT), enquanto ACM Neto, da União Brasil, desponta como possível candidato ao governo do estado. Esse tipo de contradição ilustra bem o dilema vivido pelo partido: equilibrar alianças locais com um discurso nacional coerente — tarefa cada vez mais difícil em um sistema político fragmentado.
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