Por Cláudio Soares*
Porto de Galinhas, um dos cartões-postais mais conhecidos de Pernambuco e do Brasil, vive, hoje, uma realidade que envergonha o Estado e expõe o fracasso do poder público municipal e estadual na proteção de moradores e turistas. O que deveria ser um espaço de lazer e convivência tornou-se palco de intimidação, exploração econômica e violência.
Relatos recorrentes de turistas apontam um cenário alarmante, comerciantes cobram valores abusivos – que chegam a até R$ 150 – simplesmente para que pessoas possam sentar-se em áreas que são públicas.
Leia maisA permanência nesses espaços é condicionada ao consumo obrigatório em barracas específicas, prática que fere frontalmente a legislação e o direito de ir e vir. Quem questiona, sofre represálias.
Agressões verbais, ameaças e coação tornaram-se rotina. Em um episódio grave e amplamente comentado, dois turistas do Mato Grosso teriam sido brutalmente espancados após se recusarem a aceitar a extorsão.
O caso, segundo testemunhas, configurou uma clara tentativa de homicídio. Até o momento, não há respostas satisfatórias sobre punições, investigações ou ações preventivas.
A ausência de fiscalização da Prefeitura de Ipojuca é gritante. Não há controle efetivo sobre a ocupação irregular do espaço público, tampouco ações firmes contra práticas abusivas.
Soma-se a isso a inexistência de policiamento ostensivo, permitindo que grupos ajam como verdadeiros donos da praia, impondo medo e violência a quem deveria apenas desfrutar do local. Quando o poder público se omite, a violência ocupa o espaço.
Esse ambiente de exploração afasta turistas, compromete a economia local e mancha a imagem de Pernambuco no cenário nacional e internacional. O silêncio e a inércia do poder público soam como conivência.
Porto de Galinhas não pode ser território sem lei. O estado e o município têm a obrigação constitucional de garantir segurança, ordem e respeito aos direitos básicos. Enquanto autoridades fecham os olhos, a praia que é pública segue sendo privatizada à força.
O que acontece hoje em Porto de Galinhas não é apenas um problema turístico. É um retrato vergonhoso da omissão do Estado diante da violência e da ilegalidade. E cada dia sem ação concreta é mais um golpe na credibilidade de Pernambuco.
*Advogado e jornalista
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