O vice-presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Rodrigo Farias (PSB), usou a tribuna nesta terça-feira (3) para repercutir o início da auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSus) na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, hospital que tem como um dos sócios o marido da vice-governadora Priscila Krause.
A inspeção começou nesta manhã, após denúncia e pedido de auditoria apresentados por Farias em outubro do ano passado, com foco em suposto superfaturamento e uso irregular de recursos do Sistema Único de Saúde. “A nossa denúncia, feita em outubro do ano passado, está rendendo frutos. O DenaSus chegou a Pernambuco para investigar os mais de 14 milhões de reais de superfaturamento do hospital do marido da vice-governadora”, afirmou o parlamentar.
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No pronunciamento, Rodrigo Farias destacou que, nos três primeiros anos do governo Raquel Lyra e Priscila Krause, já foram destinados mais de R$ 100 milhões em recursos estaduais para o hospital, com crescimento expressivo dos repasses em 2025. Segundo ele, apenas no ano passado foram R$ 37 milhões pela gestão estadual, parte deles autorizados quando Priscila ocupava interinamente o governo.
“Em um intervalo de 15 dias foram mais de 25 repasses feitos pelo Governo de Pernambuco quando Priscila Krause estava à frente do Executivo. E foi a própria vice-governadora quem nomeou a pessoa responsável por fiscalizar e por fazer os pagamentos ao hospital do próprio marido. O que vemos aqui é um caso clássico de superfaturamento, dano ao erário, conflito de interesse, enriquecimento ilícito e afronta clara aos princípios da impessoalidade e da moralidade”, disse.
O deputado comparou o volume de recursos aplicados no hospital com outras demandas da rede pública de saúde e de infraestrutura social, defendendo que os valores poderiam ser direcionados para ampliar serviços diretamente voltados à população. “Estamos falando de R$ 100 milhões. Com esse valor, daria para construir pelo menos sete UPAs novas, levantar do zero um hospital de médio porte ou mesmo construir dezessete novas creches”, afirmou, ao reforçar que o episódio não é isolado e se soma a outros casos de suspeita de favorecimento envolvendo o atual governo.
“Não estamos diante de um caso solto no espaço, estamos diante de uma forma de governar. Em todos esses casos, o fio condutor é o mesmo: uso da máquina pública, conflito de interesses, mistura entre o que é público e o que é negócio de família. Quando o pequeno é apertado e o grande é poupado, o que está em risco não é apenas a gestão, é a própria confiança na imparcialidade do Estado”, criticou.
Rodrigo Farias defendeu que a Alepe acompanhe de perto a auditoria do DenaSus e cobre respostas do Executivo. “Governadora, ninguém está acima da lei. Este governo foi desmascarado e deve explicações consistentes ao povo pernambucano. Nossa responsabilidade é cobrar transparência, responsabilização e o fim imediato do uso da máquina pública como extensão dos interesses privados de quem manda hoje em Pernambuco”, concluiu o vice-presidente da Alepe.
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