Por Andreza Matais – Metrópoles
A operação que desbaratou o esquema do PCC com postos de combustível expõe a falha na fiscalização e as brechas que permitiram a infiltração do crime organizado no setor. Do Congresso, que ignora o tema, ao governo, que sucateou a Agência Nacional de Petróleo (ANP), quem poderia fechar as torneiras fechou os olhos e deixou acontecer.
A ação de hoje, divulgada como a maior operação da história — como todas desse tipo, e com a autoria disputada a tapa — ocorre já com o leite derramado. Evitar que o leite derrame depende de ações da política, ocupada demais com a polarização ou com pacotes da impunidade.
Leia maisSe foi o governo federal ou o governo de São Paulo quem descobriu a torneira aberta, pouco importa para quem era roubado na bomba.
Mais de 300 postos participaram do esquema com bombas viciadas. Os consumidores pagavam por um volume inferior ao informado ou por combustível adulterado.
Descortinado o esquema, o Congresso vai correr para priorizar projetos sobre o tema…
O governo, para socorrer a ANP. O órgão responsável por fiscalizar os postos de combustível fechou até as portas do banheiro por falta de dinheiro para comprar papel higiênico, como mostrou a coluna.
O Ministério da Justiça não conseguiu sequer explicar seu plano para a segurança pública — quanto mais aprová-lo. Os estados gritaram que não concordavam e todo mundo se recolheu.
No último mês, a coluna mostrou que o governo chegou ao cúmulo de pedir autorização ao PCC para Lula entrar na comunidade do Moinho, em São Paulo. Naturalizou-se tanto isso que até a oposição deixou para lá.
Quando o presidente da República precisa pedir licença ao crime organizado e entrar na comunidade de braço dado com uma facção ele não deixa outra alternativa ao trabalhador que mora nessas regiões dominadas pelo tráfico a aceitar sua realidade.
Fintechs usadas pelo PCC
Na lista do que poderia ter sido feito, mas não foi tem as fintechs que, até hoje não são enquadradas como instituições financeiras pela Receita.
“A partir de amanhã, a Receita Federal enquadra as fintechs como instituições financeiras”, afirmou o ministro Fernando Haddad (Fazenda).
“[Elas] terão que cumprir rigorosamente as mesmas obrigações que os grandes bancos. Com isso, aumenta o potencial de fiscalização da Receita e a parceria com a Polícia Federal para chegar aos sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro que o crime organizado tem utilizado.”
A pergunta é: Por que demoraram tanto?
Leia menos