A escolha de Ronaldo Caiado como nome do PSD para a disputa pela presidência da República tem repercussões diretas em Pernambuco. O governador de Goiás sempre foi considerado o mais à direita dos três presidenciáveis que o partido abrigou nos últimos meses – Ratinho Júnior, governador do Paraná, desistiu da disputa na semana passada, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, acabou rifado nesta segunda-feira (30). Nesse cenário, a governadora Raquel Lyra (PSD), que ensaiou uma aproximação do Governo Federal, acabou lançada para o campo oposto ao do presidente Lula (PT).
Quando as opções estavam afuniladas entre Caiado e Leite, Raquel ainda nutria esperanças de que o gaúcho fosse escolhido pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. O governador do Rio Grande do Sul adota uma linha parecida com a dela, de suposta neutralidade em relação ao ambiente político polarizado no país, para agradar lulistas sem perder votos da direita. Já Caiado assume uma postura mais parecida à do bolsonarismo, com discurso fortemente voltado à segurança pública e repleto de críticas ácidas contra Lula, tudo o que Raquel na queria.
O movimento em torno de Caiado é mais um revés para a governadora de Pernambuco, que, na semana passada, já tinha sido forçada a descer do muro depois que João Campos (PSB), seu potencial adversário nas eleições deste ano, articulou uma chapa composta por nomes ligados ao campo progressista, firmando o palanque da Frente Popular como o único grupo político que marchará ao lado de Lula.
















