Em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira, no Palácio do Planalto, o prefeito do Recife e presidente do PSB, João Campos, reforçou ao petista a intenção do partido de manter Geraldo Alckmin como seu vice na disputa eleitoral deste ano. A conversa durou cerca de uma hora, e Campos disse ter saído dela “animado” e “seguro” quando à parceria eleitoral entre os PT e PSB.
— Os dois vão construir isso da melhor forma, há uma relação de carinho e respeito entre eles. Não cabe um interlocutor, não é um presidente de partido que vai tratar disso — afirmou Campos a jornalistas na saída do encontro. Apesar disso, diz ser “importante para o partido a manutenção do vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa”. As informações são do jornal O GLOBO.
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— A conversa é muito franca, muito verdadeira e sempre muito amistosa com o presidente Lula. Ele sabe que pro nosso partido é importante essa construção (manter a vice-presidência). É natural que conversas entre um presidente e um vice-presidente ocorram em um ambiente de muita confiança, de muito respeito, principalmente pelo perfil dos dois — disse Campos
O prefeito de Recife, que comanda a sigla de Alckmin, ressaltou que o PSB e o PT têm uma aliança que vale para o país inteiro, inclusive com apoios recíprocos “em candidaturas ao Senado, aos governos estaduais”. Campos pleiteia o apoio de Lula à sua candidatura ao governo de Pernambuco neste ano, mas a atual governadora, Raquel Lyra (PSD), que vai se candidatar à reeleição e se aproximou do governo Lula nos últimos dois anos, atua para que o presidente se mantenha neutro na disputa e suba nos dois palanques.
Mais cedo, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que Lula tratou da possibilidade de o candidato a vice na chapa à reeleição ser do MDB durante uma conversa com ele e outro parlamentar do partido em um encontro no fim do ano passado, na Granja do Torto.
Lula admitiu publicamente pela primeira vez na semana passada a hipótese de mudar a composição da chapa ao afirmar que o vice Geraldo Alckmin terá um “papel a cumprir” na eleição em São Paulo. Um dos cotados para vice, caso a função caiba ao MDB, é o ministro Renan Filho (Transportes), filho de Renan Calheiros. Outro nome mencionado é o do governador do Pará, Helder Barbalho.
Questionado se Lula aceitaria ter um vice do MDB, Renan afirmou: — Quem falou isso foi o Lula, não fomos nós. Ele tratou disso comigo no dia 17 de dezembro, na Granja do Torto — disse Renan.
Nos bastidores, emedebistas da ala governista dizem que um apoio explícito de Lula a Campos na disputa pelo governo de Pernambuco poderia satisfazer o presidente do PSB e dirimir resistências a uma substituição de vice na chapa. Alckmin, no entanto, já sinalizou a aliados que não pretende ser candidato em São Paulo.
A declaração de Lula sinaliza a movimentação do Palácio do Planalto para ampliar a aliança governista em direção ao centro político, estratégia vista por aliados como essencial para a disputa presidencial. O MDB é considerado peça-chave nesse desenho por sua capilaridade regional e seu peso no Congresso, embora a legenda mantenha a tradição de decisões autônomas nas convenções partidárias. Em entrevista ao GLOBO, Renan Filho disse que vai participar das discussões sobre uma eventual troca de vice e o papel do MDB na chapa presidencial.
Procurada, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) não se manifestou.
Renan Calheiros afirmou que uma eventual indicação do vice dependeria primeiro de um convite formal do presidente e, depois, da disputa interna no partido. Segundo ele, o principal ativo que o MDB poderia oferecer seria o apoio de uma “banda consistente” da legenda, capaz de ampliar a coalizão eleitoral de Lula. O senador citou quadros como a ministra Simone Tebet (Planejamento), o governador do Pará, Helder Barbalho, e o presidente do partido, Baleia Rossi, mas ressaltou que o debate ainda “não está posto”.
Nos bastidores, dirigentes governistas avaliam que oferecer a vaga ao MDB poderia consolidar apoio de setores do centro e reduzir a margem de crescimento de candidaturas adversárias. A estratégia dialoga com outras iniciativas recentes de aproximação com partidos médios, incluindo conversas com lideranças do PP e do União Brasil para que as siglas sigam a neutralidade, ou ainda façam composição regional nas eleições deste ano.
A eventual composição entre Lula e MDB, caso avance, tende a redesenhar o equilíbrio político da eleição de 2026, isolando setores mais à direita e ampliando o arco de sustentação do atual presidente.
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