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O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, assegurou nesta sexta-feira (24) que irá “colocar a fila [do INSS] no devido lugar até o final do ano”. “Podem ter certeza disso e podem me cobrar”, afirmou a jornalistas durante o programa Governo do Brasil na Rua, no Recife (PE). O evento reúne ministros como o da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, além da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e parlamentares do estado.
Wolney Queiroz citou medidas que vêm sendo implementadas para a redução do tempo de espera dos segurados pela análise de um benefício. Um exemplo é a contratação de 500 peritos médicos federais destinados às regiões que mais precisam desses profissionais, com foco em Norte e Nordeste. “Essa fila está em queda. E eu quero cumprir o compromisso assumido pelo presidente Lula de zerar essa fila em seu governo”, declarou o ministro durante seu discurso. Entre fevereiro e março, o número de pedidos em análise caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões, uma redução de mais de 10%.
Um ano após a Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril de 2025, o ministro também ressaltou que o Governo Federal devolveu R$ 2,9 bilhões a 4,3 milhões de aposentados e pensionistas que sofreram descontos sem autorização em seus benefícios do INSS. “Algo inédito na história”, lembrou, reforçando que foi o governo do presidente Lula o responsável por fazer a investigação que descobriu a fraude, estancou a crise e cuidou dos aposentados, sem deixar ninguém para trás. Segundo o ministro, as ações foram conduzidas sem interrupção dos serviços previdenciários, que recebem, mensalmente, cerca de 1,3 milhão de novos pedidos.
O ministro destacou a importância do programa Governo do Brasil na Rua e a participação da Previdência Social, com a oferta de serviços como perícia médica, análise social, análise de recursos e orientação sobre direitos previdenciários. “Estamos percorrendo o Brasil levando o Governo Federal até as pessoas. Nossa equipe está engajada no programa, e o INSS está entre os serviços mais procurados”.
Por fim, o ministro ressaltou os grandes números da Previdência Social: “Temos hoje 77 milhões de pessoas que contribuem para o INSS, garantindo proteção no momento em que precisarem e no futuro se aposentar. Ao todo, 118 milhões de brasileiros estão cobertos de alguma forma pelo sistema previdenciário. Tenho ainda a honra de dizer que mais de 80% das pessoas com mais de 60 anos estão sob a proteção social brasileira, sendo mais de 90% na área rural”.
O superintendente de Turismo, Cultura e Esportes de Fernando de Noronha, Islian Pereira, natural de Serra Talhada, representou o arquipélago na premiação “O Melhor do Turismo Brasileiro”, promovida pelo Estadão. O evento foi realizado na quinta-feira (23), em Foz do Iguaçu (PR), e reuniu representantes do setor de diversas regiões do país.
Na premiação, Fernando de Noronha conquistou o primeiro lugar em duas categorias: Destino Top of Mind, como o local mais lembrado pelos brasileiros, e Praia do Nordeste, com a Baía do Sancho. A iniciativa contempla 25 categorias e utiliza metodologia desenvolvida pela FIA Business School, que combina análise de dados de plataformas de turismo com avaliação de um júri técnico.
Segundo Islian Pereira, o reconhecimento está associado à gestão do destino. “Fernando de Noronha é um território pulsante, repleto de histórias, talentos e uma natureza que inspira e exige cuidado. Para mim, sertanejo de Serra Talhada, é motivo de grande orgulho fazer parte dessa conquista”, afirmou.
A abertura oficial do Festival do Jeans de Toritama 2026 ocorreu nesta quinta-feira (23), no Agreste de Pernambuco, com a presença de autoridades políticas e representantes do setor produtivo. Participaram da cerimônia a governadora Raquel Lyra, a vice-governadora Priscila Krause, o prefeito Sérgio Colin, o senador Fernando Dueire e o ex-prefeito Edilson Tavares, entre outros convidados.
Durante o evento, foram concedidos títulos de cidadãs toritamenses à governadora Raquel Lyra, à vice-governadora Priscila Krause e à atriz Paloma Bernardi. “Este festival representa a força do nosso povo, da nossa indústria e da nossa capacidade de inovar”, afirmou o prefeito Sérgio Colin. A governadora também destacou o papel do evento. “O Festival do Jeans é uma vitrine da força empreendedora do Agreste”, disse.
A programação da primeira noite incluiu desfiles e apresentações musicais. Subiram ao palco artistas como Anderson Mendes, Guilherme Topado, Zé Vaqueiro e Nattan. O festival reúne atividades voltadas à moda, negócios e entretenimento ao longo dos próximos dias.
A governadora Raquel Lyra (PSD) usou um evento realizado em conjunto com o governo federal, nesta sexta-feira (24), para afirmar que a parceria com o presidente Lula (PT) não tem apelo partidário e não será interrompida pelo calendário eleitoral.
A declaração foi dada ao lado do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante o lançamento da 14ª edição do programa Governo do Brasil na Rua – Feira da Cidadania, realizado na Escola Técnica Estadual Miguel Batista, no bairro da Macaxeira, no Recife. As informações são do JC.
Leia mais“Quero agradecer a parceria do presidente Lula, que tem nos ajudado a chegar junto para permitir que pessoas que não eram enxergadas pudessem ser. E não é pela troca do voto, não é pela cor da bandeira partidária, mas sim pela bandeira que nos une, que são as cores da bandeira de Pernambuco, as cores da bandeira do Brasil”, disse a governadora.
“A parceria não acaba, até porque ela é muito maior do que nós. É mais do que uma pessoa ou duas pessoas, é um povo inteiro precisando que a gente seja generoso para poder trabalhar por eles e não olhar só para a disputa eleitoral. A eleição vai acontecer no tempo certo”, acrescentou a gestora.
Raquel também fez um alerta sobre a divisão de palanques durante o período eleitoral. A fala se dá num contexto em que ela disputa as atenções de Lula com o ex-prefeito João Campos (PSB), que disputará a eleição para o governo de Pernambuco com apoio do presidente.
“Em tempo de eleição, vão querer nos dividir. Não sabem que o nosso povo dividido faz muito mal ao nosso estado, que a gente só cresce se tiver todos trabalhando juntos numa direção só. […] Vai ter eleição, sim. E eu não vim aqui para pedir voto. A eleição vai acontecer no tempo certo, dentro das quatro linhas do campo, onde eu estou acostumada a jogar”, declarou a governadora.
A chefe do Executivo pernambucano também aproveitou o discurso para fazer uma cobrança direta ao presidente Lula, por meio do ministro Boulos.
“Diga ao presidente que tem muita coisa boa para fazer em Pernambuco. Ele venha para cá inaugurar, entregar essa nova ordem de serviço”, disse a gestora. Nos bastidores, porém, a previsão é de que Lula não venha a Pernambuco até o primeiro turno das elieções para evitar comprometimento com qualquer um dos palanques.
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Um funcionário do governo dos Estados Unidos que atuava no Brasil deixou o país após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) adotar medidas de reciprocidade em relação a determinações do governo norte-americano.
Michael Myers trabalhava junto à Polícia Federal (PF) na troca de informações desde 2024, como parte de um acordo de cooperação entre os dois países. Ele deixou o país na quarta-feira (23), segundo fontes do governo dos EUA. As informações são do g1.
Leia maisO princípio da reciprocidade estabelece que um Estado tende a tratar outro da mesma forma como é tratado por ele nas relações internacionais — evitando que apenas um lado se beneficie das regras.
O fundamento foi adotado após o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA divulgar que o governo Donald Trump ordenou que um delegado brasileiro que atuou no caso da prisão de Alexandre Ramagem (PL-RJ) deixasse o país.
Um segundo norte-americano também foi alvo de medidas. Ele teve o acesso à Polícia Federal suspenso, mas, ao menos por enquanto, não deixará o Brasil. Por isso, não teve a identidade divulgada.
A informação foi publicada pelo jornal “Valor Econômico”, e confirmada pelo diretor da PF, Andrei Rodrigues, à GloboNews.
“Um teve temporariamente o acesso cortado à PF por mim. Outro teve o visto cancelado e determinado seu retorno aos Estados Unidos pelo MRE”, explica Rodrigues.
A cooperação entre os dois países está mantida, e a PF espera que o episódio seja visto como algo isolado, e que a troca de informações volte a ser normalizada.
A saída de Myers ocorreu após a retirada das credenciais do servidor para atuar em território brasileiro.
Segundo o diretor da PF, Myers seria instado a deixar o país pelo MRE, mas retornou antes por decisão dele.
A iniciativa foi adotada de forma verbal, seguindo o mesmo procedimento utilizado por autoridades dos Estados Unidos, em um gesto de reciprocidade.
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O decano do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, afirmou nesta sexta-feira (24) achar que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, errou na forma de apresentar o modelo de Código de Ética para o Supremo. As informações são da CNN.
“Acho que sim”, respondeu Gilmar ao ser questionado se avaliava que Fachin teria errado ao hora de apresentar a proposta. O magistrado acrescentou ainda não ter “nada contra” o Código de Ética, mas que o STF segue um modelo de colegiado, em que é precisa respeitar essas “idiossincrasias”.
Por Marlos Porto*
Em junho de 2020, o Brasil vivia o auge do primeiro ano da pandemia de COVID-19. Hospitais colapsavam, milhares de mortes diárias eram registradas e a população se agarrava a medidas sanitárias como o uso de máscaras, o distanciamento social e a higienização de superfícies. Foi exatamente nesse contexto que o WhatsApp anunciou o lançamento de seu sistema de pagamentos no país — o primeiro do mundo a receber a funcionalidade.
O que se viu na sequência foi uma atuação fulminante do Banco Central: no mesmo dia, 23 de junho, editou a Circular nº 4.031 e determinou às bandeiras Visa e Mastercard que suspendessem imediatamente as operações. O serviço, que mal completara oito dias de vida, estava travado. Ficaria assim por meses, enquanto o Brasil agonizava.
Leia maisA pergunta que ecoa até hoje — e que a polarização política insiste em enterrar — é múltipla: o BC agiu dentro da lei? Houve abuso de poder? O argumento sanitário foi desprezado? E, mais grave, o atual governo tem sequer interesse em examinar o caso com isenção, ou prefere abrigar-se num maniqueísmo rasteiro de “nós contra eles”?
O que diz a lei — e o que o BC fez
A Lei nº 12.865/2013, que regula arranjos de pagamento, confere ao BC poder de autorização e fiscalização. Mas seu artigo 8º impõe ao governo o dever de estimular a inclusão financeira por meio de mecanismos do setor de telecomunicações. O WhatsApp é, antes de tudo, um aplicativo de telecomunicação. Seu sistema de pagamentos era exatamente o tipo de inovação que a lei mandava incentivar.
Os parágrafos 4º e 5º do artigo 6º são ainda mais claros: a regulação mais rigorosa só se aplica a arranjos cujo volume de operações seja capaz de afetar o funcionamento do sistema de pagamentos de varejo. E, para verificar isso, o regulador deve solicitar informações ao interessado — não agir com base em conjecturas.
O BC fez isso? Não. Em vez de notificar o WhatsApp, a Visa e a Mastercard, conceder um prazo razoável para apresentação de dados e um plano de adequação, o órgão partiu diretamente para a suspensão. E, para dar lastro legal à medida, editou a circular no calor do momento — um típico caso de “norma de ocasião”.
O “juízo de futurologia” que paralisou uma inovação
Em oito dias de operação, não há como coletar e analisar dados de volume, abrangência e natureza dos negócios para determinar se a inovação oferece risco ao sistema. A suspensão não se baseou em evidências concretas de dano, mas no tamanho do WhatsApp (cerca de 120 milhões de usuários no Brasil) e na mera possibilidade de que, no futuro, o modelo pudesse gerar concentração.
Trata-se de um clássico juízo de futurologia — algo que o direito administrativo, especialmente em matéria sancionadora, não admite isso sem o devido processo legal. O BC agiu como se o risco fosse um fato consumado, ignorando que a própria lei exige comprovação.
Pandemia: o argumento sanitário que ninguém quis ouvir
Aqui reside um ponto cego do debate público que precisa ser resgatado. Em plena pandemia, um meio de pagamento que elimina o contato físico com maquininhas, cartões, cédulas e teclados compartilhados era não apenas uma conveniência, mas uma medida sanitária relevante.
O pagamento via WhatsApp dispensaria: tocar a maquineta (superfície contaminada por dezenas de pessoas); manusear dinheiro (notoriamente veículo de microrganismos); digitar senha em teclado público; entregar o cartão ao atendente. A transação seria feita inteiramente no celular do comprador — algo que ele já manipula o tempo todo. Para o vendedor, bastaria um QR Code ou uma solicitação de pagamento. Para o cliente, autorização com biometria. Nada mais.
Milhões de brasileiros que trabalham na informalidade — vendedores ambulantes, feirantes, pequenos comerciantes — teriam acesso a um sistema de pagamento sem contato, sem a necessidade de maquininhas caras ou cadastros complexos. O auxílio emergencial, distribuído à época, poderia ter fluido mais rapidamente.
Em vez disso, o país passou os cinco meses seguintes (junho a novembro de 2020) — período em que morreram cerca de 125 mil brasileiros de COVID — sem essa ferramenta. O BC, sob a justificativa de proteger a concorrência futura, optou por atrasar uma tecnologia que poderia ter salvado vidas indiretamente, ao reduzir uma via de contaminação.
O princípio da precaução, tantas vezes invocado, deveria ter operado em sentido oposto: diante de uma pandemia letal, a ausência de risco sanitário comprovado deveria prevalecer sobre o risco concorrencial teórico. Não foi o que ocorreu.
A ausência do contraditório e da ampla defesa
A suspensão foi uma medida cautelar, mas as cautelares mais gravosas — e suspender um serviço com potencial de alcançar dezenas de milhões de brasileiros é, sem dúvida, gravoso — devem ser precedidas de oportunidade de defesa. Não há registro de que o BC tenha instaurado processo administrativo, notificado previamente as empresas ou concedido prazo para ajustes.
A determinação foi uma ordem direta às bandeiras, sob ameaça de sanções. Isso fere o contraditório (art. 5º, LV, da Constituição) e a ampla defesa. A jurisprudência do STF e do STJ é firme ao exigir que mesmo as medidas cautelares, especialmente as que suspendem atividades econômicas, respeitem o devido processo legal.
A cronologia que alimenta suspeitas
Suspensão do WhatsApp Pay: junho de 2020. Regras finais do Pix: agosto de 2020. Lançamento do Pix: novembro de 2020.
A neutralização do principal concorrente estrangeiro nos meses críticos finais de desenvolvimento do sistema público de pagamentos garantiu ao Pix uma janela de mercado sem concorrência significativa. Quando o WhatsApp Pay foi finalmente liberado — após mais de um ano e só a partir de 2021 —, o Pix já era um fenômeno de adoção. Hoje, ironicamente, o próprio WhatsApp integra o Pix como seu principal método de transferência, num reconhecimento tácito de que a batalha estava perdida.
A declaração do WhatsApp no dia seguinte à suspensão
No dia 24 de junho de 2020, um dia após a suspensão, o WhatsApp divulgou nota oficial amplamente repercutida pela mídia. Dizia a empresa:
“Ficamos muito animados com a avaliação positiva das pessoas no Brasil com o lançamento de pagamentos no WhatsApp na semana passada. Fornecer opções simples e seguras para que as pessoas realizem transações financeiras é muito importante durante esse período crítico de pandemia e ajudará na recuperação de pequenos negócios. Nosso objetivo é fornecer pagamentos digitais para todos os usuários do WhatsApp no Brasil, com um modelo aberto e trabalhando com parceiros locais e o Banco Central. Além disso, apoiamos o projeto PIX do Banco Central, e junto com nossos parceiros estamos comprometidos em integrar o PIX aos nossos sistemas quando estiver disponível.”
A nota deixa claro, nas entrelinhas, qual era o verdadeiro temor do Banco Central. Ao afirmar que apoiava o Pix e que estava disposta a integrá-lo, o WhatsApp demonstrava boa-fé regulatória e disposição para cooperar com o sistema público. Se a intenção do BC fosse genuinamente garantir um ambiente competitivo e interoperável, teria acolhido essa oferta, concedido um prazo para ajustes e instaurado um processo administrativo com contraditório. Em vez disso, preferiu a via da força — o que só se explica pelo receio de que a plataforma da Meta, com seus 120 milhões de usuários, desviasse a atenção do Pix antes mesmo de o sistema público decolar.
A desonestidade intelectual como estratégia
Há, porém, um aspecto ainda mais grave nessa história. Durante a pandemia, grande parte da sociedade brasileira se mobilizou contra o governo Bolsonaro, que boicotava medidas sanitárias, negava a gravidade do vírus e atrasava a vacinação. Essa luta foi justa, necessária e salvou vidas.
Ocorre que, hoje, sob o governo Lula, o país se vê diante de uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos (USTR) sobre eventuais práticas desleais do Brasil, justamente relacionadas à suspensão do WhatsApp Pay. A reação do atual governo tem sido, no essencial, maniqueísta e superficial: trata-se o episódio como uma defesa da soberania nacional contra a ingerência americana, ou como um ataque ao próprio Pix — deslocando, convenientemente, o eixo da discussão.
A crítica norte-americana não é contra o Pix em si. Ninguém questiona a importância do Pix, que é uma conquista tecnológica e social notável. A insurgência dos EUA — e de qualquer observador minimamente isento — é contra a forma como o WhatsApp Pay foi barrado em 2020: sem contraditório, com edição casuística de norma, em meio a uma pandemia, com uma cronologia que favoreceu o sistema público de pagamentos.
Em vez de reconhecer que a conduta do BC à época merece ao menos uma análise isenta e aprofundada, o governo Lula refugia-se na narrativa fácil da polarização. Tudo o que vem dos EUA é tratado como agressão. Qualquer crítica à regulação brasileira é automaticamente rotulada como defesa do imperialismo.
Mais grave: o mesmo campo político que, durante a pandemia, cobrou com razão medidas sanitárias mais duras do governo Bolsonaro, agora silencia diante do fato de que o Banco Central, em 2020, barrou um meio de pagamento que reduziria o contato físico em pleno auge da COVID-19. A luta pela saúde foi esquecida. O que restou foi a luta pelo poder.
O reconhecimento dos méritos alheios e a briga pessoal com Campos Neto
É preciso registrar, com honestidade, que o Pix é um sucesso. Ele foi bem desenhado, bem executado e se tornou uma política de Estado que beneficia milhões de brasileiros. Os méritos são, em primeiro lugar, da equipe técnica do Banco Central, mas não se vive num país anarquista: há uma cadeia política de comando. O presidente da época, Jair Bolsonaro, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto, tiveram sim participação e responsabilidade — e, portanto, merecem crédito por esse êxito.
Ocorre que o governo Lula, no período em que Campos Neto ainda estava no cargo, nutria uma briga pessoal com ele, sobretudo por causa da política de juros. As críticas ao presidente do BC frequentemente ultrapassavam o tom técnico e assumiam contornos belicosos, pessoais. Essa animosidade impedia que o governo reconhecesse os aspectos positivos da gestão de Campos Neto — inclusive na implantação do Pix.
Essa recusa em reconhecer méritos de adversários políticos não era apenas deselegante; era intelectualmente desonesta. E, mais do que isso, travava a análise isenta dos erros que também ocorreram. Pois se o governo não admitia que Campos Neto e Bolsonaro acertaram em algumas coisas, também não conseguia examinar com cuidado onde eles (ou o BC sob sua liderança) poderiam ter errado — como na suspensão precipitada do WhatsApp Pay.
A análise ficava refém do interesse eleitoral. Uma coisa é você, no período correto, apresentar-se ao eleitor como opção. Outra coisa é querer pautar todo o seu agir conforme o interesse eleitoral de curto prazo, distorcendo fatos, omitindo nuances e recusando-se a aprender com o passado. Isso, além de feio, é errado.
Com base nesse interesse menor, o governo atual terminou deixando de analisar, com isenção, os erros ocorridos nas fases anteriores à implantação do Pix — dentre eles, a decisão de junho de 2020 de barrar o WhatsApp Pay de forma precipitada, sem os dados necessários sobre seu volume e sua efetiva capacidade de interferir no sistema de pagamentos como um todo. Poderia ser que o impacto do WhatsApp Pay não fosse gigantesco, mas teria tido sim algum papel benéfico no controle da COVID-19. O BC, no entanto, preferiu a via da força, sem o devido processo legal, e o governo atual, por desonestidade intelectual, não apenas deixa de reconhecer esse erro como ainda se esconde atrás da soberania nacional para criticar qualquer questionamento externo.
Conclusão: legalidade formal versus abuso substantivo — e o preço da desonestidade intelectual
Sob o prisma estritamente formal, o BC tinha poder para regular. A Lei 12.865/2013 lhe confere ampla discricionariedade. Mas a forma como esse poder foi exercido — com suspensão imediata, sem contraditório, sem prazo para adequação, baseada em norma criada no calor do momento e em avaliações prospectivas de risco, em plena pandemia — indica um abuso substantivo.
O direito brasileiro não tolera que o Estado, sob o manto da precaução, paralise inovações sem dar ao inovador a chance de se explicar. O princípio da proporcionalidade exige que a medida mais gravosa seja o último recurso, não o primeiro.
Ao agir como agiu, o Banco Central não apenas prejudicou uma empresa que investiu bilhões em tecnologia, mas também privou a população de uma ferramenta sanitariamente relevante num momento de mortes em massa. E agora, o atual governo, em vez de ter a grandeza de revisar o caso com isenção — reconhecendo os méritos do Pix e, ao mesmo tempo, os erros processuais da suspensão — prefere abrigar-se na polarização e na desonestidade intelectual. Prefere atacar Campos Neto e Bolsonaro em tudo, negando-lhes qualquer mérito, e com isso deixa de examinar criticamente os próprios equívocos da regulação brasileira.
Não se trata de “entregar” o Brasil aos interesses americanos. Trata-se de ter grandeza para reconhecer que, às vezes, o regulador errou. E que, ao errar, causou danos sanitários, econômicos e competitivos. A soberania nacional não se defende com chavões nem com perseguições pessoais, mas com a capacidade de reconhecer os próprios acertos e os próprios erros — mesmo quando eles envolvem adversários políticos.
Se o objetivo era proteger o sistema financeiro, o resultado foi proteger o Pix. Se o objetivo era promover a concorrência, o resultado foi sufocá-la. Se o objetivo era apenas exercer o poder de polícia, o resultado foi um ato de polícia sem as garantias constitucionais. E se o objetivo, hoje, é defender a soberania, o resultado tem sido — infelizmente — um debate pobre, maniqueísta, movido por interesses eleitorais espúrios, que não honra a memória daqueles que morreram na pandemia enquanto o país se recusava a usar a tecnologia disponível para salvar vidas.
*Analista político
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Guilherme Boulos (Psol) optou, nesta sexta-feira (24), por falar na condição de secretário-geral da Presidência da República, quando questionado se o presidente Lula (PT) terá um, dois ou três palanques em Pernambuco. O partido do ministro tem Ivan Moraes como pré-candidato a governador, o PT apoia João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD) ainda não se posicionou nacionalmente. Porém, Boulos ressaltou a união proporcionada pelo mutirão de serviços do Governo do Brasil na Rua, numa parceria que envolveu o Governo de Pernambuco e a Prefeitura do Recife.
“Aqui se junta com o Governo do Estado com a governadora Raquel Lyra, se junta com a Prefeitura de Recife para trazer serviços a quem mais precisa, as políticas e os projetos do governo do Brasil”, disse o ministro. “Quero agradecer à governadora Raquel, que cedeu o espaço aqui da escola estadual. Agradeço ao prefeito Vitor Marques, que também trouxe o serviço da Prefeitura de Recife”, enfatizou Guilherme Boulos , na entrevista coletiva ao lado da governadora. O prefeito da Capital não participou. As informações são do Blog Dantas Barreto.
Leia maisBoulos respondeu assim sobre a possibilidade dos três palanques: “Eu não estou aqui como militante partidário. Estou como ministro da Secretaria-geral do presidente Lula, fazendo esse evento em que cabe todos aqueles que estão com o presidente Lula, que acreditam nesse projeto de Brasil, que é um projeto popular”.
Mas Guilherme Boulos não poupou críticas à oposição, justamente ao defender a unidade em torno dos projetos do Governo Lula. “É isso que junta todos os processos, os órgãos, as instituições, 11 ministérios, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil, o SESI, o SEBRE, o INSS, levando para o povo esse serviço. E acho que isso mostra uma diferença. A diferença entre o governo do presidente Lula e daqueles que só fazem dancinha na rede social. Os nossos adversários adoram ficar fazendo dancinha, ataque, mas não entregam para o povo. Quem está entregando é o governo do presidente Lula. Quem criou o Pé de Meia, quem criou Agora tem Especialistas, quem pode agora retomar os programas sociais com três milhões de casas contratadas do Minha Casa Minha Vida foi o presidente Lula. Ao voltar, reconstruiu os programas sociais do Brasil que tinham sido devastados, destruídos pelo governo anterior do Bolsonaro”, disparou o ministro.
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Em manifesto, o PT pretende defender a necessidade de partidos de centro e de esquerda se unirem contra o que chama de avanço da “extrema direita” no país.
O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizará congresso nacional neste final de semana na capital federal para discutir a estratégia para o processo eleitoral deste ano. Segundo relatos feitos à CNN, uma das ideias principais será chancelar a estratégia iniciada pelo presidente, em agenda internacional, de tentar vincular ao pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, a pecha de radical. As informações são da CNN.
Leia maisO objetivo é fazer uma espécie de chamamento dos partidos de centro sobre a necessidade de se unirem contra uma nova ameaça democrática, no caso, uma nova tentativa de golpe como a ocorrida no 8 de janeiro.
Em conversa com a CNN, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, classificou a estratégia do PT de classificar Flávio como radical como uma “bobagem”. Valdemar disse que o primogênito do ex-presidente é moderado e que seu perfil tem ajudado a crescer inclusive no Nordeste.
O PT agora focará em fazer um enfrentamento maior, sobretudo nas redes sociais, contra o primogênito de Jair Bolsonaro, que tem pontuado na frente de Lula em pesquisas eleitorais recentes.
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O prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino, afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais que a condenação da Prefeitura ao pagamento de diferenças salariais a professores refere-se a períodos anteriores à sua gestão. “É importante dizer que isso se refere aos anos 2017, 2018, 2019 e 2020. Eu não era prefeito do município de Garanhuns ainda”, declarou.
Segundo o gestor, a decisão judicial tem origem em medidas adotadas em administrações passadas relacionadas à carga horária dos docentes. Ele afirmou que, ao assumir o cargo em 2021, a atual gestão revogou o decreto em questão e retomou os pagamentos. “Voltamos a pagar o que era e é de direito dos nossos professores”, disse. Albino também mencionou impacto financeiro estimado. “A justiça determina que a nossa gestão venha a pagar […] cerca de 11 milhões dos cofres públicos”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira (24) após passar por procedimentos médicos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, nesta manhã.
Sem intercorrências, as intervenções ocorreram na cabeça e no punho. Ele retirou uma queratose (acúmulo de pele) no couro cabeludo e, conforme os médicos, a ferida é um tipo comum de tumor. O material foi enviado para biópsia. As informações são da CNN.
Leia maisJá no punho, Lula fez uma infiltração para tratar uma tendinite no polegar direito.
Mesmo com após a alta, a agenda de Lula desta sexta-feira (24) está esvaziada. O retorno do presidente para Brasília está previsto para ocorrer no domingo (26).
O presidente sai do hospital sem restrições, apenas com a orientação de utilizar um chapéu para proteger o local onde houve a retirada da lesão.
Ainda conforme o cardiologista Robero Kalil, os procedimentos realizados nesta sexta-feira não atrapalharão a campanha pré-eleitoral de Lula.
Cirurgias de Lula
A queratose é considerada uma alteração da camada mais superficial da pele (camada córnea), com hipertrofia e aspectoes escamoso ou verrucoso. Há três tipos da condição: a queratose actínica, a seborreica e a folicular.
A actínica surge normalmente em áreas expostas ao sol como face, orelhas, couro cabeludo (em calvos), colo, dorso das mãos e antebraços. Quando localizada nos lábios, são chamadas queilite actínica.
A CNN conversou com a dermatologista Ana Carolina Sumam, que explica que este é o tipo mais preocupante. “A queratose que mais nos preocupa é a queratose actínica, pois ela pode evoluir para câncer de pele. Trata-se de uma lesão diretamente relacionada à exposição solar acumulada ao longo da vida.”
Indivíduos com pele mais clara, cabelos loiros ou avermelhados e olhos claros, como os azuis ou verdes, tendem a ter maior propensão ao surgimento dessas lesões. Elas geralmente se manifestam como manchas avermelhadas ou levemente amarronzadas, com uma textura áspera.
Já a queratose seborreica é uma alteração cutânea não-maligna, normalmente de formato circular ou assimétrico, com tonalidade que varia do castanho ao marrom-escuro ou preto, e superfície de aspecto verrucoso. Surge com maior frequência na face e no tronco, podendo aumentar de tamanho e tornar-se mais saliente. Em geral, está associada a fatores genéticos.
Ceratose pilar: A abordagem baseia-se no uso de agentes ceratolíticos, como o ácido salicílico, associado à hidratação adequada da pele.
Ceratose actínica: Por se tratar de lesões pré-malignas, recomenda-se tratamento. A escolha terapêutica varia conforme o tamanho e a profundidade das lesões. Entre as opções, estão: crioterapia com nitrogênio líquido; curetagem associada à eletrocoagulação; uso de cremes tópicos, como 5-fluorouracil (5-FU), que também atua em lesões subclínicas; imiquimode a 5%; mebutato de ingenol; e excisão cirúrgica com encaminhamento para exame anatomopatológico, especialmente quando houver suspeita de carcinoma espinocelular.
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O Sextou, programa musical que ancoro às sextas-feiras no lugar do Frente a Frente, recebe hoje o cantor e compositor David Coelho, artista carioca que ganhou projeção nacional a partir das redes sociais, onde soma milhões de seguidores com vídeos de voz e violão interpretando clássicos da música brasileira.
Natural da Baixada Fluminense, David começou a tocar violão ainda criança, aos 9 anos, e construiu sua formação musical de forma autodidata. Antes da carreira solo, foi vocalista da banda La Nuova por mais de uma década, acumulando experiência em palcos, bares e festivais, base que ajudou a moldar seu repertório amplo e sua atuação como intérprete.
Conhecido por releituras de nomes como Vander Lee, Djavan, Fagner, Geraldo Azevedo, Jorge Vercillo e Alceu Valença, David conquistou o público com interpretações marcadas por voz aveludada e forte carga emocional. Ao mesmo tempo, vem consolidando seu trabalho autoral, com canções centradas no tema do amor e das relações humanas, eixo principal de sua produção musical.
Leia maisEm 2023, lançou o primeiro álbum autoral, Chave, reunindo músicas compostas ao longo de mais de uma década, com influências da MPB, bossa nova, samba e jazz. O projeto marca uma transição importante na carreira, ao buscar apresentar ao público não apenas o intérprete, mas também o compositor.
No programa de hoje, David Coelho fala sobre essa trajetória — da internet aos palcos —, o sucesso nas redes, o processo criativo e o desafio de firmar um repertório próprio dentro da música popular brasileira.
O Sextou vai ao ar das 18h às 19h, pela Rede Nordeste de Rádio, que reúne 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Para ouvir pela internet, acesse o link do Frente a Frente no topo desta página ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na Play Store.
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