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O deputado estadual e presidente do PSB de Pernambuco, Sileno Guedes, participou neste fim de semana de agendas políticas ao lado do ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), em municípios da Mata Norte pernambucana. A programação incluiu compromissos em Nazaré da Mata e Carpina, com participação de lideranças políticas, representantes de entidades sindicais e grupos ligados à cultura popular.
Neste domingo (17), em Nazaré da Mata, Sileno esteve em encontro realizado no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Nazaré da Mata, Tracunhaém e Buenos Aires. Durante o discurso, o parlamentar citou o legado político dos ex-governadores Miguel Arraes e Eduardo Campos e falou sobre expectativas para a região. “O futuro está batendo na porta da gente, e só depende da gente”, afirmou. A agenda também marcou as comemorações pelos 193 anos de emancipação política do município.
Ainda em Nazaré, o deputado participou de visita à Associação das Mulheres de Nazaré da Mata e ao Maracatu Baque Solto Águia Misteriosa. Segundo a organização da agenda, os encontros tiveram foco em iniciativas sociais e culturais ligadas à preservação das tradições da Zona da Mata pernambucana.
No sábado (16), Sileno acompanhou João Campos em agenda no município de Carpina, ao lado da vereadora e pré-candidata a deputada federal Cássia do Moinho (MDB) e dos ex-prefeitos Carlinhos do Moinho (PSB) e Graça do Moinho. O grupo percorreu a feira livre da cidade e conversou com comerciantes e moradores sobre demandas locais e projetos para a região.
O pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) participou, neste domingo (17), da posse da nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STR) de Bom Jardim, no Agreste pernambucano. O evento reuniu lideranças políticas e trabalhadores rurais na sede da entidade, fundada em 1965 e historicamente ligada às agendas dos ex-governadores Miguel Arraes e Eduardo Campos no município.
Durante o discurso, João Campos criticou a atual gestão estadual e afirmou que pretende ampliar ações voltadas à população do interior. “Se quem está hoje no Governo do Estado não dá conta de fazer as coisas, não bota água em Bom Jardim, não entrega creche, não faz uma UPA, pode deixar que eu sei fazer”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Vamos sair daqui com uma tarefa de casa: dizer nos quatro cantos deste estado que o povo vai voltar a mandar em Pernambuco”.
O pré-candidato também afirmou que pretende levar para o âmbito estadual um modelo inspirado no programa Embarque Digital, criado na Prefeitura do Recife. Segundo ele, a ideia é integrar a formação em tecnologia ao programa Chapéu de Palha, voltado a trabalhadores rurais. “Eu vou querer vincular o Chapéu de Palha à formação gratuita para que os filhos de vocês possam estudar tecnologia e trabalhar em qualquer lugar do mundo”, afirmou.
A solenidade também marcou a entrega do título de cidadão de Bom Jardim a João Campos, por iniciativa do vereador Ninha de Tuquinha (PDT). O ato contou ainda com homenagens à dirigente sindical Poliana Vasconcelos, falecida no fim de abril, e teve a participação do pré-candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), do deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB), do deputado estadual Rodrigo Farias (PSB), da vereadora Ana Nery (União Brasil) e de lideranças locais.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já recebeu 59 representações eleitorais de janeiro a abril de 2026. Destas, 26 foram protocoladas diretamente pelo Partido Liberal (PL) e 21 pelo PT (Partido dos Trabalhadores) por meio da Federação Brasileira da Esperança (federação partidária brasileira formada em 2022 pelo PT, Partido Comunista do Brasil e Partido Verde).
A título de comparação, no mesmo período nas eleições de 2022, o TSE recebeu apenas 14 representações. Destas, 8 foram autuadas diretamente pelo PT e 1 pelo PL. As informações são do g1.
Os novos números mostram o início de uma batalha judicial no período pré-eleitoral e o registro de ações como estratégia política. Mais de 90% dos processos deste ano têm como assunto principal temas e episódios relacionados à propaganda eleitoral antecipada, ou seja, à prática de pedido explícito de votos antes do início oficial das campanhas.
Leia maisPropaganda eleitoral antecipada
A propaganda eleitoral antecipada consiste na divulgação de mensagens, físicas ou digitais, com pedido explícito de votos, antes do início da campanha. É proibida pela lei brasileira. Para as eleições deste ano, o TSE definiu 16 de agosto como a data de início da campanha eleitoral. Em outras palavras, os candidatos só podem pedir voto explicitamente a partir deste dia.
Também é proibido impulsionar conteúdos nas redes sociais com críticas a candidatas e candidatos. A promoção paga de mensagens nas redes só é permitida durante o período oficial da campanha quando busca beneficiar as pessoas que disputam os cargos.
Uso de IA
Os dados do TSE de 2026 revelam uma nova faceta com a qual a Justiça Eleitoral precisará lidar: a inteligência artificial. Pelo menos 6 petições iniciais às quais o g1 obteve acesso têm o uso das plataformas de conteúdo sintético como assunto principal. Além disso, ao menos 24 fatos reportados ao TSE se deram nas redes sociais.
É o caso de um processo da Federação Brasileira da Esperança contra o PL por conta de um vídeo publicado nas redes do PL nacional em 9 de março deste ano. O conteúdo é uma paródia do seriado “A Grande Família”, rebatizada de “A Grande Quadrilha”. Segundo a petição inicial, o material usa deepfakes e imagens sintéticas para retratar o presidente Lula, a primeira-dama Janja Lula da Silva e Fábio Luís, filho de Lula, como integrantes de uma organização criminosa.
Na peça, a Federação classifica o vídeo como uma “arquitetura desinformacional” sem os rótulos obrigatórios de conteúdo sintético. Pede a remoção imediata e multa de até R$ 30 mil. Até a publicação desta reportagem, o vídeo ainda estava no ar. Há um indicativo na legenda de que o vídeo foi produzido com “recursos da IA”.
Outro caso relacionado ao uso da IA é o da “Dona Maria”, mulher negra, que aparenta ter entre 50 e 60 anos, e é uma personagem criada por IA pelo motorista de aplicativo Daniel Cristino. PT, PCdoB e PV alegaram ao TSE que o conteúdo não está claramente identificado como IA e que há veiculação de desinformação e falas descontextualizadas sobre políticos de esquerda. Pedem a suspensão de todos os perfis nas redes sociais associados à personagem.
Ministros do TSE ouvidos pelo g1 consideram que um dos maiores desafios do tribunal será monitorar e avaliar todo o conteúdo produzido, tendo em vista que as ferramentas são cada vez mais baratas e acessíveis.
Picanha 01, TH Joias e jogo de cartas
O tribunal já recebeu algumas peças inusitadas, como um processo do PT contra Flávio Bolsonaro e a empresa Frigorífico Goiás por causa de um corte de carne chamado “Picanha 01”. O rótulo do produto exibia a imagem do senador vestindo a faixa presidencial, com a bandeira e o brasão do Brasil. Foi divulgado no Instagram um vídeo com uma música de fundo intitulada “Zero Um, Capitão”, que afirma que Flávio será o “novo presidente”.
A federação do PT argumentou que o frigorífico é um estabelecimento comercial de “bem de uso comum”, onde a propaganda eleitoral é vedada. Sustenta, também, que um produto alimentício de consumo diário foi utilizado como veículo de campanha. A postagem, de dezembro de 2025, ainda estava disponível até a publicação desta reportagem.
Outro processo, desta vez, protocolado pelo PL, cita uma postagem feita em conjunto por diferentes usuários do Instagram com fotos de Flávio Bolsonaro ao lado de um homem, afirmando se tratar do criminoso conhecido como “TH Joias”, apontado como lavador de dinheiro do Comando Vermelho.
Segundo o documento, a pessoa na imagem é Gutenberg Guedes Lucinda, ex-funcionário da Alerj e atual assistente da Secretaria de Estado da Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro. A equipe jurídica da sigla afirma que as contas tentaram criar uma “proximidade artificial” com o crime organizado por meio desse erro deliberado. A imagem não está mais disponível nos perfis citados pela sigla.
O PL também protocolou uma representação contra um vídeo publicado e impulsionado pelo PT no Facebook e no Instagram. O material em questão mostra um jogo de cartas e foi compartilhado com a seguinte legenda: “Banco Master: quando você vira as cartas, os nomes aparecem”. Os advogados do partido afirmam que o conteúdo usa a linguagem visual de truques de mágica para sugerir escândalos financeiros e associar Flávio Bolsonaro a supostos lucros ilegais no “Bolsomaster”.
O PL contestou a peça, alegando que o uso de animações e trilhas de suspense cria uma “narrativa visual de ilicitude”, além de escrever que o impulsionamento da postagem é propaganda eleitoral negativa antecipada. O vídeo ainda está publicado no perfil do Facebook do PT.
Análise no TSE
Até agora, os únicos processos analisados em plenário pelo TSE tinham relação com o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no carnaval deste ano.
O tribunal rejeitou, por unanimidade, as liminares do Partido Novo e do Partido Missão, que pediam a condenação de Lula, do PT e da escola de samba por propaganda eleitoral antecipada.
O Novo também havia solicitado a aplicação de uma multa de R$ 9,65 milhões, e o Missão tinha requerido a proibição do compartilhamento de imagens do desfile nas redes sociais do Lula e do PT e na propaganda eleitoral.
Todos os 59 processos deste ano são relatados pela ministra Estela Aranha, jurista indicada ao TSE por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em julho de 2025. Ela foi designada juíza auxiliar para as eleições de 2026 pela então presidente do TSE Cármen Lúcia em dezembro do ano passado, ao lado da ministra substituta Vera Lúcia Santana Araújo.
O cargo, previsto pela Lei de Eleições, é responsável pela análise de reclamações e representações que giram em torno da eleição presidencial. Os documentos podem ser apresentados por partidos políticos, coligações ou candidatos. As decisões dos juízes auxiliares podem ser questionadas por recursos, que devem ser analisados no plenário do tribunal.
Como o mandato de Vera Lúcia acabou em fevereiro deste ano, Aranha é a única magistrada encarregada de analisar reclamações e representações relacionadas à eleição presidencial neste momento. O ministro Nunes Marques, que assumiu a presidência do TSE na terça-feira (12), deve indicar mais nomes para a função.
O tribunal ainda discute internamente as diretrizes que irão nortear as futuras decisões da magistrada. A Justiça Eleitoral deve começar a analisar os casos em volume mais para frente, conforme a data do pleito se aproxima. Em 2022, o plenário do TSE começou a debater as representações eleitorais em julho.
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O presidente Lula (PT) disse a aliados que deverá reenviar ao Senado o nome de Jorge Messias para a vaga do STF (Supremo Tribunal Federal), mesmo após a Casa rejeitar a indicação do advogado-geral da União.
Segundo pessoas próximas, o petista quer reafirmar que a escolha é uma prerrogativa do presidente da República. Em conversas, ele também diz ter consciência de que o Senado não impôs uma derrota pessoal a Messias, mas a seu governo. As informações são da Folha de S. Paulo
Leia maisA expectativa é de que o chefe do Executivo reencaminhe o nome antes das eleições de outubro. Aos ministros e articuladores políticos com os quais conversou, Lula afirmou que não há justificativa técnica para a rejeição e que Messias não a merecia.
Esses aliados dizem que, após assistir aos destaques da sabatina de Messias, Lula reforçou a avaliação de que o chefe da AGU está preparado para a função.
Pessoas próximas a Lula afirmam que episódios como o gesto de desagravo a Messias durante a posse do novo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde foi fortemente aplaudido, reforçaram a credibilidade do AGU aos olhos do presidente.
A homenagem a Messias no TSE foi ignorada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), destoando de outros integrantes da mesa oficial da posse do ministro Kassio Nunes Marques. Durante a solenidade, Lula quase não trocou palavras com Alcolumbre, em uma demonstração do clima entre os dois.
Pessoas próximas relataram que o advogado-geral ficou recluso após ter o nome rejeitado pelo Senado e disse ter intenção de deixar o governo.
Lula, no entanto, recomendou que ele não tomasse decisão no calor da derrota. Messias entrou de férias no dia 13 de maio, e seu retorno está previsto para o próximo dia 25.
Na AGU (Advocacia-Geral da União), há quem avalie que, caso ele permaneça no cargo, haverá constrangimento nas tratativas dos interesses da União com o STF, frente à oposição a seu nome por parte de alguns integrantes da corte.
Aliados de Lula apostavam no nome de Messias para assumir o Ministério da Justiça num cenário de divisão da pasta –o presidente já disse ter intenção de rachar o ministério em dois (um de Justiça e outro para a Segurança Pública) caso a PEC da Segurança seja aprovada pelo Congresso.
Lula chegou a cogitar a indicação de uma mulher para a vaga no STF, inclusive sob pressão de aliados do PT. Para líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), além da questão da representatividade, a escolha por uma ministra traria um menor risco de rejeição neste momento.
Articulação política sem mudanças
O episódio representou um problema na articulação política da gestão petista com o Congresso, uma vez que o número de votos favoráveis a Messias foi menor do que havia sido previsto pelos líderes do governo. Apesar disso, Lula disse a aliados que não pretende fazer mudanças na equipe de articulação política, mesmo com a rejeição inédita. Para ele, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi traído.
O presidente também não deve abrir mão de José Guimarães (Relações Institucionais), representante do governo na articulação política com o Congresso.
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O pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) participou, neste domingo (17), de agendas em Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte, onde afirmou que pretende “juntar o povo de Pernambuco” em torno de seu projeto político para o Estado. A visita ocorreu durante as comemorações pelos 193 anos de emancipação política do município e reuniu lideranças locais de diferentes grupos políticos, entre elas o ex-prefeito Nino, o ex-vice-prefeito Pereira do Sindicato (PSB) e o vice-prefeito Rostand Negromonte (Podemos).
A primeira agenda do socialista foi na sede do Maracatu Águia Misteriosa, onde foi recebido pelo mestre Veronildo. Em seguida, João Campos visitou a Associação das Mulheres de Nazaré da Mata (Amunam), acompanhado da fundadora da entidade, Eliane Rodrigues. O pré-candidato também participou de encontro no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Nazaré da Mata, Tracunhaém e Buenos Aires, onde falou sobre propostas voltadas ao homem e à mulher do campo.
Durante o discurso, João Campos afirmou que pretende criar uma modalidade do programa Chapéu de Palha voltada à formação em tecnologia para jovens de famílias rurais, inspirada no programa Embarque Digital. “Mais importante do que juntar a política, vamos juntar o povo”, declarou. Ele também afirmou que seguirá ao lado dos trabalhadores em disputas políticas e sociais. “Se o trabalhador estiver na luta, estarei do lado dele”, disse.
A agenda em Nazaré da Mata foi acompanhada pelo pré-candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), pela pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT), pela deputada Tabata Amaral (PSB) e pelos deputados Lucas Ramos (PSB), Silvio Costa Filho (Republicanos), Pedro Campos (PSB) e Sileno Guedes (PSB), além de vereadores, ex-prefeitos e lideranças da Mata Norte.
Em sua primeira entrevista à imprensa desde o encontro com Donald Trump no início de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descreveu sua estratégia de aproximação com o americano como deliberada e pragmática e rechaçou qualquer leitura de que ela implique submissão ao americano.
Falando ao jornal Wasghinton Post, Lula relembra que a reunião no dia 7 de maio na Casa Branca começou com o presidente dos Estados Unidos o guiando pela galeria de retratos presidenciais. Diante das fotos com expressão fechada, Lula perguntou ao americano, em tom de brincadeira, se ele não sabe sorrir. Trump respondeu que eleitores preferem líderes com ar sério. “Só durante a eleição”, retrucou Lula. “Agora que você está governando, pode sorrir um pouco. A vida fica mais leve quando a gente sorri.”
Leia maisLula resumiu sua lógica da aproximação com o americano: “Se consegui fazer Trump rir, posso conseguir outras coisas também. Você não pode simplesmente desistir.”
Lula deixou evidentes a Trump suas discordâncias. “Trump sabe que sou contra a guerra com o Irã, que discordo de sua intervenção na Venezuela e que condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, afirmou. Mas fez questão de separar divergência política de relação entre Estados. “Minhas discordâncias políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui.”
O respeito é palavra-chave segundo Lula. Foi justamente a falta dele, avalia, que levou à crise do ano passado, quando Trump impôs tarifas a exportações brasileiras e sanções a autoridades do país em meio à pressão pelo processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula ainda afirmou que não pretende disputar com o ex-presidente o afeto de Trump. “Nunca pediria a Trump que não gostasse de Bolsonaro. Esse é problema dele”, afirmou. Para Lula, a boa relação com Washington serve, entre outras coisas, para desmentir o que chama de “falsidades” sobre o Brasil —narrativa que, segundo ele, alimentou as pressões americanas de 2025, impulsionadas por Eduardo Bolsonaro. “Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso.”
Em meio às sanções, Lula resistiu publicamente, sem romper o diálogo —e atribui essa postura a um ensinamento de sua mãe, dona Lindu, que era analfabeta. “Quem abaixa a cabeça pode não conseguir mais erguê-la. O Brasil tem muito orgulho do que é. Não temos que nos curvar a ninguém.”
Desde então, os dois se encontraram em setembro, na Assembleia-Geral da ONU, e falaram por telefone quatro vezes. Trump amenizou tarifas, suspendeu sanções e passou a elogiar o brasileiro, chamando-o de “dinâmico” e “inteligente”. Para Lula, os benefícios domésticos também apareceram: uma pesquisa realizada após a visita à Casa Branca mostrou que 60% dos brasileiros avaliaram o encontro como “bom para o Brasil”.
Na reunião, Lula entregou a Trump uma cópia do acordo nuclear negociado em 2010 por Brasil e Turquia com o Irã —rejeitado à época por Washington e pela União Europeia. Queria mostrar, disse, que “não é verdade que o Irã está tentando novamente construir uma bomba atômica”. Trump disse que leria o documento. Lula se ofereceu para ajudar a facilitar um diálogo, mas os dois não avançaram em passos concretos.
Reforçando sua aspiração por um papel de mediador global, Lula também tratou de Cuba. O brasileiro pediu ao americano que levante o bloqueio econômico à ilha e defendeu que o regime cubano, ao contrário do venezuelano, está disposto ao diálogo. “Cuba precisa de uma chance”, disse.
Para Lula, a diferença em relação à Venezuela —que teve seu ditador, Nicolás Maduro, deposto por forças americanas— é justamente essa abertura: “O que sei é que, se os Estados Unidos abrirem uma mesa de negociação, não baseada em imposições, Cuba vai participar.” Trump, segundo Lula, respondeu que não pretendia invadir a ilha.
Sobre a América Latina, Lula fez um alerta direto a Washington, citando a expansão chinesa na região. “A China descobriu e entrou na América Latina. Hoje, meu comércio com a China é duas vezes maior do que com os Estados Unidos. E isso não é preferência do Brasil.” Segundo ele, “se os Estados Unidos querem ir para a frente da fila, ótimo. Mas têm que querer.”
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A pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) recebeu, nesta sexta-feira (15), ao lado do prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), e do pré-candidato a vice-governador Carlos Costa, uma homenagem do Maracatu de Baque Solto Feminino Coração Nazareno, em Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte. Durante a cerimônia, o grupo entregou aos políticos a tradicional gola utilizada pelos Caboclos de Lança, símbolo do maracatu rural pernambucano. O evento reuniu lideranças políticas e representantes da cultura popular da região.
Ao comentar a homenagem, Marília destacou a relação entre cultura popular e desenvolvimento social. “A Cultura é uma das mais potentes ferramentas sociais que existem. Através dela promovemos cidadania, educação, renda, turismo e pertencimento”, afirmou. A pré-candidata também mencionou sua atuação em iniciativas voltadas ao setor cultural, como a coautoria das Leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo.
Após a cerimônia, os pré-candidatos visitaram a sede do Maracatu Águia Misteriosa, comandado pelo Mestre Veronildo. A agenda em Nazaré da Mata também incluiu um encontro com filiados no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais. Em seguida, a comitiva seguiu para Xexéu, na Mata Sul, onde participou de atividade política com aliados do deputado estadual Júnior Matuto (PSB).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista ao The Washington Post divulgada neste sábado (17), que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, “sabe” que ele é “melhor que [Jair] Bolsonaro”. O chefe do Executivo brasileiro ainda comentou sobre o último encontro entre eles na Casa Branca, além de temas da política internacional.
“Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Esse é um problema dele. Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso.” As informações são da CNN.
Leia maisLula ainda relatou que usou do bom humor durante o encontro com Trump na Casa Branca, realizado no último dia 7 de maio, em Washington. Ao comentar sobre retratos do presidente americano expostos no local, o petista disse ter brincado com o republicano sobre sua expressão séria.
“Se eu consegui fazer Trump rir, posso alcançar outras coisas também. Não dá para simplesmente desistir”, afirmou.
O encontro entre os dois durou cerca de três horas e foi considerado positivo por integrantes do governo brasileiro. Na ocasião, Lula e Trump discutiram temas como tarifas comerciais, investimentos em minerais críticos e cooperação no combate ao crime organizado. Após a reunião, Trump classificou Lula como um presidente “dinâmico” e afirmou que a conversa foi “muito produtiva”.
Ao Washington Post, o petista ressaltou que sua estratégia diplomática é pautada pela defesa da soberania nacional e pela recusa em adotar uma postura submissa diante dos Estados Unidos.
“Quem abaixa a cabeça talvez não consiga erguê-la novamente. O Brasil tem muito orgulho do que é. Não precisamos nos curvar a ninguém”, disse Lula.
O presidente enfatizou ainda que mantém divergências com o líder dos Estados Unidos, mas afirmou que isso não compromete a relação entre os dois como chefes de Estado.
“Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina. Mas minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, declarou o brasileiro.
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POR MARCONDES BRITO – FUTEBOL ETC
Zé Antônio partiu neste domingo e levou com ele um pedaço importante da memória afetiva de muitos jornalistas de Brasília. Para mim, levou também um pedaço da minha própria história.
Nós tínhamos praticamente a mesma idade. Chegamos a Brasília mais ou menos no mesmo período, na década de 1980, eu vindo da Paraíba, ele vindo do Rio de Janeiro. Era português da gema, mas com um jeito carioca impossível de definir sem um sorriso no rosto. Zé Antônio era desses sujeitos raros que transformavam qualquer roda em um espetáculo de ironia e humor. Era impossível ficar perto dele sem rir. Mais impossível ainda esquecê-lo.
Leia maisConvivemos durante muitos anos na redação do Correio Braziliense. Ele começou como repórter, eu como redator. Mais tarde, quando virei editor de esportes, uma das primeiras decisões que tomei foi colocá-lo como subeditor. Não por amizade, mas porque Zé Antônio tinha um talento raro para enxergar notícia. Tinha faro, sensibilidade, rapidez de raciocínio e uma visão de jornalismo que poucos profissionais possuem.
A cobertura que fizemos juntos da Copa do Mundo da Itália, em 1990 (foto em destaque), permanece viva na minha memória como uma das experiências mais marcantes da minha vida profissional. Foram dias intensos, engraçados, históricos. E Zé Antônio fazia tudo ganhar uma dimensão mais leve, mais humana, mais divertida.
No grupo de jornalistas “Filhos da Pauta”, do qual participávamos, sua presença continuava sendo uma alegria. Bastava aparecer uma mensagem dele para o ambiente mudar. Era como voltar instantaneamente à velha redação do Correio, às gargalhadas, às tiradas inteligentes, ao jeito absolutamente único que ele tinha de olhar a vida.
Embora soubéssemos do sofrimento que ele enfrentava na UTI, lutando contra um câncer, a gente nunca está preparado para perder um amigo verdadeiro. Quando Eneila Reis, a 00h09min deste domingo, postou a notícia, foi um choque para todos nós. Hoje o jornalismo brasileiro perde um profissional brilhante. E eu perco um companheiro de estrada, de redação e de vida. Estou triste. Muito triste.
Mas também profundamente agradecido por ter tido a sorte de conviver com José Antônio Rebelo Alves. Um amigo inesquecível.
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Fui tomar um café da manhã no Atlante Plaza, há pouco, com meu amigo José Maria Trindade, da Jovem Pan, que veio para o jantar dos 20 anos do blog, e olha com quem me deparo: o grande Renato Aragão, 91 anos, lenda viva do humor brasileiro.
Ele veio ao Recife para participar do 1º Show dos Jovens, no Geraldão, ocorrido ontem. Foi um evento de celebração da fé, da música e da solidariedade, contando com a presença de sua filha, Lívian Aragão.
Leia maisRenato Aragão foi uma das atrações especiais do Show dos Jovens, evento da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O artista foi recepcionado por figuras locais, incluindo o ex-prefeito João Campos.
O evento marcou momentos de solidariedade e integração, com arrecadação de alimentos. Renato foi elogiado pela sua presença carismática e por manter o carinho com o público. A agenda cultural indicava grande movimentação no Recife, mas a presença de Renato Aragão ficou restrita ao evento do Geraldão ao longo do dia de ontem.
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O tempo voa! Parece que foi ontem que promovi um café da manhã na Sal e Brasa, quando funcionava no Pina, para anunciar o start do blog. Ali, em meio a uma mesa bem comprida e recheada de frutas, estavam apenas publicitários, marqueteiros e alguns colunistas.
Todos estupefatos, olhando nos meus olhos com ar de desconfiança. Senti que, no fundo, eles diziam: “Se o Magno já dava sinais de doido, agora não se tem mais dúvidas”. E eles tinham razão de sobra. Há 20 anos, a cultura de informação no Estado ainda prevalecia fortemente com o jornal impresso, o rádio e a televisão.
Arriscar um palpite empresarial fora dessa caixinha rotulada era mesmo uma loucura. Mas o tempo, que é o senhor da razão, foi mostrando que eu estava certo e os publicitários errados. Amanhã comemoro duas décadas de funcionamento ininterrupto do blog, com 2 milhões de acessos mensais, 10 milhões de contas alcançadas pelo Instagram e milhares de acessos também pelo Facebook e pelo X.
Leia maisCom a minha ousadia, o Nordeste virou um laboratório para o jornalismo digital, e Pernambuco talvez seja campeão em número de blogs entre os nove estados da Região. Resolvi fazer três eventos para comemorar uma data tão significativa, fruto de muita luta, obstinação e coragem. É como matar um leão todo dia, como diz um amigo que também foi extremamente descrente na largada do empreendimento.
O primeiro evento é o jantar de adesão, amanhã, a partir das 19 horas, no restaurante Sal e Brasa Jardins, na Avenida Rui Barbosa. O evento já está esgotado. Planejado para apenas 300 pessoas, devido às restrições de espaço do ambiente, as pulseiras de acesso estão disponíveis com a cerimonialista Branca Góes. Quem adquiriu e ainda não retirou, favor contactar pelo número (81)999736095.
Será uma noitada bem especial e com muita música também. Vários artistas passarão por lá para homenagear o blog e dar uma “canjinha”, entre eles, Alcymar Monteiro, Maciel Melo, Petrúcio Amorim, Almir Rouche, Josildo Sá, André Rio, Fabiana Pimentinha, Cristina Amaral, Irah Caldeira, Walquiria Mendes e Novinho da Paraíba.
Todos sob a batuta do meu amigo Renato Bandeira. Renatinho, como é tratado pelos colegas de profissão e amigos mais próximos, é violonista, guitarrista, arranjador e produtor musical, reconhecido pela versatilidade na MPB e música instrumental.
Integrante da Spok Frevo Orquestra, acompanhou grandes nomes como Dominguinhos e Gal Costa, destacando-se no frevo e no jazz. Atua também em projetos como o “Renato Bandeira Trio” e “Som de Madeira”. Desenvolve ainda projetos intimistas, como o show “Buarque-se” com Marina Duarte, e lidera seu próprio trio de jazz.
Renatinho também é comentarista do Sextou, programa musical que apresento pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife.
O segundo será o 1º Forró do Magno, no Sesc, em Arcoverde, dia 13 de junho, a partir do meio-dia, animado pela super Oara e a participação de vários artistas, entre eles, meu amigo Maciel Melo. As mesas já estão disponíveis para venda através do número: (81)99973 6095. Além da Super Oara e do sensacional Maciel Melo, outros artistas passarão por lá para cantar e homenagear o blog.
Haverá, por fim, um terceiro evento para fechar as festividades dos 20 anos em alto astral: um jantar de adesão em Brasília. A ideia era promover logo em seguida ao forró de Arcoverde, mas Brasília fica esvaziada em junho, em seguida vem o recesso de julho. Em razão disso, ficou agendado para 11 de agosto.
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Por Arnaldo Santos*
Após a aprovação da Lei 14.026/2020, o setor de saneamento no Brasil passou por um ciclo relevante de concessões, PPPs e privatizações que, somados, movimentaram cerca de R$ 60 bilhões em pagamentos antecipados, sendo aproximadamente R$ 41 bilhões em outorgas e R$ 19 bilhões em privatizações.
As outorgas correspondem aos valores pagos pelas empresas privadas ao poder concedente, estados e municípios, para assumir a prestação dos serviços. Esses recursos foram destinados, em sua maior parte, aos governos estaduais e municipais, titulares dos serviços, sendo distribuídos conforme critérios estabelecidos em cada contrato.
Leia maisNa prática, observa-se que a utilização desses recursos teve predominância fiscal. Estados como Rio de Janeiro, Alagoas, Sergipe, Piauí, Pará e Pernambuco direcionaram as outorgas majoritariamente para reforço de caixa, pagamento de dívidas e equilíbrio financeiro, com pouco ou nenhum reinvestimento direto no setor de saneamento.
O caso mais emblemático foi a concessão da Cedae, no Rio de Janeiro, que gerou cerca de R$ 25 bilhões, com grande parte destinada ao ajuste fiscal do Estado. Os demais R$ 16 bilhões, dos R$ 41 bilhões em outorgas, distribuíram-se da seguinte forma:
• Sergipe: R$ 4,54 bilhões
• Pernambuco: R$ 4,22 bilhões
• Alagoas: R$ 3,65 bilhões
• Pará: R$ 1,83 bilhão
• Piauí: R$ 1,0 bilhão
• Amapá: R$ 930 milhões
Esse arranjo evidencia que, em muitos casos, os estados transferiram a operação dos ativos ao setor privado em troca de receitas imediatas, enquanto a tarifa paga pelos usuários passa a suportar tanto os investimentos futuros quanto a remuneração do capital privado investido nas outorgas e privatizações. Surge, assim, uma preocupação relevante quanto à capacidade de pagamento da população, à modicidade tarifária e ao impacto sobre o orçamento das famílias, especialmente em regiões de menor renda.
Nas privatizações, a destinação dos recursos parece distinta, mas eles vão para o mesmo destino: os valores são direcionados ao acionista vendedor, que, nesses casos, são os próprios Estados. A privatização da Corsan, no Rio Grande do Sul, gerou cerca de R$ 4,15 bilhões ao tesouro estadual.
No caso de São Paulo, a privatização da Sabesp apresentou uma estrutura híbrida, combinando oferta primária e secundária. Do total de aproximadamente R$ 14,8 bilhões, cerca de R$ 6,9 bilhões (46,6%) corresponderam à parcela primária, recursos destinados diretamente à companhia para financiamento de investimentos e apoio à universalização. A parcela restante foi composta por venda de ações do Estado, revertendo recursos ao governo estadual. Trata-se do único caso relevante em que uma fração expressiva dos recursos foi claramente direcionada para a expansão e melhoria dos sistemas.
No caso da concessão parcial da Dessal, os recursos obtidos por meio da outorga possuem destinação legal vinculada, conforme o art. 10, §10, da Lei Complementar nº 398/2023, devendo ser aplicados exclusivamente em investimentos em infraestrutura, projetos ambientalmente sustentáveis ou pagamento de precatórios, sendo vedado seu uso em despesas correntes. Contudo, é importante destacar que essa vinculação não implica obrigatoriedade em aplicação direta nos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, ainda que a outorga tenha origem na concessão desses serviços.
A problemática central decorre justamente dessa ausência de vinculação específica ao saneamento. O conceito amplo de investimento em infraestrutura permite que os recursos sejam direcionados a diversas áreas, enquanto a possibilidade de pagamento de precatórios afasta ainda mais sua aplicação de investimentos estruturantes no setor. Assim, evidencia-se uma dissociação entre a origem dos recursos e a sua destinação, o que pode limitar sua contribuição efetiva para a expansão e melhoria dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Diferentemente das concessões e privatizações, os modelos de PPP (Parcerias Público-Privadas), como os adotados no Ceará e no Paraná, não envolvem pagamento de outorga, o que altera significativamente a lógica financeira. Nesses casos, o fluxo é inverso: o poder público realiza pagamentos ao parceiro privado ao longo do contrato, mediante comprovação de investimentos e cumprimento de metas e não sobrecarrega a tarifa com outorgas.
Além disso, a manutenção do controle estatal permite maior flexibilidade, como:
• utilização de dividendos para subsidiar tarifas
• reinvestimento integral dos resultados
• modulação da taxa de retorno
Aspectos que, em geral, não são viáveis em estruturas plenamente privatizadas.
Como já demonstrado, outro ponto central é que os valores arrecadados com outorgas e privatizações não são, em regra, vinculados ao saneamento, ou seja, não retornam automaticamente para investimentos no setor. A universalização prevista pelo novo marco, que estabelece metas até 2033, depende essencialmente dos investimentos obrigatórios previstos nos contratos, estimados em mais de R$ 200 bilhões.
Em síntese, o ciclo pós-marco legal gerou um volume expressivo de recursos financeiros para os entes públicos, com predominância de uso fiscal, enquanto a expansão efetiva dos serviços está ancorada nos compromissos de investimento assumidos pelas concessionárias ao longo do tempo, e, como já visto nos dias atuais, os recursos dos investimentos estão vindo dos bancos públicos.
Isso mostra que o público não confia no público. Prefere e confia mais no privado, pois instituições como BNDES e fundos como FGTS estão emprestando dinheiro para fazer os investimentos no País. Por mais esquizofrênico que possa parecer, o Estado vende as concessões e companhias, muitas vezes alegando não ter recursos, atraindo o capital privado, mas na verdade emprestam o dinheiro público para o privado auferir lucro.
Entretanto, há uma questão estrutural relevante: a ausência de um sistema nacional consolidado de monitoramento desses investimentos e metas. Atualmente, o acompanhamento é fragmentado entre:
• agências reguladoras infranacionais
• Estados e Municípios (poder concedente)
• ANA – Agência Nacional de Água e Saneamento (padronização regulatória)
• Tribunais de Contas e Ministério Público (controle externo)
Esse arranjo dificulta uma visão integrada de cumprimento das metas de universalização, no País, o que impende observar a NR04 da ANA quanto à possibilidade de fiscalização local, com atenção à precariedade das ERIs, na fiscalização.
Nas PPPs há maior controle operacional, com fiscalização direta pelas companhias estatais, que realizam pagamentos apenas após validação de medições e metas. Contudo, essas informações nem sempre são amplamente acessíveis ao público. Ademais as PPPs não exoneram a exigência de cumprimento das metas pelas CESBs, mas, pelo contrário, acentua a necessidade de cobrança dos parceiros privados para não ocorrer em descumprimento da legislação por parte da contratante/Companhia.
Diante desse cenário, surge uma questão central: quem será responsável pelo acompanhamento nacional das metas de universalização até 2033? Com a diversidade de modelos institucionais e a fragmentação regulatória, a resposta não é trivial.
Já há indícios de desafios concretos. Um exemplo é o estado da Paraíba, cujo edital recente de PPP de esgotamento sanitário prevê universalização apenas até 2039, dentro das possibilidades legais previstas pela Lei 14.026/2020, em casos de inviabilidade econômico-financeira.
Outra questão relevante diz respeito aos mais de 1.500 municípios atendidos por autarquias e serviços municipais (SAAEs). Como é consabido, a responsabilidade pela universalização é do titular. Mas ainda não há uma estratégia nacional clara para viabilizar a universalização nesses casos, especialmente considerando as limitações fiscais municipais e a menor capacidade de investimento.
Enquanto companhias estaduais, muitas estruturadas como sociedades de economia mista e, em alguns casos, com capital aberto, já enfrentam restrições relevantes, a situação das autarquias municipais é ainda mais desafiadora.
Por outro lado, há experiências positivas em andamento. O Ceará, por exemplo, vem avançando na universalização dos serviços operados pela Cagece, com dois contratos de PPP já implementados nas regiões metropolitanas de Fortaleza e Cariri, atendendo cerca de 4,3 milhões de pessoas e prevendo investimentos superiores a R$ 6,2 bilhões.
Adicionalmente, está previsto novo leilão na B3, em 30 de junho, para contratação de parceiros privados em 127 municípios, distribuídos em cinco blocos, com previsão de investimentos da ordem de R$ 7 bilhões em sistemas de esgotamento sanitário.
Por fim, é importante reconhecer que, especialmente nos municípios do interior e em regiões de menor renda, onde grande parte da população recebe até dois salários mínimos, a universalização até 2033 se mostra desafiadora. Nesses casos, o prazo até 2039, embora permitido legalmente, tende a ser uma alternativa mais realista.
Universalizar o saneamento não é apenas cumprir contratos, é garantir que o modelo escolhido seja socialmente justo, economicamente sustentável e institucionalmente responsável.
*Jornalista, sociólogo e doutor em Ciências Políticas
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