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Por João Neto
Minha última coluna, Sergipe 2030, foi sobre o futuro de Sergipe.
Já essa é sobre história sergipana. Porque um povo que não conhece e valoriza seu passado não tem futuro e está condenado a repetir os erros geração após geração!
Escrevi esse texto na esperança que ele ajude a despertar nos sergipanos (e também nos brasileiros) o orgulho de sua terra – um sentimento que eu também tenho.
Leia maisEntrando no assunto propriamente dito, em 15 e 16/8/1942, o submarino nazista U-507 torpedeou e afundou três navios que navegavam na costa sergipana: o Baependi, o Araraquara e o Aníbal Benévolo.
O ataque matou mais de 600 pessoas, incluindo mulheres e crianças.
Não há dúvida de que foram os nazistas os autores, como confirmado pelo diário de bordo do capitão-de-corveta Harro Schacht, cuja cópia foi encontrada após o fim da guerra pelas Forças Aliadas nos arquivos centrais do alto-comando alemão. Cópia porque o original afundou com o submarino em 13/1/1943 na costa do Ceará, alvejado pelo avião militar americano PBY-5 Catalina, afogando o seu capitão e todos os 54 tripulantes.
Os destroços dos três navios jamais foram encontrados, embora tenha havido um recente esforço em 2023 pelo Laboratório de Arqueologia da UFS, conforme mostra o documentário “A Segunda Guerra Submersa”, disponível no Youtube.
À época, o Brasil não estava em guerra com os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), mas havia rompido relações diplomáticas com eles desde janeiro de 1942, após o ataque japonês a Pearl Harbor, no arquipélago americano do Havaí, em dezembro de 1941.
Com a reação americana ao ataque japonês e a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, o seu presidente Franklin Roosevelt exigiu do presidente-ditador Brasileiro, Getúlio Vargas, o uso do Norte e Nordeste do Brasil para instalar bases militares e, a partir destas, apoiar o esforço de guerra na África – por ser o ponto das Américas mais próximo do continente africano.
Roosevelt também tinha o receio de que a Alemanha invadisse o Brasil e fizesse dele uma base para toda a América do Sul, considerando que o Brasil tinha muitos membros dos Partidos Nazista (o maior depois da Alemanha, incrivelmente) e Fascista, além de muitos simpatizantes dentro do Governo Getúlio Vargas, inclusive no Alto Comando Militar.
Uma prova inconteste dessa influência nazifascista no Brasil é que centenas de brasileiros foram lutar na Europa do lado da Alemanha e Itália antes de o Brasil entrar na guerra, a maioria filhos de imigrantes, sendo o mais famoso deles Egon Albrecht, nascido em Curitiba, que lutou como piloto da Luftwaffe (a Força Aérea Alemã). Este inclusive foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, uma das mais altas honrarias militares nazistas. Morreu em combate em agosto de 1944 na França.
Foi preparado até um plano americano para invadir o Nordeste caso Getúlio Vargas não aceitasse as bases na região: o Plan Rubber (Plano Borracha).
Getúlio vinha tentando desde 1939 não entrar no conflito e vinha tendo sucesso nisso, como tiveram os Ditadores de Portugal e da Espanha, respectivamente Salazar e Franco.
Após Pearl Harbor, porém, não deu mais.
Getúlio Vargas então negociou com Roosevelt a criação da primeira siderúrgica do Brasil (a CSN) e autorizou as bases.
Dessa forma, foram instaladas bases militares norte-americanas em Natal, Recife, Fernando de Noronha, Salvador, Fortaleza, São Luís, Belém, Amapá, e pontos de apoio em Maceió e no Rio de Janeiro.
A de Natal foi a maior base americana fora dos EUA durante a guerra, conhecida como “Trampolim da Vitória”, e chegou a abrigar mais de 10 mil militares americanos.
Hitler e Mussolini, enfurecidos, deram ordens para afundar navios mercantes brasileiros que levavam matéria prima para os EUA e para a Europa (foram 15 navios afundados até agosto de 1942), mas, mesmo assim, Getúlio Vargas não declarou guerra.
Então Hitler planejou dar um susto nos brasileiros para levar o povo a pressionar Getúlio a não se aliar aos EUA ou apenas como retaliação (não se tem certeza).
Por que o ataque em Sergipe?
Porque era o local mais desprotegido da costa nordestina, e bastante movimentado, com muitos alvos possíveis. Devido às bases americanas supracitadas, um submarino alemão poderia ser localizado e afundado antes de qualquer ação em outras regiões (como o U-507 foi poucos meses depois).
Veio, então, o terror: nos três ataques na costa sergipana, só 51 pessoas sobreviveram.
A reação do povo sergipano foi, primeiro, resgatar os sobreviventes e cuidar deles nos hospitais de Estância (Amparo de Maria) e Aracaju (Cirurgia), além de recolher e enterrar dignamente os mortos (no cemitério dos Náufragos, em Aracaju).
Para isso, envolveu-se a população civil: pilotos do Aeroclube de Sergipe, médicos, enfermeiros, pescadores, empresários – como Júlio César Leite, de Estância, que mandou sua maior lancha ao local para resgatar sobreviventes – e até populares, como o então adolescente Zé Peixe, com 15 anos à época.
As imagens dos corpos foram divulgadas por muitos jornais e revistas brasileiros e comoveram o país, mesmo com a censura existente na época.
Quando as vi, para escrever este texto, chorei. São muito fortes.
O Governador de Sergipe de então, o Interventor Coronel Augusto Maynard – líder de revolta tenentista de 1924 – exerceu o papel de conter a revolta popular.
As massas, lideradas por estudantes, foram para as ruas em transe coletivo exigindo a entrada do Brasil na guerra e a punição aos nazistas. Invadiram lojas e casas de alemães, italianos e japoneses, suspeitos de serem espiões. Também membros do partido Integralista, de orientação fascista, foram perseguidos nas ruas.
Inspirados pela reação altiva sergipana, em Salvador – de onde era originária parte das vítimas – aconteceram manifestações semelhantes. Até porque o submarino U-507, em 17/8/1942, afundou também três embarcações na costa baiana, o Itagiba, o Arará e a barcaça Jacyra, matando mais 56 pessoas.
Em seguida os protestos se espalharam pelo Brasil: São Paulo, Recife, Porto Alegre e Rio de Janeiro
Foram as maiores manifestações populares da história do país até então.
Getúlio Vargas, temendo uma crise interna sem precedentes caso não desse uma resposta à altura, declarou a guerra à Alemanha e seus aliados no dia 31 de agosto, na forma do Decreto-lei 10.358.
O tiro de Hitler saiu pela culatra, pois a reação do bravo povo sergipano foi de ir à luta, sem medo, inspirando o restante do país!
Até o fim da guerra, Aracaju viveu como uma cidade sitiada, com toque de recolher noturno, todas as luzes apagadas à noite (para não dar pistas para novos ataques) e racionamento de comida e combustí
A FEB (Força Expedicionária Brasileira) foi formada, mas demorou dois anos para enviar soldados para a Europa – tanto que o povo começou a dizer “É mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil ir para a guerra”. A FEB então adotou como símbolo uma cobra fumando e chegou na Europa em julho de 1944.
Isso teve uma razão: primeiro as Forças Armadas do Brasil trataram de proteger o litoral brasileiro, com a ajuda os norte-americanos, para não sofrer mais ataques. Até o fim de 1943, os submarinos alemães e italianos que aterrorizavam nosso litoral foram dizimados, sendo afundados doze deles.
Iniciada a atuação na Europa, quase 26 mil soldados (pracinhas) brasileiros foram lutar no continente, dentre os quais 300 sergipanos. Destes 300, destacaram-se quatro grandes heróis:
1 – Sargento Zacarias Izidoro: recebeu a Silver Star, medalha do governo americano, por bravura em combate, além da Medalha Sangue do Brasil;
2 – General Walter Paes: na época Capitão, foi essencial na vitória do Monte Castelo e depois autor do clássico militar A Lenda Azul, uma das principais fontes sobre a atuação da FEB na Segunda Guerra;
3 – O tenente Aviador Aurélio Sampaio: morto em combate na Itália em 22/1/1945, aos 21 anos, na sua 16ª missão, condecorado com a Cruz de Bravura;
4 – O Jornalista Joel Silveira: correspondente de guerra que ia para a linha de tiro, correndo risco de vida com grande coragem, e que foi homenageado ao dar nome à ponte do Mosqueiro, em Aracaju;
Destaque: só o Brasil enviou homens para lutar na Segunda Guerra na Europa em toda a América Latina!
E a FEB atuou em várias vitórias decisivas, como nas batalhas de Monte Castelo, de Montese e de Fornovo di Taro. Perdeu 451 homens, abateu mais de 1500 inimigos e fez 20 mil prisioneiros de guerra!
Na Praça dos Expedicionários, no bairro Getúlio Vargas, em Aracaju, existe um memorial com os nomes dos 300 combatentes sergipanos.
Para quem não sabe, o Brasil é considerado estratégico e decisivo para a vitória Aliada na Segunda Guerra Mundial, não só pela atuação da FEB na Europa, mas também pelas bases militares americanas supracitadas no país e pelo fornecimento de matérias primas críticas aos Aliados (borracha, ferro, manganês, quartzo e bauxita, entre outras) pela nossa Marinha Mercante.
O que me intriga é:
Como uma história dessas ainda não virou filme, série, novela, romance de grande sucesso, enquanto o ataque de Pearl Harbor, nos EUA, já rendeu dezenas de produções?
Em outubro de 2025, saiu na imprensa sergipana a notícia de que o filme Corações Naufragados, sobre os fatos acima relatados, iria estrear, com grande elenco, como o ator Dalton Vigh, Daniel de Oliveira, Olívia Torres e outros, dentre os quais 40 atores sergipanos. A previsão é que isso ocorra até o fim de 2026.
Também li há pouco tempo que o Governo do Estado vai construir o Museu dos Náufragos, com projeto do Arquiteto Ézio Déda, em local a ser definido, provavelmente na Orla de Aracaju. Data de início e conclusão, não consegui apurar.
Espero que esses dois projetos se tornem realidade e essa memória única no Brasil seja resgatada!
Vou além: na minha modesta visão, essa história merece um Parque temático com réplicas reais dos navios afundados, do submarino atacante, um memorial com as fotos de todos os mortos e todos os sergipanos que participaram do resgate dos sobreviventes e enterro dos mortos, os nomes dos líderes das manifestações populares que tomaram as ruas, os nomes dos estrangeiros que tiveram suas casas e lojas atacadas (muitos dos quais foram presos e posteriormente inocentados), entre outras informações.
Por que não?
Em Santa Catarina, em julho deste ano foi aberto o Bravura Park, maior parque temático militar da América Latina, com investimento estimado em 100 milhões de reais.
Concluindo, nós, sergipanos, devemos ter orgulho de nosso passado de gente valente, que se manifestou não só nestes episódios relatados, mas em muitos outros ao longo da nossa história: na Revolta tenentista de 1924, na Revolta de Fausto Cardoso em 1906, na Guerra de Canudos em 1896-1897, nas Guerras de independência do Brasil entre 1822-1824, na Guerra Cisplatina entre 1825 e 1828 (ao redor de 600 sergipanos foram lá lutar), no apoio ao Império Brasileiro durante as Revoltas de 1817 e 1824 em Pernambuco, na Revolta de Santo Amaro em 1836, na Guerra do Paraguai (com o envio de quase três mil sergipanos entre 1865-1870), na luta contra o Cangaço na década de 1930 e a consequente morte de Lampião e Maria Bonita em 1938 em Sergipe, entre tantas outras ocasiões.
E devemos também usar esse passado para incrementar o turismo, pois Aracaju viveu a tragédia da Segunda Guerra como nenhuma outra cidade brasileira.
E como sergipano, pesquisando o tema, aumentou também meu orgulho de ser brasileiro, pois talvez sem o Brasil juntos aos Aliados o desfecho da guerra poderia ser diferente, como expliquei acima.
Somos valentes! Saibamos também usar nossa história com sabedoria!
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O candidato ao Senado e deputado federal Eduardo da Fonte (PP) teve aprovado, por unanimidade, pela Câmara de Vereadores de Ipojuca, ontem, o Título de Cidadão de Ipojuca. A honraria reconhece a trajetória e a forte ligação do parlamentar com o município, onde recebeu 9.600 votos em sua primeira eleição, em 2006, e construiu expressivas votações ao longo dos anos. A entrega do título será realizada em data ainda a ser definida.
Ao longo de sua trajetória na Câmara dos Deputados, Eduardo da Fonte já destinou R$ 2,7 milhões em emendas parlamentares para Ipojuca, contribuindo para o desenvolvimento do município em áreas como saúde e esportes. O reconhecimento reforça a relação construída com a cidade e o trabalho realizado em favor da população.
“É uma alegria imensa receber esse reconhecimento. Sou muito feliz em ser filho de Ipojuca e quero representar essa gente querida no Senado Federal. Essa homenagem aumenta ainda mais a minha responsabilidade de continuar trabalhando por Ipojuca e por Pernambuco”, afirmou.
As redes sociais deste blog, mais lido e pioneiro no Nordeste, continuam de vento em popa, registrando um dos maiores crescimentos no País. No Instagram, o recorde de 10 milhões de contas alcançadas, há dois meses, já foi batido neste mês, com o acréscimo de mais de dois milhões, chegando a 12 milhões de contas alcançadas em apenas 30 dias.
Quem sabe, faz a hora, não espera o dia amanhecer! Se você ainda não nos segue nas redes anote nossos endereços e seja mais um a ficar bem-informado de tudo nos bastidores da política e do poder:
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Por Jovino Filho*
Casas lotéricas atualmente são espaços de cidadania. Prestam serviços de utilidade pública à população. Mas lamentável é reconhecer que as lotéricas e seus concessionários, os empresários lotéricos, são tratados com descaso pelos agentes públicos – a saber, os permissionários deste serviço, no caso os Gestores da Caixa Econômica Federal.
Na realidade, as lotéricas funcionam como extensão da Caixa e sem ônus para o Governo. Ao contrário, acarretam lucros para os cofres públicos. De origem, as lotéricas são entes privados que funcionam como concessões obtidas através de leilões da Caixa.
Leia maisAs lotéricas cumprem uma função social ao gerar empregos para o mercado. Com o atual aperto financeiro causado pela Caixa, esta função está prejudicada. Atualmente, estas casas se converteram em espaço de convivência, principalmente para idosos. É comum hoje se ouvir a expressão: “A gente se encontra na lotérica”. Estes estabelecimentos estão incorporados ao dia a dia de nossa sociedade. O pagamento de boletos é de utilidade pública para toda a comunidade.
Conheci um empresário lotérico que possui cinco terminais de atendimento. Trata-se de uma lotérica bem localizada, com enormes filas nos dias úteis de jogos e pagamentos. Aos sábados, as filas de jogos mereciam destaque. Quando soube que a tarifa recebida pelo empresário variava aproximadamente entre R$ 0,30 e R$ 1,50, achei grotesco. Significa uma remuneração descolada em relação aos valores praticados no mercado. Existe uma defasagem em relação à demanda de jogos e bolões.
Conversando com entendedores de loterias, foi-me dito que a Caixa tinha criado uma “lotérica online”. Trata-se de uma concorrência desleal, pois os clientes não precisarão mais comprar jogos na vitrine das lotéricas. A mencionada lotérica tinha sete funcionárias e hoje tem somente três.
O desemprego nesta atividade deve ter crescido mais de 60%. Quem fazia jogo na lotérica, como eu, levava um bolão ou um bilhete da Federal. A lotérica perdeu de forma acentuada a sua demanda e, consequentemente, a sua receita pela venda dos bilhetes federais e de jogos.
Com um só tiro, a Caixa matou dois coelhos contra os lotéricos. Será que os políticos sabem desta aflição financeira vivenciada pela grande maioria dos lotéricos? É possível entender que se trata de uma “política de Estado” para anular as pequenas e médias lotéricas.
No interior e no centro das cidades, o que se apresenta são lotéricas fechadas ou quase falidas, como, por exemplo, as do centro da cidade. Tenho pena das cidades onde a população não tem banco nem lotérica. O Estado tem a obrigação de prover à população uma opção de pagamento, pois em muitas cidades a internet é precária.
Além da brutal queda de demanda, existe outro fator que proporciona a perda de faturamento: as constantes interdições no funcionamento provenientes da falta ou queda do sistema e do sinal de internet da Caixa. Estes agravos sistemáticos devem-se ao obsoleto sistema de TI da Caixa. Não tenho conhecimento se a Caixa ressarcirá as paralisações provenientes de elementos exógenos às lotéricas.
*Administrador de empresas aposentado
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Diário do Poder
O Diário do Poder irá ampliar suas plataformas de comunicação no Nordeste, numa parceria com o grupo Folha de Pernambuco, onde é publicada a coluna diária do jornalista Claudio Humberto, e o blog do jornalista Magno Martins, um dos mais importantes da região e do País.
O martelo foi batido durante encontro em Brasília e o acordo vai além da troca de conteúdo editorial entre os três veículos de comunicação, hoje com sites, emissoras de rádio, podcasts de Magno Martins e do DP, além de plataformas nas redes sociais.
A parceria também se amplia para a área comercial, através do reforço de ambas as equipes, que passam a atuar em plano nacional, sobretudo no Nordeste. Cláudio também co-apresenta programas e faz comentários diários em veículos do Grupo Bandeirantes, além de assinas uma das mais lidas e prestigiadas colunas políticas do País, publicada em mais de 40 jornais brasileiros.
“Uma parceria que muito nos honra e que trará grandes resultados”, comemora o empresário Eduardo Monteiro, do Grupo Folha, que em breve estará lançando uma nova plataforma editorial no Nordeste alicerçada numa rede nacional de tv e rádio.
Por Diana Câmara
Com o início da campanha eleitoral, no próximo dia 16 de agosto, é natural que apoiadores, amigos, familiares e eleitores queiram demonstrar publicamente sua preferência por determinada candidatura. Nas redes sociais, isso acontece de diversas formas: compartilhando uma publicação, gravando um vídeo, publicando uma foto, utilizando uma hashtag ou simplesmente declarando o voto.
Tudo isso faz parte do debate democrático e, observados os limites legais, é permitido.
O problema começa quando o apoiador decide colocar dinheiro para ampliar o alcance dessa manifestação.
A legislação eleitoral estabelece uma distinção bastante clara: uma coisa é o eleitor manifestar espontaneamente seu apoio; outra é contratar impulsionamento para fazer esse conteúdo chegar a um número maior de pessoas. E essa segunda conduta não é permitida ao eleitor ou apoiador.
A regra está expressamente prevista na Lei nº 9.504/1997, a Lei das Eleições. O art. 57-B, IV, “b”, permite que qualquer pessoa natural produza ou edite conteúdo eleitoral em blogs, redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas semelhantes, mas estabelece uma condição objetiva: essa pessoa não pode contratar impulsionamento de conteúdo.
Na mesma linha, o art. 57-C estabelece como regra a vedação à propaganda eleitoral paga na internet, excepcionando o impulsionamento realizado nas condições previstas pela legislação.
A regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral é ainda mais explícita. O art. 28, IV, “b”, da Resolução TSE nº 23.610/2019 veda à pessoa natural a contratação de impulsionamento e de disparo em massa. Já o art. 29 estabelece que o impulsionamento eleitoral somente pode ser contratado por partidos políticos, federações, coligações, candidatas, candidatos e seus representantes, observadas as demais exigências legais.
Portanto, a regra pode ser resumida de maneira simples: o eleitor pode usar sua própria voz, mas não pode usar seu próprio dinheiro para comprar alcance eleitoral nas plataformas.
Isso significa que o eleitor pode compartilhar uma publicação da campanha, produzir espontaneamente seu próprio conteúdo, utilizar hashtags, participar de mobilizações digitais e incentivar outras pessoas a conhecerem as propostas de determinado candidato. O que não pode fazer é pagar para que esse conteúdo alcance mais pessoas.
A razão é jurídica: o impulsionamento deixa de ser uma manifestação meramente espontânea e passa a constituir contratação de alcance mediante pagamento, submetida às regras específicas da propaganda eleitoral.
Essa distinção é especialmente importante porque as campanhas eleitorais são, cada vez mais, disputadas também no ambiente digital.
A legislação não pretende impedir que o cidadão participe desse debate. Ao contrário, a regulamentação do TSE reconhece expressamente a legitimidade da manifestação espontânea das pessoas naturais na internet e admite, inclusive, que pessoas com grande audiência manifestem apoio e participem de mobilizações destinadas a ampliar organicamente a circulação de determinada mensagem.
É possível, por exemplo, participar de ações coordenadas de compartilhamento, convocar pessoas para eventos e utilizar hashtags, desde que respeitados os limites legais e que não haja contratação de impulsionamento.
Portanto, ter muitos seguidores ou alcançar milhares de pessoas não torna, por si só, uma manifestação eleitoral irregular. O ponto central está na diferença entre alcance orgânico e alcance pago.
E essa diferença não é apenas uma questão de estratégia de comunicação. É uma diferença jurídica.
Nas eleições, um simples clique no botão “impulsionar” pode ser suficiente para transformar uma manifestação legítima de apoio em propaganda eleitoral irregular, sujeita a sanções.
Metrópoles
O Ministério da Saúde apontou falhas do governo Raquel Lyra (PSD) na contratação e fiscalização de um hospital pertencente ao marido da vice-governadora Priscila Krause e calculou prejuízo de R$ 1 milhão aos cofres públicos.
A Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, recebeu recursos do SUS por procedimentos cuja realização não foi comprovada nos prontuários.
A conclusão da auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), encerrada nesta quarta-feira (12), é que o o hospital do marido da vice-governadora “forjou hemodiálises e tratamentos de câncer”.
Ao avaliar a forma como o Estado manteve os contratos com o hospital, os auditores afirmaram que o modelo se aproximava de uma “contratação direcionada de fato, ainda que não formalmente”.
O relatório também diz que relações contratuais de elevado valor com uma entidade vinculada a agente político de alto escalão, sem instrumentos robustos de planejamento e controle, aumentam os riscos à impessoalidade, moralidade e transparência.
A duplicação fantasiosa da BR-232
Em sua gestão, próxima a fechar o quarto ano, a governadora Raquel Lyra (PSD) não entregou uma só obra de infraestrutura capaz de alavancar o desenvolvimento do Estado, gerar empregos e contribuir na melhora do perfil socioeconômico da população.
Há 15 dias, fez a terraplanagem de apenas 500 metros da margem direita da BR-232, entre São Caetano e Tacaimbó, e anunciou como se fosse o início das obras de ampliação da duplicação da rodovia federal, iniciada e concretizada no Governo Jarbas Vasconcelos com o trecho do Recife a São Caetano.
Com sua materialização, promessa de campanha de Jarbas que só se concretizou com o dinheiro nos cofres do Estado a partir do leilão de privatização da Celpe, Pernambuco entrou num novo ciclo de desenvolvimento, graças ao corredor econômico criado no Agreste. Cidades como Vitória de Santo Antão, Gravatá, Bezerros e Caruaru mudaram de feição, se agigantaram, atraindo investimentos com perfis diversificados.
Leia maisPernambuco sonha acordado com a duplicação da 232 até Arcoverde, numa primeira etapa, e Serra Talhada, numa outra, mas isso se faz com projeto, com responsabilidade e não olhando apenas para o viés eleitoreiro.
Passei, ontem, pela área do suposto início das obras e encontrei apenas uma terraplanagem de 300 metros abandonada e uma máquina escavadeira num outro trecho, sem canteiro de obras, sem trabalhadores, sem placa, enfim, sem nada que leve a acreditar em algo sério.
Deu, assim, para inferir que o Governo de Raquel sofisma em cima de um projeto que deveria, ao contrário, ser encarado e enfrentado com seriedade, planejamento, coragem, ousadia e metas. E não usá-lo como exploração política com vistas a tirar dividendos eleitorais.
NOVA ORLA – Em entrevista, ontem, ao DP, o prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), garantiu que conclui o projeto de requalificação da orla de Boa Viagem até dezembro, obra vitrine da gestão de João Campos (PSB) que o ex-prefeito não teve tempo hábil para entregar. Anunciou também a reocupação do Centro do Recife, que já começa a sair do campo das intenções com a aquisição de quatro prédios na Avenida Guararapes, para 500 moradias. “Estamos também construindo cinco complexos educacionais. Um aluno vai entrar no berçário e só sair de lá no nono ano”, informou.

A dobradinha Lula x João – Entusiasta declarado do presidente Lula (PT), Victor disse, na mesma entrevista, que a parceria do Governo Municipal com o governo federal foi uma das chaves para ampliar investimentos no Recife e disse não ter dúvida de que o Estado passará a viver uma era de pleno desenvolvimento com a reeleição de Lula e a chegada de João Campos ao Palácio das Princesas. “A gente vai ter uma alegria grande de ver Lula reeleito e João Campos eleito governador. Muita coisa boa para a nossa gente vai acontecer no Recife e no Estado”, afirmou.
Sem desistência – Após um dia marcado por rumores de que poderia desistir da candidatura ao Senado e retornar à disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) reafirmou, ontem, que permanece na corrida por uma das duas vagas de Pernambuco. O parlamentar divulgou um vídeo com declarações de apoio de prefeitos aliados da governadora Raquel Lyra (PSD), em uma tentativa de demonstrar força política após a turbulência que cercou sua candidatura, entre eles, os de Gravatá, Itamaracá e Verdejante.
Bronca no registro – O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, não conseguiu registrar, ontem, sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após seu nome aparecer como filiado ao Missão no sistema da Justiça Eleitoral. A alteração, registrada na quarta-feira passada, impede, neste momento, que o PL conclua o registro da candidatura. Certidão emitida pelo TSE, ontem, aponta que Flávio consta como filiado ao Missão desde quarta-feira. O documento também registra a desfiliação do senador do PL na mesma data.

TSE abre inquérito – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou, ontem, que a alteração da filiação partidária do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não decorreu de um ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral, mas do uso indevido das credenciais de acesso do partido Missão por uma pessoa autorizada a operar a ferramenta de filiação da legenda. A Corte determinou a abertura de investigação sobre o caso. Diante da constatação, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para adoção das providências cabíveis e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para apurar eventuais responsabilidades.
CURTAS
FILIAÇÃO RESTABELECIDA – O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, determinou, ontem, o restabelecimento imediato da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL e a exclusão do vínculo com o Missão. A decisão preserva a data original de filiação, em 30 de novembro de 2021, e libera o sistema Candex para o registro da candidatura do senador à Presidência. O ministro considerou “inverossímil” que Flávio tivesse migrado voluntariamente para o Missão, que já possui candidato próprio ao Planalto.
FRAUDE – O Missão, por sua vez, afirmou também ter sido vítima de fraude. Em nota, a legenda disse que seu sistema identificou a filiação irregular e tentou cancelá-la no mesmo dia, mas que a operação foi rejeitada pelo TSE. O partido afirmou ainda que o gabinete de Flávio havia sido avisado sobre uma tentativa de filiação desde o último dia 2 e que os e-mails enviados foram abertos, mas não respondidos.
SOLIDARIEDADE – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu, ontem, a proteção da liberdade de imprensa e indicou que a decisão do colega Alexandre de Moraes, que determinou busca e apreensão contra fonte de jornalista no Maranhão, será analisada em plenário. Fachin prestou solidariedade ao ministro Flávio Dino, que diz ter sido perseguido pelo profissional da imprensa investigado na Corte. Durante o debate sobre o assunto, Moraes, por sua vez, apontou que a Primeira Turma da Corte poderia julgar o assunto.
Perguntar não ofende: Dá para acreditar numa obra que não tem canteiro de obras?
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O governo brasileiro informou, nesta quinta-feira (13), que deu início ao processo de reciprocidade contra os Estados Unidos e que notificará o governo do presidente Donald Trump.
Em 22 de julho, os EUA aplicaram uma tarifa de 25% contra certos produtos brasileiros, oriunda de uma investigação do órgão que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, em julho de 2025. As informações são da CNN.
No começo de junho deste ano, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs a imposição da alíquota no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana – ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
Leia maisMesmo após uma série de audiências públicas em que a sociedade civil se expressou contra o tarifaço, o USTR determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.
Segundo nota divulgada à imprensa, o governo brasileiro iniciou a análise de um pedido de enquadramento das medidas norte-americanas na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada em 2025. A legislação permite ao Brasil adotar contramedidas diante de ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade internacional brasileira.
A Camex (Câmara de Comércio Exterior) compartilhou o pedido com os integrantes do Comitê-Executivo de Gestão do órgão. Ao mesmo tempo, o Ministério das Relações Exteriores iniciou a notificação formal dos Estados Unidos e solicitará a realização de consultas diplomáticas.
A abertura do processo não significa a aplicação automática de retaliações contra produtos ou empresas norte-americanas. O procedimento segue o rito estabelecido pelo decreto que regulamentou a Lei da Reciprocidade e prevê etapas de análise antes da eventual adoção de contramedidas. Pela regra, o pleito deve apontar as medidas estrangeiras consideradas prejudiciais, os setores brasileiros afetados e uma estimativa do impacto econômico.
Na nota, o governo afirma que as consultas diplomáticas têm como objetivo “mitigar ou anular” os efeitos das medidas norte-americanas e das eventuais contramedidas brasileiras. Segundo o Planalto, o procedimento reforça a intenção de privilegiar o diálogo e a negociação com Washington.
O governo também afirma que, ao longo do último ano, tentou convencer o USTR a encerrar a investigação baseada na Seção 301 e apresentou argumentos para contestar as acusações de práticas comerciais desleais.
“As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, diz trecho.
A versão norte-americana é diferente. Ao anunciar a medida, o USTR afirmou que a investigação iniciada em julho de 2025 concluiu que determinadas políticas e práticas brasileiras seriam “não razoáveis” e restringiriam ou onerariam o comércio dos Estados Unidos. O órgão informou ter recebido mais de 360 manifestações escritas e ouvido 77 testemunhas nas audiências de julho antes de decidir pela tarifa adicional de 25%.
A Lei da Reciprocidade Econômica foi sancionada em abril de 2025 e regulamentada três meses depois. O mecanismo permite, em determinadas circunstâncias, a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que afetem negativamente a competitividade brasileira.
O processo aberto nesta quinta coloca formalmente as tarifas da Seção 301 sob análise desse mecanismo.
Além da tarifa de 25% específica contra determinados produtos brasileiros, os Estados Unidos adotaram em julho outra sobretaxa, de 12,5%, ligada a uma investigação sobre produtos associados a trabalho forçado e aplicada a dezenas de parceiros comerciais.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as duas medidas da Seção 301 atingem, isolada ou conjuntamente, cerca de 23,1% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, tomando como referência o comércio de 2024. Em 16,5% das exportações, as duas sobretaxas se acumulam, chegando a 37,5%.
O governo afirmou que continuará trabalhando para “reduzir os efeitos das tarifas sobre a economia e a renda dos brasileiros, além de buscar novos mercados e diversificar parceiros comerciais”. A nota também cita a manutenção de medidas de proteção aos setores atingidos por meio do Plano Brasil Soberano, com o objetivo de preservar empregos e a capacidade produtiva nacional.
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O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 8,18 milhões. Há oito anos, quando concorreu pela última vez, ele afirmou ter R$ 1,73 milhão — cerca de R$ 2,6 milhões em valores corrigidos pela inflação. As informações que constam no registro de candidatura apresentado por Flávio apresentado nesta quinta-feira indicam, assim, um salto de 211% de patrimônio no período, pouco mais de três vezes acima do anterior.
Entre os bens declarados pelo candidato do PL estão fundos de investimentos que somam R$ 1 milhão, uma casa em Brasília no valor de R$ 6,2 milhões e um carro de R$ 133 mil. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisEle ainda detalhou na prestação de contas ter R$ 568,7 mil depositados no banco em conta corrente, R$ 103 mil como saldo em conta-poupança, R$ 10 mil em participação societária em escritório de advocacia, aplicação de renda fixa no valor R$ 8200 e R$ 249 e R$ 46 mil em outras participações societárias.
Em 2018, quando concorreu ao cargo de senador no Rio de Janeiro, Flávio declarou ao Tribunal Superior Eleitoral ter R$ 1,74 milhão em patrimônio. Antes disso, havia sido deputado estadual por quatro mandatos consecutivos na Assembleia Estadual do Rio de Janeiro (Alerj).
A maior parcela estava em aplicações e investimentos, que somavam R$ 558,2 mil. Completava a declaração um Volvo XC 2014, avaliado em R$ 66,5 mil.
Em imóveis, o senador declarou um apartamento residencial na Barra da Tijuca, avaliado em R$ 917 mil, uma sala comercial na Barra da Tijuca, de R$ 150 mil, e 50% de participação de uma franquia da loja de chocolates Kopenhagen, no valor de R$ 50 mil.
Essa loja virou alvo de investigação do Ministério Público por suspeita de ser utilizada para lavagem de dinheiro desviado da Alerj. O processo foi encerrado sem julgamento de mérito devido a anulações de provas e prescrição.
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Vinte e seis leitos do setor de Internamento 4 do Hospital da Mulher do Agreste, em Caruaru, estão fechados desde a última quinta-feira (6) para a realização de uma reforma, segundo denúncia anônima encaminhada ao blog. De acordo com o relato, a redução da capacidade de internação tem provocado espera por vagas e afetado o fluxo de pacientes dentro da unidade.
A denúncia relata pacientes nos corredores à espera de internação e dificuldades para transferir mulheres das áreas de parto normal e recuperação cirúrgica para as enfermarias. “Muitas pacientes ficam de um dia para o outro por não haver vaga nas enfermarias”, afirma a fonte. O relato também aponta a dispensa de profissionais que trabalhavam em regime de prestação de serviços.
A fonte questiona a realização da reforma pouco mais de um ano após a inauguração do Hospital da Mulher do Agreste, em maio de 2025. “Que reforma é essa em um prédio que foi inaugurado há um ano e três meses?”, questiona. Segundo a denúncia, a direção da unidade informou internamente que o fechamento do setor ocorreu para a execução das obras.
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (13) o restabelecimento imediato da filiação do senador Flávio Bolsonaro ao PL e a exclusão do vínculo com o Partido Missão. A decisão também libera o sistema Candex para que a campanha possa registrar a candidatura de Flávio à Presidência da República.
Nunes Marques atendeu integralmente ao pedido de urgência apresentado pela defesa do senador. O ministro determinou que a filiação ao PL seja restabelecida desde a data original, em 30 de novembro de 2021, preservando a continuidade do vínculo partidário. As informações são da CNN.
Após a desvinculação do Missão, a campanha de Flávio deve registrar sua candidatura à Presidência da República pelo PL e do seu plano de governo ainda nesta quinta-feira. O senador deve fazer a apresentação do seu plano, batizado de “Para o Brasil Vencer o Atraso”, em transmissão ao vivo nas redes sociais também nesta quinta.
Leia maisNa decisão, o presidente do TSE afirma que a filiação partidária é condição de elegibilidade e não pode ser retirada por ato de terceiro sem a manifestação de vontade do filiado.
O ministro considerou que documentos apresentados pela defesa comprovam que Flávio estava regularmente e exclusivamente filiado ao PL e que, poucas horas depois, o sistema passou a indicar o cancelamento desse vínculo e a filiação ao Missão, sem manifestação de vontade do senador.
Nunes Marques destacou ainda que Flávio é pré-candidato à Presidência pelo PL e que o Missão já possui candidato próprio ao mesmo cargo. Para o ministro, essa circunstância torna “inverossímil” que o senador tivesse decidido voluntariamente migrar para a legenda.
A decisão também determina a preservação dos registros de acesso e dos logs do sistema Filia e o envio de ofício à Polícia Federal para a instauração de inquérito destinado a apurar a autoria, as circunstâncias e o contexto da alteração do registro partidário.
O ministro determinou ainda que as providências necessárias para o cumprimento da decisão sejam tomadas com urgência e que a Procuradoria-Geral Eleitoral seja comunicada.
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