Quando tive a ideia de escrever “Os Leões do Norte”, uma minibiografia de 22 governadores de Pernambuco, um século de história, não sonhei alto. Achava que seria mais um para completar um acervo de 14 livros. Livros a gente lança, a grande maioria do público que vai prestigiar a noite de autógrafos não lê. Vai ao evento só para mostrar a cara, ser gentil com o autor. Quando chega em casa, põe o livro na estante e nunca abre uma página.
Mas “Os Leões” está me proporcionando uma experiência instigante, nunca vivida. Como se trata do perfil de gigantes, homens públicos afamados, estadistas do porte de um Agamenon Magalhães, da grandeza de Marco Maciel, Miguel Arraes e Barbosa Lima Sobrinho, e de históricos como Etelvino Lins e Nilo Coelho, tive o estalo, me acendeu uma luz, para levá-lo a todas as escolas do Estado.
Leia maisQue resultado fantástico! Ontem, no pequeno distrito de Ameixas, município de Cumaru, falei para 400 alunos da rede municipal, mobilizados pela prefeita Zeneide Medeiros e a ex-prefeita Mariana Medeiros. O garoto José Roberto, 13 anos, na foto acima, assistiu a palestra extremamente concentrado, fugindo do padrão do comportamento dos estudantes na sua faixa etária.
A Prefeitura distribuiu 35 exemplares, mas ele não teve sorte de ser um dos sorteados. Na plateia, a cada número do sorteio chamado, ele gritava, suspirava. “Ainda não foi o meu. Eu queria tanto ler esse livro”, resmungava, quase chorando.
Filho de uma faxineira e um trabalhador rural, José Roberto é dono de um boletim escolar com notas altíssimas, em todas as disciplinas. Estudioso, adora ler. Mas não foi sorteado.
Mariana, a prefeita e eu, vendo o garoto frustrado por não ter sido sorteado, resolvemos presenteá-lo com um exemplar. O garoto foi ao delírio, chegou até a mim para receber o autógrafo com os olhos marejados, e desabafou: “Este foi o dia mais feliz da minha vida”.
Que coisa linda! Como isso me tocou. Certamente, José Roberto é diferenciado. Não pertence a geração de hoje em dia, que só quer saber de ficar no celular e esquece do mundo ao redor. Não é do grupo da geração triste, mas de fotos felizes nas redes sociais. É um menino que sonha, que se preocupa com o seu futuro.
Não é daqueles que ostentam momentos perfeitos enquanto a essência se esvai. Dos que se acham uma geração evoluída, mas, na verdade, tão frágeis, reféns da tecnologia. José Roberto tem olhos que brilham, desconectados da realidade física, imersos na vida real e não virtual.
O novo símbolo de luxo da geração Z é o silêncio, o ‘offline’, tamanha é a alienação do excesso de conexão. José Roberto não é um alienado, felizmente. A alienação produz seres humanos desatentos e desfocados de sua própria vida e ambiente.
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