Por Muciolo Ferreira*
Hoje amanheci bem nostálgico e saudoso dos bons carnavais do Rio de Janeiro. Especialmente dos bons compositores dos sambas-enredos das décadas de 70 e 80. Poetas que andam até hoje misturados com o povo, espalhando e dividindo arte, muitos deles sem nunca terem concluído o Ensino Fundamental.
Então, na minha mente surgiu a imagem antológica do alegre compositor Domenil Santos, um dos maiores de todos os tempos da gloriosa Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel. Domenil Santos foi tricampeão, conquistando o direito de levar suas notáveis composições à passarela carioca nos carnavais de 1978, 1980 e 2001.
Leia maisDe todos os sambas, os versos que mais me encantam são os do enredo de 1980, cujo tema foi Tropicália Maravilha. Nesse ano, havia uma responsabilidade imensa na Ala dos Compositores para a agremiação fazer bonito e conquistar o bicampeonato. A verde-e-branco de Castor de Andrade tinha vencido pela primeira vez na história o Carnaval do Grupo Especial em 1979, com o enredo O Descobrimento do Brasil. Não conseguiu. Perdeu para a Beija-Flor.
Mas os versos de Domenil Santos estão até hoje imortalizados, sobretudo neste refrão: ‘…O cravo brigou com a Rosa por causa da Margarida gostosa…’.
Dedico esse comentário aos amigos pernambucanos Ricardo Guerra e Magno Martins. Ricardo por ser o maior torcedor da Mocidade Independente da Vila Vintém que mora fora do Rio de Janeiro. Também por ter uma amada Rosa na sua vida, imortalizada nos versos do sambista. E ao Magno também pelo mesmo motivo: nunca esquecerá da sua eterna e amada Margarida.
Só não sei se o jornalista tem a Estrela de Padre Miguel como sua escola preferida. A única certeza que tenho é a paixão avassaladora e inexplicável deles — e a minha — pela Estrela Solitária de General Severiano, nosso glorioso Botafogo.
*Jornalista
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