Reportagem da revista O Cruzeiro, datada de 21 de novembro de 1959, mostra o retrato do progresso industrial no Agreste pernambucano através da fábrica Peixe, em Pesqueira. Na época, além de abastecer de tomate todo o Brasil, a indústria pernambucana exportava também para o exterior. Na imagem, o senhor à direita, de óculos e gravata, é o agrônomo Moacir de Brito, neto dos fundadores da Peixe e Diretor-Presidente da fábrica na época. Foi o responsável por guiar a equipe de reportagem do periódico no campo onde a indústria cultivava a sua matéria-prima e pelo interior da fábrica. O recorte foi enviado do arquivo pessoal do leitor pesqueirense e sociólogo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Ivonaldo Leite. Se você tem uma foto histórica no seu baú e deseja vê-la postada neste quadro, envie agora pelo WhatsApp 81.98222.4888.
João consolida liderança e amplia pressão sobre Raquel
A pesquisa do Instituto Opinião reforça um cenário que já vinha se desenhando em levantamentos anteriores: a consolidação de uma disputa altamente polarizada em Pernambuco, com dois polos claramente definidos. Nesse contexto, o desempenho de João Campos (PSB) ao atingir 56% dos votos válidos indica não apenas liderança, mas um patamar eleitoral que, se mantido, configuraria vitória em primeiro turno — algo que depende diretamente da manutenção dessa concentração de votos em um ambiente com poucas candidaturas competitivas.
A tendência de um confronto essencialmente binário entre João Campos e Raquel Lyra (PSD) é um fator central para compreender o resultado. Em disputas desse tipo, a fragmentação do eleitorado é menor, e vantagens numéricas tendem a se traduzir com mais facilidade em desfechos eleitorais antecipados. Nesse cenário, ultrapassar a barreira dos 50% dos votos válidos se torna mais factível, especialmente quando há consistência regional e desempenho equilibrado em diferentes segmentos sociais, como aponta o levantamento.
Outro elemento relevante é o momento político dos dois nomes. João Campos aparece em fase de expansão de sua presença no Estado, intensificando agendas no interior e assumindo postura mais clara de pré-candidato. Esse movimento tende a impactar diretamente sua capilaridade eleitoral, sobretudo fora da Região Metropolitana, onde, segundo a própria pesquisa, ainda há espaço para ampliação de vantagem.
Ao mesmo tempo, o forte desempenho na Região Metropolitana do Recife — principal colégio eleitoral — funciona como base sólida de sustentação de sua liderança. Já no caso de Raquel, o cenário descrito pela pesquisa indica dificuldades em reduzir a distância. Em disputas diretas, comparações entre gestões costumam ganhar centralidade no debate público.
Isso faz com que o eleitor avalie entregas concretas, percepção de resultados e capacidade de resposta em áreas sensíveis. Nesse tipo de ambiente, temas como educação, saúde e segurança pública tendem a influenciar diretamente o comportamento do eleitor, sobretudo quando há divergência entre indicadores apresentados e percepção social.
A análise do quadro, portanto, sugere que a eleição caminha para um confronto direto em que três fatores devem ser determinantes: a manutenção ou não da vantagem numérica já consolidada, a capacidade de expansão territorial — especialmente no interior — e o peso das comparações entre experiências administrativas recentes.
Esses elementos, combinados, tendem a dar o tom até as convenções partidárias, marcadas entre meados de julho e agosto. Após essa fase, se inicia de fato a campanha propriamente dita, nas ruas, na TV, no rádio e nas redes sociais, com destaque para os debates entre os dois candidatos.
MARÍLIA CONSOLIDADA – Na disputa para o Senado, os números do Opinião apontam Marília Arraes (PDT) numa posição que parece cristalizada como a mais votada, enquanto seu companheiro de chapa, o senador Humberto Costa (PT), embora em segundo lugar, sofre ameaça dos concorrentes. No cenário em que Miguel Coelho é testado como candidato da federação Progressista, a distância para Humberto é de quatro pontos: 26,3% a 22,9%. Quando Miguel é trocado por Eduardo da Fonte, o petista aparece com 28,3% e Dudu 17,7%, seguido por Anderson Ferreira (PL), com 15,1%. Túlio Gadelha (PSD) é o lanterninha, com 11,5%. O que impressiona são os indecisos na corrida para o Senado: 51,7%.
Os números de Miguel e Dudu – Dois nomes ventilados para a segunda vaga de senador na chapa de Raquel Lyra (PSD) como alternativas da Federação Progressista, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho brigam de forma desequilibrada apenas no São Francisco, reduto de Miguel, que aparece com 48% e Dudu com 15,3%. Na Metropolitana, Miguel pontua 8% e Dudu 9%; na Zona da Mata, Miguel tem 5% e Dudu 6,1%. No Agreste, Miguel aparece com 8,3% e Dudu 6,4% e no Sertão, Miguel tem 14,2% e Dudu 10,8%. Com exceção do São Francisco, por razões óbvias, estão em igualdade de condições.
Só no Agreste – Já na disputa para o Governo do Estado, a única região que a governadora Raquel Lyra aparece na frente de João Campos é o Agreste, onde se situa Caruaru, município que governou e tem um aliado no poder. João, por sua vez, bate Raquel nas demais regiões, sendo sua maior vantagem a Metropolitana — 35 pontos de diferença. A Região Metropolitana representa 47% do eleitorado pernambucano. Por ter sido prefeito do Recife com altíssima aprovação, João nada de braçada nesse grande continente eleitoral, o que pode ser decisivo no resultado do pleito.
Lula se fragiliza no NE – Fortaleza eleitoral do PT há 20 anos, o Nordeste se transformou em motivo de alerta para a reeleição do presidente Lula, segundo as últimas pesquisas, que indicam um movimento de piora na aprovação do governo e redução na diferença sobre Flávio Bolsonaro (PL) na região. A perda de força ocorre em um cenário de divisão na base aliada e de desvantagem de nomes de partidos nas disputas estaduais.
Rejeição crescente – Ao longo dos anos, a rejeição de Lula também cresceu na região. O patamar de nordestinos que dizem não votar no petista de jeito nenhum é de 32%, um nível bem mais baixo do que o visto na média nacional, que é de 48%. Porém, em agosto de 2022, esse número era de 27%. Lula tem feito esforço para manter sua popularidade em alta no Nordeste. Só neste ano, ele teve agendas em cidades da região em oito ocasiões, como no início do mês, quando foi inaugurar um trecho de um quilômetro de metrô de Salvador. Apesar disso, houve uma piora na avaliação do petista neste terceiro mandato.
CURTAS
EMENDAS – O congresso municipal da Amupe, entre os dias 27 e 29 próximos, contará com a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, na tarde da segunda-feira, primeiro dia do evento. Dino vai falar sobre as recentes medidas que tomou para moralizar a destinação das emendas parlamentares.
TERCEIRA VIA – A terceira via parece existir. Zema e Caiado vieram de governos bem avaliados. O mineiro com 47% e o goiano com 85%. Eles precisam pescar seus votos entre os indecisos e os 42% que estão com Flávio Bolsonaro. Como sua experiência administrativa, Zema limitou-se à gestão de um sobrenome e de uma loja de chocolates. A campanha pode favorecê-lo, assim como o governador Caiado, segundo as últimas pesquisas.
PODCAST – No podcast Direto de Brasília desta terça-feira de feriado nacional, entrevisto o escritor e médico Augusto Cury, pré-candidato à Presidência da República pelo Avante. Meu podcast é uma parceria com a Folha de Pernambuco, com transmissão para 165 emissoras no Nordeste.
Perguntar não ofende: Por que Lula está perdendo seu eleitorado cativo no Nordeste?
A pré-candidata do PDT ao Senado, Marília Arraes, lidera com folga a disputa para a Casa Alta, com quase o dobro das intenções de voto do segundo colocado. Se as eleições fossem hoje, ela teria 45,5% dos votos, enquanto o petista Humberto Costa, candidato à reeleição, aparece com 26,3%. Miguel Coelho, da Federação Progressista, vem logo em seguida, com 22,9%.
Anderson Ferreira, do PL, que disputa como candidato avulso, ou seja, sem ter na sua chapa um candidato a governador, desponta com 15% e Túlio Gadelha (PSD), o primeiro nome praticamente já confirmado na chapa de Raquel, tem apenas 10,6%.
Brancos e nulos somam 27% e indecisos chegam a 52,7%. No cenário no qual o nome de Miguel é trocado pelo do deputado Eduardo da Fonte, presidente da Federação Progressista, Marília sobe para 47,3% e Humberto avança um pouco mais, chegando a 28,3%. Já Eduardo da Fonte vem em seguida com 17,7%, enquanto Anderson pontua 15,1%. Túlio Gadelha é o lanterninha com apenas 11,5%. Neste cenário, brancos e nulos sobem para 28% e indecisos recuam para 51,4%.
Ambos os cenários representam a soma do primeiro com o segundo votos, já que estão em disputa duas vagas para o Senado, a de Humberto, que tenta a reeleição, e de Fernando Dueire, que trocou o MDB pelo PSD, mas não deve ser candidato. Ele assumiu o Senado na condição de primeiro-suplente com a renúncia de Jarbas Vasconcelos motivada por questões de saúde.
Na espontânea, modelo pelo qual o eleitor é forçado a lembrar o nome dos seus candidatos preferidos, sem acesso aos nomes, Marília também lidera com 13,6%, seguida de Humberto com 11,2%, Anderson aparece com 4,7%, Miguel 3,2%, Eduardo da Fonte também 3,2% e Túlio Gadelha 2,4%.
O levantamento foi a campo entre os dias 14 a 17 de abril, sendo aplicados dois mil questionários em 80 municípios. O intervalo de confiança é de 95% e a margem de erro de 2.2 pontos percentuais para mais ou para menos. A modalidade da pesquisa envolveu a técnica de survey, que consiste na aplicação de questionários de forma presencial. A pesquisa foi registrada na justiça eleitoral com o protocolo de número PE-02951/2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo, 19, que o Brasil tem sentido pouco os efeitos dos conflitos no Oriente Médio, incluindo o impacto sobre o preço do petróleo. O presidente se referiu à guerra entre Irã e Estados Unidos como “maluquice”.
“O Brasil é um dos países menos afetados pela maluquice da guerra feita com o Irã. Nós não estamos sofrendo o aumento do preço do petróleo como muitos países estão sofrendo, porque o governo tomou medidas, e o Brasil só importa 30% dos seu óleo diesel”, declarou, em discurso na abertura da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha.
O petista afirmou ser “urgente” encontrar uma saída para os combustíveis fósseis e disse que o Brasil tem potencial para produzir o “hidrogênio verde mais barato do mundo”.
Lula também defendeu novamente a necessidade de “refundar” a Organização Mundial do Comércio (OMC) e criticou a criação de barreiras comerciais contra produtos brasileiros. “É preciso combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade da nossa agricultura. Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”, falou.
O presidente ainda repetiu que o Brasil não terá um papel de “mero exportador” de terras raras e disse ser necessário que as tecnologias ajudem o Brasil a construir um “mundo mais seguro e sustentável”.
O mandatário brasileiro também disse na mesma ocasião que o mundo não pode se curvar ao comportamento de um chefe de Estado que acha que pode taxar, punir e fazer guerras por tweet, em referência ao presidente norte-americano, Donald Trump.
“Não podemos permitir que o mundo se curve ao comportamento de um presidente que acha que por e-mail ou por tweet ele pode taxar produtos, punir países e pode fazer guerra”, afirmou na abertura da feira industrial de Hannover, na Alemanha.
Lula afirmou que o Brasil está de braços abertos para discutir qualquer tema econômico com a Alemanha porque tem relação de chefe de Estado com o premiê alemão. Quis enfatizar que não tem relação ideológica ou partidária com Friedrich Merz.
“Quando você age como chefe de Estado, queria dizer ao primeiro-ministro Merz que o Brasil está de braços abertos para discutir qualquer tema com a Alemanha. Sobretudo o tema de inteligência artificial, data centers, minerais críticos e terras raras, não tem veto para discutir com a Alemanha”, completou.
Na sequência dos cenários da pesquisa do Opinião, em parceria com este blog, sai daqui a pouco, exatamente à meia-noite, os números da corrida para as duas vagas ao Senado nas eleições deste ano. Foram aplicados dois mil questionários em 80 municípios, com margem de confiança de 95% e 2,2 pontos percentuais de erro, para mais ou para menos.
Aliados aumentaram as cobranças ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a formação de palanques nos estados e dizem que articulações que contavam com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro estão ficando pelo caminho. O impasse atinge candidaturas ao Senado, aposta da oposição para a construção de maioria na próxima legislatura.
O ex-presidente participava das negociações mesmo quando estava preso na Polícia Federal e na Papudinha. Contudo, em prisão domiciliar desde o fim de março por decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF), seu convívio está restrito à família e a advogados. O isolamento, justificado por Moraes por causa da saúde de Bolsonaro após uma pneumonia, forçou Flávio a assumir o protagonismo das articulações, elevando a pressão sobre o senador. As informações são do jornal O Globo.
O foco mais visível de desgaste ocorre em São Paulo. Um acordo firmado por Bolsonaro com o bispo Samuel Ferreira previa apoio político em troca da indicação de um nome da Assembleia de Deus Ministério Madureira ao Senado. A promessa envolvia os deputados Marco Feliciano e Cezinha de Madureira, ambos do PL-SP.
Na prática, o espaço não se consolidou. Feliciano, que já havia sido preterido em 2022 por Marcos Pontes, ficou novamente fora mesmo com a saída de Eduardo Bolsonaro do páreo. A insatisfação explodiu na semana passada, quando Feliciano confrontou Flávio durante um culto na Assembleia de Deus do Belém: “Quando é que você e sua família passarão a tratar os evangélicos com a reciprocidade que a gente merece, em vez de uma relação de via única?”, questionou Feliciano.
Procurado para comentar os impasses, Flávio não se manifestou.
O nó em São Paulo é explicado porque o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defende o nome de André do Prado, presidente da Alesp; Eduardo Bolsonaro atua por aliados como Mário Frias; e uma vaga na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve ficar com Guilherme Derrite (PP). O esvaziamento das promessas deve fazer com que Cezinha de Madureira, que migrou do PSD para o PL atraído pelo projeto, reduza o engajamento na pré-campanha. “Estamos com problemas de vagas em todos os estados”, resumiu Valdemar da Costa Neto.
O descompasso se repete em outros estados. Em Roraima, o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) transferiu para lá o seu domicílio eleitoral sob orientação de Bolsonaro para concorrer ao Senado, mas encontrou resistência do diretório local do PL, que prioriza nomes como o deputado Nicoletti (PL-RR) e o prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique.
No caso de Nicoletti, aliados lembram que ele tentou ser candidato à prefeitura em 2024 pelo União Brasil, mas deixou o partido após ser preterido e se filiou ao PL com a promessa de disputar o Senado.
Valdemar tem dito a aliados ver “dificuldade” em viabilizar a candidatura. Interlocutores afirmam que Hélio também tentou manter uma alternativa ao se apresentar como nome ao Tribunal de Contas da União (TCU), mas o PL acabou indicando Soraya Santos (PL-RJ), derrotada na eleição da semana passada. Procurado, Hélio Lopes não comentou.
Em Mato Grosso do Sul, a disputa envolve o grupo do deputado Rodolfo Nogueira, que busca lançar ao Senado a mulher, Gianni Nogueira. Mas outros nomes do PL ganharam força, como o ex-governador Reinaldo Azambuja e os deputados Marcos Pollon e Capitão Contar.
“Esse projeto teve início em 2024, a partir de um pedido do (ex-) presidente Jair Bolsonaro. Não vejo como uma disputa interna”, disse Rodolfo Nogueira.
Divergência familiar
Na semana passada, contudo, Flávio Bolsonaro assegurou legenda a Azambuja e indicou que pesquisas definirão a segunda vaga. “Quem estiver melhor colocado vai levar a vaga”, disse em visita ao estado.
No Ceará, o racha é familiar: Michelle Bolsonaro apoia a vereadora de Fortaleza Priscila Costa, enquanto o grupo de Flávio sustenta o nome do deputado estadual Alcides Fernandes. No entorno do senador, a avaliação é que o quadro pelo país é administrável.
“Flávio está fazendo o dever de casa e arrumando os palanques estaduais. Em 2022, Bolsonaro só tinha dez palanques e agora teremos 22 ou 23 estados. É um trabalho que demanda tempo”, afirma o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, não deve participar de forma ativa e direta da campanha à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, segundo aliados próximos do ex-prefeito da capital. Fora da chapa após o vice-governador Felício Ramuth deixar a legenda e ir para o MDB, Kassab, que já tinha saído da Secretaria Estadual de Governo, perdeu o espaço conquistado em 2022. À época, foi o responsável pela construção da campanha do então desconhecido ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) ao Palácio dos Bandeirantes.
A mais recente divergência começou no fim do ano passado, quando Kassab ouviu de Ramuth que ele não abriria mão da vice, desejo há anos do então secretário. Sua ideia era, a partir da cadeira e em caso de nova vitória de Tarcísio, ser candidato natural à sua sucessão em 2030. Como consequência do rompimento, o presidente do partido pediu que ele se desfiliasse. As informações são do jornal O Globo.
“O PSD quer ter uma posição muito clara e independente em relação à composição da chapa. A gente delegou ao Tarcísio (a escolha do vice). E como o Felício tinha uma posição muito pessoal, a gente achou melhor liberá-lo: “Se você quer seguir de qualquer jeito, saia do partido, né?”. No fundo, o convidamos a sair. Mas jamais deixaremos de apoiar o Tarcísio, a gente está junto”, afirmou Kassab ao Globo, na semana passada.
Rede de prefeitos
Sem espaço no núcleo duro da campanha, o político não “entrará de cabeça” na corrida à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, segundo um aliado de Kassab que atuou com ele na prefeitura de São Paulo, entre 2006 e 2012. Ainda de acordo com essa fonte, a ausência de Kassab fará com que parte dos mais de 200 prefeitos paulistas do PSD não tenham o presidente da legenda como principal interlocutor com a campanha do governador, algo, pondera, que “é trabalhoso de se costurar”.
Já um aliado de Tarcísio garantiu que isso não fará falta à campanha, pois “quem ajuda nas cidades são os deputados, e isso o governador tem de sobra”.
Enquanto os dois lados traçam suas estratégias, há a expectativa de o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), se reunir com Kassab na próxima semana para acertar eventual reaproximação de seu partido com o PSD e garantir uma ajuda maior na campanha.
Kassab, no entanto, deseja “reconhecimento formal e público” de Tarcísio, sublinhando sua importância nas campanhas, tanto a de 2022 quanto na deste ano. Um articulador ligado a Kassab recorda que partidos ao lado de Tarcísio hoje, como PL e o MDB do prefeito da capital, Ricardo Nunes, por exemplo, não estavam em sua totalidade com o governador no início da campanha de 2022.
Na última eleição, boa parte da centro-direita apostou na reeleição do então governador Rodrigo Garcia (à época no PSDB). Pessoas próximas a Kassab afirmam que havia um combinado para que o presidente do PSD fosse vice de Tarcísio em uma eventual reeleição. E que ele se sentiu “traído”. Fontes próximas a Tarcísio negam.
O distanciamento entre os dois fez com que o PT visse uma janela de oportunidade para uma até então improvável aliança do líder do PSD com Fernando Haddad, pré-candidato do partido ao governo paulista. O ex-ministro da Fazenda enviou mensagem a Kassab e tem dito que gostaria de “ouvi-lo”, para entender “por que ele apoia” o atual governador.
“Ele (Haddad) enviou uma mensagem de ‘Feliz Páscoa’ e eu a retribuí. Até posso conversar com ele, pois discutir políticas públicas e ideias é muito importante (…), mas o apoio ao governador Tarcísio é uma questão já decidida no PSD”, afirmou Kassab há duas semanas.
Alvo de críticas após se filiar ao PSD para viabilizar uma pré-candidatura ao Senado, Túlio Gadelha tem sido questionado pela aproximação com a governadora Raquel Lyra (PSD) por todos os lados. A tentativa de associação com o presidente Lula (PT), apostando na transferência de simpatia de eleitores ligados ao petista, não tem surtido o efeito esperado e, ao contrário, vem desgastando o capital político do deputado.
Nesse cenário, a estratégia mais recente de Raquel parece apostar no apelo de imagem. Em visita recente à feirinha da Rua da Aurora, ao lado da jornalista Fátima Bernardes, Raquel e Túlio atraíram maior atenção do público, o que contribuiu para ampliar a visibilidade da agenda.
O transtorno bipolar é uma condição psiquiátrica crônica caracterizada por oscilações entre episódios de depressão e períodos de elevação do humor, como mania ou hipomania. Embora seja amplamente reconhecido pelo impacto emocional e funcional, um aspecto frequentemente negligenciado é sua associação com redução da expectativa de vida.
Evidências científicas consistentes demonstram que pessoas com transtorno bipolar podem apresentar uma redução média de 8 a 15 anos na expectativa de vida em comparação com a população geral. Esse dado se mantém em diferentes países e sistemas de saúde, indicando que não se trata de um fenômeno isolado, mas de um padrão global. No entanto, essa redução não ocorre apenas por causas psiquiátricas diretas — ela resulta de uma interação complexa entre fatores biológicos, comportamentais e sociais.
Entre as principais causas de mortalidade, destacam-se as doenças cardiovasculares, que representam o maior risco nessa população. A maior prevalência de hipertensão arterial, obesidade, diabetes e alterações metabólicas contribui diretamente para o aumento de eventos como infarto e acidente vascular cerebral. Paralelamente, o risco de suicídio é significativamente mais elevado, especialmente durante episódios depressivos ou estados mistos, sendo uma das causas mais impactantes em termos de anos potenciais de vida perdidos.
Outro ponto relevante é a alta frequência de comorbidades com uso de substâncias, incluindo álcool, tabaco e drogas ilícitas, que agravam tanto o curso do transtorno quanto as condições clínicas gerais. Além disso, muitos pacientes enfrentam barreiras no acesso ao cuidado em saúde, menor adesão ao tratamento e acompanhamento clínico insuficiente, o que favorece o diagnóstico tardio e o controle inadequado de doenças crônicas.
Apesar desse cenário, a expectativa de vida em pacientes com transtorno bipolar não deve ser encarada como um desfecho imutável. Fatores como diagnóstico precoce, tratamento contínuo e bem conduzido, acompanhamento multiprofissional e a adoção de um estilo de vida saudável têm impacto direto na redução de riscos. O manejo adequado inclui não apenas estabilização do humor, mas também monitoramento rigoroso da saúde física, com atenção especial aos fatores cardiovasculares.
Além disso, o enfrentamento do estigma associado aos transtornos mentais é fundamental. O preconceito ainda contribui para atrasos no diagnóstico, abandono do tratamento e fragmentação do cuidado, dificultando intervenções precoces e eficazes.
Dessa forma, o cuidado moderno em transtorno bipolar exige uma abordagem integrada, que considere o paciente em sua totalidade. Ao alinhar tratamento psiquiátrico, prevenção clínica e promoção de saúde, é possível não apenas melhorar a qualidade de vida, mas também impactar de forma significativa a sua duração.
*Médico com pós-graduação em Psiquiatria e Neurologia Clínica
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, visitou ontem (18) Serra Talhada, onde anunciou investimento de R$ 40,5 milhões para o Aeroporto Santa Magalhães. Os recursos serão destinados à ampliação do terminal de passageiros, melhoria do pátio de aeronaves e adequação do estacionamento.
Durante a visita ao equipamento, o ministro destacou a atuação da prefeita Márcia Conrado na articulação para viabilizar as obras. “Márcia é alguém que sempre cobra e reivindica. É uma gestora que defendeu e trabalhou por esse aeroporto”, afirmou. Segundo o ministro, a iniciativa integra o Programa AmpliAR, voltado ao fortalecimento da aviação regional.
A prefeita ressaltou a importância do investimento para o desenvolvimento local. “O aeroporto tem o papel de impulsionar o desenvolvimento e ampliar oportunidades. Estamos trabalhando para melhorar a estrutura e atrair novos investimentos”, disse. Por fim, Márcia Conrado também destacou impactos na economia do município, com geração de empregos ao longo da gestão. “Mais de 50% das vagas foram ocupadas por mulheres”, afirmou.
O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), resgatou um vídeo da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) para brincar sobre a rivalidade entre as festas juninas em Pernambuco e na Paraíba. Em suas redes sociais, ele reproduziu uma fala da gestora pernambucana enaltecendo o São João do seu estado como melhor da região.
Em resposta, o gestor paraibano rebateu que: “Quem conhece o São João da Paraíba não quer saber de outro lugar não. O melhor São João é aqui e o maior do mundo é em Campina Grande”. As informações são do Blog da Folha.
Sede do Festival de Cinema de Triunfo, o icônico Theatro Cinema Guarany, também conhecido como Cine-Theatro Guarany, tem mais de um século de história e é cartão-postal da região. O nome era um traço comum da época, que remetia a uma ideia de identidade brasileira ligada aos povos indígenas, e que se firmou em vários outros cinemas e teatros com o mesmo nome pelo Brasil.
No início de sua genealogia estão dois comerciantes locais: Manoel e Carolino Siqueira Campos que, em 1919, decidiram construir um grande espaço cultural para a cidade que trouxesse, ao mesmo tempo, cinema, teatro e eventos sociais para o Pajeú. Inaugurado em 1922, o edifício de arquitetura neoclássica se tornou símbolo do município, movimentando a elite local com sessões de cinema, bailes e formaturas.
Em 1952, foi adquirido pela província franciscana de Santo Antônio do Norte do Brasil. Mas com o avanço da televisão na década de 70, o Guarani acabou entrando em decadência e chegou a ficar desativado por anos. Em 1985, então, a prefeitura dá entrada no processo de tombamento do Cine-Theatro Guarany como patrimônio histórico estadual. Em 1988, o governador Miguel Arraes concluiu o tombamento e adquire o imóvel que passa a ser gerido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Um longo processo de restauração se iniciou e terminou em 1995, no último governo Arraes.
Após as reformas, o Guarany volta a movimentar a cidade e, em 2008, durante o governo de Eduardo Campos, O Festival de Cinema de Triunfo estreia no espaço, demonstrando a força do audiovisual e dos cinemas de rua no interior do Brasil. Sua cabine de projeção abriga um projetor de 35 mm, mas que hoje só é usado em sessões especiais.
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da Promotoria de Justiça de São Bento do Una, emitiu uma Recomendação Administrativa ao prefeito Alexandre Batité. O documento solicita a exoneração de quatro ocupantes de cargos na gestão municipal e a implementação de medidas para combater o nepotismo.
A recomendação pede a exoneração, em um prazo de vinte dias, dos secretários Lucas Medeiros (Infraestrutura), Caique Batité (Cultura e Esportes) e Vilma Medeiros (Administração), além do assessor Carlos César Oliveira. O MPPE aponta que os mencionados são, respectivamente, sobrinho, filho, esposa e afilhado do prefeito. As informações são do jornal Última Hora (São Bento do Una).
Recomendação do MPPE ao prefeito de São Bento do Una. Disponível no Diário Oficial a partir da página 7 (documento na íntegra abaixo)
Adicionalmente, o MPPE solicitou a exoneração, no mesmo período, de todos os detentores de cargos não eletivos, em comissão, funções de confiança ou contratos temporários que possuam relação familiar com autoridades ou servidores de outras entidades, com destaque para a UNATRAN. A medida visa evitar nomeações por reciprocidade ou troca de favores.
No que se refere à legislação municipal, o MPPE requisitou que, em até trinta dias, o prefeito encaminhe à Câmara de Vereadores um projeto de lei. Este projeto deve proibir a nomeação de cônjuges, companheiros ou parentes (até o terceiro grau) para cargos não eletivos, em comissão, funções de confiança ou contratos temporários, seja da autoridade nomeante ou de outro servidor da mesma pessoa jurídica. A proibição também abrange casos de reciprocidade com nomeações em outras entidades.
Outra solicitação do MPPE é a regularização imediata do Portal da Transparência, no mesmo prazo, com a inclusão de todos os dados financeiros e funcionais dos agentes públicos, com foco nas informações de Vilma Medeiros.
A Prefeitura de São Bento do Una deve comunicar ao Ministério Público, em dez dias, se acatará a recomendação, enviando a documentação comprobatória das providências, como os atos de exoneração. O MPPE alertou que o não acatamento da recomendação poderá resultar em medidas legais, incluindo o ajuizamento de ação civil pública por improbidade administrativa.