Titular do Ministério da Defesa desde o primeiro dia do governo Lula (PT), o pernambucano José Múcio Monteiro comemora os avanços na área, embora reconheça que há muito o que fazer. Defensor desde o primeiro momento de que o país precisa ampliar seu investimento na área da segurança e soberania, ele ressalta que o tema tem sido abordado por todos os candidatos à Presidência da República nesta eleição.
“A questão da Defesa melhorou muito. Veja que todos os candidatos a presidente estão falando em defesa, o que não se falava. O presidente Lula (PT) disse que uma das pastas prioritárias no segundo mandato será a Defesa. A grande vitória nossa foi trazermos para a discussão. Temos excelentes soldados no Exército, na Marinha, nas Forças Armadas, mas precisamos de instrumentos. Não para enfrentar ninguém, mas para defender o nosso país”, disse José Múcio, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
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“Tem uma coisa importantíssima que é a previsibilidade orçamentária. Enquanto não se aprovar isso, seremos sempre os pedintes. Qualquer presidente que tiver que escolher entre colocar recurso na defesa ou na saúde, vai botar na saúde, ou na educação. Nos países que se preocupam com Defesa, tem uma previsibilidade de tantos por cento e ninguém mexe. Você prepara o resto do orçamento, separando o que foi para a Defesa. O que precisa aqui é previsibilidade orçamentária. No ano passado, investimos em torno de 1,1% do PIB, enquanto a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) recomenda que sejam 5%”, observou.
“O presidente Lula tem sido extremamente sensível com isso. Vamos ter um bom orçamento no ano que vem. Não é o que precisamos, mas é bom. Na nossa fronteira, temos 20 mil homens em 17 mil quilômetros. Não é nada. A República Dominicana tem 300 quilômetros de fronteira com o Haiti, e tem 13 mil homens lá. Precisamos ser mais rigorosos na defesa do nosso território”, ponderou José Múcio. “Mas veja, a questão dos recursos não é uma construção rápida. Quando você encomenda um produto de defesa, é o que mais se vende no mundo. Nada é no curto prazo. Precisamos ter previsibilidade para fazer o contrato e pagar as prestações. Há quatro anos falo diuturnamente nesse assunto”, completou.
Segundo ele, o Brasil precisaria investir entre 2,5% e 3% do PIB na Defesa. “Por conta da riqueza que somos. O Uruguai investe 2% do PIB, a Colômbia 3,2%, o Peru 2%. Estamos entre os menores investimentos da América Latina. Agora, defesa é investimento que não dá voto. É como plano de saúde, tem que ter o melhor e torcer para não precisar usar. Precisamos investir em defesa para dissuasão. Temos tudo o que se discute de valor no mundo. Temos petróleo, gás, quase 17 mil quilômetros de fronteira seca, 8.500 quilômetros de fronteira marítima, terras raras, a maior reserva de água doce, uma reserva florestal que o mundo se preocupa, então precisamos cuidar mais de nós. Nossos grandes adversários estão aqui. Precisamos saber o que queremos, o que somos”, concluiu.
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