Na sua coluna de reestreia amanhã na Folha de Pernambuco, o jornalista Cláudio Humberto informa a razão da MP de reestruturação ministerial não ter sido votada na sessão de hoje pela Câmara de Deputados: falta de votos para aprovar.
Segundo ele, o Governo estima apoio inferior a 150 deputados. “O presidente Lula, finalmente, se dobrou, ligando para o presidente da Câmara, Arthur Lira. O problema do qual Lula está ciente há tempo foi reforçado: articulação política chinfrim”, revela o colunista.
E acrescenta: “Lira contou a Lula que a MP não foi pautada na véspera pela certeza de derrota. E lembrou o mapeamento do próprio governo apontando que, na terça, a base de Lula tinha só tinha 144 votos, contra mais de 300 opositores”.
A íntegra da coluna de Cláudio Humberto, a mais lida do País, o leitor confere amanhã na Folha de Pernambuco.
Federação Progressista, o impasse na chapa de Raquel
Maio chegou, daqui a pouco os festejos juninos batem à porta sem a governadora Raquel Lyra (PSD) bater o martelo em relação a montagem da sua chapa. Enquanto João Campos (PSB), com quem polariza a disputa, já percorre o Estado com o vice e seus dois candidatos ao Senado, nem o vice Raquel escolheu.
A única sinalização que deu seria a presença do deputado Túlio Gadelha, que fez a travessia da Rede para o PSD, na disputa por uma das vagas ao Senado. Mesmo assim, nada de oficial. Nem mesmo a vice-governadora Priscila Krause tem certeza da sua candidatura à reeleição.
A governadora atrasou o anúncio da chapa porque não consegue desatar um nó: a escolha do candidato a senador pela Federação Progressista entre Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, e Eduardo da Fonte, presidente estadual da federação. Nem Dudu, como é mais conhecido o deputado Eduardo da Fonte, apoia Miguel, nem este fecha com a indicação do concorrente.
Uma briga de foice, como se diz na gíria política. O engraçado disso tudo é que Dudu manda na federação, detentora de um latifúndio de fundo eleitoral, maior tempo de TV e a maior bancada na Alepe. Mas para a governadora isso parece não ser um critério que a convença a colocar um ponto final nas desavenças dentro da federação.
Muitas vezes os políticos falam por gestos. No congresso estadual da Amupe, que reuniu mais de 120 prefeitos, Raquel apareceu com Túlio e o senador Fernando Dueire, fez fotos e passou a impressão que já há havia decidido em apostar para o Senado na dobradinha Túlio-Dueire.
Se assim fosse, só restaria a poderosa federação Progressista a vaga de vice. E quem dançaria também seria Priscila, porque o nome mais especulado para vice é o do deputado estadual Antônio Coelho, irmão de Miguel.
MAIS UMA SUPLÊNCIA? – O que corre também nos bastidores é que a governadora gostaria de ter o senador Fernando Dueire como candidato à reeleição. Sem condições, entretanto, de realizar seu propósito por causa do espaço natural da Federação Progressista, só restaria a Dueire a vaga de primeiro-suplente do candidato Túlio Gadelha. Isso seria uma sina triste para Dueire, que chegou ao Senado como suplente de Jarbas Vasconcelos depois deste renunciar ao mandato em setembro de 2023.
O calendário político – Como as convenções partidárias estão marcadas bem mais na frente, de 20 de julho a 5 de agosto, a governadora terá ainda bastante tempo para costurar a sua chapa. Marco Maciel dizia que quem tem tempo, não tem pressa. Mas Raquel tem que correr para definir a chapa antes do fechamento deste calendário eleitoral por um motivo muito simples: existe o calendário dos arranjos políticos, nomes cogitados para a chapa majoritária vão exigir clareza para que possam escolher alternativas, como é o caso de Priscila, que tende a ser candidata a deputada federal, se sobrar na chapa, obviamente.
Ajuda federal – A propósito do dilúvio que caiu no Estado, o presidente Lula (PT) disse que conversou por telefone com o ex-prefeito de Recife, João Campos, e com o senador pernambucano Humberto Costa (PT). “Determinei imediatamente o pronto apoio federal às autoridades locais. O ministro da Integração Regional, Waldez Góes, acionou a Defesa Civil Nacional para prestar todo suporte às cidades atingidas, Inclusive com o reconhecimento da situação de emergência e o deslocamento de técnicos para a área”, disse o petista em uma rede social.
Nova estratégia de Lula – A sete meses do fim do seu terceiro mandato e pressionado pelas pesquisas que mostram um cenário incerto para a reeleição, o presidente Lula (PT) ensaia o tom que adotará daqui para a frente a fim de superar o que tem sido considerado por interlocutores como o pior momento de sua relação com o Congresso. A avaliação no governo é que o rompimento com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode comprometer o avanço de pautas consideradas estratégicas para o Palácio do Planalto em ano eleitoral, como o fim da escala 6×1 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Além disso, temem que uma guerra aberta possa resultar em retaliações, como a aprovação de pautas-bomba no segundo semestre.
De olho no algoz – Alcolumbre foi apontado por interlocutores de Lula como algoz nos episódios da rejeição histórica da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e na derrubada do veto presidencial ao projeto que trata da dosimetria de penas e que poderá beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador nega ter atuado para derrotar o governo. As duas votações ampliaram a pressão sobre o Planalto, abrindo oportunidade para que a oposição explore a imagem de um Executivo enfraquecido.
CURTAS
CONSCIÊNCIA – O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (AP), afirmou em entrevista ao O Globo, que o presidente Lula tinha consciência do risco de derrota na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas decidiu manter o nome até o fim. O parlamentar disse ter alertado o próprio presidente, o indicado e a coordenação política mais de uma vez de que o governo não tinha votos assegurados.
DELAÇÃO 1 – A proposta de delação premiada de Paulo Henrique Costa começa a ganhar forma. O ex-presidente do BRB elencou inicialmente 20 situações de negócios heterodoxos e esquemas de fraudes de que participou ou de que tem conhecimento em transações com o Banco Master — e naturalmente as pessoas que estariam envolvidas nelas.
DELAÇÃO 2 – Alguns nomes do cardápio não surpreendem. Ibaneis Rocha é um exemplo. Já a atual governadora Celina Leão deve aparecer como uma das novidades da lista. A relação inclui ainda um ministro do TCU, um dirigente partidário do Centrão, funcionários de carreira do BC e deputados distritais de Brasília. Parlamentares federais, como deputados e senadores, ficarão de fora.
Perguntar não ofende: Qual será o destino do senador Fernando Dueire na chapa de Raquel?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma frente delicada ao admitir, por meio do ministro da Fazenda, Dario Durigan, o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas. A proposta ainda não foi fechada, mas já serve de senha para os oligarcas do sistema financeiro rondarem mais uma vez o dinheiro do trabalhador sob a fantasia de “solução de crédito”.
Trata-se de um verdadeiro pacote de bondades para beneficiar oligarcas do sistema financeiro, barões da velha mídia corporativa e ricaços da Faria Lima. Evidentemente, contra os interesses dos trabalhadores e da sociedade brasileira.
O governo diz que o pacote mira famílias endividadas, trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas. Também fala em garantia da União para renegociação, migração para linhas mais baratas e descontos de até 80% em certas dívidas. No papel, parece socorro. Na política real, o risco é outro: usar uma poupança trabalhista para desengasgar o circuito privado da inadimplência sem mexer no coração do problema.
Esse coração tem nome e sobrenome. Chama-se juro alto. Em 18 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic para 14,75% ao ano. Continua sendo um patamar sufocante para a economia popular, para o consumo e para a renegociação honesta da vida de quem caiu no rotativo, no cheque especial ou no crédito pessoal.
A fotografia social ajuda a desmontar a conversa “doce” dos oligarcas do sistema financeiro e da velha mídia, que têm interesses e propriedades cruzadas entre si.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) informou no dia 7 de abril que 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas em março, recorde da série, e que 29,6% tinham contas em atraso. A própria CNC vinculou esse aperto ao efeito dos juros altos e ao peso dos combustíveis sobre o orçamento.
É nesse ponto que o debate deixa de ser técnico e vira luta de classe em linguagem financeira. Os oligarcas do sistema financeiro nada dizem sobre a redução estrutural do custo do dinheiro. Não fazem campanha diária por crédito barato, nem por reforma do spread, nem por regulação pesada sobre abusos bancários. Quando o povo se endivida, a saída apresentada é sempre a mesma: abrir mais um compartimento da renda popular para salvar a engrenagem do andar de cima.
O FGTS não é caixa de conveniência da Faria Lima. Em 2026, o fundo sustenta R$ 160,5 bilhões em habitação, saneamento básico e infraestrutura urbana, dos quais R$ 144,5 bilhões vão para habitação. Não se trata de dinheiro ocioso largado numa gaveta. Trata-se de uma reserva do trabalho com função social definida e impacto direto sobre moradia popular e investimento urbano.
A contradição dentro do próprio governo salta aos olhos. Dario Durigan confirmou que o uso do FGTS está em discussão, mas o Ministério do Trabalho e Emprego, comandado por Luiz Marinho, demonstra preocupação com os impactos sobre o fundo. A hesitação existe porque o problema é real: mexer no FGTS para aliviar a inadimplência pode produzir ganho imediato para bancos e financeiras e custo difuso para a política social do fundo.
A velha mídia entra em cena como sempre entra, patrulhando o Estado quando a intervenção ameaça beneficiar a maioria e silenciando quando a mesma máquina pública pode ser capturada pelos privilegiados. Em editorial publicado no dia 8 de abril, a Folha enquadrou as medidas de Lula contra a alta dos combustíveis como “tentação intervencionista”. A mensagem é cristalina: quando o governo tenta amortecer diesel, gás e inflação no bolso do consumidor, vira heresia. Quando a engenharia oficial pode ajudar a reorganizar o crédito e blindar o sistema financeiro, a retórica do mercado muda de tom.
Esse é o ponto político central. O papel do governo não é administrar o Estado para a comodidade dos ricaços, dos especuladores e dos barões da velha mídia. O papel do governo é intervir, regular e proteger a sociedade quando o mercado empurra a conta da crise para quem vive de salário, frete, boleto, aluguel e prestação. Isso vale para o diesel, para o gás, para o crédito e para a comida.
Por isso, usar o dinheiro do trabalhador para azeitar o sistema financeiro não parece boa ideia. O país precisa reduzir o endividamento, sim. Mas com juros menores, crédito menos predatório, regulação mais dura e renda circulando na base. Se a saída for tungar o FGTS para entregar alívio ao mercado, os oligarcas ganham duas vezes: preservam seus privilégios e ainda vendem a operação como política social.
No fundo, o conflito é simples. Quando a velha mídia fala em “intervencionismo”, ela não está defendendo neutralidade econômica. Está defendendo quem pode intervir, para quem e com qual dinheiro. E, dessa vez, o alvo voltou a ser o bolso do trabalhador.
O sucessor de Silvio Costa Filho (Republicanos) no Ministério dos Portos e Aeroportos, Tomé Franca, confirmou há pouco participação no meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o Direto de Brasília, da próxima terça-feira (5). Na pauta, os desafios de dar continuidade à gestão do antecessor.
Franca está à frente da pasta desde abril. Antes, foi nomeado secretário-executivo do ministério, em agosto do ano passado. Iniciou a trajetória pública ao lado de Silvio Costa Filho, como chefe de gabinete quando ele foi eleito vereador, em 2004, após atuação conjunta no movimento estudantil.
Também já comandou a Secretaria Nacional de Aviação Civil e acumula passagens por secretarias estaduais e municipais, além de ter atuado no Legislativo e no Judiciário. É formado em Direito e mestre em Gestão Pública pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), além de cursar MBA em Concessões e Parcerias Público-Privadas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
Ao longo da carreira, ocupou cargos como secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Pernambuco, secretário de Saneamento do Recife e secretário-executivo de Turismo do Estado. No Congresso, atuou como assessor parlamentar no Senado e na Câmara dos Deputados. No Judiciário, chefiou a assessoria de desembargador federal no Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT6). Também lecionou disciplinas como Direito Constitucional, Direito Ambiental e Processo Legislativo.
O Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, e também em cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste. Retransmitem o programa pela Gazeta News (Grupo Collor) em Alagoas; pela Rede Mais Rádios, com 25 emissoras na Paraíba; pela Mais-TV, sob o comando do jornalista Heron Cid; ainda pela Rede ANC, no Ceará, com mais de 50 emissoras; e pela LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são: Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, Autoviação Progresso, Grupo Antonio Ferreira Souza, Água Santa Joana, Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
O ex-ministro Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, atribuiu o empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto à Presidência da República a uma “lavagem cerebral coletiva”.
Segundo ele, há um “contraste grande” entre ambos, o que torna o atual cenário “inadmissível”. As declarações foram concedidas nesta sexta-feira em discurso na sede da Força Sindical, em São Paulo, em evento comemorativo ao Dia do Trabalhador. As informações são do jornal O Globo.
“Nós estamos num ano que é inadmissível o que está se vendo nas pesquisas eleitorais. Inadmissível. O contraste é tão grande, tão grande, que só uma lavagem cerebral coletiva explica uma comparação impossível entre dois personagens (Lula e Flávio) da história do Brasil”, discursou o ex-ministro.
“Nós temos um desafio cívico para cumprir, que é na defesa das prerrogativas dos trabalhadores, da democracia conquistada pelos trabalhadores. Essa agenda de democracia é nossa”, continuou.
Conforme a última pesquisa Genial/Quaest, divulgada em abril, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro possui 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno ao Palácio do Planalto, enquanto Lula marca 40%. Foi a primeira vez que Flávio apareceu numericamente à frente do principal adversário. Devido à margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, no entanto, o cenário configura empate técnico.
‘Derrota no combate à corrupção’
Ainda na sexta-feira, no mesmo evento, Haddad também afirmou a jornalistas que as duas recentes derrotas da gestão Lula no Congresso foram “derrotas no combate à corrupção”. O ex-ministro se referiu à rejeição da indicação de Jorge Messias, Advogado-Geral da União, ao Supremo Tribunal Federal (STF), além da derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria por parte do Congresso.
“Eu sou da opinião que essa derrota, essa dita derrota no Congresso, foi uma derrota do combate à corrupção. Hoje eu mesmo estava vendo analistas políticos dizendo que, por trás dessa derrota, tinha uma pretensão de um grande acordo em torno da impunidade daqueles responsáveis por alguns escândalos recentes no Brasil”, disse Haddad, em alusão às articulações em torno do escândalo do Banco Master na votação.
Haddad também afirmou “lamentar” as recentes decisões do Congresso devido à “desfaçatez dos criminosos envolvidos”: “Tudo o que as pessoas desse país desejam, os cidadãos comuns, é que as responsabilidades sejam todas elas apuradas até o fim. Então eu penso que essa suposta derrota da indicação do presidente para o Supremo, na verdade, é uma derrota de todos nós”, completou.
Também participaram as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), pré-candidatas ao Senado. A segunda já tem a vaga assegurada para a campanha. Ao contrário de outros anos, as centrais sindicais não fizeram grandes atos em conjunto, mas eventos menores em suas sedes.
Haddad foi questionado pelo jornal O Globo sobre a montagem da chapa em São Paulo, objeto de disputa interna entre Marina Silva e Márcio França, ambos postulantes à vaga que resta para concorrer ao Senado.
“Nós estamos com um bom problema, porque são quatro ex-ministros do presidente Lula aqui representados em São Paulo, cada um com uma visão de mundo convergente, mas com as suas especificidades que têm que ser consideradas pelo eleitor. Nós temos pessoas aqui, todo mundo aqui é ficha limpa, serviços prestados ao país, compromisso com ética na política, pessoas que têm anos e anos de vivência política”, avaliou.
Após a justiça determinar que Sivaldo Albino (PSB) parasse de se promover em eventos públicos, o prefeito de Garanhuns subiu no palco do Festival Viva Garanhuns, na noite de ontem (2), para anunciar cinco atrações da edição de 2027 do evento.
“Sempre que eu subo ao palco é para anunciar atrações do ano que vem. A gente faz o evento com programação, com planejamento”, afirmou o gestor. Sivaldo anunciou cinco atrações para o Festival Viva Garanhuns do próximo ano: Rey Vaqueiro, Geraldo Azevedo, Mano Walter, Solange Almeida e Calcinha Preta. As informações são do Diário de Pernambuco.
Segundo a decisão, publicada em abril, o prefeito deveria evitar falas públicas que caracterizem a “exaltação de sua figura pessoal ou de sua gestão em detrimento do caráter institucional da publicidade”
Em nota enviada ao Diario, Sivaldo afirmou que “entende não haver qualquer proibitivo legal para subir ao palco e anunciar atrações do próximo Festival Viva Garanhuns 2027”. Ele também declarou que não é candidato este ano e que seus “pronunciamentos têm caráter de divulgação dos festivais realizados pela prefeitura de Garanhuns”.
“Diferente de outros diversos eventos no estado onde prefeitos e pré-candidatos têm subido aos palcos com frequência, inclusive a governadora, em eventos realizados ou patrocinados pelo Governo do Estado, com claro objetivo eleitoral”, finaliza a nota.
Entenda
No último dia 13 de abril, o juiz Glacidelson Antônio da Silva, da Vara da Fazenda Pública da Comarca de Garanhuns, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, determinou que o gestor se abstenha de realizar promoção pessoal em eventos custeados pelo município.
A decisão atende a uma ação popular que alega que o prefeito teria utilizado o palco do evento para promover sua imagem pessoal e política, anunciando atrações futuras do festival e dando declarações que misturariam a figura pessoal com a gestão pública.
A ação também afirmou ter ocorrido nova publicidade pessoal do prefeito no festival Viva Jesus, em setembro de 2023, quando ele anunciou pessoalmente as atrações do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) de 2024.
Leia a nota completa
“O prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino, entende não haver qualquer proibitivo legal para subir ao palco e anunciar atrações do próximo Festival Viva Garanhuns 2027, exclusivamente para promoção do evento, que este ano, mais uma vez tem alcançado excelentes números de público, visitação turística e movimentação econômica no município, com a Praça Mestre Dominguinhos lotada todas as noites.
Vale ressaltar que o prefeito já é reeleito e não é candidato a nada este ano, e seus pronunciamentos, como se pode conferir nas redes sociais, têm caráter de divulgação dos festivais realizados pela prefeitura de Garanhuns, diferente de outros diversos eventos no estado onde prefeitos e pré-candidatos têm subido aos palcos com frequência, inclusive a governadora, em eventos realizados ou patrocinados pelo Governo do Estado, com claro objetivo eleitoral.”
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou neste domingo de um culto na igreja do pastor Silas Malafaia, na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O encontro marca a reaproximação entre os dois depois de atritos acumulados no início, quando o pastor se manifestou contrário à indicação de Flávio como sucessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Antes, Malafaia já havia demonstrado preferência por uma chapa presidencial formada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na liderança, e da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) na vice. O ex-presidente, no entanto, anunciou Flávio na frente como presidenciável, deslocando Tarcísio para disputar a reeleição em São Paulo e prevendo Michelle como candidata ao Senado no Distrito Federal (DF). Depois do anúncio, Malafaia chegou a dizer que Flávio “não empolgou a direita”. As informações são do jornal O Globo.
Depois do mal-estar, eles voltaram a se encontrar em uma manifestação na Avenida Paulista no início do ano. No encontro de hoje, no entanto, é esperada uma sinalização de apoio mais explícita do pastor a Flávio e uma possível pacificação da relação entre os dois.
“É um amigo nosso, estou vindo aqui prestigiar o culto dele (de Malafaia) para que ele possa fazer uma oração por nós que estamos aqui, pelo nosso Brasil”, disse Flávio.
Antes do início do culto, eles se reuniram em uma sala de café da manhã e foram recepcionados pelo pastor Silas Malafaia. Também participaram do encontro o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, que tenta assumir o comando do governo e deve concorrer ao mandato-tampão. Além deles, estava presentes o ex-prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado Marcelo Crivella (Republicanos), o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), o senador Bruno Bonetti (PL-RJ) e o vereador do Rio de Janeiro Alexandre Isquierdo (PL), que presenteou o senador com uma camisa do Vasco, três dias depois de seu aniversário.
O senador Bruno Bonetti (PL-RJ) também esteve no encontro e chegou ao local com uma caminhonete satírica, com a estampa da bandeira do Brasil e com os dizeres “patrocinado pelo Banco Master”. Ao jornal O Globo , o parlamentar disse que a relação entre Flávio e Malafaia estava em bons termos. “O pastor não traria ninguém para dentro da igreja se não estivesse pacificado”, disse o senador.
No dia 19 de março, Ivan Valente subiu à tribuna da Câmara para pedir a cassação de deputados do PL que desviaram dinheiro de emendas. Conhecido pelo tom combativo, aproveitou para provocar os “capachos da elite”, criticar as guerras de Donald Trump e descer a lenha em Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
O deputado do PSOL não mencionou, mas era seu último discurso após oito mandatos em Brasília. Suplente da federação com a Rede, ele teria que devolver a cadeira à titular Marina Silva. Sem alarde, despediu-se dos aliados e avisou que não seria mais candidato. Estava encerrando a carreira parlamentar.
“Outro dia, ouvi o Martinho da Vila dizer que saber parar é uma virtude. Eu também estou nessa”, brinca Valente, que fará 80 anos em julho. “Foi uma decisão bem pensada. A idade pesa, e a política precisa de renovação”, defende.
Em 2023, o veterano se submeteu a um transplante de rim, que o afastou da Câmara por três meses. A doadora foi sua mulher, Vera Lúcia. Perseguidos pela ditadura, os dois se conheceram na clandestinidade. Valente passou sete anos nas sombras até ser capturado em 1977, quando militava no Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP). Preso no DOI-Codi do Rio, apanhou no pau de arara, levou choques elétricos e ficou na geladeira, cubículo onde os presos eram confinados sem luz, água ou comida.
A tortura deixou sequelas físicas, mas não abalou suas convicções socialistas. Depois da Anistia, ele dirigiu o jornal alternativo Companheiro e ajudou a criar o PT. Elegeu-se para o primeiro mandato em 1986, como deputado estadual. Mais tarde, deixaria o partido para participar da fundação do PSOL. Tachado de radical, incorporou a palavra ao slogan de campanha.
Como outros parlamentares de sua geração, Valente andava desanimado com o Congresso. “O nível caiu muito, a mediocridade está grande. Até o convívio com os adversários já foi mais civilizado”, lamenta. “Sempre tive amigos no PSDB. Hoje a Câmara está cheia de deputados toscos, extremistas, napoleões de hospício. Com muita gente, não dá nem para conversar”.
Na quinta-feira, ele assistiu pela TV à derrubada do veto ao projeto que reduz as penas de Jair Bolsonaro e seus comparsas. “É um escárnio. Estão normalizando uma tentativa de golpe que não se consumou por um triz”, indigna-se.
O decano do PSOL prega que o governo dê um “giro à esquerda” para tentar sair da lona. “O Centrão já escolheu seu candidato. Se Lula quiser ganhar a eleição, terá que virar a chave, defender pautas que interessem aos trabalhadores e convocar a militância para voltar às ruas. A gente precisa perder o pudor de fazer o enfrentamento”, defende.
Há três anos, a Comissão de Anistia reabriu o processo de Valente, que havia sido arquivado no governo passado. Ele ouviu um pedido formal de desculpas pela tortura e recebeu indenização de R$ 332 mil pelo período em que foi impedido de trabalhar como engenheiro e professor de matemática. Na cerimônia, quebrou o protocolo e pediu para não discursar no local reservado, à direita da plateia. “Como jacobino, falo sempre pela esquerda”, justificou, arrancando risadas do público.
“Em 29 anos na Câmara, nunca usei a tribuna da direita, nem em sessão solene”, orgulha-se o agora ex-deputado. Sem mandato, ele promete continuar ativo nas redes e nas ruas. Na sexta, participou de live e bateu ponto em ato pelo Dia do Trabalhador. “Posso ficar na retaguarda, mas não vou deixar de fazer política”, promete.
“Muito querido e amado por todos”. Foi assim que Ranielly Santos, 24 anos, descreveu o pai, Edvaldo Pinto dos Santos, 70, encontrado sem vida neste domingo (3). Ele estava desaparecido desde a sexta-feira (1º), quando pulou em uma enchente no bairro do Beberibe, Zona Norte do Recife, e foi arrastado por uma correnteza.
Em entrevista à Folha de Pernambuco, Ranielly informou que, além dela, Edvaldo deixa mais três filhos. Ele era conhecido no bairro por seus personagens e seu bom humor, já que atuava como palhaço e animava celebrações locais.
“Meu pai era muito querido, muito querido mesmo, de verdade. Todo mundo gostava dele, muita gente amava ele. Ele era muito brincalhão. Tinha personagens como o palhaço ‘Pitombinha’, fazia animação em mercados, lojas… só coisas boas”, contou.
‘Foi uma brincadeira e acabou em fatalidade’
O momento em que o idoso foi arrastado pela enchente foi registrado em vídeo que circula nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver Edvaldo pulando na água, mas sem encontrar força para retornar.
Segundo Ranielly, o pai morava sozinho e, portanto, a família não estava no local para impedir que ele pulasse. Antes de ser arrastado, inclusive, ele já havia pulado uma vez e conseguido voltar à superfície.
“Ele já tinha feito algumas vezes, algumas enchentes atrás. Ele sempre gostava de pular, fazer essas coisas no meio da vizinhança. Na sexta, ele pulou uma vez, voltou e pulou de novo. Foi uma brincadeira e acabou numa fatalidade”, disse.
Família suspeitava doença de Alzheimer
Segundo a filha, a família suspeitava que Edvaldo tinha princípio da doença de Alzheimer. A família havia, inclusive, marcado exames para o próximo dia 15 de maio, em busca de um laudo que comprovasse a efermidade para que pudessem lhe dar o tratamento devido.
“Eu estava na minha casa e ele morava sozinho. Ele nunca quis morar conosco, morava há mais de 10 anos nessa comunidade. A gente não tinha documentos para interditar ele, mas suspeitávamos da doença. Estava tudo marcado para os exames, mas infelizmente não tinha como fazer nada porque ele não queria nos ouvir. Estávamos tentando conseguir o laudo”, afirmou.
Após dias de angústia, a filha, assim como toda a família, está aliviada em finalmente ter obtido uma resposta para a angústia que sentiam.
“A gente está devastado. Não esperávamos, mas estamos aliviados porque encontramos. Estávamos muito angustiados. Graças a deus encontramos e poderemos dar a ele um enterro digno”, relatou a filha.
Edvaldo Pinto dos Santos era conhecido pelo bom humor e atuava como palhaço em festas e estebelecimentos. – Foto: Cortesia
O que dizem os bombeiros
Procurada, a assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) informou que tenta contato com as equipes de resgate e que deve trazer atualizações sobre o caso em breve. O canal segue aberto.
Neste domingo (3), começaram a chegar aos municípios pernambucanos afetados pelas chuvas, na Região Metropolitana do Recife (RMR) e na Mata Norte, as máquinas e os equipamentos disponibilizados pelo Governo de Pernambuco. Eles vão reforçar as ações emergenciais de abertura de estradas, retirada de lama e entulhos, além de apoiar a recuperação das áreas impactadas.
A ação acontece 24 horas após a reunião realizada ontem (2), que reuniu mais de 20 prefeitos da RMR e da Mata Norte e definiu um plano emergencial de trabalho conjunto para reduzir os efeitos das chuvas. Na ocasião, ficou estabelecida a publicação de decreto de emergência para os municípios atingidos, além da atuação conjunta das equipes técnicas do Estado e das prefeituras no mapeamento dos principais impactos e na estruturação de um plano de ação emergencial para atender às cidades afetadas.
O presidente da Amupe e prefeito de Aliança, Pedro Freitas, destacou a rapidez da resposta institucional e agradeceu à governadora Raquel Lyra pelo apoio aos municípios. “Em nome dos municípios pernambucanos, agradeço à governadora Raquel Lyra pela pronta resposta e pela disponibilização desses equipamentos, que serão fundamentais para acelerar os trabalhos emergenciais e ajudar as cidades a retomarem a normalidade o quanto antes”, afirmou Pedro Freitas.
O município de Goiana passou este domingo (3) sem registro de chuvas. De acordo com a Defesa Civil, além da ausência de precipitações ao longo do dia, também não há previsão de chuva no curto prazo. Apesar da melhora nas condições climáticas, a cidade segue em estado de atenção, com equipes mobilizadas para atender a população atingida.
As famílias continuam sendo atendidas em seis abrigos temporários, que atualmente acolhem 626 pessoas, distribuídas da seguinte forma: Manoel Borba (225 pessoas/61 famílias), IV Centenário (82 pessoas/35 famílias), Augusto Gondim (95 pessoas/43 famílias), André Vidal (95 pessoas/35 famílias), José Pinto (91 pessoas/34 famílias) e ETE (38 pessoas/25 famílias). Além desses números, o município também contabiliza 220 pessoas desalojadas.
As estruturas foram organizadas para garantir atendimento emergencial, oferecendo acolhimento, alimentação e segurança às famílias desabrigadas e desalojadas pelas chuvas. Mesmo com a redução do nível da água em algumas áreas, regiões ribeirinhas ainda permanecem alagadas, o que impede, por enquanto, o retorno seguro dos moradores às suas residências.
Um levantamento realizado por uma equipe técnica do município avaliou os prejuízos causados pelo evento climático. De acordo com os dados, cerca de 10 mil unidades habitacionais foram danificadas e cinco destruídas, além de cinco unidades públicas de ensino afetadas. O impacto mais significativo foi registrado nas obras de infraestrutura pública, com 700 estruturas danificadas e 250 destruídas, gerando prejuízos estimados em aproximadamente R$ 50 milhões. Esse tipo de infraestrutura inclui itens essenciais como ruas e estradas, pontes, sistemas de drenagem, bueiros, galerias pluviais e acessos públicos.
Caciques da política do Rio que ficaram fora das eleições de 2022 por inelegibilidade, e que resolveram pendências judiciais, preparam candidaturas neste ano na tentativa de retornar ao Legislativo. Nomes como o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) e os ex-deputados estaduais Paulo Melo (União) e Edson Albertassi (MDB) devem concorrer aos mesmos cargos que ocupavam antes de serem alvo de investigações, posteriormente arquivadas.
O retorno às urnas, porém, ocorre em meio a dificuldades em seus antigos redutos, além da tentativa de surfar no prestígio de outros candidatos a cargos majoritários. As informações são do jornal O Globo.
Garotinho tenta se lançar a governador, mas dirigentes do Republicanos já sinalizaram que vão priorizar uma candidatura do ex-prefeito de Miguel Pereira, André Português. Com isso, uma alternativa para Garotinho é concorrer a deputado federal, o último cargo eletivo que ocupou, até 2014.
Desde então, o ex-governador foi preso cinco vezes e sofreu condenações por improbidade administrativa na Justiça estadual, e por compra de votos, na Justiça Eleitoral, que o deixaram inelegível em 2018 e 2022. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a condenação eleitoral, o que deixa Garotinho apto a voltar às urnas. Em 2024, ele já havia conseguido suspender os efeitos da outra sentença, por improbidade.
Caso concorra a deputado, Garotinho poderá enfrentar o próprio filho, Wladimir (PL), por uma vaga na Câmara. Ex-prefeito de Campos dos Goytacazes e hoje aliado do senador Flávio Bolsonaro, Wladimir tem tido rusgas com o pai por discordar dos ataques que ele tem feito tanto ao pré-candidato do PL ao governo, Douglas Ruas, quanto a seu rival na disputa estadual, Eduardo Paes (PSD). Procurado pelo O Globo, Garotinho não retornou os contatos.
Voto “Bolsopaes”
Outro que voltará a disputar uma eleição estadual é o ex-deputado Edson Albertassi, que ainda cumpria prisão domiciliar no pleito de 2022, em decorrência da Operação Cadeia Velha. O caso, que tramitava na Justiça Federal, foi remetido para a Justiça do Rio, que arquivou o processo em definitivo no mês passado. A decisão também beneficiou o ex-presidente da Alerj Paulo Melo, que deve concorrer, assim como Albertassi, a deputado estadual neste ano.
Em entrevista neste mês a uma rádio de Volta Redonda (RJ), Albertassi frisou que “não deve nada à Justiça”. Para concorrer à Alerj, ele busca se equilibrar entre apoios a Paes e a Flávio Bolsonaro, e lembrou ter feito algo similar em 2014, quando apoiou a candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB); o MDB, à época, estava coligado a Dillma Rousseff (PT).
“O alinhamento do partido no Rio é pela campanha do Bolsonaro, com os senadores também apoiados pelo PL, e com o Eduardo Paes. Quando Pezão era candidato (ao governo, em 2014), fizemos no Rio uma dissidência, que era o “Aezão”. Agora sugeri criar o “Bolsopaes”, que é a campanha do Bolsonaro com Eduardo Paes”, disse Albertassi na entrevista.
Paulo Melo, por sua vez, se prepara para fazer campanha fora de Saquarema, cidade da Região dos Lagos que sempre foi seu reduto. Em 2024, quando recuperou a elegibilidade e foi candidato a prefeito, ele teve larga desvantagem na disputa contra o grupo do também ex-prefeito Antonio Peres (PL). A avaliação na cidade é que o cenário deve se repetir neste ano, quando Peres apoiará a candidatura da ex-mulher, Manoela, ao Legislativo.
“Eu sabia que a campanha de 2024 seria difícil, mas teve a importância de mostrar para as pessoas que eu estava elegível, apesar das mentiras que falavam sobre mim”, afirma Melo.
A eleição deste ano também contará com herdeiros de personagens tradicionais da política fluminense, como os ex-deputados Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador Sérgio Cabral, e Leonardo Picciani (PV), filho do ex-deputado Jorge Picciani, falecido em 2021. Ambos deixaram o MDB para tentar um resultado melhor do que há quatro anos, quando não se elegeram à Câmara.
Quando interesses se unem não para governar, mas para conter investigações e evitar consequências, o problema deixa de ser um nome barrado e passa a ser a República em risco. O forno que derrubou Jorge Messias continua aceso e não falta lenha.
Sim, quem assou a candidatura do escolhido por Lula ao STF pode deixar a democracia queimar por interesses pessoais, como venho dizendo aqui desde a última quinta. A questão não é ele ter sido reprovado por currículo, mas o currículo ter sido o menos importante de tudo.
Os protagonistas seguem por aí com a fornalha acesa pelo Banco Master. Davi Alcolumbre (com apadrinhado que entregou R$ 400 milhões da aposentadoria dos servidores públicos do Amapá para o Master queimar), Ciro Nogueira e o centrão bolsonarista (e suas relações promíscuas com os donos do banco e, por que não, os de bets), Alexandre de Moraes (e a falta de explicação plausível para o contrato de R$ 129 milhões de sua esposa com o Master), Flávio Bolsonaro (que quer instabilidade até as eleições, mas sem que lembremos que o clã do banco foi o maior doador individual de seu pai) e Daniel Vorcaro e família (o ponto de convergência onde grupos e pessoas ideologicamente distintas passam a cooperar para que o verdadeiro inquérito do fim do mundo desapareça).
Não há ideologia aqui, não há projeto de país, apenas proteção mútua. Tenho repetido feito maritaca com cãibra que as investigações do banco poderiam explodir o sistema. Cairiam pessoas ligadas ao governo Lula, mas o grande estrago seria no fisiologismo do Centrão e na direita bolsonarista.
Com isso, enterraram a CPI do Master e derrubaram vetos contra a redução da punição aos golpistas. O problema é que, quando os pizzaiolos tomam gosto pela coisa, o cardápio não para com Messias servido.
Discute-se agora como fazer outros sabores. Por exemplo, o que poda a prerrogativa presidencial de indicação de ministros ao STF, o que permite proteção a todos os envolvidos no escândalo do Master, o que tira golpistas da cadeia, o que ameaça Flávio Dino de impeachment por estar à frente do processo de moralização das emendas parlamentares, o que interfere na corrida eleitoral porque Lula resolveu não ser sócio da pizzaria.
Ou seja, a próxima coisa a sair desse forno pode ser a própria democracia, tostada por fora, vazia por dentro, servida como se ainda estivesse inteira.
O fim do jantar ainda está longe e tudo pode acontecer. Mas se a fumaça começar a sair pela chaminé, não adianta fingir surpresa. Democracias não costumam morrer de forma dramática, elas vão sendo cozidas em fogo baixo, enquanto acordos inconfessáveis garantem que ninguém mexa no recheio do outro.