A universalidade do Capitão 7 tinha a mesma abrangência do Superman e o Dr. Silvana e Lex Luthor tiveram seus correspondentes nos vilões do Capitão. Coisas de São Paulo, meus amigos.
O tema da perda de amigos para São Paulo e de lindas conterrâneas que desapareceram na big metrópole do ouro, do poder e da ilusão, abordado em sua crônica domingueira de hoje, também é muito caro para mim, tendo como referência Ouricuri, a minha segunda pátria.
A minha primeira pátria, no Pajeú das Flores, foi negada ao meu pai Walfredo, a minha Mãe Euza e a nós filhos pelo cangaço mais vil e cruel do sertão pernambucano. Cadê os irmãos Çico, Assis Guaxinim e Doda, exímios craques na arte da bola e da marcenaria? São Paulo os engoliu e não vomitou! Porca miséria!
Julião de Senhor Borges, que trabalhou em roça de meu pai, exímio comedor de melancia e forte feito um touro. Julião gostava de quadrinhos e me apresentou, contando histórias, ao mágico mundo de Disney, me falou de uma feroz luta de Mickey contra João Bafo de Onça, que fugia em um helicóptero.
Parece que Julião, neste caso, preferiu o vilão. E eu não gostei. Credo, Julião. Como esquecer das histórias de Julião sobre o Fantasma, o espírito que anda, o Sr. Walker e sua linda namorada Diana Palmer, a funcionária da ONU na área de direitos humanos!
Diana ao casar, finalmente, em 1977 passou a assinar Diana Palma Walker. Que nome tão lindo, meu Deus! A este casamento compareceram presidentes, reis, chefes de tribos mais distantes e ricas, que presentearam o jovem casal com caixões de diamantes, ouro, prata e especiarias raras, algo que a nossa querida Roberta Jungmann não cobriu, uma pena.
Julião me contou, e eu babei, sobre os doze trabalhos do Fantasma, algo como os doze trabalhos de Hércules. Esta é uma história de desafio para recuperar Diana Palmer da mão de um malvado, e eu quis ser, sim, o Fantasma para receber um beijo de recompensa e poder sentir os braços sedosos daquela deusa dos sonhos de qualquer homem.
Jamais encontrei essa história do Fantasma, encontrei uma bem próxima. Ou Julião se enganou ou minha memória de criança me traiu. Nêgo Zeca, padeiro, forte que só um touro e generoso que só um Illuminati.
O padeiro de minha infância e adolescência hoje, com o seu grupo, domina a economia e a indústria das guerras mundiais, para minha surpresa. Mora, disfarçado, na Zona Leste de São Paulo, como um simples e afetuoso avô.
Zeca foi para São Paulo em busca de Pelé e suas maravilhas. Virou santista para sempre. Este Zeca renascentista me presenteou, na sua partida, com a sua coleção de Jacques Douglas, o Agente Secreto SZ-4.
Considero este o melhor presente que recebi em minha vida. Meu compadre Raimundo Papai do Céu foi em busca do Palmeiras e Ademir da Guia e por lá ficou alguns anos. Sobreviveu à máquina moedora de carne humana, voltou e encantou-se em Ouricuri, cercado da glória de ter visto Ademir da Guia jogar, que ele dizia nas discussões acaloradas ter sido melhor que Pelé.
Aí só faltava sair tapa, mas o meu comadre segurava a tese, doesse em quem doesse. Devo dizer que batizei uma filha sua, por procuração, chamada Ava Gardner, irmã de Gary Cooper, Kêrinho para todos e para sempre.
Seu bordão: “O Palmeiras não é um time, é uma sociedade” e aí o pau comia na terra de São Sebastião de Ouricuri, soldado de Jesus. As belas irmãs Sobreiras também foram embora, com os pais e o irmão Marcelo, um cabôco forte, e delas não tive mais notícias.
Lindas morenas como eram, devem ter arranjado maridos na terra da garoa e constituído belas famílias, que na minha vida e história não existe amargor para estar arrotando fel. Os belos nome dessas princesas, originárias, salvo engano, de Novo Exu, de Luiz Gonzaga: Adélia, Inês, Liene e Lenaide. As outras, a memória apagou. A memória é um mercenário que cobra um alto preço.
E já que você falou em Mário de Andrade, o genial homem que rompeu com as métricas certinhas e parnasianas com o seu Paulicéia Desvairada, praticamente inaugurando o Modernismo, movimento que ensinou ao brasileiro falar a sua língua tupi-guarani, africana, europeia, lembremos ele, o grande Mário: “Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta”.
Ou em Macunaíma, quando ele faz a maior descoberta antropológica sobre o homem brasileiro e que estamos aí a ver nas profundezas dos pântanos: Macunaíma, o típico homem brasileiro, é um herói sem nenhum caráter.
Mário era um grande intelectual e não teve tempo na terra suficiente para ver que o Brasil também é formado de homens de excepcional caráter e grandeza moral. Você quer um exemplo? Armando Monteiro Filho.
Seu amigo,
Zé da Coruja.
*Diretor operacional da Folha de Pernambuco
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