A 2ª Vara da Comarca de Timbaúba acolheu o pedido do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), através de ação civil pública, e determinou que a Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), o Estado de Pernambuco e o Município de Timbaúba forneçam água própria para o consumo humano e adotem ações corretivas ao constatar contaminação da água, além de multa por descumprimento.
A COMPESA ainda foi multada em R$ 100.000,00 por danos morais coletivos. Caso descumpra as obrigações citadas, no prazo de 30 dias, haverá a multa diária de R$ 2.000,00, limitados ao valor total de R$ 60.000,00.
Segundo o MPPE, foi constatado por relatórios emitidos pela COMPESA que o fornecimento de água aos moradores de Timbaúba está fora dos padrões exigidos pela legislação. Pela argumentação do Promotor de Justiça João Elias da Silva Filho, a água já sai da estação de tratamento contaminada, fora dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde e viola o Código de Defesa do Consumidor ao não oferecer serviço público adequado, eficiente e seguro.
O Promotor requereu na ação de tutela de urgência que também seja feita análise da qualidade da água, assim como apresentação de relatórios mensais de qualidade da água.
Segundo o MPPE, as unidades consumidoras onde foram constatadas água contaminada são administradas pelo município de Timbaúba e que a contaminação pode ter ocorrido no sistema de armazenamento e de acesso à água das unidades.
Na decisão, o Juiz de Direito Danilo Félix Azevedo confirma que “as alegações expendidas pelo órgão ministerial estão, robustamente, alicerçadas na contundente prova documental com que instruiu sua inicial e que foram produzidas no decorrer do presente processo, constituída pelos vários laudos expedidos, bem como número de visitações inferior ao previsto em Portaria que disciplina a matéria e com conclusão insatisfatória”.
Até agora líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE) vai para a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência com uma missão principal: ampliar alianças. Um dos dez irmãos do ex-presidente do PT José Genoino, Guimarães é tido como um petista com trânsito muito bom no chamado Centrão.
Tem boas relações com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e com o atual, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo um interlocutor próximo de Guimarães, sua principal vantagem é que trabalha em silêncio. É discreto. A leitura que governistas fizeram da pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana é que ela mostra que a chave das eleições deste ano estará no comportamento do centro.
São aqueles que não se inclinam desde já nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). São cerca de 30% de eleitores que é preciso tentar fisgar. Há uma percepção de que, nos municípios, esses eleitores seriam influenciados por políticos do Centrão, de partidos como MDB, União Brasil, PP e PSD. Mas a primeira tarefa será aplainar o terreno no Congresso.
Em um momento em que estava com popularidade mais alta, Lula acabou convencido pelos setores mais à esquerda que era uma boa ideia colar na hashtag que muitos chegaram a usar de “Congresso inimigo do povo”. Agora, sua popularidade está baixa e Lula ainda tem uma agenda que depende do Congresso, com temas como a PEC da Segurança. Sem contar com as possibilidades de boicote mesmo. Gleisi Hoffmann, que saiu para disputar o Senado pelo Paraná, também tinha trânsito com parte do Centrão, mas com discurso mais duro.
Então, daí o que se planeja é o início de um trabalho que saia do Congresso e vá para a base. Nas negociações para liberação de verbas para obras feitas com dinheiro do orçamento – as que efetivamente foram feitas, diga-se de passagem – havia a exigência de que sempre houvesse nelas uma placa claramente indicando que a verba vinha do governo federal.
O plano agora é que Lula faça um intenso périplo pelo país inaugurando tais obras e fazendo tais entregas. Natural – o governo imagina – que nessas entregas o deputado federal ou senador autor da emenda irá querer aparecer também para faturar politicamente o benefício para a sua base eleitoral.
Dificilmente os partidos do Centrão irão oficialmente fechar aliança com Lula. O governo já não imagina que hoje isso seja possível com relação a nenhum deles. Mas considera que há boa chance de alianças pontuais em estados e municípios. E tais possibilidades, avalia-se agora, podem ser ampliadas.
Até mesmo em São Paulo, onde Gilberto Kassab integrou o governo Tarcísio de Freitas, trabalha ali o PT para atrair o PSD. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) defende que a candidata a vice na chapa de Fernando Haddad seja Alda Marco Antônio, do PSD, que foi vice de Kassab quando ele foi prefeito.
No fundo, é uma corrida em busca desses apoios do Centrão. Flávio também corre em busca deles. E, no seu entorno, há quem avalie que ele, pelo perfil mais conservador, teria mais chances de formalizar mesmo alguns apoios, especialmente com a Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e PP. E com o Novo.
No caso do Novo, há o namoro com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema para ser um eventual vice. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), faz campanha para que a vice de Flávio seja a deputada federal Clarrissa Tércio (PP-PE). Clarissa teria duas vantagens: ser mulher e ser do Nordeste.
Mas, no caso, interessará à federação estar formalmente na chapa de Flávio? Andam desconfiados com a forma como o PL atua. Agora mesmo foi o partido que mais cresceu na janela partidária ganhando deputados do União. E escanteia possíveis aliados, como Esperidião Amin (PP) em Santa Catarina.
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, recebeu, há pouco, o resultado de uma ressonância, tendo sido constatado uma infecção na vesícula biliar. Ele terá que fazer o tratamento no hospital por pelo menos cinco dias, segundo uma fonte familiar.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, deu entrada no Hospital Memorial Star, no Recife, ontem, com desconforto abdominal. Segundo os médicos que já avaliaram previamente o ministro, não se trata de nada grave, mas ele precisará ficar internado para a realização de exames.
Depois de serem espalhadas entre o Agreste e o Sertão, pela Wingos Outdoor, diversas peças em outdoor assinalando as comemorações pela passagem dos 20 anos de fundação deste blog começam a ganhar o Recife, desta feita pela Bandeirantes Outdoor, do grupo Bandeirantes, à frente meu amigo Mauro Santos.
Os primeiros afixados estão na Avenida Domingos Ferreira – esquina com Av. Barão de Souza Leão, sentido Piedade/Aeroporto e na Avenida Domingos Ferreira, junto ao WIZARD, sentido Carrefour/Shopping Recife/Aeroporto. Ao longo dos próximos dias serão vistos também em corredores de grande visibilidade, como as BRs 232, 101 e 421.
O outdoor é uma criação da agência RXZ, do meu amigo René Bensoussan. A RXZ é uma agência topada. É dela a produção do logotipo dos 20 anos e de todas as peças que propomos e discutimos para destacar as duas décadas de funcionamento ininterrupto do blog, pioneiro no Nordeste e líder absoluto em acessos.
Agradeço o empenho e a dedicação de René e toda sua competente agência de publicidade. Aliás, todas as peças alusivas às festividades dos 18 anos do blog, em 2024, nasceram no laboratório da RXZ, com o DNA genial de toda sua equipe.
O deputado Waldemar Oliveira, novo líder do Avante na Câmara dos Deputados, é o meu convidado do meu podcast Direto de Brasília, de hoje, em parceria com a Folha de Pernambuco. Na pauta, os desafios de liderar uma bancada minúscula, oito deputados e um senador, o surgimento da candidatura própria do partido, o escritor Augusto Cury, além do reposicionamento do partido diante do governo Lula.
Waldemar começou sua trajetória política em 2018 como primeiro suplente do senador Humberto Costa (PT). Em 2019, se filiou ao Avante e assumiu a presidência estadual da legenda. Nas eleições estaduais de 2022, foi eleito deputado federal, obtendo 141.386 votos.
Recentemente, o Projeto de Lei 6264/25, de autoria do parlamentar, que amplia o direito ao atendimento especializado em concursos públicos e vestibulares para candidatos com transtornos de neurodesenvolvimento, entrou em análise na Câmara dos Deputados.
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Educação; de Administração e Serviço Público; de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
O Direto de Brasília vai ao ar hoje, das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, e também em cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste. Retransmitem o programa a Gazeta News (Grupo Collor) em Alagoas; a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras na Paraíba; a Mais-TV (sob o comando do jornalista Heron Cid); a Rede ANC, no Ceará, com mais de 50 emissoras; e a LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são: Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, Autoviação Progresso, Grupo Antonio Ferreira Souza, Água Santa Joana, Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luiz Alberto Gurgel de Faria, cumpre agenda no Recife, nesta sexta-feira (17), às 10h30, para o lançamento do livro “Aspectos essenciais do imposto e da contribuição sobre bens e serviços”. O evento, que ocorre no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Recife (FDR/UFPE), marca a apresentação da obra escrita pelos juristas e professores Eric Castro e Silva e Roberto Quiroga Mosquera.
Prefaciada pelo ministro, a obra analisa tecnicamente os novos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), pilares da reforma tributária brasileira. Gurgel de Faria classifica o trabalho como uma contribuição essencial para a segurança jurídica, destacando a transição do país para um modelo de valor agregado utilizado por economias desenvolvidas.
O lançamento integra a programação oficial do Bicentenário da Faculdade de Direito do Recife. O livro detalha as complexidades da Emenda Constitucional nº 132/2023 e serve como guia técnico para o período de transição tributária, que se estende até 2033, abordando a aplicação prática das leis complementares aprovadas em 2025.
O deputado Sileno Guedes é o novo líder da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A mudança foi formalizada em ofício publicado, na edição de hoje, no Diário Oficial da casa. Já a função de líder da bancada do PSB na Alepe, que antes era desempenhada por Sileno, passa para as mãos do deputado Diogo Moraes.
Sileno vai liderar um grupo de oito deputados do PSB, um do MDB e um do Republicanos. Sua função será orientar a posição da bancada em votações, unificar o discurso do bloco e atuar como intermediário entre os parlamentares e a mesa diretora. Os deputados Eriberto Filho (PSB) e Romero Albuquerque (PSB) foram indicados como vice-líderes da oposição.
Já Diogo Moraes desempenhará essas atribuições em relação aos parlamentares do PSB, buscando a unidade partidária na atuação dentro da Alepe em votações, discursos e outras atividades. A deputada Simone Santana (PSB) será a vice-líder do PSB. A bancada do partido ainda conta com os deputados Rodrigo Farias, Francismar Pontes e Waldemar Borges.
À medida que o processo eleitoral se adapta às dinâmicas digitais, as redes sociais deixam de ser meras ferramentas de comunicação para se consolidarem como verdadeiros espaços de disputa política. Nesse ambiente, o impulsionamento de conteúdo ganha protagonismo como estratégia de alcance e visibilidade, sendo prática admitida pela legislação eleitoral. No entanto, o uso dessa ferramenta exige cautela, pois, a depender das circunstâncias, pode ultrapassar os limites da legalidade e configurar ilícito eleitoral capaz de comprometer a própria lisura do pleito.
A legislação brasileira não proíbe o uso da internet nas campanhas eleitorais. Ao contrário, reconhece sua relevância e estabelece parâmetros para sua utilização, especialmente por meio da Lei nº 9.504/97 e das resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. O impulsionamento de conteúdo é permitido, desde que realizado diretamente por candidatos, partidos ou coligações, com a devida identificação do responsável e o registro regular das despesas na prestação de contas. Trata-se, portanto, de um instrumento legítimo dentro do jogo democrático, desde que utilizado com transparência e observância das regras.
O problema surge quando essa prática, aparentemente regular, passa a ser utilizada de forma a gerar desequilíbrio na disputa eleitoral. O impulsionamento deixa de ser lícito quando se distancia de sua finalidade informativa e passa a servir como mecanismo de manipulação ou obtenção de vantagem indevida. Isso ocorre, por exemplo, quando há financiamento por terceiros não identificados, mascarando a origem dos recursos empregados na campanha digital, ou quando se utilizam estruturas paralelas de divulgação, como páginas que não possuem vínculo formal com o candidato, mas que atuam em seu benefício. Também se verifica a irregularidade quando há disseminação massiva de conteúdo negativo ou desinformativo contra adversários, bem como quando são empregados mecanismos automatizados para ampliar artificialmente o alcance das publicações.
Nessas hipóteses, não se está mais diante de uma estratégia legítima de comunicação política, mas de condutas que podem caracterizar abuso de poder econômico ou uso indevido dos meios de comunicação social. A Justiça Eleitoral tem avançado de forma significativa na análise dessas práticas, sobretudo diante do protagonismo que o ambiente digital assumiu nas eleições mais recentes. O Tribunal Superior Eleitoral tem sinalizado que não apenas o conteúdo veiculado deve ser examinado, mas também a forma como ele é disseminado. Em outras palavras, não basta que a mensagem seja, em si, lícita; o modo como ela é impulsionada pode torná-la juridicamente reprovável.
A jurisprudência vem se consolidando no sentido de que o uso desproporcional de recursos financeiros para amplificação de conteúdo nas redes sociais, especialmente quando não declarado ou operacionalizado por terceiros, compromete a igualdade de oportunidades entre os candidatos, que constitui um dos pilares do processo democrático. Nesse contexto, a análise da gravidade da conduta e de seu potencial de influência sobre o eleitorado passa a ser determinante para o enquadramento jurídico da situação.
Outro aspecto relevante diz respeito à responsabilidade do candidato. Ainda que o conteúdo seja divulgado por terceiros, a Justiça Eleitoral tem admitido a responsabilização quando houver benefício direto ou indireto decorrente da conduta. Essa compreensão impõe às campanhas uma postura mais diligente e preventiva, exigindo não apenas a observância das regras formais, mas também o monitoramento constante do ambiente digital. Não basta que o candidato se abstenha de praticar o ilícito; é necessário evitar, inclusive, ser beneficiado por práticas irregulares realizadas por apoiadores ou terceiros.
As consequências jurídicas decorrentes do uso irregular do impulsionamento podem ser severas. A depender da gravidade do caso concreto, a conduta pode ensejar a aplicação de multa, a desaprovação das contas de campanha, a cassação do registro ou do diploma e, em situações mais graves, a declaração de inelegibilidade por abuso de poder. O enquadramento dependerá da análise das circunstâncias específicas de cada caso, especialmente quanto à intensidade da conduta e ao seu impacto no equilíbrio da disputa eleitoral.
Diante da crescente sofisticação das estratégias digitais e da profissionalização das campanhas, é razoável afirmar que o uso das redes sociais será ainda mais intenso nas eleições de 2026. Nesse cenário, o impulsionamento continuará sendo uma ferramenta relevante, mas também se consolidará como um dos principais pontos de atenção jurídica. A linha que separa o uso legítimo da prática ilícita é, muitas vezes, sutil, o que exige preparo técnico e responsabilidade por parte de candidatos e assessores.
A busca por visibilidade não pode se sobrepor ao respeito às regras do processo eleitoral. Mais do que nunca, estratégia política e conformidade jurídica precisam caminhar lado a lado, sob pena de transformar uma ferramenta legítima de comunicação em fator de risco capaz de comprometer candidaturas e resultados eleitorais.
Em menos de dois meses, sem recorrer a Mounjaro, já perdi quase 9 quilos, exatamente 8.460 kg. Qual o segredo? Fechar a boca conta massa, doces e bebidas nas horas das refeições. Tem um complemento imprescindível: atividade física. Corro 8 km diariamente.
Não consegui este feito sozinho. Estou sendo acompanhado pela doutora Camylla Mergulhão, que possui uma clínica de emagrecimento e saúde em Arcoverde. Abaixo, deixo os dados da sua clínica para quem ficar interessado:
Os Estados Unidos e o Irã trocaram propostas para a suspensão das atividades nucleares iranianas durante negociações realizadas no sábado (11.abr.2026), em Islamabad (Paquistão). No entanto, autoridades dos dois países afirmaram que ainda estão longe de chegar a um acordo.
O Irã afirmou, ontem, que poderia suspender o enriquecimento de urânio por até cinco anos – oferta rejeitada pelo governo norte-americano. O presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), teria defendido uma suspensão de 20 anos, segundo duas autoridades iranianas e uma norte-americana ouvidas pelo jornal.
Os iranianos já haviam apresentado proposta semelhante em fevereiro, durante uma rodada de negociações em Genebra, que convenceu Trump de que era o momento de entrar em guerra. Dias depois, o presidente ordenou um ataque ao Irã.
Autoridades iranianas e norte-americanas também afirmaram ao jornal que discutem a possibilidade de uma segunda rodada de conversas presenciais, mas não deram detalhes.
O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pede o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.
O texto, que será votado hoje, pede o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. As informações são do portal G1.
Este texto não é o final da CPI, já que o documento ainda precisa ser votado pela comissão, que vai decidir se aprova ou não as propostas de indiciamentos e recomendações feitas pelo relator. A votação ocorre ainda nesta terça, data prevista para a conclusão dos trabalhos.
Segundo o senador, o documento já foi protocolado nos registros da CPI.
No relatório, ele afirma que a CPI foi alvo de “flagrante limitação de recursos”, agravada pelas “enormes barreiras políticas e institucionais levantadas na medida em que as informações sobre fatos relacionados a figuras imponentes da República” começaram a ser investigadas.
Por isso, entre os motivos de indiciamento, “é razoável que a decisão se concentre naqueles fatos e indivíduos que estão fora do alcance dos meios usuais de persecução e que podem ser sujeitos ativos de crime de responsabilidade”.
Em nova fase no Ministério da Previdência, logo após renunciar à tentativa de voltar ao Congresso como deputado, o ministro Wolney Queiroz emplacou, ontem, a presidente do INSS, em uma afirmação da sua autonomia e prestígio com o presidente Lula (PT). Embora servidora de carreira, Ana Cristina Silveira, a nova dama de ferro do INSS, integra o grupo de Wolney.
Desde que substituiu Carlos Lupi, afastado por envolvimento no escândalo do INSS, Wolney não havia nomeado alguém da sua cota. A escolha de Ana revela que ele passou a ter uma grande autonomia e o mesmo respaldo do presidente da República, já que o INSS é o principal instrumento de fomento e realização das políticas previdenciárias. O principal foco da nova gestão do INSS passa a ser a redução da fila de benefícios e a reorganização interna do órgão.
A saída do ex-presidente Gilberto Waller foi influenciada tanto por conflitos com o ministro quanto pela avaliação de que sua gestão não conseguiu enfrentar de forma eficaz o histórico e desgastante problema da fila de concessão de benefícios, considerada um dos principais gargalos da Previdência.
Além das mudanças no comando do INSS, a nova gestão de Wolney passa a ser marcada por ações voltadas ao aumento da produtividade e à redução da fila de benefícios, principal meta estabelecida pelo governo federal para a área. Dados recentes indicam que o estoque de pedidos em análise caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões em março, resultado atribuído a medidas de reforço operacional, como mutirões, ampliação de atendimentos e reorganização de fluxos internos.
Wolney tem defendido a necessidade de “mudar o ritmo” da autarquia, com foco em eficiência e melhoria do atendimento ao cidadão, consolidando uma agenda centrada na entrega de resultados concretos na Previdência Social. Com as mudanças, ele reforça sua influência na condução da pasta e busca consolidar uma gestão focada em resultados administrativos mais eficientes e duradouros.
ROTA DE COLISÃO – Demitido sumariamente ontem pelo presidente Lula, Gilberto Waller estava no cargo há 11 meses. Ele assumiu o posto no ano passado como resposta às investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas se desgastou por conta do tamanho da fila de requerimentos no instituto, que chegou a 2,7 milhões em março. O Palácio do Planalto teme o impacto disso nas eleições deste ano. Seu afastamento foi anunciado pelo ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que estava em rota de colisão com Waller desde o ano passado. Um dos principais focos de tensão era o tamanho da fila de requerimentos do órgão.
Filas enormes, a razão – Ao comentar a queda do presidente do INSS, o ministro Wolney Queiroz alegou ineficiência por parte do ex-dirigente (foto ao lado). “A gota d’água (para a demissão) teve só uma mudança de momento. Ele fez um bom trabalho, melhorou fluxos e processos no período atribulado. Só que ele não atacou o problema central da fila. A fila estava escalando, estava aumentando, sem controle”, afirmou. O ministro diz que o Governo já superou a crise do INSS com os descontos indevidos dos aposentados e que agora seu foco será melhorar a gestão para reduzir a fila de benefícios.
Briga judicial – O Tribunal de Justiça concedeu, ontem, liminar favorável à deputada Débora Almeida (PSD) e suspendeu a tramitação do Projeto de Lei Ordinária 3694/2026 sob o rito especial adotado pela Presidência da Assembleia Legislativa. A decisão é do desembargador Eduardo Guilliod Maranhão. O PL 3694, de 2026, enviado pela governadora Raquel Lyra em dezembro, altera o percentual de remanejamento da Lei Orçamentária Anual de 2026. A proposta do Executivo busca preservar o patamar de 20% para remanejamento, após a oposição reduzir o índice a 0% na LOA aprovada.
Sem engessamento – O presidente da Casa, Álvaro Porto (MDB), criticou o envio, pelo Governo do Estado, de um projeto de crédito suplementar de R$ 155 milhões destinado ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Segundo o parlamentar, a iniciativa contraria o discurso do Executivo de que o orçamento estaria “engessado” por responsabilidade da Assembleia. “O governo, que tanto fala em falta de recursos, encaminhou hoje a esta Casa um projeto para remanejar R$ 155 milhões para o Tribunal de Justiça. Questiona-se, então, por que não enviar projeto similar para beneficiar o setor sucroalcooleiro?”, afirmou Porto durante sessão plenária. Ele acrescentou que, caso o governo envie proposta nesse sentido, o texto poderá ser votado rapidamente.
Estado condenado – O Governo do Estado foi condenado a indenizar em R$ 300 mil dois filhos de uma vítima de feminicídio morta pelo seu ex-companheiro. Ele havia fugido da prisão no mesmo dia do crime, em agosto de 2018. O assassinato aconteceu em Serra Talhada. A informação é do Tribunal de Justiça de Pernambuco. À época do crime, a filha mais velha do casal tinha 9 anos. O filho mais novo não teve a idade revelada. Eles receberão, ainda, uma pensão mensal no valor de 2/3 do salário-mínimo até que completem 25 anos de idade, segundo o TJ. A decisão é da Primeira Câmara de Direito Público do TJPE, que reconheceu, de forma unânime, a responsabilidade civil objetiva do Poder Público no caso. Ainda cabe recurso.
CURTAS
O CASO – A vítima foi morta a facadas pelo ex-companheiro em 17 de agosto de 2018. O crime foi cometido após a fuga do agressor da Cadeia Pública de Serra Talhada. Após o ocorrido, o agressor cometeu suicídio na frente da filha mais velha do casal. O ex-companheiro estava preso preventivamente desde o dia 20 de maio de 2018, para evitar novos episódios de violência doméstica.
INSTITUCIONAL – O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), voltou a defender uma relação com o governo Raquel Lyra (PSD) baseada no equilíbrio institucional. “Reafirmo a minha posição, acho que a gente precisa sempre tratar com muita institucionalidade, até porque as discussões ficam. A gente passa, políticos vão passar, mas as discussões ficam”, afirmou.
DÍVIDAS – O Ministério da Fazenda trabalha com um prazo de três meses para a renegociação de dívidas de brasileiros inadimplentes no novo programa que está sendo preparado pelo governo. O governo corre contra o tempo para fechar o desenho nas próximas semanas para anunciar a benesse até o fim de abril, com o objetivo de valer já em maio, com a marca simbólica do dia do Trabalhador.
Perguntar não ofende: Qual prazo a nova presidente do INSS terá para reduzir as filas?