Com aval de Lula, PT lança manifesto e convoca “mutirão” em defesa da democracia contra o bolsonarismo
Sob orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT vai apresentar, no 8º Congresso do partido, neste fim de semana, o manifesto “Construindo o Futuro”, que propõe a formação de um mutirão em defesa da democracia contra o bolsonarismo. O texto também antecipa diretrizes do programa de governo e busca repetir o movimento de 22, ampliando o apoio político além da base tradicional da legenda.
“Faz-se necessário consolidar um amplo processo de concertação social que supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional”, diz o manifesto, ao defender a articulação entre setor produtivo, trabalhadores e movimentos sociais.
A menos de seis meses das eleições, o partido retirou da versão final temas considerados sensíveis e priorizou pontos de convergência interna. Ficaram de fora discussões como mudanças no estatuto, guinada à esquerda e propostas mais amplas na economia.
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No lugar, o texto destaca medidas como soberania nacional, fim da jornada 6×1, tarifa zero no transporte e fortalecimento da educação pública como política de Estado, além de reforçar o convite à formação de uma frente ampla para enfrentar a extrema direita.
“O manifesto vai dar as linhas gerais do programa, da campanha, sinalizar para a sociedade nossos compromissos e ajudar a organizar a base do PT”, afirmou o secretário de Comunicação do partido, Éden Valadares.
QG definido – Lula já definiu o quartel-general e o núcleo da campanha de 2026, com base em Brasília e coordenação de Edinho Silva. José de Filippi Júnior ficará com a tesouraria e Sérgio Gabrielli com o programa de governo. Na comunicação, atuam Sidônio Palmeira e Raul Rabelo, com Paulo Okamotto nas redes. Wellington Dias e Camilo Santana assumem a articulação nos estados.
Lealdade reafirmada – O vice-presidente Geraldo Alckmin subiu ao palco do Congresso do PT para reafirmar alinhamento com Lula, de quem será novamente vice em 2026. “A segunda é lealdade. Presidente Lula, conte conosco”, disse. Ao citar que Lula “salvou” a democracia, reforçou o discurso que o partido pretende sustentar na campanha.
Pelo voto moderado – Nos bastidores, aliados do senador Flávio Bolsonaro estruturam uma estratégia para ampliar sua aceitação no centro. A orientação é tomar alguma distância dos irmãos, especialmente Eduardo e Carlos, e evitar temas como a nomeação de um deles de cargos em um eventual governo. Também há cautela com episódios que possam reacender desgastes ligados à atuação digital do grupo, coordenado por Carlos.
Discurso conveniente – A governadora Raquel Lyra voltou a exaltar a parceria com o governo Lula durante a abertura do programa Governo do Brasil na Rua, na Escola Técnica Miguel Batista, na Macaxeira, ao lado de ministros, entre eles Guilherme Boulos, aliado de primeira hora do presidente. “A parceria não acaba até porque ela é muito maior do que nós”, disse. Questionada sobre que palanque abraçará na eleição, desconversou: “Agora é trabalho, trabalho, trabalho”.
Se fez de desentendida? – Raquel afirmou não ter conhecimento do outdoor na Região Metropolitana do Recife que a coloca ao lado do senador Flávio Bolsonaro e do ex-ministro Gilson Machado, em peça divulgada como homenagem ao parlamentar. “Não estou sabendo disso”, disse, ao ser questionada durante agenda pública no Recife. A peça também traz a imagem do ex-prefeito de Paulista Nena Cabral, apontado como responsável pelo material.
CURTAS
Gilmar mantém inquérito – O ministro Gilmar Mendes afirmou que o Brasil vive um “estágio de paz política” graças ao inquérito das fake news e indicou que a investigação não deve ser encerrada antes das eleições de 2026. Para ele, a medida funciona como instrumento de proteção institucional em períodos de pressão sobre o Supremo.
Reação no Congresso – A fala de Gilmar provocou reação no Congresso. O senador Alessandro Vieira classificou o ministro como “ator político” e disse que sua atuação representa “desserviço” à Justiça. O episódio amplia o embate entre Judiciário e Legislativo em torno da atuação do STF.
Mais um retrocesso – O governo Donald Trump anunciou a retomada do pelotão de fuzilamento como método de execução federal, ao lado da injeção letal, em uma revisão da política de pena de morte. A medida faz parte de um pacote para acelerar execuções e ampliar os métodos disponíveis diante da dificuldade de obtenção de drogas letais.
Perguntar não ofende: Afinal, até quando Raquel vai conseguir se equilibrar entre as duas frentes?
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