No quadro jingles históricos do Frente a Frente de ontem, com o professor e cientista político Paulo Kramer, de Brasília, relembramos a campanha para governador de São Paulo em 1986, na qual Paulo Maluf perdeu, mas seu jingle entrou para a galeria das grandes produções na área. Era simples e fácil de ser lembrado: “Orestes fala, e Maluf faz/Ermírio xinga, e Maluf faz/Maluf faz, faz, faz, faz/A gente viver em paz, paz, paz, paz, paz, paz, paz!”
Mas quem ganhou aquela eleição foi o ex-prefeito de Campinas, ex-senador e vice-governador de Franco Montoro, Orestes Quércia, do PMDB, o que, aliás, ocorreu em todos os demais estados da federação, à exceção de um, Sergipe, que elegeu o pefelista Antônio Carlos Valadares. Clique no link abaixo e ouça o jingle.
Aquela foi a eleição do Plano Cruzado, lançado pelo presidente José Sarney (PMDB) em 28 de fevereiro de 1986. O Cruzado, por um breve tempo, alimentou as esperanças da população no fim do pesadelo hiperinflacionário. E isso impulsionou as campanhas das duas legendas que integravam a Aliança Democrática de apoio ao governo: o Partido do Movimento Democrático Brasileiro e o Partido da Frente Liberal.
Pernambuco assiste, mais uma vez, à reedição de um roteiro conhecido: o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), se apresenta novamente como pré-candidato a uma eleição majoritária em 2026. A pergunta que se ouve nos bastidores diz respeito a exatamente o que representa esta nova “candidatura” depois de uma trajetória que parece ter sido desenhada para representar a si mesmo.
Miguel começou no PSB, partido pelo qual foi eleito deputado estadual e, depois, prefeito de Petrolina. Migrou para o MDB para disputar a reeleição. Em seguida, trocou o MDB pelo DEM, legenda que mais tarde se fundiu ao PSL, dando origem ao União Brasil, na aritmética eleitoral que apontava para a formação do “superpartido” da vez.
Quatro siglas em pouco mais de uma década não configuram uma trajetória política. Revelam, antes, uma permanente geolocalização do poder. Miguel disputou o Governo de Pernambuco e terminou em último lugar entre os cinco candidatos competitivos, embora não humilhante pela diferença de votos.
Foi um resultado que expôs o limite real do capital eleitoral da família Coelho fora do Sertão do São Francisco, depois de décadas de domínio político na região. A reação à derrota talvez seja o capítulo mais revelador dessa trajetória.
Miguel apoiou Raquel no segundo turno, perdeu espaço no novo governo e migrou para a órbita do PSB e de João Campos, emplacando o irmão, Antônio Coelho, na Secretaria de Turismo do Recife, além de um aliado na Secretaria de Desenvolvimento Econômico da capital.
Na Assembleia Legislativa, enquanto esteve lá, Antônio endureceu o discurso contra a governadora, enquanto o prefeito de Petrolina, Simão Durando, eleito com o apoio dos Coelhos, passou a fazer duras e frequentes críticas à gestão estadual.
Depois, Miguel rompeu com João Campos. O aliado deixou o cargo e a aliança chegou ao fim. Recentemente, voltou ao entorno da governadora. Desta vez, indicou um aliado para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e passou a influenciar nomeações em órgãos como o Lafepe e o Porto do Recife.
Em menos de quatro anos, Miguel fez mudanças ao sabor do tempo e das suas conveniências, sempre deixando uma aliança e surgindo na seguinte com espaços na máquina pública. Quem chama isso de construção de consenso está sendo generoso. Quem chama de oportunismo pode estar sendo agressivo.
Miguel não inventou esse estilo. Aprendeu com o pai Fernando Bezerra Coelho, que passou por PDS, PFL, PMDB, PSB e retornou ao MDB. Foram seis siglas ao longo da carreira. Foi ministro de Dilma Rousseff e, anos depois, votou a favor do impeachment que a retirou do cargo. Tornou-se líder do governo no Senado sob Michel Temer e permaneceu na mesma função durante o governo Jair Bolsonaro: dois projetos políticos distintos, a mesma posição ocupada pelo mesmo sobrenome.
Confiança não se constrói em vídeos nem se proclama em entrevistas. O problema é que a confiança que parece faltar talvez não seja a do eleitor, mas a do próprio campo político em que Miguel tenta se movimentar.
Nacionalmente, conta com o apoio do presidente do União Brasil para sustentar sua pretensão. Em Pernambuco, porém, sofreu uma derrota expressiva na Federação União Progressista, que homologou o nome de Eduardo da Fonte para a disputa ao Senado.
Candidatura sem solo é isso: ter padrinho em Brasília e pouco chão em Pernambuco. Miguel não chega a 2026 como um nome consolidado em busca de uma nova eleição. Chega tentando encontrar um espaço político que ainda não conseguiu firmar.
Falta-lhe aquilo que mais se espera de quem pretende representar Pernambuco no Senado: solidez. O que sobra é insistência.
SEM CÂMERAS – O Governo Raquel ainda não finalizou o Estudo Técnico Preliminar (ETP) para compra de câmeras corporais para a Polícia Militar (PMPE), fase que antecede a abertura de licitação para a aquisição dos equipamentos. A Secretaria de Defesa informou, ontem, que instituiu um Grupo de Trabalho da PMPE, cujo projeto prevê a aquisição de aproximadamente 1.500 câmeras corporais, segundo noticiou o site do Diário de Pernambuco. Raquel segue em ritmo lento no quesito: quatro meses após a confirmação do repasse federal de R$ 24 milhões para a compra dos equipamentos, a licitação ainda não foi aberta. O projeto estadual de implementação da tecnologia tem execução estimada em até dois anos.
Cenas de filme de terror – Em entrevista, ontem, ao Frente a Frente, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, fez um relato dramático da Venezuela destruída que viu na visita ao País depois do terremoto em missão dada pelo presidente Lula. “Vi relatos de um filme de terror”, afirmou. Ele disse que a prioridade do governo venezuelano, neste momento, é ainda salvar vidas nos escombros, para depois fazer um plano de reconstrução das áreas atingidas. O Governo Lula enviou ao País profissionais de saúde e resgate, além de ajuda humanitária, como medicamentos, purificadores de água, insumos e materiais para um hospital de campanha.
Ajuda comunitária – A primeira equipe brasileira chegou à Venezuela na sexta-feira passada dois dias após os tremores. No sábado seguinte, uma segunda aeronave transportou um hospital de campanha e purificadores de água. Ainda no mesmo dia, um terceiro voo levou kits de medicamentos e módulos complementares necessários para a instalação da estrutura hospitalar. Já no domingo, a FAB enviou uma quarta aeronave com 35 bombeiros militares dos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Kassab na vice – O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, anunciou, ontem, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como seu vice na disputa pelo Palácio do Planalto. Em ato na sede da legenda, em Brasília, o ex-governador de Goiás também criticou o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro. “Se o Flávio chegar no segundo turno, com todo o respeito que ele merece, nós sabemos que realmente é tudo que o Lula quer: governar o Brasil por mais quatro anos”, disse Caiado. “Chegando ao segundo turno, nós aglutinaremos todas as forças do País”, acrescentou.
O dinheiro suspeito do líder – A Polícia Federal (PF) investiga uma teia de empresas e pessoas ligadas aos R$ 468 mil apreendidos no ano passado em um endereço do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e suspeita de desvio de recursos de cota parlamentar. A investigação aponta contradições na versão apresentada pelo parlamentar, que atribuiu o montante à venda de um apartamento. De acordo com a investigação, duas empresas de construção e dois irmãos estão vinculados ao dinheiro. A PF chegou até a rede, alvo de operação, ontem, a partir das etiquetas bancárias apreendidas com o dinheiro localizado em poder de Sóstenes.
CURTAS
RACHADINHAS – Após briga pública com Flávio Bolsonaro, aliados de Michelle passaram a resgatar um tema que assombra o candidato à Presidência: o caso das rachadinhas. As investigações mostraram que o ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, e sua esposa depositaram 27 cheques na conta da ex-primeira-dama, totalizando R$ 89 mil. O valor foi repassado entre 2011 e 2016.
VAI ABALAR? – Até hoje, Michelle nunca falou sobre o tema. Aliados da ex-primeira-dama avaliam que, agora, ela pode mudar de ideia. Desde que expôs publicamente o racha com Flávio, Michelle tem feito postagens sinalizando que saberia algo sobre o enteado. Em conversas reservadas, também dá pistas de que uma informação com potencial para abalar a candidatura de Flávio está por vir.
NO PODCAST – A ex-ministra Simone Tebet, pré-candidata ao Senado em São Paulo pelo PSB, enfim, estará no podcast Direto de Brasília da próxima terça-feira depois de cancelar sua participação de última hora na semana passada em função de uma convocação do presidente Lula, de última hora, para desatar o nó da chapa da oposição em São Paulo.
Perguntar não ofende: Qual será o próximo teto de hospital a desabar pelas obras improvisadas de Raquel?
O presidente estadual do Partido Liberal (PL), Anderson Ferreira, divulgou nas redes sociais um registro do encontro com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, e com o senador Rogério Marinho (PL-RN), em Brasília.
A reunião na tarde desta quarta (1º) teve como objetivo definir a estratégia do partido para as eleições deste ano em Pernambuco. Nas últimas semanas, chegou a ser ventilada a possibilidade de a legenda ter um candidato próprio ao Executivo estadual.
Ao lado de Anderson Ferreira, o vereador de Caruaru, Silvio Nascimento, participou da conversa. Ele vem sendo apontado por Anderson como possível candidato do PL ao Senado Federal em Pernambuco, numa estratégia de criação de um palanque para o pré-candidato a presidente pela sigla, o senador Flávio Bolsonaro.
Na publicação, Anderson Ferreira não deu detalhes do que foi tratado na reunião, limitando-se a dizer que está construindo o fortalicmento do partido no estado.
“Hoje, em Brasília, reunião na sede nacional do PL ao lado do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, do senador Rogério Marinho e de Silvio Nascimento. Seguimos construindo, juntos, o fortalecimento do PL em Pernambuco. Simbora trabalhar!”, escreveu Anderson.
O Ministério da Justiça acompanha com preocupação os possíveis impactos das sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos a brasileiros investigados por suposta ligação com organizações criminosas. As informações são do g1.
Os brasileiros sancionados foram Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Além disso, os EUA sancionaram três empresas brasileiras, são elas:
Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda;
Segundo a secretária nacional de Justiça (Senajus), Maria Rosa Guimarães Loula, a medida já era considerada um risco após a decisão do governo americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo o comunicado do governo dos EUA, todos os bens das pessoas sancionadas que estejam nos Estados Unidos ficam bloqueados e serão reportados ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC na sigla em inglês).
Além disso, qualquer empresa que pertença, direta ou indiretamente, em 50% ou mais às pessoas sancionadas também será bloqueada.
Em entrevista ao g1, a secretária afirmou que a preocupação do governo não se restringe às pessoas diretamente sancionadas, mas também aos possíveis “efeitos secundários” sobre terceiros e instituições financeiras brasileiras.
“Não defendemos criminosos. O que tememos é que essa espetacularização gere efeitos secundários sobre pessoas que não têm ligação com o crime e sobre instituições financeiras brasileiras”, afirmou.
Governo defende cooperação entre os países
A secretária nacional de Justiça afirmou que o avanço das investigações nos Estados Unidos só foi possível graças ao trabalho realizado pelas autoridades brasileiras e defendeu maior cooperação entre os dois países.
Segundo ela, as informações compartilhadas pelo Brasil contribuíram para as apurações americanas, mas o intercâmbio de dados poderia ter sido mais amplo.
“Não acreditamos em medidas unilaterais. Os Estados Unidos atuaram com base em informações e conceitos que saíram do Brasil. Se tivessem compartilhado mais informações conosco, poderíamos ajudá-los”, disse.
Como exemplo dos riscos, Loula citou o caso do México. Em junho, os Estados Unidos anunciaram sanções contra três importantes instituições financeiras mexicanas — o CIBanco, o Intercam Banco e a corretora Vector Casa de Bolsa —, acusadas de facilitar operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao tráfico de drogas.
As medidas restringiram o acesso dessas instituições ao sistema financeiro americano.
PF diz que investigados não têm ligação com o PCC
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira não possuem ligação com o PCC, ao contrário do que apontam as autoridades americanas.
De acordo com o governo americano, Shimada liderava, a partir de São Paulo, uma estrutura de lavagem de dinheiro que atuava em conjunto com integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) radicados na Flórida.
As autoridades dos EUA afirmam que o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões em recursos de origem ilícita, utilizando criptomoedas para transferir valores provenientes do tráfico internacional de drogas.
Victor chegou a ser preso preventivamente no Brasil em dezembro de 2024, no âmbito das investigações sobre lavagem de dinheiro relacionadas ao caso Corinthians.
Em janeiro de 2025, ele passou um curto período em prisão domiciliar e, poucas semanas depois, foi solto após conseguir habeas corpus mediante pagamento de fiança.
Recentemente, Victor foi condenado pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo a cinco anos de reclusão, em regime semiaberto, pelo crime de lavagem de dinheiro. Ele responde ao processo em liberdade, não utiliza mais tornozeleira eletrônica e está proibido de deixar o país.
Segundo relatório da Polícia Civil de São Paulo, Victor Henrique de Oliveira Shimada aparece em uma cadeia financeira que conecta sua empresa à Wave Intermediações e à UJ Football Talent.
A UJ foi citada na delação premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach como empresa supostamente relacionada a Danilo Lima de Oliveira, conhecido como “Tripa”, apontado pelo delator como integrante do PCC.
O relatório ressalta ainda que o próprio Gritzbach surgiu em análises financeiras associadas à Wave, empresa que mantinha intensa movimentação com a Victory Trading.
A investigação, porém, não afirma que Victor Shimada seja integrante do PCC, mas sustenta que ele estaria inserido em um fluxo financeiro que se cruza com pessoas e empresas citadas em apurações sobre a facção criminosa.
Já Stella, segundo os EUA, é parente de Shimada e atuou como a secretária dele.
O governo norte-americano também afirma que ela atuou como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede.
Ela não tem antecedentes criminais e nem responde a processos.
No tradicional forró promovido pelo ex-ministro José Jorge, do TCU, em Brasília, com os jornalistas amigos José Maria Trindade, Houldine Nascimento e Gabriel Garcia. A festa, na Igrejinha da 109 Sul, atraiu políticos, ministros, como Gilmar Mendes, do STF, e presidentes de partidos, entre os quais Gilberto Kassab, do PSD. Rolaram muitos bastidores. Amanhã, conto tudo.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) a urgência do projeto de lei (PL) da misoginia, que traz propostas para criminalizar a incitação de violência “em razão da condição de mulher”, segundo o texto. O termo misoginia refere-se ao ódio ou à aversão às mulheres.
Foram 293 votos a favor e 158 contrários à urgência.
Apesar da orientação contrária da liderança do PL (Partido Liberal), 2 deputados da sigla votaram a favor do regime do projeto: João Carlos Bacelar (BH) e Delegada Ione (MG). As informações são do g1.
Por outro lado, a liderança do bloco União, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos deixou a critério de cada parlamentar. Nestes partidos, a votação foi dividida, mas prevaleceram os votos favoráveis.
No caso do União Brasil, 32 deputados votaram a favor da urgência e 14 contra. Houve 1 abstenção. Similarmente, o Partido Progressista teve 27 votos favoráveis ao regime de tramitação e 11 contrários. No PSD, foram 31 a favor e 9 contra. Já do lado governista, todos os presentes votaram a favor da urgência do texto. Isso inclui siglas como PT, PSOL e PCdoB.
Próximos passos
A aprovação da urgência não é a aprovação do projeto em si. Na prática, o requerimento de urgência acelera a tramitação do projeto de lei porque ele não precisa passar pelas comissões especiais da Câmara.
Agora, o PL deve ser incluído na ordem do dia do plenário pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), onde será discutido pelos congressistas. A aprovação acontece quando há maioria simples, ou seja, se o número de votos a favor for maior que os contrários. O único requisito é que esteja presente a maioria absoluta dos deputados (257).
Durante a sessão, Motta afirmou que a proposta do grupo de trabalho não é definitiva e que o relatório do projeto ainda precisa ser construído.
A relatora do projeto será a deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Ela já era responsável por um grupo de trabalho sobre o tema e vinha articulando para que o projeto fosse votado nesta semana na Câmara.
Se for validado no plenário da Casa Baixa, o PL da Misoginia irá direto para a sanção presidencial. Outra versão da proposta havia sido aprovada pelo Senado em março deste ano.
O recesso legislativo da Câmara está previsto para 18 de julho. As atividades legislativas devem ser retomadas oficialmente em 1º de agosto.
O projeto
O texto original, que ainda pode ser alterado no plenário, inclui atos de misoginia na Lei do Racismo e altera também o Código Penal. O projeto prevê pena de 2 a 5 anos de prisão para injúria “por condição de mulher”, essa é a pena atualmente fixada para injúria racial. A punição pode ser aumentada de metade se o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
Para crimes cometidos pela internet, o texto permite a suspensão temporária de contas ou perfis usados para divulgar conteúdo ilícito.
Apesar de ainda não estar incorporado à legislação brasileira, o termo misoginia já aparece em mais de 2 mil decisões judiciais desde 2015, conforme levantamento do g1. O conceito foi citado em casos envolvendo violência doméstica, assédio moral, ataques políticos, disputas trabalhistas e pedidos de indenização.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), disse em entrevista à CNN que seria “mesquinho” transformar as tarifas impostas pelos Estados Unidos em debate eleitoral. De acordo com ele, o governo brasileiro seguirá as orientações do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de manter o “diálogo” e “buscar o entendimento”.
“O presidente Lula tem deixado claro, é diálogo e buscar entendimento. Então no que depender de nós, nós vamos transformar isso em disputa eleitoral, seria uma coisa muito mesquinha”, afirmou ao CNN 360°. As informações são da CNN.
Segundo o vice-presidente, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a ideia é trabalhar para mostrar que as taxações não são justas.
“Então nós vamos trabalhar com o diálogo e mostrando que não é justo, que a nossa tarifa é muito baixa, eles tem superávit na balança comercial brasileira, não tem déficit nenhum e nós podemos ampliar o mercado e a complementação econômica e investimentos específicos”, acrescentou.
O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs, em 02 de junho, a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para mercadorias que se enquadram como “sujeitas às tarifas de segurança nacional”.
O órgão afirma ter determinado que as políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, certas tarifas e desmatamento ilegal são passíveis de ação judicial nos termos da chamada Seção 301 da Lei – ferramenta de política comercial que permite aos americanos investigar e retaliar outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas. Nesse grupo, carne bovina, café certas frutas e nozes, especiarias, petróleo e minérios metálicos estariam isentos de tarifas punitivas.
Diálogos obtidos pela Polícia Federal (PF) mostram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e o publicitário Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi, atuaram para tentar impedir o trabalho e violaram dados privados da jornalista Malu Gaspar, colunista do GLOBO. A insatisfação surgiu a partir de reportagens que abordaram investigações sobre a instituição financeira devido a operações fraudulentas e manipulação de preços. Após as reclamações de Vorcaro, Miranda afirmou que iria “revirar a vida” da jornalista, e repassou ao ex-banqueiro informações sobre familiares, contas bancárias e endereço da profissional.
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro, em posse da Polícia Federal, são de março e abril de 2025. Àquela altura, o Master já enfrentava a crise financeira que culminaria, em novembro do mesmo ano, na decretação de sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC). As informações são do jornal O GLOBO.
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro, em posse da Polícia Federal, são de março e abril de 2025. Àquela altura, o Master já enfrentava a crise financeira que culminaria, em novembro do mesmo ano, na decretação de sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC).
Vorcaro responde, então, que quem deveria tentar a contratação era o próprio Miranda. Na época, ele era CEO do Grupo LeoDias, no qual chegou a ter participação como sócio. Em nota publicada em janeiro deste ano, o veículo afirmou que Miranda deixou o cargo em junho de 2025.
Nesse momento da conversa, Miranda encaminha mensagens com a suposta remuneração mensal e o endereço completo da jornalista, além de informações sobre seu carro de uso pessoal. Ambos entraram em consenso sobre o salário e até valores de luvas contratuais que ofereceriam para Malu como forma de travar a produção do conteúdo investigativo que revelou os escândalos do Banco Master.
No mesmo período, Miranda também fez ao colunista do GLOBO Lauro Jardim uma proposta de contratação.
Leia o diálogo:
VORCARO: Malu e Lauro vieram com mais fúria após a abordagem.
VORCARO: Lauro soltou 5 matérias em 3 dias.
VORCARO: Não sei como ficaram as tratativas, mas acho melhor abortar.
MIRANDA: Eles me pediram tempo para organizar a vida.
MIRANDA: Eu vou por outro caminho. Vou descobrir algo. Eles não são santos.
A divulgação do teor das mensagens reforça o modus operandi do grupo de Vorcaro na tentativa de coagir o trabalho da imprensa. Na decisão que mandou prender Vorcaro pela segunda vez, em março deste ano, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou haver indícios de que o ex-banqueiro determinou que se forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para “prejudicar violentamente” o colunista do GLOBO Lauro Jardim. O objetivo, diz Mendonça, era, a partir do episódio, “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.
As conversas interceptadas pela PF em relação ao colunista Lauro Jardim ocorreram entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado como “Felipe Mourão” e apelidado de “Sicário”. Mourão coordenava as atividades do grupo “A Turma”, definido pela polícia como um “braço armado” de Vorcaro para intimidar adversários do grupo, com uso de “coação por meio de sua milícia”.
Sobre esses fatos, O GLOBO publicou a seguinte nota:
“O GLOBO repudia a devassa ordenada pelo investigado na vida da colunista Malu Gaspar, uma das mais respeitadas jornalistas do país. A ação, como deixa claro a troca de mensagens, visava calar a voz da imprensa e revela um modus operandi do grupo criminoso, que já havia ameaçado de ato violento outro colunista do jornal. Os envolvidos nessa trama de perseguição devem ser investigados com rigor. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público.”
Após adiar sua participação na semana passada em razão de ajustes na agenda, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSB), confirmou presença no meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o Direto de Brasília, da próxima terça-feira (7). Recém-filiada ao PSB e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Tebet vai falar sobre os rumos da política nacional, o cenário eleitoral para 2026 e os movimentos que marcaram sua trajetória nos últimos anos, desde a candidatura à Presidência da República até sua passagem pelo governo Lula.
Simone Tebet deixou o Ministério do Planejamento para disputar uma vaga no Senado e tem ocupado espaço no debate político nacional com críticas à polarização ideológica. Em entrevistas recentes, defendeu que o Brasil se afaste da “lacração das redes sociais” e concentre esforços em medidas concretas para enfrentar problemas estruturais. Também chamou atenção ao criticar o que classificou como “agro do mal”, diferenciando produtores rurais de grupos envolvidos com crimes ambientais, invasões de terras e grilagem.
Advogada e professora, Tebet construiu sua carreira política em Mato Grosso do Sul. Foi deputada estadual, prefeita de Três Lagoas por dois mandatos, vice-governadora, senadora da República e candidata à Presidência da República em 2022. Após terminar a disputa em terceiro lugar, tornou-se uma das principais apoiadoras de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno e passou a integrar a equipe de transição do governo eleito, assumindo posteriormente o Ministério do Planejamento e Orçamento.
Nos últimos anos, Tebet consolidou-se como uma das principais vozes do centro político brasileiro, defendendo pautas ligadas à responsabilidade fiscal, ao desenvolvimento sustentável e à modernização da gestão pública. Sua filiação ao PSB e a pré-candidatura ao Senado por São Paulo estão entre os movimentos políticos mais observados do cenário nacional para as eleições de 2026.
O Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas, a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras, na Paraíba, e a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid. Ainda a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado, além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta quarta-feira que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha o ex-presidente Jair Bolsonaro no atual regime de cumprimento de pena e concluiu que a apreensão de uma pistola de sua propriedade, encontrada no carro de um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), não configura falta disciplinar capaz de agravar sua situação na execução penal.
“A conclusão da autoridade policial, no que se refere a Jair Bolsonaro, tem, efetivamente, bom suporte nas circunstâncias apuradas do episódio. Não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena”, afirmou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, na manifestação. As informações são do jornal O GLOBO.
A posição da PGR foi encaminhada ao STF após determinação do ministro Alexandre de Moraes, que pediu a opinião do órgão após a Polícia Civil afirmar que ele não cometeu crime ao ter uma arma em casa durante o regime de prisão domiciliar.
Gonet acompanhou as conclusões da investigação da Polícia Civil do Distrito Federal e afirmou que não há elementos para responsabilizar criminalmente o ex-presidente pelo episódio. A manifestação ocorre após a conclusão do inquérito instaurado para apurar as circunstâncias da apreensão da arma.
A arma, uma pistola Glock calibre 9 mm com um carregador sobressalente, foi apreendida na noite de 15 de junho dentro de um veículo conduzido por Estácio Leite da Silva Filho, servidor do GSI. O armamento pertence a Bolsonaro, que atualmente cumpre pena em prisão domiciliar por determinação do STF.
Segundo Gonet, o relatório final da investigação concluiu pelo indiciamento de Estácio Leite da Silva Filho por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, mas afastou a existência de materialidade e de dolo para imputar qualquer crime a Bolsonaro. A autoridade policial destacou que o ex-presidente possuía registro válido da arma e que não havia restrições conhecidas para que ela permanecesse regularmente registrada em sua residência.
No parecer, o procurador-geral afirma que essa conclusão “tem bom suporte nas circunstâncias apuradas do episódio” e sustenta que “não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena”. Com isso, a PGR afasta a possibilidade de o episódio servir como fundamento para endurecer as condições impostas ao ex-presidente na execução da pena.
Apesar disso, Gonet ressalta que a atual condição jurídica de Bolsonaro é incompatível com a posse de arma de fogo. Segundo o parecer, a legislação exige, entre outros requisitos, a comprovação de idoneidade por meio de certidões negativas que demonstrem que o proprietário não responde a inquéritos policiais ou processos criminais. A perda superveniente desses requisitos, afirma o procurador-geral, pode ensejar inclusive a cassação administrativa do Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF).
Posição da Polícia Civil
A Polícia Civil do Distrito Federal afirmou que Bolsonaro não cometeu crime ao ter uma arma em casa, mesmo estando em prisão domiciliar. O órgão concluiu o inquérito sobre a apreensão da pistola com um militar em uma blitz e disse que ex-chefe do Executivo tinha registro válido da arma, sem restrições conhecidas para que ficasse com ela em sua residência.
“Não vislumbro materialidade e conduta dolosa de eventual crime de ilegal de arma de fogo de uso restrito”, escreveu o delegado Thiago Boeing da Silva no relatório final da investigação. Segundo ele, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Bolsonaro e a arma não foi recolhida nem foi lançada restrição em seu registro.
Apesar de não ver crime de Bolsonaro no caso, a Polícia Civil indiciou o sargento Estácio Leite da Silva Filho por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta quarta-feira (1º), o pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB), trouxe o tema da violência contra a mulher e criticou os indicadores da gestão estadual na área de segurança pública.
Na gravação, João Campos afirma que os dados oficiais contradizem o discurso do Governo de Pernambuco. Segundo ele, o estado ocupa a segunda posição no Nordeste e a quinta no Brasil em número de feminicídios, conforme levantamento da Folha de S.Paulo. Ainda de acordo com o pré-candidato, Pernambuco registrou 88 casos de feminicídio em 2025, um aumento de quase 16% em relação ao ano anterior. As informações são do Blog da Folha.
“O feminicídio não acontece de repente. Antes da morte vem ameaça, vem agressão. Vem um pedido de ajuda. E sabe o que aconteceu com a violência doméstica em Pernambuco? Também aumentou quase 43 mil vítimas em um único ano. Nas cidades do interior, o crescimento passou de 50%”, disse.
O pré-candidato também questionou a efetividade das medidas de proteção às mulheres. “Mais de 26 mil medidas protetivas foram concedidas no estado, mas apenas cerca de 7 mil dispositivos de alerta de aproximação do agressor estão ativos. A conta fecha para você? Porque para mim não fecha”, afirmou, acrescentando que cerca de 19 mil mulheres em situação de risco teriam apenas a proteção prevista no papel.
Outro ponto criticado por João Campos foi o funcionamento das Delegacias da Mulher. Segundo ele, muitas unidades encerram o atendimento no início da noite durante os dias úteis e permanecem fechadas nos fins de semana, apesar de a violência ocorrer em qualquer horário. “Inclusive, está descumprindo uma lei federal criada pelo presidente Lula que determina o funcionamento ininterrupto das delegacias especializadas da mulher. Não é falta de diagnóstico. Isso é falta de prioridade, é falta de ação.”, destacou.
Ao apresentar propostas, João Campos citou ações implementadas durante sua gestão na Prefeitura do Recife. Segundo ele, o Centro Clarice Lispector passou a funcionar 24 horas por dia, todos os dias da semana, e a rede municipal de proteção, acolhimento e formação para mulheres vítimas de violência foi ampliada em oito vezes.
O socialista também afirmou que não há registro de feminicídio entre as mulheres acompanhadas pela rede municipal de proteção. Como propostas para o estado, defendeu o funcionamento das Delegacias da Mulher em regime de 24 horas, atendimento em salas reservadas por policiais mulheres, monitoramento efetivo dos agressores, resposta rápida ao descumprimento de medidas protetivas e o fortalecimento da rede de acolhimento às vítimas.
Ao encerrar o vídeo, João Campos afirmou que “quando uma mulher é vítima de feminicídio, o estado falhou”.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse nesta quarta-feira (1º) que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ainda não se decidiu sobre pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.
“Não decidiu nem que sim, nem que não”, disse a senadora. As informações são do g1.
A crise na família Bolsonaro levou a ex-primeira dama a deixar a direção do PL Mulher na última terça (30). Mas a nota nada dizia sobre a possível campanha. A candidatura dela é considerada estratégica pelo PL.
“Mais perto do período da convenção ela vai decidir. Nós estamos tentando convencê-la a se candidatar”, disse Damares.
Em nota oficial, Michelle Bolsonaro disse que deixou a direção do PL Mulher para se dedicar ao marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em prisão domiciliar e sofre de diversos problemas de saúde.
Damares Alves confirmou que a dúvida sobre a candidatura se deve a esse motivo. Aliadas têm defendido a candidatura de Michelle. Entre elas, Damares e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), pré-candidata à reeleição.
Outra ala do partido prefere o nome do atual senador Izalci Lucas (PL-DF) para a vaga.
A senadora disse ainda que Michelle só depende do PL para ter uma legenda como candidata.
“Ela só precisa da legenda do PL. De resto ela não precisa de mais ninguém, porque ela tem carisma e tem voto […] ela me disse que não tem medo de recomeçar. Ela tinha um emprego no PL, mas, se precisar, volta a trabalhar em supermercado, como era antes”, afirmou Damares.
Segundo Damares, o Senado vai perder importantes representantes das pautas de defesa das pessoas vulneráveis, das pessoas com deficiência e dos portadores de doenças raras com a saída dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Mara Gabrili (PSD-SP).
Paim vai se aposentar e Gabrilli é pré-candidata à deputada estadual. Michelle Bolsonaro, se eleita, teria importante papel na defesa desses temas.
“A Casa precisa de gente que defenda essas pautas. Se ela for candidata, não será por causa de ninguém, mas sim das causas que ela acredita”, afirmou.
Nas últimas semanas, a crise na família Bolsonaro escalou após um vídeo divulgado na quarta (24) em que Michelle se disse ofendida com a postura do enteado e pré-candidato. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, chegou a pedir desculpas publicamente à madrasta.
Na segunda-feira (29), um dos aliados do senador, o influenciador Paulo Figueiredo, radicado nos Estados Unidos, afirmou que “mulher não sabe votar”. A fala foi rejeitada por Flávio Bolsonaro em encontro com mulheres nesta quarta.
Damares foi uma das principais críticas da fala de Paulo Figueiredo. Perguntada se fará campanha para Flávio Bolsonaro, a senadora afirmou: “Vamos ver. Se precisarem de mim, vou ajudar. Meu candidato é o Flávio”.
O avanço da investigação da Polícia Federal sobre o suposto desvio de cota parlamentar pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), deve inviabilizar a possibilidade de uma candidatura ao Senado, avaliam integrantes do partido.
O parlamentar não foi alvo direto da operação desta manhã, mas a PF apura se os R$ 468 mil em dinheiro vivo apreendidos em um endereço dele em dezembro de 2025 são fruto de desvios. Sóstenes alegou na ocasião que o montante era resultado da venda de um apartamento, mas a PF aponta contradições nesta versão. As informações são do jornal O GLOBO.
Há pouco mais de um mês, após o então governador Cláudio Castro desistir da disputa pelo Senado em meio a operações da Polícia Federal, Sóstenes passou a ser visto por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o principal favorito para herdar a vaga na chapa.
À época, interlocutores da legenda apontavam como trunfos do deputado sua forte ligação com o eleitorado evangélico, a influência junto a prefeitos do interior do estado e a proximidade com o núcleo mais fiel do bolsonarismo.
Publicamente, porém, Sóstenes evitava tratar a candidatura como um projeto pessoal. Na época, o líder do PL afirmava a interlocutores que era um “soldado do partido” e que cumpriria a missão que lhe fosse atribuída pela legenda, negando que estivesse trabalhando para conquistar a vaga ao Senado. Aliados próximos ao parlamentar, contudo, afirmam que esse não era o caso e que Sóstenes estaria interessado, sim, na vaga.
Com a saída de Castro após o ex-governador também ser alvo da PF em outra operação e sob suspeitas de relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, abriu-se uma disputa interna pela indicação. Além de Sóstenes, passaram a ser considerados o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) e o senador Carlos Portinho (PL-RJ).
Jordy também foi alvo da PF junto com Sóstenes no fim do ano passado, mas interlocutores do partido afirmam que o novo avanço das apurações acabou pesando de forma mais intensa sobre o nome de Sóstenes.
O novo desdobramento da investigação é considerado especialmente sensível porque a PF passou a apurar se houve tentativa de dar aparência de legalidade ao quase meio milhão de reais apreendidos no fim do ano passado. Nesta quarta-feira, a operação teve como alvos pessoas ligadas ao deputado, entre elas o comprador do imóvel cuja venda foi apresentada por Sóstenes como justificativa para a origem do dinheiro.
A investigação também apura suspeitas de fraude processual, além de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Operação da PF
O deputado do PL foi alvo no ano passado de uma operação da PF que apurava desvio de cotas parlamentares. Na época, a corporação apreendeu R$ 468 mil dentro de um saco de lixo no armário de um flat alugado por ele em Brasília. Segundo o deputado, o montante vinha da venda de um imóvel e que não teria sido depositado por conta da “correria”.
—O valor encontrado é oriundo de contrato limpo, venda de um imóvel. Quem quer viver de dinheiro de corrupção não mantém dinheiro lacrado. É dinheiro lícito — disse Sóstenes à época. — Eu vendi um imóvel e recebi em dinheiro lacrado, é declarado em meu Imposto de Renda. Eu recebi o dinheiro recentemente e, com a correria do trabalho, acabei não fazendo o depósito.
Em manifestação horas após a operação desta manhã, Sóstenes negou irregularidades e afirmou que nenhum de seus advogados foi alvo:
— Uma dessas pessoas foi o comprador do imóvel (ao qual atribuo a origem do dinheiro em espécie). Nenhum dos alvos é meu advogado. Podem fazer operação à vontade, quem não deve não teme — afirmou.