No quadro jingles históricos do Frente a Frente de ontem, com o professor e cientista político Paulo Kramer, de Brasília, relembramos a campanha para governador de São Paulo em 1986, na qual Paulo Maluf perdeu, mas seu jingle entrou para a galeria das grandes produções na área. Era simples e fácil de ser lembrado: “Orestes fala, e Maluf faz/Ermírio xinga, e Maluf faz/Maluf faz, faz, faz, faz/A gente viver em paz, paz, paz, paz, paz, paz, paz!”
Mas quem ganhou aquela eleição foi o ex-prefeito de Campinas, ex-senador e vice-governador de Franco Montoro, Orestes Quércia, do PMDB, o que, aliás, ocorreu em todos os demais estados da federação, à exceção de um, Sergipe, que elegeu o pefelista Antônio Carlos Valadares. Clique no link abaixo e ouça o jingle.
Aquela foi a eleição do Plano Cruzado, lançado pelo presidente José Sarney (PMDB) em 28 de fevereiro de 1986. O Cruzado, por um breve tempo, alimentou as esperanças da população no fim do pesadelo hiperinflacionário. E isso impulsionou as campanhas das duas legendas que integravam a Aliança Democrática de apoio ao governo: o Partido do Movimento Democrático Brasileiro e o Partido da Frente Liberal.
A movimentação política recente em Pernambuco deixa de ser episódica e passa a indicar um padrão mais estruturado. A postagem de ontem neste blog expõe um gesto carregado de simbolismo: às vésperas da agenda do ministro Guilherme Boulos, da Secretaria Geral da Presidência, aliado direto do presidente Lula (PT), setores vinculados à governadora Raquel Lyra (PSD) aparecem prestando homenagem ao senador Flávio Bolsonaro (PL), uma das principais referências do campo do conservadorismo e do bolsonarismo no País.
Não se trata de um detalhe casual ou sem importância. Em política, gestos constroem narrativas e, sobretudo, revelam alinhamentos. Enquanto a presença de Boulos poderia sugerir uma aproximação institucional com o Governo Federal, o movimento paralelo de valorização do filho do ex-presidente aponta, de forma mais objetiva, para outro campo político.
O episódio ganha ainda mais peso quando analisado dentro de um contexto mais amplo. Não é um fato isolado, mas parte de um conjunto de sinais que vêm se acumulando ao longo do tempo e que indicam um deslocamento consistente da governadora à direita. Ainda que, em determinados momentos, haja tentativas de sustentar uma ambiguidade — inclusive com insinuações de possível alinhamento ou voto em Lula — os movimentos concretos caminham em direção oposta.
O que se observa é uma estratégia de duplo discurso: de um lado, a tentativa de dialogar com diferentes espectros do eleitorado e manter canais abertos com o Governo Federal e de outro gestos políticos claros que reforçam vínculos com a direita, especialmente o bolsonarismo.
Esse tipo de construção pode até funcionar no curto prazo, mas tende a produzir desgaste quando a incoerência entre discurso e prática se torna evidente. No fundo, é o acúmulo desses sinais que vai moldando a percepção pública.
E, nesse cenário, a tentativa de se apresentar como uma figura de posição indefinida perde força diante de evidências cada vez mais claras de um posicionamento político que se consolida.
FINAL FELIZ – Após mais de quatro meses de impasse, a Assembleia Legislativa de Pernambuco aprovou, ontem, o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Só foi possível após acordo entre o presidente da Casa, Álvaro Porto (MDB), e a governadora Raquel Lyra (PSD), que de sua parte enviou um novo texto que foi lido, discutido e votado sem problemas. O impasse se arrastava desde o fim de 2025, em meio a divergências na Comissão de Finanças, embates sobre o percentual de remanejamento orçamentário e à judicialização do tema.
Sem pressão – Ainda sobre a Loa, o presidente da Alepe, Álvaro Porto, descartou que tenha existido “pressão” dos prefeitos na reunião com os gestores no dia anterior, após a reunião envolvendo o presidente da Amupe. Ressaltou que a iniciativa partiu da presidência da Casa. “Não houve pressão em momento algum. Quando recebi o telefonema para receber os prefeitos, marquei imediatamente. E quando eles chegaram, acho que não tivemos nem 10 minutos de conversa. A gente resolveu logo, sem maiores delongas”, afirmou.
Vitória sem bandeira partidária – Da governadora Raquel Lyra ao comemorar, ontem, a aprovação do orçamento estadual em meio a um acordo com o Legislativo: “Pernambuco comemora uma grande vitória que não tem bandeira, nem cor partidária. Ela pertence a todos os pernambucanos. Depois de 115 dias protocolados, a LOA, encaminhada pelo Governo de Pernambuco, foi totalmente aprovada na Alepe. Ela que garantiu em seguida que sancionará o texto assim que for enviado ao Palácio do Campo das Princesas pela Alepe.
De volta ao trabalho – Um dia após receber alta médica, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), participa hoje, no Recife, do ato “Governo do Brasil na Rua”, experiência que agrega órgãos do governo federal para oferecer diferentes tipos de serviços à população. Será na Escola Técnica Estadual Miguel Batista, no bairro da Macaxeira. Entre os serviços, atendimentos relacionados à Previdência Social, como perícia médica e de análises do INSS sem necessidade de agendamento.
Redução de impostos – O presidente Lula (PT) enviou, ontem, ao Congresso, projeto de lei para permitir ao Executivo reduzir a alíquota de PIS/Cofins sobre combustíveis, como gasolina e etanol, com a arrecadação extra esperada no setor de petróleo com a disparada da cotação internacional do barril no mercado internacional provocada pela guerra no Oriente Médio. Atualmente, é cobrado R$ 0,47 dos impostos federais sobre gasolina, produto que ainda não teve subsídio anunciado pelo governo federal para aliviar a alta dos preços para o consumidor, como já houve nos casos do diesel e do biodiesel. Por isso, a gasolina seria o principal alvo da medida.
CURTAS
PROCEDIMENTO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a São Paulo, ontem, para realizar procedimentos médicos no Hospital Sírio-Libanês. Um deles é uma cauterização para extrair uma queratose (acúmulo de pele) no couro cabeludo. Em fevereiro, Lula já havia passado pelo mesmo processo em uma clínica de dermatologia da capital.
NO PUNHO – Lula também fará uma infiltração no punho para tratamento de tendinite no dedão do polegar da mão direita. O presidente tem reclamado de dor no local. De acordo com auxiliares, não há horário fixo para os dois procedimentos, que deverão ser rápidos. Também não há contraindicação e nem preparo médico prévio.
EM SÃO PAULO – Na segunda-feira, o presidente cumprirá agendas no interior de São Paulo. Lula irá a Presidente Prudente (SP) para inauguração do novo centro de radioterapia do Hospital Regional da cidade e depois seguirá para Andradina (SP), para cerimônia de entregas para a Agricultura Familiar e apresentação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento da Produção de Leite.
Perguntar não ofende: Quando Raquel vai assumir o bolsonarismo no seu palanque?
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta quinta-feira (23) prisão domiciliar a Eric Douglas Martins Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis, investigado pelo esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios do órgão.
Eric estava preso desde dezembro do ano passado, e foi detido em uma das ações da PF realizadas como desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga as suspeitas de fraudes.
Segundo as investigações, Eric Fidelis é citado em mensagens de outros investigados, ligados a Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e tratado como destinatário de dinheiro desviado. Ele é chamado de “filho de alguém do INSS”. De acordo com a PF, Eric recebia propina em nome da organização criminosa, camuflada em formato de “honorários advocatícios”.
Em novembro do ano passado, a PF prendeu o presidente do INSS à época, Alessandro Stefanutto, além de integrantes da cúpula do órgão. Entre eles, André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios e relacionamento com o cidadão do INSS.
Prisão domiciliar para filho de ex-diretor
A decisão de Mendonça nesta quinta atendeu a pedido da defesa, que alegou complicações no parto da esposa do investigado. O casal já tem outro filho menor de 7 anos.
Segundo o ministro, embora não haja prova inequívoca de dependência exclusiva da mulher em relação a Eric Fidelis, a substituição da prisão preventiva por domiciliar se mostra “medida humanitária e proporcional”.
Mendonça destacou a situação familiar, com a presença de uma filha de sete anos e o nascimento recente de um novo filho, além do estado de saúde da esposa, que estaria sob cuidados intensivos. “Embora não haja prova inequívoca de dependência exclusiva da esposa em relação ao requerente, a substituição da custódia pela prisão domiciliar revela-se, na espécie, medida humanitária e proporcional, haja vista a presença de filha de sete anos no núcleo familiar, agora agravada pelo nascimento de um novo filho e pelo grave estado de saúde da cônjuge, submetida a cuidados intensivos”, diz a decisão do ministro.
Na decisão, Mendonça determinou a adoção de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com outros investigados no caso.
Entenda o esquema de fraudes
O caso foi revelado em 23 de abril do ano passado, após a primeira fase da operação da Polícia Federal. De acordo com as investigações, os suspeitos cobravam mensalidades irregulares, descontadas dos benefícios de aposentados e pensionistas, sem a autorização deles.
Até 27 de março, o órgão devolveu R$ 2,95 bilhões a 4,34 milhões de pessoas que identificaram como irregular o desconto em seu benefício. Segundo o INSS, cerca de 4 milhões de beneficiários ainda não se manifestaram.
O esquema consistia em retirar valores de beneficiários do INSS mensalmente, como se eles tivessem se tornado membros de associações de aposentados, quando, na verdade, não haviam se associado nem autorizado os descontos.
Segundo o ministro da CGU Vinícius de Carvalho informou à época, as associações envolvidas no esquema diziam prestar serviços como assistência jurídica para aposentados e ofereciam descontos em mensalidades de academias e planos de saúde, por exemplo, mas não tinham estrutura.
Ao todo, 11 entidades foram alvos de medidas judiciais. Os contratos de aposentados e pensionistas com essas entidades foram suspensos, segundo o ministro da CGU.
Deputados do PSOL protocolaram representação na Procuradoria-Geral da República contra o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado para questionar a venda da mineradora Serra Verde à empresa americana USA Rare Earth.
O pedido foi apresentado por Sâmia Bomfim, com apoio de Glauber Braga e Fernanda Melchionna. Os parlamentares solicitam apuração da operação e análise da legalidade dos atos ligados à negociação. As informações são do blog da Julliana Lopes, da CNN Brasil.
No documento, o grupo sustenta que o negócio envolve um setor estratégico e aponta possível avanço sobre competências da União em temas como mineração e relações internacionais. Também pedem que a PGR avalie medidas judiciais cabíveis, inclusive no Supremo Tribunal Federal, caso entenda haver irregularidades no processo.
Na representação enviada à PGR, deputados do PSOL afirmam que Caiado extrapolou atribuições do cargo ao praticar uma espécie de “diplomacia paralela” ao assinar um memorando com representantes dos Estados Unidos sobre minerais críticos e terras raras. Segundo o documento, a condução de relações internacionais e a gestão estratégica de recursos minerais cabem à União, o que configuraria possível violação à soberania nacional. A CNN procurou Ronaldo Caiado e aguarda resposta.
A ofensiva ocorre em meio ao avanço do debate político sobre terras raras no Congresso. Havia expectativa de votação, na Câmara dos Deputados, de uma proposta relatada por Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) sobre o tema, mas o texto acabou retirado de pauta.
Neste mês, a bancada do PT na Câmara também apresentou projeto para criar a estatal Terrabras e ampliar a participação do Estado na exploração desses minerais, sob o argumento de reforço à soberania nacional.
O negócio que motivou a ação foi anunciado nesta semana e avalia a Serra Verde em cerca de US$ 2,8 bilhões, com pagamento em dinheiro e ações da compradora. O fechamento depende de aprovações regulatórias e está previsto para o terceiro trimestre de 2026.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para intervir em um protesto que parou o trânsito entre as zonas Central e Sul do Recife, nesta quinta-feira (23). Manifestantes, que demandam reestabelecimento de energia elétrica, fecharam os dois sentidos da avenida Sul, rua Imperial, além de alças de acesso do Viaduto Capitão Temudo.
Conforme informado pela Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), por volta das 16h45, a Av. Sul foi interditada para a circulação de veículos, em ambos os sentidos. A Rua Imperial, principal corredor que leva do bairro de São José até o bairro de Afogados, também foi fechada. Minutos depois, o protesto seguiu para o viaduto Capitão Temudo. Até o início da noite, apenas o sentido Olinda foi liberado. As informações são da Folha de Pernambuco.
Conforme divulgou a CTTU, agentes orientaram o desvio. O tráfego para Boa Viagem, na Zona Sul, segue interditado. Em contato com o Corpo de Bombeiros, a corporação confirmou o acionamento e que uma equipe já está no local, com a ocorrência em andamento.
A reportagem procurou a comunicação da Neoenergia e foi informada de que uma equipe atuou no local “trabalhando no restabelecimento dos clientes regulares da distribuidora”.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, manter as restrições para a compra de terras rurais no Brasil por empresas nacionais controladas por estrangeiros. Os ministros negaram uma ação movida pela Sociedade Rural Brasileira (SRB) contra lei de 1971 que rege o tema, e acolheram o processo da Advocacia-Geral da União (AGU) que pedia sua validação.
O julgamento havia sido suspenso em março por pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, que reajustou seu voto — inicialmente contrário às restrições. Em seu voto atualizado, proferido nesta quinta-feira (23), Moraes disse que as restrições são necessárias para salvaguardar a soberania nacional e minerais críticos.
Também votaram nesse sentido o relator, Marco Aurélio Mello (aposentado), Flávio Dino, Cristiano Zanin, Kássio Nunes Marques, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Dias Toffoli e Edson Fachin.
O centro da controvérsia estava em definir se as empresas com capital majoritariamente estrangeiro devem se submeter às mesmas restrições impostas às empresas estrangeiras. De acordo com a lei questionada, as duas situações recebem o mesmo tratamento jurídico, o que foi contestado pela SRB.
Ao longo dos debates, ministros destacaram que praticamente todos os países do mundo têm algum controle sobre a aquisição de terras rurais por estrangeiros. Também consideraram que, apesar de ter sido editada antes de 1988, ela é compatível com a Constituição e necessária para proteger a soberania nacional.
“A lei não é anacrônica, pelo contrário”, disse o ministro Flávio Dino. “A apropriação de bases físicas dos países constitui uma dimensão fundamental da defesa da soberania, seja por conta dos recursos naturais, hídricos e os recursos do subsolo”, acrescentou.
Entre as restrições, está a exigência de autorização do Incra para aquisição de terras de até 100 módulos e aprovação do Congresso para compra de terras com mais de 100 módulos. O módulo é uma unidade medida em hectares, que varia para cada município.
Segundo o Incra, há 700 processos em curso e o prazo médio para análise dos pedidos de aquisição de terras é de seis meses.
Um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçar acenos ao agronegócio em uma feira no Mato Grosso, os pré-candidatos à Presidência Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) direcionaram esforços ao segmento. Nesta quinta-feira (23), os dois cruzaram agendas em estados um do outro — Zema em Goiás, Caiado em Minas Gerais —, com compromissos voltados ao agro, em meio à disputa por apoio dentro do campo da direita.
Zema iniciou o dia em Anápolis, com visita à indústria Kingspan Isoeste, instalada em um dos principais polos ligados à cadeia do agro no estado. Na sequência, foi a Goiânia para reunião com o Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO), que reúne representantes do setor produtivo local, incluindo segmentos diretamente ligados ao agronegócio. As informações são do jornal O Globo.
O roteiro, segundo integrantes da pré-campanha, foi desenhado para ampliar interlocução com empresários e lideranças fora de Minas, em um movimento que alia discurso de gestão à tentativa de se aproximar de um setor ainda distante.
Já Caiado concentrou a agenda em Belo Horizonte com foco direto no agro. O ex-governador participou de reunião e palestra na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), uma das principais portas de entrada para o setor no estado. Na sexta-feira, mantém compromissos na capital mineira, com passagem pelo Mercado Central, ponto tradicional de circulação política e de contato com produtores e comerciantes.
A escolha dos destinos reflete estratégias distintas. Zema busca ganhar capilaridade fora de Minas e testar sua entrada em um estado onde o adversário tem base consolidada e forte identificação com o agro.
Caiado, por sua vez, tenta enfrentar um dos seus principais gargalos: a baixa presença em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, onde ainda não tem palanque estruturado e busca abrir espaço após o PSD liberar o diretório estadual para seguir o governador Mateus Simões, aliado de Zema. Nesse contexto, aposta no agro como porta de entrada, apoiado em sua trajetória ligada à bancada ruralista.
Disputa pelo agro
As agendas dos ex-governadores ocorrem após acenos estratégicos de Flávio Bolsonaro ao agronegócio. Na véspera, o senador participou de uma das principais feiras do setor, em Sinop (MT), e resgatou o discurso que marcou a aproximação do bolsonarismo com produtores rurais, ao voltar a criticar a política de demarcação de terras indígenas. “Nenhuma dessas reservas será demarcada se depender do nosso governo”, afirmou.
A fala veio acompanhada de um pacote de acenos ao setor, incluindo defesa de crédito com juros mais baixos, redução de burocracia e atuação contra a moratória da soja. O senador também voltou a criticar a política ambiental e o que chamou de entraves à produção. O movimento foi lido por aliados como tentativa de reativar uma relação que, em 2018, se consolidou para Jair Bolsonaro.
O cenário atual, porém, é diferente. A entrada de Caiado na disputa, com histórico ligado ao setor, e os esforços de Zema para ampliar presença fora de Minas criaram um ambiente de maior competição por esse eleitorado.
Nos bastidores, representantes do agro avaliam que o apoio tende a ser menos concentrado na largada, com maior peso para compromissos concretos e menor alinhamento automático a um único nome. Ainda assim, Flávio Bolsonaro é hoje visto como o favorito dentro desse campo, em razão do melhor desempenho nas pesquisas. Levantamento recente da Quaest indica o senador numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, com 42% a 40%. Os dois estão empatados dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais.
A publicação do presidente nacional do PSB, João Campos, ontem (22), nas redes sociais, de que Tadeu Alencar “se prepara para retornar à Câmara Federal nos próximos dias”, gerou curiosidade sobre como seria a articulação para garantir o mandato interino. Em Brasília circula a informação de que os deputados Pedro Campos e Felipe Carreras poderão pedir licença. Com isso, além de Tadeu, o primeiro suplente do PSB, Gonzaga Patriota, seria favorecido. As informações são do Blog Dantas Barreto.
As informações são de que Felipe Carreras receberia a missão de coordenar a campanha de governador de João Campos. Já a licença de Pedro Campos seria uma maneira de João ter que “cortar na própria carne”, após o constrangimento pelo qual Tadeu Alencar passou.
O assunto veio à tona depois do imbróglio envolvendo Tadeu Alencar. Ele foi nomeado ministro do Empreendodrismo pelo presidente Lula (PT), no dia 3 de abril, pelo critério de que ocupava a secretaria executiva da pasta. Com a saída de Márcio França (PSB-SP) para ser candidato a senador, Tadeu virou titular. Só que à revelia da direção do PSB. Terça-feira passada, ele entregou o cargo, admitindo tensão no partido, e Paulo Pereira assumiu o ministério por indicação de João Campos.
A Tadeu foram oferecidas as vagas de secretário executivo e de assessor do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), mas ele recusou.
Foi quando João Campos escreveu: “Meu amigo Tadeu Alencar, após mais de 3 anos desempenhando um grande trabalho em áreas estratégicas do Governo Lula, se prepara para retornar à Câmara Federal nos próximos dias, onde seguirá contribuindo com o país, com nosso partido e com o presidente Lula. Vamos em frente”.
Ao Blog Dantas Barreto, o ex-deputado Gonzaga Patriota disse que ficou sabendo da informação sobre Tadeu Alencar, mas nada a respeito de ele também ser contemplado. “Se alguém tirar licença, eu entro. Além de ser primeiro suplente, tive dez mandatos e na eleição passada tive 69 mil votos. E não fui chamado para nenhum cargo nesses três anos”, disse Gonzaga.
A Justiça Federal de SP aceitou na tarde desta quinta-feira (23) o pedido da Polícia Federal e decretou a prisão preventiva do MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei e de outros investigados por envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.
O pedido foi feito após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder habeas corpus. Com o avanço das investigações e a análise de provas apreendidas, a PF avaliou que há elementos suficientes para a conversão das prisões temporárias em preventivas. As informações são do g1.
Os alvos tinham sido presos temporariamente no último dia 15 em uma operação da Polícia Federal. Segundo a investigação, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, “laranjas”, criptomoedas e remessas ao exterior.
No habeas corpus, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou ilegal o decreto de prisão temporária por 30 dias. Segundo ele, a própria Polícia Federal havia solicitado prazo de apenas cinco dias, período que já havia se encerrado.
Contudo, segundo a PF, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública diante da gravidade do caso e do volume de recursos envolvidos. A PF também apontou risco de continuidade das atividades criminosas, além da possibilidade de interferência nas investigações, com destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados.
Em uma rede social, a defesa de MC Ryan SP comentou a solicitação da PF de mais tempo de prisão e disse que “causa perplexidade o caráter manifestamente extemporâneo do pedido”. “Se presentes estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno? Espera a defesa que a medida seja indeferida e a decisão do Superior Tribunal de Justiça efetivamente cumprida”, escreveu.
MC Ryan está no Centro de Detenção Provisória Belém, na Zona Leste de São Paulo. Procurada, a Secretaria de Administração Penitenciária não informou quando ele será solto.
Em nota, o advogado Felipe Cassimiro, que faz a defesa do MC Ryan SP, disse que a decisão reconhece a “ilegalidade das prisões de MC Ryan, Diogo 305 e dos demais investigados no âmbito da Operação Narco Fluxo” e que “a consequência natural e jurídica desta decisão é a revogação da prisão, medida que decorre diretamente da própria decisão ao ser reconhecido o erro no prazo fixado para a prisão temporária”.
Já o advogado de Poze do Rodo, Fernando Henrique Cardoso Neves, afirmou que o novo pedido feito pela PF não apresenta fatos novos e criticou a condução do caso.
Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo foi resultado de uma investigação que começou muito antes dos mandados de busca e prisão.
Segundo a Polícia Federal, o ponto de partida foi a análise de arquivos armazenados no iCloud, sistema de armazenamento em nuvem da Apple, do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante uma operação anterior, a Narco Bet, que já era derivada da Operação Narco Vela, ambas deflagradas em 2025.
Os recentes discursos do senador Flávio Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelam estratégias distintas para conquistar o eleitorado brasileiro. A análise é de Matheus Teixeira para a CNN.
Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, tem buscado uma imagem mais moderada em comparação ao pai, apresentando-se como “o Bolsonaro que tomou vacina”. Segundo Teixeira, há uma pressão no entorno de Flávio para que ele assuma um compromisso com as instituições democráticas e com o respeito ao resultado das eleições, tentando realizar uma inflexão mais ao centro.
Em sua estratégia eleitoral, Flávio Bolsonaro participou recentemente de um evento em Sinop, Mato Grosso, com o objetivo de fortalecer sua base no agronegócio. O analista explica que o senador busca angariar apoio não apenas dos grandes empresários do setor, “e não só os grandes empresários, mas, como os pequenos produtores também, e toda cadeia de negócios do agronegócio para seu lado”, aponta.
A aposta de Lula na soberania nacional Por outro lado, o presidente Lula tem apostado no discurso da soberania nacional como sua principal bandeira. Matheus Teixeira destaca que Lula elevou o tom contra o presidente dos Estados Unidos, especialmente após o episódio envolvendo Alexandre Ramagem, que foi detido pela polícia norte-americana (ICE) numa suposta parceria com a Polícia Federal brasileira.
O analista lembra que, após os Estados Unidos retirarem a credencial do delegado brasileiro que teria auxiliado na detenção de Ramagem, Lula e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, responderam “na mesma moeda”, retirando a credencial de um policial americano que estava no Brasil.
“Justamente porque o presidente Lula está nesse objetivo e nesse mote de campanha da soberania nacional”, explica Matheus Teixeira.
Teixeira também menciona outros episódios recentes em que Lula reforçou seu discurso de soberania: a reação ao tarifaço dos Estados Unidos no meio do ano passado, considerado pelo analista como “o melhor momento do seu governo”; a crítica à tentativa de Donald Trump de vetar o presidente da África do Sul no encontro do G20; e a solidariedade prestada ao Papa, que teve embates com o presidente americano. Segundo o analista, essa estratégia de Lula está alinhada com seu objetivo de campanha focado na defesa da soberania nacional.
A Justiça Eleitoral determinou a realização de uma nova totalização dos votos proporcionais das eleições municipais de 2024 em Buíque, no Sertão de Pernambuco. A medida foi adotada após a cassação da chapa do MDB no município, o que resultou na anulação dos votos obtidos pela legenda e na perda dos mandatos de vereadores eleitos pelo partido. Com informações do portal Folha das Cidades.
De acordo com edital da 60ª Zona Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), a recontagem será realizada no dia 29 de abril de 2026, às 13h, no Cartório Eleitoral de Buíque, com a presença de partidos, coligações, Ministério Público e demais órgãos de fiscalização. A decisão judicial teve como base a identificação de irregularidades na composição da chapa, com suspeita de fraude à cota de gênero.
Com a anulação dos votos, perderam os mandatos os vereadores Aline de André de Toinho, Daidson Amorim, Djalma Araújo, Preto Kapinawa e Dodó, eleitos pelo MDB em 2024. A nova totalização vai redefinir o quociente eleitoral e partidário, permitindo a redistribuição das vagas na Câmara Municipal, conforme a legislação vigente.
A vereadora do Recife Liana Cirne (PT) criticou, nas redes sociais, a declaração do líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1 no Brasil.
O parlamentar havia afirmado que a redução da jornada de trabalho poderia ser prejudicial ao país. Como alternativa, defendeu a negociação direta entre empregador e empregado, além de um modelo de remuneração baseado no princípio “hora trabalhada, hora recebida”, que, segundo ele, seria mais moderno e compatível com formatos flexíveis de trabalho. As informações são do Blog da Folha.
Em resposta, Liana Cirne classificou a proposta como desconectada da realidade dos trabalhadores brasileiros. Para a vereadora, a ideia de uma negociação equilibrada entre patrão e empregado não se sustenta na prática.
“Para o partido de Bolsonaro, o trabalhador tem que viver para o patrão até a exaustão. Para eles, o fim da escala 6×1 não deve ser uma urgência… aumento para eles, sim; para o trabalhador, espera de anos por uma mínima redução da jornada de trabalho. Ainda criam esse conto de fadas de negociação entre empregador e empregado. Uma piada. Absurdo!”, declarou.
O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, Alexandre Andrade Lima, acompanhou a sessão da Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (23), na qual foi aprovado o limite de 20% para a governadora Raquel Lyra (PSD) remanejar recursos do orçamento deste ano. O setor aguarda ajuda financeira do Governo do Estado para adquirir fertilizantes, mas ouvia que isso só ocorreria se a proposta fosse aprovada pelos deputados.
De acordo com Alexandre, são necessários R$ 72 milhões para a compra dos fertilizantes que serão distribuídos a quem produz até 5 mil toneladas de cana. Ao Blog Dantas Barreto, ele disse que “92% dos produtores em Pernambuco se enquadram nesse critério e representam 23% da cana produzida no Estado”. Representantes do segmento chegaram a protestar contra a Assembleia Legislativa devido à demora para aprovar os 20% do remanejamento. As informações são do Blog Dantas Barreto.
“A cana tem seu calendário e a hora certa para adubação e agora esperamos que venha a ajuda aos pequenos produtores. O Governo tem que abrir o processo de licitação e a empresa vencedora ficará responsável pela distribuição dos fertilizantes. O setor passa por uma crise devido ao tarifaço dos Estados Unidos e o preço do açúcar caiu no mercado internacional”, relatou o presidente da Associação dos Fornecedores.
Além disso, 40% dos fertilizantes importados passam pelo Estreito de Ormuz, que está bloqueado por causa da guerra envolvendo os EUA, Irã e Israel. E a Rússia, que é grande fornecedora, elevou o preço dos produtos. “Os R$ 72 milhões darão para comprar 36 mil toneladas de fertilizantes”, contou Alexandre Andrade Lima.