Os advogados do deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) e do irmão, o conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) Domingos Brazão, pediram que eles sejam ouvidos pela PF (Polícia Federal) sobre o caso da morte da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ). Os 2 são indicados como mandantes do assassinato.
O pedido se dá 1 dia depois de o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes ter determinado que o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, indicado como o “mentor” do crime, seja ouvido pela corporação em até 5 dias.
Ao portal Poder360, o advogado de Chiquinho, Cleber Lopes, confirmou a existência do pedido e afirmou se tratar de uma solicitação para estender o que foi concedido a Rivaldo Barbosa.
O deputado, que foi expulso do União Brasil e responde a um processo de cassação do mandato na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, está preso na penitenciária federal de Campo Grande (MS).
Já a defesa de Domingos alega ter pedido em ao menos 5 ocasiões diferentes para que o conselheiro seja ouvido pela PF. O advogado Márcio Palma disse que no momento da prisão, em 24 de março, Moraes já havia determinado depoimento, mas que ainda não foi cumprido. Domingos Brazão está preso na penitenciária federal de Porto Velho (RR).
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e conhecido nacionalmente como relator das pedaladas da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o que resultou no impeachment da aliada de Lula (PT), em 2016, Augusto Nardes, defende a governança como solução para os problemas do Brasil. Ele foi o entrevistado de ontem (10) no podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco.
Governança, segundo explicou Nardes, é um conceito acima de gestão. “São três palavras-chave: direcionar, avaliar e monitorar. O que significa direcionar? O líder, o governador, o prefeito, o presidente da República direciona, mas se ele não avalia e não monitora, não entrega resultado para a sociedade”, destacou.
“Então, é igual gestão? Não é igual gestão. É praticamente uma situação similar, mas que a governança está acima da gestão. É alguém que pensa estrategicamente, o líder, e que traga resultado”, acrescentou Nardes. A governança, destacou o ministro, é importante para prevenir problemas.
Na opinião dele, não há perspectiva de futuro para o Brasil sem que haja prevenção e indicadores para avaliar, por exemplo, as estatais e as agências reguladoras, porque prestam serviços, além dos números de toda a administração pública federal. “Quando alguém está pagando um pedágio, ele está pagando para alguém terceirizado em nome do Estado brasileiro. Ele tem uma concessão pelo período para fazer o cuidado e preservar as estradas, as pontes. A preservação se faz com prevenção. Para ter prevenção, tem que ter governança”, defendeu.
O ministro lembrou que chegou a conversar com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos em um café da manhã no Palácio do Campo das Princesas sobre a necessidade de implantar a governança no Brasil. De acordo com Nardes, Campos era favorável à tese.
“Ele (Eduardo Campos) disse: ‘Nardes, eu vou te apoiar, porque sem governança a gente não chega a nada’. Ele mudaria a história do Brasil. Estava crescendo na pesquisa. Chegaria ao segundo turno e ganharia a eleição, porque era um jovem dinâmico. Eu lamentei muito (a morte de Campos), me dava muito bem com ele”, comentou o ministro.
Augusto Nardes ainda citou o episódio da ex-presidente Dilma Rousseff, declarando que não houve corrupção por parte da petista. Ele frisou que Dilma não chegou a “botar dinheiro no bolso”, mas cometeu crime de responsabilidade.
“As pedaladas não foram uma corrupção, mas foi desvio daquilo que a lei estabelece. Foi um desvio fiscal nos fundos de pensão, com impacto que faz com que você perca a credibilidade. Nós perdemos 8% do PIB entre 2015 e 2016. Imagina crescer 8% negativo, para baixo”, avaliou.
Sem Congresso – Nardes destacou que a ex-presidente Dilma Rousseff não pediu autorização ao Congresso para realizar as manobras no orçamento. “Eu diria que a ex-presidente cometeu crime de responsabilidade. Porque ela não podia fazer isso sem autorização do Congresso Nacional, o que se precisa para fazer qualquer mudança no Orçamento. Não vou dizer que ela tenha desviado. Agora, foi um processo também político, mas houve o crime de responsabilidade”, afirmou o ministro.
Não houve golpe – Augusto Nardes negou a hipótese de golpe contra Dilma e ressaltou que houve uma “proposta fora do normal” que não suspendeu os direitos políticos dela por oito anos, como ocorreu com Fernando Collor, o primeiro presidente a sofrer impeachment, em 1992. “O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que presidiu a sessão foi o Ricardo Lewandowski, então diziam que era golpe, e não foi. Até porque foi presidido, a decisão final foi no Senado, passou pela Câmara. Em um processo de impeachment, você tem que ter uma acusação muito séria, que é levada para a Câmara e depois ao Senado. Ela tinha que fazer 168 votos, mas fez 142 votos, e com isso o processo continuou. Alertei a Dilma três anos antes. Em 2012, o ex-ministro José Jorge relatou as contas e descobriu que estava sendo feita uma ‘contabilidade criativa’. Quando eu fui relatar as contas, aquela maquiagem já estava maior. E aí aconteceu em 2014, quando ela disputou a reeleição, ela aumentou muito o dinheiro para o Bolsa Família”, afirmou.
Por falar no PT – Em reunião com o presidente Lula (PT), ontem (10), no Palácio do Planalto, o prefeito do Recife e presidente do PSB, João Campos, reforçou ao petista a intenção do partido de manter Geraldo Alckmin como seu vice na disputa deste ano. A conversa durou cerca de uma hora, e Campos disse ter saído dela “animado” e “seguro” quanto à parceria eleitoral entre o PT e o PSB. “Os dois vão construir isso da melhor forma, há uma relação de carinho e respeito entre eles. Não cabe um interlocutor, não é um presidente de partido que vai tratar disso”, afirmou Campos a jornalistas na saída do encontro. As informações são do jornal O GLOBO.
Setor portuário – O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), participou, ontem (10), do CEO Conference Brasil 2026, realizado pelo BTG Pactual, e afirmou que o Brasil vive “o maior volume de investimentos do setor portuário na história”. O ministro integrou o painel “As perspectivas para os modais de transporte no Brasil”, ao lado do ministro dos Transportes, Renan Filho, e representantes do mercado financeiro e do setor produtivo. Durante o encontro, Silvio destacou que o governo prevê a realização de mais de 19 leilões portuários ainda em 2026.
Alepe Folia – A quarta edição do Alepe Folia, prévia carnavalesca promovida pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, reuniu parlamentares, servidores e colaboradores da Casa, ontem (10), em um trecho da Rua da União, no Centro do Recife. O evento teve formato de “baile” e registrou aumento de público em relação às edições anteriores. A programação foi conduzida pelo presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), e pelo 1º secretário, deputado Francismar Pontes (PSB). A abertura contou com um minitrio elétrico e apresentações de Almir Rouche, Mayara Dias, Marquinhos Balada e da banda Chama do Brega, que animaram os foliões ao longo da prévia.
CURTAS
Flanelinhas no Carnaval 1 – O deputado Joel da Harpa (PL) defende o aumento imediato do monitoramento e a realização de operações preventivas mais intensas durante o Carnaval, com presença reforçada das forças de segurança e ações estratégicas para coibir cobranças ilegais em vias públicas.
Flanelinhas no Carnaval 2 – Além da denúncia sobre as extorsões, o deputado alertou para a possibilidade de integrantes do tráfico de drogas estarem atuando disfarçados de flanelinhas, aproveitando a grande circulação de foliões para ampliar atividades criminosas.
Flanelinhas no Carnaval 3 – “É preciso reforçar a presença do Estado, ampliar o monitoramento e garantir operações preventivas permanentes. Não podemos permitir que o cidadão seja coagido a pagar para estacionar em via pública, nem que o crime organizado se infiltre em áreas turísticas da nossa cidade”, afirmou.
A Justiça de Pernambuco determinou que o blogueiro político Manoel Medeiros, ligado à vice-governadora Priscila Krause (PSD), remova de suas redes sociais informações falsas que atribuem a prática de crimes a quatro auxiliares do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Na decisão, a juíza Iasmina Rocha, da 7ª Vara Cível da Capital, avaliou que o jornalista extrapolou os limites da liberdade de expressão e enveredou por uma postura de ofensa à honra sem fundamento em fatos.
A ação foi movida pelos secretários municipais Gustavo Monteiro (Articulação Política e Social), Antonio Limeira (Assessoria Especial do Prefeito), Luciano Temporal (executivo de Ordem Pública e Segurança) e pelo presidente da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), Daniel Saboya. O empresário Bruno Delgado, outro alvo das postagens ofensivas, também é autor do pedido. Nas postagens, o grupo é acusado, sem provas, de cometer crimes de corrupção.
“Observa-se que o réu não se limitou ao exercício da crítica política ou jornalística. Ao utilizar expressões como ‘esquema criminoso’, ‘lavagem de dinheiro’ e ‘empresa de fachada’ de forma assertiva e direta, além de usar aspas em diversas expressões para dar conotação de ironia e falseamento, sem a demonstração imediata de lastro investigativo oficial ou decisão judicial que suporte tais pechas, o réu parece ter transbordado os limites da liberdade de expressão para adentrar no campo da ofensa à honra”, avaliou a juíza, que determinou multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento da decisão.
Medeiros recebeu a ordem de remover dois vídeos com conteúdos tendenciosos em até 24 horas. Além disso, terá que editar postagens que contenham “informação inverossímil, violação a direitos da personalidade e crítica jornalística com intuito de difamar, injuriar ou caluniar” e não poderá fazer novas publicações atribuindo, sem provas, crimes aos autores da ação.
O blogueiro construiu sua trajetória profissional na assessoria da ex-vereadora e ex-deputada Priscila Krause. Em 2023, seguiu com a agora vice-governadora para o Palácio do Campo das Princesas, onde foi alocado como secretário executivo de Informações Estratégicas. Meses depois, assumiu o cargo de assessor especial da governadora Raquel Lyra (PSD).
Em agosto de 2025, acabou pedindo exoneração depois de ser apontado por deputados de oposição como membro de um suposto gabinete do ódio usado para financiar, com recursos públicos, páginas de conteúdo político pautadas em ataques a adversários da governadora. Ao sair do governo, Medeiros lançou um blog com linha editorial exclusivamente voltada a conteúdos negativos contra João Campos e outros nomes considerados um obstáculo ao projeto de reeleição de Raquel e Priscila.
O ministro Carlos Vuyk de Aquino, do Superior Tribunal Militar (STM), concedeu nesta terça-feira (10) prazo de dez dias para que os advogados de Jair Bolsonaro apresentem defesa no processo que pede a expulsão do ex-presidente do Exército, em função da condenação na ação penal da trama golpista.
A apresentação da defesa é o primeiro passo no andamento processual da ação na qual o Ministério Público Militar (MPM) pediu, no dia 3 de fevereiro deste ano, a perda da patente de Bolsonaro, que é capitão da reserva. As informações são da Agência Brasil.
Após receber a manifestação de defesa do ex-presidente, o processo voltará para o gabinete do ministro. Não há prazo para julgamento do caso.
Se a perda da patente for decretada pelo STM, o salário que Bolsonaro recebe será repassado para a esposa ou filhas em forma de pensão.
O benefício é conhecido como “morte ficta” e está previsto na legislação das Forças Armadas desde 1960.
De acordo com a Constituição, o oficial das Forças Armadas pode ser expulso no caso de condenação criminal superior a dois anos de prisão por condenação criminal.
O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por ter liderado uma trama para se manter no poder mesmo depois de ter sido derrotado nas eleições de 2022.
Bolsonaro cumpre pena na Papudinha, como é conhecida a Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Além de Bolsonaro, o MPM também pediu a perda da patente dos generais da reserva Augusto Heleno, Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier, que também foram condenados pelo Supremo.
Autor do livro “Da Governança à Esperança”, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e ex-deputado federal Augusto Nardes ressalta a importância das palavras que batizam a citada obra. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ele afirmou que a governança é a única forma para o Brasil se manter com credibilidade e garantir seu futuro com “esperança”.
“A governança é a única forma que eu vejo de o Brasil ter esperança, de que o dinheiro que o cidadão paga de impostos seja bem aplicado. Cada um de nós paga 150 dias de trabalho de impostos por ano, e agora, com a concentração na União após a reforma tributária, vai passar para 170 dias. Você trabalha 170 dias para pagar impostos e sente que não tem uma retribuição adequada, porque não tem segurança. Nos lugares em que não tem governança, porque o Estado não manda, quem manda é o PCC (Primeiro Comando da Capital). Hoje, 23 milhões de brasileiros são dominados pelo crime organizado”, disparou Nardes.
O ministro lembrou o período em que presidiu a corte de contas, entre 2013 e 2014, quando o Brasil conquistou uma liderança em nível mundial no assunto, e soltou críticas ao atual governo. “Sem falsa modéstia, eu contribuí para isso. Nós começamos a articular, presidimos todos os tribunais (de contas) da América Latina e do Caribe e começamos a trabalhar para o Brasil presidir o sistema mundial de controle, que são 195 países. Nós chegamos à presidência do sistema e, com isso, passamos a auditar as Nações Unidas. Nós começamos esse trabalho. Não tinha indicadores, não tinha estratégia. O que falta no país é estratégia, não tem projeto de Estado, de nação. É um grande projeto eleitoreiro. O governo faz só projetos eleitoreiros, sobre como faz para ganhar eleição, independentemente de quebrar ou não o país”, colocou.
Nardes ainda citou dados preocupantes relativos à Previdência Social. “Hoje temos 58 milhões de brasileiros que pagam a Previdência e 34 milhões que recebem. Nós chegamos a ser 14 pagando para um receber, hoje é praticamente 1,7. O nosso período de ouro, de ter bastante gente contribuindo para pagar a Previdência, está passando. Praticamente já estamos na mudança, e com um envelhecimento muito grande da população. E nós ainda temos 23 milhões de pessoas com Bolsa Família. Se multiplicarmos por 4, dá praticamente 60 milhões de pessoas que estão recebendo o benefício, e quem paga por isso é o cidadão empregado, porque é descontado de todos os impostos de todo o Brasil. Então quem paga é quem contribui com os impostos para a Previdência, e dali vai sair o dinheiro para os futuros aposentados. O que vai acontecer é que o país não vai conseguir pagar a Previdência no futuro. O maior gargalo hoje é a Previdência, porque nós temos praticamente 60 milhões que recebem o Bolsa Família. Somando, dá 94 milhões numa população de 212 milhões. Praticamente a metade do Brasil está recebendo um tipo de auxílio, e quem paga isso são 30% através dos impostos. Então o país não tem projeto de Estado para crescer, o crescimento está muito baixo, de 1,5% a 3% ao ano. Nós tínhamos que crescer acima de 5% para poder equilibrar a situação econômica do país. E só estamos ensinando as pessoas a comer, dando comida e não ensinando a pescar”, concluiu.
Durante o encontro que Lula teve, há pouco, no Palácio do Planalto, com o prefeito João Campos (PSB), fez questão de reconfirmar sua presença no Galo da Madrugada, no próximo sábado. Vazou que a governadora Raquel Lyra (PSD) chegou a interferir, junto ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, para que Lula evitasse a agenda de carnaval no Recife.
Lula cancelando, a pedido de Raquel, segundo uma fonte, a deixaria numa posição confortável para justificar um duplo palanque no Estado em apoio a reeleição do petista. Mas Lula mostrou, ao longo do encontro, que estará com João no Galo e na eleição.
O Progressistas (PP), partido que nos últimos meses se posicionou publicamente como oposição ao presidente Lula, começa a ensaiar um movimento de aproximação com o PT em alguns estados estratégicos do país.
Apesar do discurso nacional mais crítico ao governo, o PP integra a Esplanada dos Ministérios e carrega, historicamente, uma forte divisão interna — fator que ajuda a explicar as conversas em andamento. As informações são do g1.
Tradicionalmente, o partido é marcado por uma clivagem regional: lideranças do Norte e do Nordeste tendem a ser mais alinhadas a governos de esquerda, enquanto os quadros do Centro-Sul costumam se aproximar de projetos de centro-direita.
Esse racha interno gera dificuldades quando o partido assume uma posição nacional muito rígida em disputas presidenciais, pois pode criar rejeição local e atrapalhar alianças estaduais.
Diante desse cenário, caciques do PP têm defendido uma saída pragmática: a neutralidade na eleição presidencial.
A ideia é simples: ao evitar um alinhamento formal contra Lula, o partido libera suas lideranças estaduais para costurar os arranjos mais vantajosos localmente, com foco principal em ampliar bancadas na Câmara dos Deputados, objetivo central de praticamente todas as siglas.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, esse processo de distensão ganhou força após uma conversa reservada entre o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, e o presidente Lula, realizada fora da agenda oficial no fim do ano passado.
Ciro Nogueira nega o encontro, mas lideranças do partido relatam que esse teria sido o primeiro contato após um período de tensão, servindo justamente para reabrir canais de diálogo e facilitar negociações nos estados.
Atualmente, as conversas entre PP e PT estão em curso em pelo menos seis estados: Piauí, Paraíba, Maranhão, Ceará, Alagoas e Pernambuco. Em alguns deles, o entendimento buscado é apenas pela neutralidade; em outros, já se fala em alianças formais.
No Piauí, estado de Ciro Nogueira, o PT deve lançar Rafael Fonteles à reeleição ao governo, com uma chapa já formada ao lado de MDB e PSD. Ali, o interesse do PP é claro: evitar que Lula atrapalhe o caminho político do senador no estado.
Situação semelhante ocorre em Alagoas, onde Renan Calheiros pai e filho articulam uma chapa majoritária. Embora não estejam alinhados com Arthur Lira, principal liderança do PP no estado, o objetivo também é garantir que Lula não se coloque como obstáculo local.
Já na Paraíba, o movimento é mais explícito. Lucas Ribeiro, candidato do PP ao governo estadual, já declarou que seu palanque será de Lula, indicando uma aliança formal com o PT. Esse tipo de posicionamento reforça a avaliação de que, apesar do discurso nacional, o partido tende a adotar uma estratégia altamente descentralizada em 2026.
Lideranças do PP afirmam que a definição final deve ser empurrada o máximo possível para perto da janela partidária, justamente para observar como o tabuleiro político nacional e estadual vai se acomodar. A criação de federações, como a já aprovada envolvendo outras siglas, também entra nessa conta e pode alterar os cenários regionais.
Na Bahia, por exemplo, o PP integra o governo de Jerônimo Rodrigues (PT), enquanto ACM Neto, da União Brasil, desponta como possível candidato ao governo do estado. Esse tipo de contradição ilustra bem o dilema vivido pelo partido: equilibrar alianças locais com um discurso nacional coerente — tarefa cada vez mais difícil em um sistema político fragmentado.
A polêmica envolvendo o Banco Master tem gerado muitos rumores em Brasília quanto à atuação dos órgãos de controle. O ministro e ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, apontou que a atribuição de fiscalizar é do Banco Central, que por sua vez é fiscalizado pela corte de contas. Mas a liquidação do Banco Master, segundo ele, não cabe ao TCU.
“Vou direto ao ponto. Quem cabe fiscalizar o Banco Master é o Banco Central. E cabe ao Banco Central ser fiscalizado pelo TCU. Se o Banco Central cometeu algum equívoco, o TCU pode penalizá-lo. Cheguei a falar com o ministro Jonatas de Jesus, que é o relator desse caso, para deixar amadurecer um pouco mais. E aí aconteceu toda essa polêmica, o TCU teve a postura de avaliar bem a situação para depois tomar uma decisão. Porque no caso do Banco Master, tem interessados que são muito fortes, envolve inclusive dois ministros do Supremo Tribunal Federal, então é uma situação muito delicada, tem que ir com muito cuidado. O limite do TCU é fiscalizar a parte do Banco Central, se ele deixou de fiscalizar ou não fiscalizou corretamente, para depois definir uma punição para os gestores do Banco Central, respeitando a autonomia do Banco Central”, explicou Nardes, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
“Cabe ao Banco Central fazer a liquidação. Ele tem autonomia para isso. Agora, cabe também ao TCU fiscalizar os atos de toda a administração do Banco Central. Se houve legitimidade, se foi feito tudo legal, o TCU não tem que se omitir na matéria. Então é importante que o tribunal faça essa avaliação. Acho que houve por parte do TCU uma falta de explicação, que cabe ao tribunal fazer a fiscalização. Quanto à matéria de fato, a decisão é do Banco Central. Então, se houve algum tipo de irregularidade e for demonstrado que houve irregularidade, nós podemos punir os gestores do Banco Central. É isso que cabe ao tribunal, mas a fiscalização e a liquidação cabem ao Banco Central, dentro das regras legais, mas ele tem autonomia. Não cabe o tribunal fazer a liquidação, mas cabe fiscalizar os atos da administração do Banco Central”, completou o ministro.
Uma fonte procurou o blog para relatar atrasos no pagamento de trabalhadores terceirizados da empresa Unika, que atuam na Secretaria de Educação de Pernambuco. Segundo a denúncia, os salários estariam atrasados desde a última sexta-feira e sem previsão de quitação.
A fonte afirma ainda que o FGTS não vem sendo depositado há três meses e que também não há contribuição ao INSS no mesmo período. Além disso, funcionários que tiraram férias em dezembro ainda não teriam recebido os valores correspondentes.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, participou nesta terça-feira do CEO Conference Brasil 2026, realizado pelo BTG Pactual, e afirmou que o Brasil vive “o maior volume de investimentos do setor portuário na história”. O ministro integrou o painel “As perspectivas para os modais de transporte no Brasil”, ao lado do ministro dos Transportes, Renan Filho, e representantes do mercado financeiro e do setor produtivo.
Durante o encontro, Silvio destacou que o governo federal prevê a realização de mais de 19 leilões portuários ainda em 2026. Entre os projetos citados, ele mencionou o Porto de São Sebastião e o Tecon Santos 10, apontado como o principal destaque do pacote. “Vamos fazer o maior leilão da história, que é o Tecon Santos 10. Esperamos investimentos da ordem de mais de R$ 4 bilhões”, declarou.
O ministro também afirmou que os investimentos previstos para o setor portuário neste ano superam R$ 30 bilhões e ressaltou o crescimento do segmento de contêineres. “Esse ano, temos no Brasil mais de R$ 30 bilhões em investimentos no setor portuário”, disse. Silvio acrescentou que o setor de contêineres “tem crescido mais de 15%” e destacou que o avanço tem atraído capital nacional e estrangeiro. “Estamos muito animados com o volume de investimentos não só de brasileiros investindo em nosso país, mas também com o grande volume de investimentos estrangeiros que estão vindo para o Brasil”, afirmou.
A quarta edição do Alepe Folia, prévia carnavalesca promovida pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, reuniu parlamentares, servidores e colaboradores da Casa nesta terça-feira (10), em um trecho da Rua da União, no Centro do Recife. O evento teve formato de “baile” e registrou aumento de público em relação às edições anteriores.
A programação foi conduzida pelo presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto, e pelo 1º secretário, deputado Francismar Pontes. A abertura contou com um mini trio-elétrico e apresentações de Almir Rouche, Mayara Dias, Marquinhos Balada e da banda Chama do Brega, que animaram os foliões ao longo da prévia.
Durante o evento, Álvaro Porto afirmou que o Alepe Folia tem como objetivo integrar parlamentares e servidores e celebrar a cultura pernambucana. “A alegria, a musicalidade e a criatividade do povo pernambucano tem a sua expressão máxima no carnaval. E a Assembleia, como já é tradição, promove sua prévia inspirada pela grandeza desta manifestação”, disse. O deputado também destacou o caráter de confraternização do encontro. “Que todos possamos aproveitar bem o espírito festivo e brincar o carnaval num clima de alegria e tranquilidade”, afirmou.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tratou da possibilidade de o candidato a vice na chapa à reeleição ser do MDB durante uma conversa com ele e outro parlamentar do partido em um encontro no fim do ano passado, na Granja do Torto.
Lula admitiu publicamente pela primeira vez na semana passada a hipótese de mudar a composição da chapa ao afirmar que o vice Geraldo Alckmin terá um “papel a cumprir” na eleição em São Paulo. Um dos cotados para vice, caso a função caiba ao MDB, é o ministro Renan Filho (Transportes), filho de Renan Calheiros. As informações são do jornal O GLOBO.
Questionado se Lula aceitaria ter um vice do MDB, Renan afirmou:
— Quem falou isso foi o Lula, não fomos nós. Ele tratou disso comigo no dia 17 de dezembro, na Granja do Torto — disse Renan.
A declaração reforça a movimentação do Palácio do Planalto para ampliar a aliança governista em direção ao centro político, estratégia vista por aliados como essencial para a disputa presidencial. O MDB é considerado peça-chave nesse desenho por sua capilaridade regional e peso no Congresso, embora a legenda mantenha tradição de decisões autônomas nas convenções partidárias. Procurada, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) não se manifestou.
Renan afirmou que uma eventual indicação do vice dependeria primeiro de um convite formal do presidente e, depois, da disputa interna no partido. Segundo ele, o principal ativo que o MDB poderia oferecer seria o apoio de uma “banda consistente” da legenda, capaz de ampliar a coalizão eleitoral de Lula. O senador citou quadros como a ministra Simone Tebet (Planejamento), o governador do Pará, Helder Barbalho, e o presidente do partido, Baleia Rossi, mas ressaltou que o debate ainda “não está posto”.
A possibilidade de mudança na vice ocorre em meio às incertezas sobre a permanência de Alckmin. Lula tem alternado sinais públicos: ao mesmo tempo em que elogia Alckmin, admite discutir novos arranjos para ampliar alianças e fortalecer a reeleição.
Nos bastidores, dirigentes governistas avaliam que oferecer a vaga ao MDB poderia consolidar apoio de setores do centro e reduzir a margem de crescimento de candidaturas adversárias. A estratégia dialoga com outras iniciativas recentes de aproximação com partidos médios, incluindo conversas com lideranças do PP e do União Brasil para neutralidade ou composição regional no pleito.
Apesar disso, Renan ressaltou que o MDB não pode ser “obrigado” a apoiar qualquer candidatura e que a definição dependerá do calendário formal das convenções, previstas até agosto. Para o senador, a escolha de vice é sempre circunstancial e vinculada à estratégia eleitoral do candidato à Presidência.
A eventual composição entre Lula e MDB, caso avance, tende a redesenhar o equilíbrio político da eleição de 2026, isolando setores mais à direita e ampliando o arco de sustentação do atual presidente.
Relator das chamadas pedaladas fiscais, que culminaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, nega que houve corrupção por parte da petista naquele episódio. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, Nardes reconheceu que a ex-chefe do Executivo nacional não chegou a “botar dinheiro no bolso”, mas sustenta que houve crime de responsabilidade.
“As pedaladas não foram uma corrupção, mas foi desvio daquilo que a lei estabelece. Foi um desvio fiscal nos fundos de pensão, com impacto que faz com que você perca a credibilidade. Nós perdemos 8% do PIB entre 2015 e 2016. Imagina crescer 8% negativo, para baixo”, considerou o ministro do TCU.
“Eu diria que a ex-presidente cometeu crime de responsabilidade. Porque ela não podia fazer isso sem autorização do Congresso Nacional, o que se precisa para fazer qualquer mudança no Orçamento. Não vou dizer que ela tenha desviado. Agora, foi um processo também político, mas houve o crime de responsabilidade”, completou Nardes.
Ainda segundo o ministro, que foi deputado federal antes de chegar à corte de contas, apesar da rejeição às contas da petista, a falta de apoio no Congresso foi crucial para o impeachment. “Aí que foi o problema. Ela brigou ainda com o presidente da Câmara dos Deputados da época (Eduardo Cunha). Eu fiz o relatório, foi unânime o relatório, todos os ministros votaram favoravelmente, inclusive ministros mais vinculados à esquerda, que eu não vou citar nomes. Então não foi o meu parecer, foi um parecer coletivo do TCU, e que depois a Câmara aceitou, o Senado aceitou e deu o impeachment da presidente Dilma. Então ela usou o dinheiro de forma ilegal. Eu não vou dizer que ela tenha botado esse dinheiro no bolso dela, que não botou. Mas ajudou ela a ganhar a eleição, porque usou no Bolsa Família, e pegou o dinheiro de fundos que quebraram”, elencou Nardes.
Por fim, o ministro desmentiu a tese de que houve golpe contra a então presidente Dilma Rousseff e ainda ressaltou que houve uma “proposta fora do normal” que não suspendeu os direitos políticos dela por oito anos, como ocorreu com Fernando Collor, o primeiro presidente a sofrer impeachment, em 1992.
“O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que presidiu a sessão foi o Ricardo Lewandowski, então diziam que era golpe, e não foi. Até porque foi presidido, a decisão final foi no Senado, passou pela Câmara. Em um processo de impeachment, você tem que ter uma acusação muito séria, que é levada para a Câmara dos Deputados e depois para o Senado. Ela tinha que fazer um número de 168 votos, mas fez de forma muito minoritária, apenas 142 votos, e com isso o processo continuou. Eu fiz um parecer, mas alertei a Dilma três anos antes. Em 2012, o ex-ministro José Jorge relatou as contas e descobriu que estava sendo feita uma contabilidade criativa. Quando eu fui relatar as contas, aquela maquiagem já estava maior. E aí aconteceu em 2014, quando ela disputou a reeleição, ela aumentou muito dinheiro para o Bolsa Família. Ela pegava dinheiro dos fundos de pensão, e aí quebrou o fundo de pensão dos Correios, o da Petrobras, e vários fundos quebraram, consequência de se usar o dinheiro deles para pagar o Bolsa Família, que aumentou no Nordeste. No segundo turno, isso foi muito importante. E aí que começaram a surgir as chamadas pedaladas fiscais. Porque ela pegava o dinheiro dos fundos, depois ia repor com a arrecação do ano seguinte”, concluiu.