Por José Adalbertovsky Ribeiro*
MONTANHAS DA JAQUEIRA – O cérebro acelerado do genial dançarino/compositor Michael Jackson vivia atormentado por insônia. Usava anestésicos para dormir. Naquela noite fatal um médico incompetente administrou uma overdose do anestésico propofol nas veias de Michael. Ele dormiu profundamente, mais que profundamente, e acordou na eternidade. No seu inventário De-Lovely, o sublime Cole Porter imaginou Deus como sendo um dançarino, o dançarino das galáxias. Michael Jackson bailava na lua (moonwalk), entre o céu e a terra. Michael era um negrinho do pastoreio abençoado por Deus e bonito por natureza.
O nome dele neste reino de Pindorama é Michael Jackson do Pandeiro, paraibano da gema da Serra da Borborema.
Esta terra de Vera Cruz, a terra de verdadeira Cruz, está sob efeito de anestésicos, tipo propofol, morfina e xilocaína. A nação vive anestesiada e não se dá conta. Os atuais donos do Congresso dobraram a meta de escândalo da arapuca Master, aliás, minto, perpetuaram o escândalo do Master sob a forma de emendas parlamentares.
Abrakadraba! Bruxas e bruxos, feiticeiros, caboclos mamadores, alquimistas, maloqueiros e quizumbeiros reuniram-se num serpentário em encruzilhada em Brasília para buscar a fórmula do crime perfeito, o crime que não é crime. Assim foram recolhidas num caldeirão de enxofre as catrevagens dos porões do Congresso. Adicionaram piolhos de cobra dos meliantes do INSS. Somaram os substratos de corrupção no INSS. Banco Master e dos Correios, mais os legados do Petrolão e do Mensalão. O caboclo mamador pronuncia as palavras mágicas: quizílias pé de pote vai fungar no teu cangote. Pariu! Assim foi criado o crime perfeito das emendas parlamentares bilionárias. O crime que não é crime, o crime sem castigo. Os criminosos são os Zé Manés que trabalham para pagar impostos para pagar as emendas.
Vorcaro semeia vulcões de corrupção no Brazil.
Estamos falando de um estupro no Orçamento da União. Ou que seja um estupro consentido. Dirão que as emendas irão contemplar os municípios dos rincões não alcançados pelos poderes públicos. Mentira. A maior parte dos recursos destinam-se a obras superfaturadas e vão parar nos bolsos dos caboclos mamadores e seus apaniguados ou em contas no Exterior. Haja uma sangria desatada de recursos públicos.
Somados aos escândalos, centenas de bilhões de denários da corrupção resultam no atraso econômico e na miséria social deste País. Como exemplo singelo, os milhares de zumbis e drogados que perambulam nas ruas refletem os efeitos colaterais da corrupção. Corrupção é corrupção partido.
Daqui a 30 anos, quando eu estiver com 125 anos, já bem velhinho e nos trinques, com nova namorada popozuda, continuarei escrevendo sobre corrupção em Brasília e nas Prefeituras e o sistema político estará a cada dia mais corrupto e corruptor até o tutano. Tá no sangue auriverde. Repito a sentença do meu guru o economista Roberto Campos: o Brazil não corre nenhum risco de um dia dar certo. Quem concorda comigo levante o braço. Hasta la vista, cabroeira!
+Periodista, escritor e quase poeta


















