No festival de Raquel, só um pernambucano entre os 20 artistas mais bem pagos
Apesar de ter sido concebido para valorizar a cultura regional, o Festival Pernambuco Meu País só tem um artista local entre os 20 mais bem pagos. Dados do Portal Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), revelam que o pernambucano João Gomes é exceção na lista dos cantores com cachês mais altos.
O festival foi criado pelo Governo Raquel Lyra em 2024 e tem sido usado pela governadora como contraponto a eventos tradicionais, sobretudo em redutos de adversários políticos. O top10 dos cachês tem Ana Carolina (R$ 1,025 milhão), João Gomes (R$ 1 milhão), Diogo Nogueira (R$ 670 mil), Alexandre Pires (R$ 600 mil), Iza (R$ 600 mil) e Marcelo Falcão (R$ 590 mil), além de Cláudia Leitte, Pablo, Tierry e Seu Jorge, esses com R$ 550 mil recebidos, cada um.
Leia maisA lista dos 20 mais bem pagos ainda reúne Matuê (R$ 510 mil), Raça Negra (R$ 480 mil), Biquíni Cavadão (R$ 450 mil), Dorgival Dantas (R$ 410 mil), BaianaSystem, Tarcísio do Acordeon e Xanddy Harmonia (R$ 400 mil, cada), Carlinhos Brown (R$ 380 mil), Iguinho e Lulinha (R$ 350 mil) e Roberta Miranda (R$ 340 mil).
O perfil das atrações contrasta com a proposta inicial do festival, que surgiu em maio de 2024 com o objetivo de reeditar o extinto Circuito do Frio, com formato itinerante em cidades do Agreste e do Sertão. A decisão também foi uma resposta às críticas do prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino (PSB), sobre o fracasso da atuação do Governo de Pernambuco na promoção do tradicional Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) em 2023 e à decisão do gestor de municipalizar o evento a partir da edição seguinte.
Em 2025, a promoção de Raquel ganhou uma edição de Carnaval em polos como Recife e Olinda. Na capital, administrada pelo prefeito João Campos (PSB), seu virtual adversário nas eleições de 2026, a decisão do Governo de Pernambuco gerou polêmica, já que o palco do festival obstruiu uma rota de operações de salvamento e segurança do Marco Zero, tradicional palco da festa de Momo promovida pela Prefeitura.
Já no fim do ano, a gestão estadual criou uma modalidade da festa voltada ao verão em cidades como Recife, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Itamaracá e São José da Coroa Grande. Para além das disputas políticas, o Festival Pernambuco Meu País também tem servido para garantir visibilidade à governadora a poucos meses das eleições, já que têm sido comuns suas aparições em cima do palco, mesmo sob risco de reprimenda por parte de órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público de Pernambuco, o TCE e a Justiça Eleitoral.
QUANDO ACERTA, ERRA! – A imagem do Governo Raquel havia melhorado entre as tropas da Polícia Militar (PMPE) e do Corpo de Bombeiros, graças à excelente escolha que fez ao nomear o coronel Renato Pinto Aragão para tocar o Hospital da PM. Na condição de diretor de assistência à saúde, promoveu uma verdadeira reestruturação da unidade, mas não se sabe a razão, Raquel o demitiu, e seu ato provocou revolta e insatisfação. Até o coronel assumir, o Sistema de Saúde dos Militares estava em um caos absoluto, faltando até dipirona nos estoques. Reduziu também as filas por exames. Pegou um hospital sucateado, com finanças desorganizadas. “Foi o coronel Renato quem mudou essa realidade”, afirmam os policiais e bombeiros em nota enviada a este blog.

A briga é feia – O acirramento da contenda no PL pernambucano entre os grupos Ferreira e do ex-ministro Gilson Machado chegou a um ponto sem chances para o cachimbo da paz. Como tem controle absoluto da legenda, dado pelo seu amigo Valdemar Costa Neto, presidente nacional, é pouco provável que Gilson permaneça no partido. Mas como se apresenta como nome competitivo, tanto para o Senado quanto para a Câmara Federal, Gilson tem sido sondado para se filiar em várias legendas, entre elas o PSDB e o Podemos.
Portas abertas – “Acolhemos com muito prazer e honra”, disse ontem o ex-deputado federal Ricardo Teobaldo, da cúpula do Podemos, ao ser perguntado se o partido estaria de portas abertas para o ingresso do ex-ministro Gilson Machado Neto. Segundo Teobaldo, na condição de candidato a deputado federal e não a senador, Gilson poderia ser um grande trunfo para o Podemos. Por baixo, gente que entende de eleição proporcional arrisca que Gilson teria entre 200 e 250 mil votos para federal, porque representa o verdadeiro estuário dos votos de bolsonaristas no Estado.
Aceno do PSDB – No plano nacional, o presidente do PSDB, Aécio Neves, já teria sinalizado para acolher na legenda o ex-ministro Gilson Machado Neto. Apurei que o presidente estadual tucano, Álvaro Porto, também aceitaria de bom grado a filiação de Gilson. O ex-ministro, entretanto, afirma que sua preocupação no momento diz respeito apenas ao estado de saúde do ex-presidente Bolsonaro, que está preso na sede da PF em Brasília, tendo se submetido na semana passada a mais uma cirurgia.

Eduardo Leite no podcast – Lembrado como alternativa à Presidência da República nas eleições deste ano pelo presidente do Cidadania, Roberto Freire, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), confirmou, ontem, sua presença no meu podcast Direto de Brasília, em parceria com a Folha de Pernambuco, da próxima terça-feira. Na pauta, a crise nacional, os escândalos do INSS e do Banco Master, o Governo Lula e o cenário da sucessão estadual gaúcha. O podcast é transmitido também para 165 emissoras de rádio no Nordeste, além da TV LW, de Arcoverde, e da revista Mais Nordeste, de Fortaleza.
CURTAS
ABUSO – O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) acionou a Procuradoria-Geral da República contra o ministro do Tribunal de Contas da União, Jhonatan de Jesus, por suposto abuso de autoridade na condução das investigações sobre a liquidação do Banco Master. Na representação, Vieira diz que a exigência de que o Banco Central justifique o mérito de ordenar a liquidação não conta com amparo legal.
DEBANDADA – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, jogou a toalha. A saída dá início à reforma ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também inclui a troca de outro nome do núcleo central do governo: Fernando Haddad, que deixará o Ministério da Fazenda em fevereiro.
DIGNIDADE – Em sua carta de demissão, o ministro diz ter exercido a função “com zelo e dignidade”, apesar das “limitações políticas, conjunturais e orçamentárias” enfrentadas ao longo do período à frente da pasta. Ele também agradece a Lula pelo apoio e afirma ter sido um “privilégio continuar servindo ao País” após sua aposentadoria do STF (Supremo Tribunal Federal).
Perguntar não ofende: Haddad sai do comando da Economia para disputar o governo de São Paulo?
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