De acordo com as patentes, como a WO2011011844A1, depositada internacionalmente, a tecnologia envolve a captação de água do fundo de reservatórios hídricos – como poços, rios, lagos, represas, mares ou oceanos – e ar da atmosfera, direcionando-os para turbinas hidráulicas que convertem a energia cinética em eletricidade. Após a geração, a água retorna ao fundo do reservatório por meio de tubos de saída, enquanto o ar é liberado de volta à atmosfera, auxiliando na pressurização e no fluxo para maior eficiência. Como define o próprio inventor, “A Usina Hidropneumoelétrica é um conjunto de máquinas e equipamentos de geração de energia com a utilização e reutilização da água e do ar como fontes de recursos naturais reutilizáveis de energia.”
O princípio de funcionamento é simples, mas ambicioso: tubos de entrada direcionam a água para a turbina hidráulica, onde a conversão energética ocorre em um ambiente seco e aerado, evitando inundações. Os materiais empregados – como concreto armado, ferro, aço naval, plástico ou fibra de vidro – garantem durabilidade e adaptabilidade. Maglia, residente no Distrito Federal, registrou múltiplos modelos de utilidade (MU) para configurações variadas, adaptáveis a diferentes cenários ambientais e geográficos.
Essas inovações visam superar as limitações das usinas hidrelétricas tradicionais, que exigem grandes quedas d’água e podem gerar impactos ecológicos significativos.
As UHPE, também chamadas de Usinas Hidropneumoelétricas JBM, prometem sustentabilidade através de um ciclo fechado, versatilidade em ambientes terrestres, aquáticos ou marítimos, baixo impacto ambiental – especialmente em versões submersas ou flutuantes – e eficiência para operações em locais remotos ou urbanos. A geração de energia é trifásica, com opções de 110, 220 ou 380 volts e frequências de 50 ou 60 hertz, permitindo uma fabricação em linha série escalável. Sua capacidade varia de 10 kV/kVA/kW/HP/CV (10.000 watts), suficiente para abastecer 2 casas e 8 habitantes, até 5 MW (5.000 kV/kVA/kW/HP/CV ou 5.000.000 watts), capaz de suprir 2.500 casas e 10.000 habitantes.
João Maglia, o visionário independente
Maglia, que em alguns registros conta com a colaboração do advogado Marcelo José Maglia, seu filho, posiciona-se como um visionário independente. Protótipos idênticos ao de Águas Lindas de Goiás já foram montados em Torres (RS), Terenos (MS), Porto Velho (RO), Plácido de Castro (AC) e em Santo Antônio do Matupi, em Manicoré (AM), e funcionaram. Porém, por falta de investidores, as usinas foram desmontadas, obrigando Maglia a se transferir para Águas Lindas de Goiás, onde, com alguns parceiros – outros inventores –, alugou o galpão, que fica numa área de 10 mil metros quadrados. Pelo espaço, Maglia e seus parceiros pagam R$ 6 mil mensais. “Aqui é o berçário das invenções”, diz Maglia, com um sorriso largo.
O inventor relata desafios significativos para obter financiamentos ao seu projeto: “Não conseguimos acessar recursos de jeito nenhum”. Ele menciona que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPGO) só libera fundos para Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), enquanto recursos de emendas parlamentares federais exigem certificação prévia de universidades, o que implica entregar os direitos de propriedade da invenção a uma universidade pública.
Desde 2005, Maglia busca incentivo governamental para seus inventos. “Mas, infelizmente, sempre me bateram a porta na cara”, diz Maglia, que, nos últimos 20 anos, procurou praticamente todos os órgãos de financiamento do governo federal. Maglia já procurou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mas sem sucesso. O entusiasmo de Maglia se dá apenas pelos inventos que é capaz de criar. Quando fala da falta de apoio governamental, Maglia franze o cenho. “Aqui no Brasil, inventor não tem vez”, diz. E acrescenta: “o ministério (ele se refere ao MCTI) manteve as portas fechadas aos inventores”.
Maglia lembra que, no Brasil, as invenções sempre foram relegadas a um plano inferior nos governos. E isso, segundo o inventor, ocorre desde 1709, ainda no Brasil-Colônia. Ele cita exemplos de inventos que não receberam apoio do governo central – o balão voador (Bartolomeu de Gusmão), a máquina de escrever (Padre Francisco João de Azevedo), o rádio (Padre Roberto Landell de Moura), o avião (Alberto Santos-Dumont), o bina (Nélio José Nicolai), e tantos outros mais recentes.
De acordo com Maglia, outro entrave às invenções brasileiras é o próprio MCTI, que, entre outras regras, exige a criação de associações para terem acesso às políticas do ministério, como linhas de crédito. “Isso é um absurdo. A Constituição (art. 5º, inciso XX) diz que ninguém poderá ser compelido a associar-se para obter qualquer coisa,” observa Maglia. “E nesse puxa-encolhe, quem é prejudicado é o inventor brasileiro.”
Falta de apoio e financiamento atrapalham o projeto
Por conta da falta de apoio, João Maglia foi obrigado a vender alguns de seus inventos mais recentes a investidores norte-americanos para tocar seu protótipo das Usinas Hidropneumoelétricas. Dentre os inventos dos quais Maglia se desfez, três deles se destacam – limpador de para-brisa magnético, processo de formação de nuvens e chuvas para erradicação de desertos e a bateria de chumbo inoxidável. Este último invento, a bateria, já é empregada em carros elétricos no mundo.
“Infelizmente, temos que passar adiante nossos inventos a compradores estrangeiros (dos EUA e da Europa) porque aqui não recebemos apoio mínimo”, explica João Batista Maglia, que, há mais de duas décadas, percorreu todos os órgãos de fomento, ciência, tecnologia e inovação dos governos federal, estaduais e distrital em busca de apoio e financiamento, mas sem sucesso. Segundo Maglia, o desestímulo é tanto que, em alguns órgãos governamentais, como o MCTI, um diretor lhe afirmou: “patentes do INPI não valem para nada”.
Especialistas em energia renovável consultados avaliam que o invento de João Batista Maglia é inovador, apesar de demandar validações técnicas rigorosas para comprovar viabilidade econômica e física em escala comercial. Ainda assim, o protótipo em Águas Lindas de Goiás representa um passo audacioso rumo a soluções energéticas mais acessíveis e ecológicas, alinhado aos objetivos globais de transição para fontes limpas.
Maglia, aos 71 anos, continua a apostar em sua criação como uma alternativa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, convidando investidores e autoridades a explorarem seu potencial. Entre os objetivos declarados estão dobrar a capacidade energética do Brasil e do mundo, substituir combustíveis fósseis, reduzir emissões de gases de efeito estufa e levar energia elétrica de força e luz a todos os habitantes do planeta. A tecnologia visa substituir fontes poluentes e com impacto ambiental, como usinas de carvão, petróleo, gás, atômicas, biomassa (incluindo lixo e bagaço de cana), hidrelétricas com represas, eólicas, solares e de ondas.
Sua instalação é escalável e pode ocorrer em qualquer lugar do mundo, incluindo locais isolados, extremos ou gelados, aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas, casas, edifícios, condomínios, vilas urbanas e rurais, cidades, metrópoles, capitais, centros industriais, datacenters e shopping centers. Pode operar em sistemas isolados ou interligados, atendendo populações e atividades econômicas extrativas, agrícolas, industriais, comerciais e de serviços, promovendo energia limpa e sustentável sem impactos ambientais ou sociais
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