Quem explica bem a questão é um dos integrantes da Abrava, o hoje consultor e dono da empresa Pósitron Engenharia Arnaldo Lopes Parra, consultor na área referente a planos de manutenção, operação e controle desses equipamentos
Mais tecnológicos e sofisticados
Segundo ele, “é importante que as pessoas entendam que esses aparelhos estão cada vez mais tecnológicos, com sistemas mais sofisticados”. O engenheiro fez um paralelo interessante com o que aconteceu nos EUA na década de 90, quando foi lançada uma norma norte-americana, a norma Ashrae 90.1 – que estabeleceu novos parâmetros mínimos de eficiência energética no sistema de climatização e refrigeração.
“Estamos falando dos anos 90, mesmo assim, a partir de então os equipamentos que eram fabricados para os Estados Unidos passaram a ter um nível mínimo de eficiência, e foi estabelecido que equipamentos que não atingissem aquele limite mínimo de eficiência, seriam retirados do mercado. Dessa forma, se deu um grande salto tecnológico, porque as empresas passaram a buscar novos produtos, novas soluções, com maior eficiência. E isso se refletiu para vários países”, explicou.
Arnaldo Parra contou que à medida que as empresas passaram a investir em equipamentos de melhor performance, a indústria foi também direcionada para criar novos empregos, novas soluções e isso se tornou um círculo virtuoso. No Brasil, o reflexo desse movimento foi que começaram a chegar no país equipamentos com menor consumo de energia.
Paralelo com as lâmpadas
“Basta fazer um paralelo com o que aconteceu com as lâmpadas. As lâmpadas dos anos 90 eram lâmpadas incandescentes, com iluminação de 100 watts. Hoje para você ter uma lâmpada que forneça a mesma iluminação de 100 watts daquele tempo, basta uma lâmpada de 9 watts. E isso aconteceu por quê? Graças ao avanço tecnológico da indústria como um todo”, afirmou.
De acordo com ele, o mesmo aconteceu com os aparelhos de ar condicionado. Foram inseridos novos materiais, a microeletrônica entrou na elaboração da maioria dos equipamentos e nos sistemas de climatização como um fator de controle. Dessa forma, foram surgindo tecnologias que permitiram que os motores que movimentam os compressores e ventiladores desse sistema passassem a ter um outro design.
“Por meio destas inovações, os fabricantes disponibilizam produtos de menor consumo, o que significa fator de eficiência maior (Watt produzido por Watt consumido). Então, esse movimento permitiu que, primeiro, novos produtos fossem lançados, equipamentos com tecnologias superiores e uma diversidade maior de soluções. Em segundo lugar, a mudança barateou a indústria, na medida em que investimentos pesados na produção em massa desses equipamentos resultou em maior popularidade desses sistemas”, frisou o engenheiro.
Mais econômicos e baratos
Arnaldo Parra citou como exemplo o caso do Mini Split (sistema de ar-condicionado residencial e comercial leve que oferece soluções de climatização com boa relação custo-benefício), muito usado aqui no Brasil. “Na Ásia, principalmente, a produção dos Mini Splits atinge algo como 150 milhões de unidades por ano. Aqui no Brasil, temos uma previsão para 2026 atingir a marca de 6 milhões de unidades novas. Porque à medida que o tempo passa, a indústria aumenta a sua produção em série. Isso trouxe um custo menor de produção individual e permitiu que as pessoas pudessem adquirir sistemas cada vez mais econômicos quanto à energia e também cada vez mais baratos”, enfatizou.
Parra conta que as pessoas tinham ideia de que o ar-condicionado consumia muito energia e, na verdade, consumia mesmo. Mas ressalta que a evolução da climatização foi grande. Para se ter ideia, ele relatou que em termos globais, um prédio construído 30 anos atrás, consumia um nível x em energia. Esse x tinha mais ou menos 45% ou até metade do seu total dedicado ao sistema de climatização, então era bastante energia.
“Hoje, um mesmo prédio, construído com o mesmo propósito, o mesmo tamanho, mesma ocupação, fabricado dos anos 2010 em diante, por exemplo, chega a consumir mais ou menos 70% a menos de energia com a climatização dos ambientes”, acentuou.
Outro exemplo explicativo apontado por Arnaldo Parra diz respeito à questão da quantidade de BTUs (sigla para British Thermal Unit), unidade que mede a potência de refrigeração do ar-condicionado, indicando sua capacidade de resfriar um ambiente.
Metade do consumo, mesmo aparelho
“Um equipamento de 18 mil BTUs, entre tamanho pequeno para médio, consumia nos anos 90 mais ou menos entre 14 a 15 Ampères (unidade de energia, corrente elétrica). Um equipamento de mesma capacidade hoje, consome na casa de 6 Ampères. Nós estamos falando em redução da metade do consumo de energia pelo mesmo tipo de aparelho em 30 anos”, acentuou.
Tudo isso, acrescentou Arnaldo Parra, tem um aspecto ambiental também. Menos consumo de energia leva a menor custo de implantação de usinas elétricas. Além disso, o fluido refrigerante R 22, que hoje está quase que entrando em proibição, encontra-se na sua fase final de distribuição. “Trata-se de um fluido excelente, do ponto de vista energético, mas que tem na sua composição o cloro, considerado um produto que prejudica a camada de ozônio. Então esse fluido está tendo seu uso banido pouco a pouco”, contou.
Melhor dos mundos
Na avaliação de Parra, o segmento está entrando “no melhor dos mundos, quanto aos aparelhos de refrigeração, com equipamento que possuem sistemas mais econômicos, com compressores; avanços em outros componentes, com controle mais preciso da temperatura; e mudanças também nos ventiladores ao longo do tempo”. “A evolução desses componentes somados produz equipamentos mais baratos, mais eficientes do ponto de vista de consumo energético e mais ecológicos do ponto de vista de impacto ambiental”, informou.
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