O deputado Felipe Carreras (PSB-PE), autor do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), não pisa tão cedo no Ministério da Fazenda. O ministro Fernando Haddad rompeu relações com o parlamentar, após ele fazer duras críticas aos números do governo sobre o impacto fiscal dos benefícios concedidos às empresas do setor. Carreras reclama da falta de diálogo, mas diz estar aberto a restabelecer os contatos. Haddad não comenta. A Câmara aprovou, ontem, o fim gradual do programa. O texto vai para o Senado. As informações são do portal Estadão.
No final do ano, o governo editou Medida Provisória determinando fim do programa. Diante da resistência de deputados e empresários, o ministro da fazenda disse que negociaria um projeto de lei com um meio-termo. No final de janeiro, pouco antes da retomada dos trabalhos no Legislativo, Haddad e Carreras conversaram. Mas, depois disso, os dois se desentenderam. Nos bastidores, não faltaram trocas de farpas.
Carreras reclamou de fantasia do ministro com os números, porque Haddad afirmou, inicialmente, que o programa havia consumido R$ 17 bilhões em receitas da União em 2023 – dos R$ 25 bilhões acordados para toda a duração do programa. Depois, passou a falar em R$ 13 bilhões de custo no ano passado. Mas associações do setor dizem que o número é ainda menor e gira em torno de R$ 6,5 bilhões. Haddad não gostou.
Para piorar a situação, Carreras reclamou que a equipe econômica “não abriu as portas” para debater o projeto. Em março, Haddad cancelou uma reunião da qual Carreras participaria. O ministro marcou outro encontro apenas com a relatora da matéria, a deputada Renata Abreu (Podemos-SP).
O deputado Felipe Carreras nega que, da parte dele, tenha ocorrido rompimento e afirma que está de portas abertas. “Sempre tive relação institucional com o ministro. Ajudei enquanto líder do blocão a aprovar várias pautas difíceis importantes no ano passado. Tenho feito críticas democráticas a forma como ele lida com o Perse. Quem não tem maturidade e capacidade de conviver com o contraditório terá sempre dificuldades de relacionamento em qualquer ambiente na vida. Imagine na política”, afirmou à Coluna do Estadão. O ministro da Fazenda não comentou.
O Perse foi criado em 2021, durante a pandemia de covid-19 para aliviar prejuízos ao setor de eventos e está na mira do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para extingui-lo. Parlamentares na Câmara, porém, articulam por uma solução gradual. O projeto deve ser votado nesta terça-feira, 23, na Câmara dos Deputados.
No último dia 17, a festa de aniversário de Felipe Carreras e Renata Abreu, em Brasília, se transformou num grande ato em defesa do Perse, como mostrou a Coluna do Estadão. A presença do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e sua declaração defendendo o programa, chamou atenção para mais um embate entre as áreas política e econômica do governo Lula. “Eu sou a favor do Perse. O Perse consciente, o Perse responsável”, afirmou Padilha na ocasião.
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), decidiu estabelecer um limite para que a Federação União Progressista (Progressistas e União Brasil) apresente o nome que vai disputar a vaga ao Senado na sua chapa. Este sábado (11) será definitivo, e ela já teria avisado sobre isso aos dois pré-candidatos — o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União).
O prazo final, segundo fontes palacianas, foi estabelecido em reunião na noite de quinta-feira (9). A chefe do Executivo estadual conversou separadamente com os dois postulantes. Recebeu primeiro o ex-prefeito de Petrolina, que preside o União Brasil no estado, e em seguida conversou com Da Fonte, presidente estadual do PP e da federação. Na mesma reunião, no Palácio das Princesas, a governadora teria sustentado sua preferência por Miguel Coelho. Abriria mão até mesmo do tempo de televisão, mas não teria outro nome.
Em encontro na última segunda-feira, em Brasília, com os presidentes nacionais da federação — Antônio de Rueda (União) e Ciro Nogueira (PP), já havia relatado ter disponibilizado o espaço para Da Fonte em duas oportunidades, e ele rejeitou. Além disso, o deputado abriu negociação com seu principal adversário, o pré-candidato ao governo de Pernambuco e ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).
A outra vaga — como já havia firmado — será do deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), que deixou o Rede Sustentabilidade para acompanhar o projeto de reeleição da governadora e disputar o espaço para o Senado. Inicialmente, a quinta-feira era o prazo que o presidente nacional do Partido Progressistas, deputado Ciro Nogueira, havia pedido à governadora, na tentativa de um consenso. A solicitação feita durante o encontro em Brasília na segunda não surtiu efeito.
Incondicional
Na véspera da decisão do União Progressista, o deputado federal Eduardo da Fonte garantiu que o apoio da federação a Raquel Lyra é incondicional. “O apoio da Federação é incondicional. A escolha do nome para o Senado tem que acontecer com harmonia e tranquilidade, levando em conta a força da Federação e o fortalecimento do grupo”, disse o parlamentar em entrevista à Folha de Pernambuco.
O presidente da Federação União Progressita em Pernambuco tem nova reunião com a governadora Raquel Lyra agendada para este sábado (11).
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), oficializou a perda de mandatos dos deputados Paulão (PT-AL) e Dayany Bittencourt (União-CE).
Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL) e Priscila Costa (PL-CE) assumem as vagas. A decisão de Motta segue, na verdade, determinação da Justiça Eleitoral que anulou votos recebidos por outros dois parlamentares, com isso, foi preciso realizar uma recontagem dos votos das eleições de 2022.
Paulão foi afetado por decisão que cassou o diploma do segundo suplente do PP no estado. João Catunda teve os votos anulados por receber na campanha recursos do Sindicato dos Servidores da Secretaria de Saúde de Maceió. A entidade teria pago material impresso de campanha no valor de R$ 6.000. Catunda nunca assumiu a cadeira na Câmara.
Já Dayany foi atingida com a cassação do suplente Heitor Freire (União-CE). O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu anular os votos do deputado por irregularidades em gastos da campanha de 2022. O então candidato não comprovou os gastos de R$ 618 mil e a Justiça também considerou desproporcionais o pagamento de R$ 1 milhão para honorários advocatícios com dinheiro do fundo eleitoral.
Apesar de partidos diferentes, os deputados perdem o mandato com o novo cálculo do quociente eleitoral. A contagem considera a quantidade de cadeiras de cada estado e a proporção de votos dos candidatos em relação à votação total dada a partidos e federações partidárias.
Depois dessa conta, ocorre o que é chamado de sobra eleitoral. No caso de Alagoas, como mostrou o colunista do UOL Carlos Madeiro, quatro vagas foram destinadas às sobras do quociente eleitoral. Com as cassações, o TSE retira os votos dos deputados cassados e faz um novo cálculo, o que impacta em possíveis mudanças de cadeiras, como foi o caso de Paulão e Dayany.
Deputados afetados chamam processo de “perseguição política” e “injusto”. O PT Alagoas diz que vai acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) para que a decisão seja revista. “Dói, porque não fui acusada de nada, não cometi nenhum erro, não estou inelegível. Dói, porque fiz um mandato limpo, produtivo e dedicado ao Ceará”, disse Dayane, em vídeo publicado nas redes sociais.
Quem assume
Priscila é aliada de Michelle Bolsonaro (PL). Ela foi pivô da briga que se tornou pública entre a ex-primeira-dama e seu enteado, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O nome dela é defendido por Michelle para o Senado no estado.
Flávio e o PL do Ceará, no entanto, defendem Alcides Fernandes (PL-CE). O pré-candidato estará hoje no estado para participar do evento de lançamento da pré-candidatura de Alcides. A segunda vaga ficaria para outro partido — Michelle critica a aliança do PL com Ciro Gomes, pré-candidato ao governo pelo PSDB.
Nivaldo era filiado ao PTB, antes de integrar o Republicanos. Já assumiu a cadeira de deputado como suplente, se afastando, pela última vez, em 3 de novembro de 2018, segundo registros da Câmara. Nas redes sociais, ele comemorou a decisão da Justiça.
Toda grande transformação tecnológica produz um paradoxo: quanto mais bem-sucedida ela é, maior tende a ser a necessidade de coordenação que cria. O debate energético brasileiro frequentemente ignora essa realidade. Ainda é comum tratar a eletricidade só como a quantidade de energia produzida. Mas sistemas elétricos modernos são muito mais do que usinas produzindo elétrons. São redes complexas, nas quais diferentes tecnologias precisam atuar de forma integrada para assegurar estabilidade, segurança e continuidade do abastecimento.
Essa mudança já pode ser observada na operação cotidiana do sistema. Quando uma nuvem cobre uma extensa região de produção solar ou os ventos diminuem de intensidade, a produção pode variar em questão de segundos. Para o consumidor, nada muda. Mas, nos bastidores, hidrelétricas ajustam sua produção, termelétricas fornecem potência quando necessário, baterias respondem às oscilações quase instantaneamente, linhas de transmissão redistribuem os fluxos de energia e sistemas digitais coordenam milhões de decisões em tempo real.
A confiabilidade do abastecimento já não depende da predominância de uma única fonte. Ela resulta da capacidade de tecnologias diferentes atuarem de forma complementar. A matriz elétrica tornou-se mais diversificada e, justamente por isso, mais complexa. Não se trata de um fracasso da transição energética, mas de uma consequência do seu próprio sucesso.
Toda inovação aumenta possibilidades e, ao mesmo tempo, cria exigências de coordenação. Ao resolver o desafio da expansão das fontes renováveis, surgiram outros: assegurar potência disponível, flexibilidade operacional, estabilidade da rede e segurança do suprimento. O desafio deixou de ser só produzir eletricidade. Passou a ser organizar complementaridades.
O problema é que a evolução tecnológica avançou mais rápido do que as regras e as instituições encarregadas de organizá-la. Nos últimos anos, o setor acumulou subsídios, exceções regulatórias, judicializações e intervenções concebidas para responder a desafios específicos. Isoladamente, muitas delas fizeram sentido. Em conjunto, produziram um ambiente cada vez mais difícil de coordenar.
O curtailment crescente da produção renovável, a sobreposição de incentivos incorporados às tarifas e a multiplicação de sinais regulatórios contraditórios são manifestações desse processo. O resultado aparece na forma de investimentos redundantes, expansão desordenada da infraestrutura, aumento da litigiosidade, maior percepção de risco e custos crescentes para consumidores e investidores. Em sistemas complexos, descoordenação não produz mais liberdade. Produz mais incerteza.
Essa incerteza tem consequências econômicas concretas. Eleva o custo de capital, reduz a previsibilidade dos investimentos e dificulta decisões de longo prazo justamente quando o país precisa acelerar a expansão de sua infraestrutura energética. Coordenação deixou de ser só uma função administrativa. Tornou-se um ativo econômico.
Se esse é o novo desafio, a resposta não pode ser a paralisia nem a rejeição automática dos instrumentos criados para enfrentá-lo. O setor precisa modernizar suas instituições para que planejamento, operação, expansão da rede, mercados e regulação deixem de evoluir em velocidades diferentes e sob incentivos frequentemente conflitantes.
Essa reforma passa por fortalecer o planejamento de longo prazo; aperfeiçoar mercados capazes de remunerar, com transparência, atributos como energia, potência e flexibilidade; revisar subsídios para que sejam temporários e claramente justificados; distribuir custos de forma mais eficiente; alinhar os sinais econômicos entre produção, transmissão, armazenamento e consumo.
É nesse contexto que mecanismos como o LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade) devem ser avaliados. Seu objetivo não é favorecer uma tecnologia específica, mas assegurar que o sistema disponha da potência necessária para atender à demanda quando fontes de produção variável, por suas características, não conseguem fazê-lo sozinhas. Seu desenho regulatório deve ser permanentemente aperfeiçoado e debatido. O que não faz sentido é transformar instrumentos dessa natureza em alvos de disputas ideológicas, como se segurança do suprimento fosse incompatível com a transição energética.
O verdadeiro desafio do setor elétrico brasileiro já não é escolher entre Estado e mercado, nem entre fontes renováveis e fontes firmes. É construir instituições capazes de fazer essas dimensões funcionarem de forma complementar. O Brasil reúne poucos dos problemas que afligem outras economias. Dispõe de uma das matrizes mais limpas do mundo, abundância de recursos naturais, diversidade tecnológica e enorme capacidade de expansão. Seu maior desafio deixou de ser energético. Tornou-se institucional.
A transição energética alterou as bases sobre as quais o setor elétrico foi construído. Quando a realidade muda, as instituições e as regras também precisam mudar. O Brasil reúne os recursos, a experiência e o conhecimento necessários para conduzir essa transformação de forma planejada, antes que ela seja imposta pelas urgências do sistema. Algumas reformas nascem de escolhas; outras, das circunstâncias. A reforma do setor elétrico brasileiro pertence à segunda categoria. Quanto mais cedo ela começar, maiores serão as chances de transformar a extraordinária riqueza energética do país em prosperidade duradoura.
Na estante de madeira instalada no corredor entre a cozinha e a sala de jantar do apartamento da minha família em Ipanema, um livro com dois volumes me chamava atenção: “A Thousand Days“ (“Os Mil Dias”), de Arthur Schlesinger Jr. Ficava imaginando o que tinha ali de tão importante, por que meu pai guardou na última prateleira, inalcançável para mim e minhas irmãs. Até que um dia, já adolescente, me agarrei com aquele livro. Schlesinger fora assessor de John Kennedy na Casa Branca e seu relato sobre o governo do presidente mais famoso me fascinou.
Em 26 de junho, tive o privilégio de assistir à primeira exibição do filme “963 Dias”, dirigido por Bruno Barreto e produzido por Elsinho Mouco. É um documentário com aquele padrão de qualidade que ao longo de décadas nos acostumamos a ver nos filmes da família Barreto. O filme traz a história revisitada, contando o dia a dia do último presidente deste século 21 focado em unir em vez de dividir o Brasil.
Assim como Schlesinger, Elsinho acompanhou Temer no dia a dia do governo como uma sombra, registrando os momentos bons e ruins de um presidente levado ao poder pela mão do destino, como ocorreu com Itamar. Dos cinco presidentes que chegaram ao poder nos últimos 70 anos por via oblíqua, na democracia, o único a não governar foi Café Filho, o vice de Getúlio Vargas, içado ao poder em 1954 depois de o presidente ter escolhido o suicídio como porta de saída do poder.
João Goulart foi deposto pelo golpe de 1964. Sarney se viu presidente do dia para a noite, mas soube fazer a travessia para a democracia com a Constituinte, embora tenha passado a maior parte do governo apanhando. Itamar Franco chegou desacreditado e nos deixou de herança o Plano Real. Temer também assumiu desacreditado, fustigado pela imprensa e pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, desequilibrado, nefasto, cujas atitudes da época indicam as piores intenções a lastrearem uma fome pantagruélica pelo poder.
Temer não foi um presidente fraco, como quis fazer crer a narrativa dos seus detratores depostos pelos próprios erros e incoerências. Não foi ele quem entrou. Foi Dilma quem saiu, abandonada pela base de apoio no Congresso, sem diálogo com a classe política, os empresários e até uma ala do seu partido.
Temer foi mais perseguido pelos seus acertos do que por seus erros, mostram as entrevistas com políticos, juízes, jornalistas e empresários, como Henrique Meirelles, Paulo Skaf, Rodrigo Maia, Moreira Franco, Marcio de Freitas, Raquel Landim, Ascânio Seleme, Rodrigo Pacheco, Tarcísio de Freitas, além dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
O presidente tinha enorme vontade de acertar quando propôs a Reforma da Previdência, os ajustes na legislação trabalhista e o teto de gastos, este último derrubado na volta do PT ao poder. Ele chegou com uma proposta debaixo do braço, A Ponte para o Futuro, programa antes apresentado a Dilma como contribuição do PMDB, mas rechaçada como “coisa da oposição”.
Ele agiu para colocar em prática as ideias contidas naquele plano de ação governamental, mas foi duramente bombardeado pela mídia, especialmente o Grupo Globo, e o procurador-geral da República, tão obcecado por derrubar o presidente que mandou o empresário Joesley Batista gravá-lo e, em seguida, vazou a conversa para a imprensa, liberando só a transcrição, sem o áudio.
O que veio depois foi uma campanha pela renúncia de Temer, um ódio desenfreado a ganhar as redes sociais: “Fora, Temer”. Chamavam Temer de golpista sem se dar conta de que o procurador Rodrigo Janot agia para sacar do poder o presidente levado ao cargo pelas vias constitucionais.
A campanha contra Temer fez sua rejeição bater 70%. Era mais efeito manada do que sentimento racional, semelhante ao vivido pelo ex-presidente Sarney. Todo governo focado em fazer aquilo que acredita ser o certo nunca agrada a todos; muitas vezes desagrada à maioria. Foi assim com o John Kennedy de Schlesinger e foi assim com o Michel Temer de Elsinho e Bruno Barreto.
Kennedy penou nas mãos da oposição depois do fracasso na Baía dos Porcos, em 1961, e a crise dos mísseis em Cuba, em 1962. Também enfrentou forte insatisfação interna com o uso da Guarda Nacional para assegurar os direitos civis dos negros, tanto quanto o confronto com as siderúrgicas em 1962, quando tentaram subir os preços do aço depois de negociação salarial com os trabalhadores.
Temer passou sufoco com as denúncias de Janot contra ele, ambas rejeitadas pelo Congresso, o teto de gastos que impôs limites aos gastos públicos, as mudanças nas leis trabalhistas, a Reforma da Previdência que não passou e a greve dos caminhoneiros em 2018, parando o país.
Não é uma comparação entre governos com mais de 60 anos de distância um do outro, mas uma tentativa de entender a história a partir da narrativa de personagens presentes nos bastidores. Nesse sentido, comparações com memórias de outros políticos são instrutivas: assim como os livros de Moreira Franco e Amaral Peixoto, produzidos por Aspásia Camargo, são simultaneamente fonte histórica e projeto de autoimagem, “Os Mil Dias” e “963 Dias” podem ser vistos tanto como reveladores de fatos quanto narrativas sobre projetos interrompidos pela brutalidade. Cada qual no seu tempo e momento, ambos foram impedidos de chegar onde pretendiam.
Foi de Bruno Barreto a iniciativa de propor o documentário, nos idos de 2023. Depois de idas e vindas e muitas conversas, chegaram à versão final. O cinema foi o primeiro passo. Agora, o filme vai virar série em streaming, via Netflix ou Prime. Novas histórias serão contadas, aprofundando os registros do filme.
A comparação do documentário de Bruno Barreto com o livro de Arthur Schlesinger Jr. não é por acaso. São complementares. Os 1.000 dias de Kennedy, na realidade, foram 1.037. E essa “sobra” é justamente o tempo que faltou para Temer completar seus 1.000 dias. História na tela é sempre um deleite. A reportagem deste Poder360 sobre os 963 dias resumiu a realidade: “Os que o defendem continuarão a defender. Os que desgostam talvez ganhem mais motivos para tal”.
A partir de hoje, sempre aos sábados, este blog traz mais uma inovação além do seu território natural, o da política: a temática das mudanças climáticas.
Trata-se de um fenômeno que a humanidade assiste, atônita, ante o despreparo dos gestores públicos, da falta de planejamento e de projetos de prevenção contra as cheias, as secas e outros fenômenos, como o El Niño, aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação dos ventos e modifica os padrões de chuva e temperatura global.
Especialista no assunto, o engenheiro Gastão Cerquinha Neto, pernambucano, atuando hoje no Cemaden — Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais — em São José dos Campos, em São Paulo, aceitou o convite para colaborar com o blog na área. Eis a sua coluna de estreia abaixo.
O que é uma cidade resiliente às mudanças climáticas? As cidades enfrentam diversos problemas que afetam diretamente a qualidade de vida da população e a forma como o espaço urbano é ocupado.
Inundações, enxurradas, alagamentos, deslizamentos de encostas, congestionamentos, poluição do ar, sonora e visual, além de deficiências no abastecimento de água e no tratamento de esgoto, fazem parte dos desafios cotidianos dos centros urbanos.
Diante desse cenário, é fundamental que as cidades estejam preparadas para enfrentar situações críticas, planejando antecipadamente ações de prevenção, resposta e recuperação. Em outras palavras, uma cidade resiliente é aquela capaz de se preparar para eventos adversos, minimizar seus impactos e agir de forma eficiente quando esses problemas ocorrem ou se intensificam.
Trânsito urbano
Para entender esse conceito, podemos utilizar um exemplo simples relacionado ao trânsito urbano. Imagine que uma cidade irá receber um grande show e que, por isso, algumas ruas e avenidas precisarão ser interditadas. Para que esse evento ocorra sem comprometer o funcionamento da cidade, é necessário reorganizar o sistema viário.
Algumas vias passam a operar em sentido único ou reversível, outras ficam restritas ao acesso de moradores, novas sinalizações são instaladas e a população é informada com antecedência, por meio da imprensa e de campanhas de orientação. O objetivo é garantir que atividades essenciais, como o acesso a hospitais, escolas, comércios e serviços, continuem funcionando normalmente durante o evento.
Quanto melhor estruturada for a malha viária, mais fácil será realizar essa adaptação e menor será o impacto para a população. Por outro lado, quando a infraestrutura já apresenta limitações, seja pelo excesso de veículos, pela falta de manutenção ou pela escassez de rotas alternativas, a capacidade de resposta da cidade diminui.
Bom planejamento
Como consequência, aumentam os congestionamentos, o tempo de deslocamento e os transtornos para quem depende da mobilidade urbana. Traduzindo: cidades bem planejadas e preparadas conseguem se adaptar com mais facilidade a situações fora da rotina, mantendo seus serviços e atividades funcionando mesmo diante de alterações temporárias.
O mesmo princípio se aplica às mudanças climáticas. Assim como uma cidade precisa se reorganizar para receber um grande evento, ela também deve estar preparada para enfrentar os impactos provocados por chuvas intensas, enchentes, enxurradas, deslizamentos, ondas de calor e períodos prolongados de seca.
Esses eventos tendem a se tornar mais frequentes e intensos, exigindo planejamento antecipado, investimentos em infraestrutura e ações coordenadas entre o poder público e a sociedade. Quanto maior a capacidade de adaptação da cidade, menores serão os prejuízos causados pelos eventos climáticos extremos e mais rápida será sua recuperação.
Efeitos danosos da chuva
Desastres relacionados às chuvas, além de causarem grandes prejuízos econômicos, colocam vidas em risco. Em 2026, cerca de 14 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas em Minas Gerais, com 70 mortes em Juiz de Fora e Ubá. Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou o maior desastre climático do país, com 475 municípios inundados, 183 mortes e mais de 500 mil desabrigados.
No mesmo ano, a seca na Amazônia isolou comunidades e comprometeu o acesso à saúde, alimentação e educação, afetando cerca de 60% dos municípios da região. Em 2023, deslizamentos em São Sebastião (SP) deixaram 65 mortos e, em 2022, a Região Metropolitana do Recife registrou 133 mortes no maior desastre socioambiental do século XXI em Pernambuco.
Esses episódios somam-se a outros eventos marcantes, como os desastres da Região Serrana do Rio de Janeiro (2011) e de Petrópolis (2022), evidenciando a crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos no Brasil.
A reversão
Reverter esse cenário e tornar as cidades mais resilientes às mudanças climáticas exige combinar obras de engenharia tradicionais, como canais, galerias de drenagem, diques e reservatórios, com soluções baseadas na natureza, como parques, áreas verdes, margens de rios preservadas, manguezais e jardins de chuva.
Em vez de depender de uma única solução, a cidade deve contar com diferentes formas de proteção que trabalhem em conjunto para reduzir os impactos de eventos extremos, como chuvas intensas e ondas de calor. Além de aumentar a proteção contra desastres, essa integração traz benefícios para o dia a dia da população, como melhoria da qualidade ambiental, redução do calor e criação de espaços de lazer.
Resiliência das cidades
Fortalecer a resiliência das cidades às mudanças climáticas também depende do envolvimento ativo da população. A implementação de soluções deve ser acompanhada por ações de educação ambiental e conscientização, para que as comunidades compreendam seus benefícios e participem da criação, manutenção e conservação desses espaços.
Além disso, a participação da sociedade, integrada à atuação do poder público, de organizações e de diferentes setores da administração, fortalece a governança, promove o senso de pertencimento e aumenta as chances de sucesso e continuidade dessas iniciativas, especialmente em áreas urbanas mais vulneráveis.
*Engenheiro civil, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atua há mais de dez anos com hidrologia, hidrodinâmica e gestão de riscos de desastres, desenvolvendo estudos sobre drenagem urbana, inundações, segurança de barragens e adaptação às mudanças climáticas. Atualmente, é tecnologista do Cemaden (MCTI) em São José dos Campos (SP).
O avanço da investigação que mira o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, abriu uma nova frente de preocupação no partido, justamente quando a legenda trabalha para consolidar o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal herdeiro do espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, de bloquear R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar e dar sequência às apurações sobre um suposto esquema de direcionamento de emendas parlamentares coloca o comando da maior sigla da direita no centro do noticiário político e amplia o desgaste da legenda.
As investigações da Polícia Federal apontam que Valdemar teria participado da destinação de recursos públicos mesmo sem exercer mandato parlamentar. A decisão de Dino reproduz mensagens encontradas em celulares de investigados nas quais aparecem referências diretas ao dirigente do PL, incluindo determinações para substituição de municípios beneficiados por emendas. O conjunto das apurações envolve 21 emendas destinadas a 17 municípios em cinco estados, movimentando R$ 119,2 milhões.
Embora Flávio Bolsonaro não seja alvo da investigação, o episódio atinge o núcleo político responsável por sua articulação nacional. Valdemar é o principal estrategista da legenda, controla a estrutura partidária e conduz as negociações eleitorais para 2026. Com o presidente do partido na defensiva, o PL passa a administrar simultaneamente a construção de um projeto presidencial e a repercussão de uma investigação de grande impacto político.
Flávio reagiu rapidamente em defesa do aliado. O senador afirmou que a Polícia Federal estaria atuando de forma seletiva contra lideranças da oposição e classificou a operação como mais um capítulo da disputa política entre governo e bolsonarismo. Ainda que não haja qualquer acusação contra Flávio, o avanço das investigações sobre o principal dirigente da sigla tende a monopolizar parte da agenda do partido e pode dificultar o esforço para concentrar o debate na construção da candidatura presidencial e nas alianças para 2026.
PGR foi contra – A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou de maneira contrária às medidas adotadas pelo ministro Flávio Dino contra Valdemar Costa Neto. “Intimada, a Procuradoria-Geral da República manifestou-se contrariamente ao deferimento de pedidos cautelares, porém afirmou a necessidade de continuidade das investigações e do rastreamento dos valores”, disse o próprio Dino na decisão. Segundo apurou o portal CNN, o entorno de Valdemar aponta que a decisão de Dino é inconsistente, tanto que não teve aval da PGR. Relatam ser natural que o presidente de um partido possa influenciar no destino de emendas e afirmam também que não há na decisão fato que aponte irregularidades no direcionamento da emenda.
Barco afundando – Continuando a ofensiva contra Flávio, o pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que a campanha do senador já enfrenta uma debandada política. Ao comentar a informação de que União Brasil e PP não devem integrar o palanque do adversário, escreveu nas redes sociais que “o barco está afundando e os aliados já começaram a pular fora”. A provocação ocorreu dias depois de Caiado afirmar que a proposta de Flávio para adiar o tarifaço dos Estados Unidos era “inaceitável” e favoreceria a reeleição do presidente Lula (PT). O ex-governador de Goiás mantém a estratégia de se apresentar como alternativa ao bolsonarismo na disputa pelo eleitorado de direita.
Ciro evita palanque de Flávio – O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) decidiu não participar do evento em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lança as candidaturas do partido no Ceará, reforçando a estratégia de manter a aliança entre PSDB e PL restrita à disputa estadual. Embora caminhem juntos contra o governador Elmano de Freitas (PT), interlocutores dos dois lados afirmam que nenhum deles pretende transformar o acordo local em uma parceria nacional. A avaliação é que uma associação pública entre Ciro e Flávio produziria mais desgaste do que ganhos eleitorais para ambos.
Raquel cobra definição da UP – A governadora Raquel Lyra (PSD) estabeleceu este sábado como prazo final para que a Federação União Progressista defina quem ocupará a vaga ao Senado em sua chapa. Segundo fontes do Palácio do Campo das Princesas, Raquel comunicou pessoalmente a decisão ao deputado Eduardo da Fonte (PP) e ao ex-prefeito Miguel Coelho (União Brasil). Nos bastidores, a preferência da governadora continua sendo Miguel, mesmo com a resistência do PP. A indefinição se arrasta desde a reunião realizada em Brasília entre Raquel e os presidentes nacionais da federação, sem que houvesse consenso.
Falta “tamanho” político – O pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) afirmou que é preciso “ter tamanho para sentar à mesa” e destravar a Transnordestina, em referência à articulação necessária para viabilizar o trecho Salgueiro-Suape da ferrovia. Durante debate promovido pelo Crea-PE, defendeu que o Governo de Pernambuco assuma a condução do projeto e deixe de ficar “refém” da execução conduzida pelo Governo Federal e da disputa com Bahia e Ceará. João também propôs uma segunda frente de obras a partir de Suape e fez uma cobrança indireta à gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) ao afirmar que “ter dinheiro e não fazer obra é problema de quem está tocando”.
CURTAS
Homenagem a Wal – A missa de sétimo dia do ex-deputado estadual Waldemar Borges (PSB) reuniu familiares, amigos e lideranças políticas, ontem, na Paróquia de Casa Forte, no Recife. A ministra Luciana Santos (PCdoB), viúva do parlamentar, destacou a generosidade e a dedicação do marido à vida pública. Estiveram presentes na homenagem o pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB), acompanhado da mãe, Renata Campos, além de parlamentares e aliados políticos de Waldemar, que morreu aos 67 anos após batalha contra o câncer.
Humberto nega insatisfação de Lula – O senador Humberto Costa (PT) negou que o presidente Lula (PT) esteja insatisfeito com a aliança firmada com o pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB). Ao visitar a Fenearte ao lado do socialista, afirmou que o acordo foi aprovado pelas direções estadual e nacional do PT e referendado pelo presidente. Segundo Humberto, uma eventual participação de Lula na campanha dependerá apenas da agenda do petista.
Convenções marcadas – PSB e MDB definiram as datas de suas convenções estaduais em Pernambuco. O PSB realizará o encontro nos dias 1º e 2 de agosto, no Clube Internacional, quando deve oficializar João Campos como candidato ao Governo do Estado e os demais integrantes da chapa. Já o MDB marcou sua convenção para 25 de julho, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, para escolher os nomes que representarão a legenda nas eleições.
Perguntar não ofende: Qual crise Flávio vai administrar primeiro?
Após o presidente do Partido dos Trabalhadores no Recife, Osmar Ricardo, afirmar que o presidente Lula (PT) não deve participar da campanha do pré-candidato ao governo de Pernambuco pelo PSB, João Campos, por estar insatisfeito, o senador Humberto Costa (PT) reforçou que a aliança entre PT e PSB foi referendada pelo petista.
Ao participar da visita à Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), ao lado de Campos, o parlamentar da Casa Alta lembrou que a vice-presidência é ocupada por Geraldo Alckmin, do PSB e que o partido construiu palanques para o presidente em mais de 10 estados. Ele afirmou que a presença de Lula no primeiro turno dependerá apenas da agenda de campanha do presidente.
“A aliança que nós fizemos aqui com o ex-prefeito João Campos foi, inclusive, aprovada localmente e nacionalmente. Nós fizemos palanques para Lula em 11 estados, que o PSB nos ajudou a montar. Então não existe essa insatisfação. Se o presidente virá ou não, será uma decisão da campanha que vai avaliar a agenda dele. Essa aliança aqui foi inteiramente respondada pela direção nacional, e portanto, por Lula”, argumentou Costa.
A missa de sétimo dia da morte do ex-deputado estadual Waldemar Borges (PSB) foi realizada nesta sexta-feira (10), na Paróquia de Casa Forte, Zona Norte do Recife. A cerimônia reuniu familiares e amigos do ex-parlamentar.
Durante a missa, a esposa de Waldemar, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (PCdoB), compartilhou o sentimento em relação à perda do marido e destacou o legado deixado por ele.
“Wal era um homem que tinha um espírito público elevado e uma tamanha generosidade, exatamente porque acreditava na humanidade e que esse mundo tem jeito, por isso era capaz de cultivar as amizades e as lutas. Ele fez da vida dele uma dedicação às causas mais nobres, de um mundo melhor, com igualdade e possibilidades. Esse é o legado que a gente vai carregar. Para além de um amigo carinhoso, um pai excepcional, que tinha cuidado com os filhos, com os irmãos, com a família. É uma dor muito grande, mas que aos poucos vai se transformar em uma saudade suave”, disse a ministra, emocionada.
A cerimônia de sétimo dia também contou com a presença de diversos nomes da política, como o pré-candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB), que chegou acompanhado da mãe, Renata Campos. Após a missa, Campos comentou a admiração que tinha por Waldemar e destacou a trajetória política do ex-deputado.
“Wal era um amigo, era alguém que eu gostava, confiava, acreditava. Ele deixa uma falta grande para política. Ele tinha uma vida dedicada ao povo, às causas mais importantes da sociedade. Eu tenho certeza que ele sempre irá nos inspirar com sua história e com seu legado. Como disse seu filho Walzinho, Wal ‘se espalhou’ na política, no enfrentamento às desigualdades, que trabalham com justiça social. Quem fizer esse dever de casa vai ser alguém que vai estar representando Wal. Wal está presente hoje e sempre”, disse.
Waldemar Borges faleceu aos 67 anos após uma batalha contra o câncer. O ex-parlamentar foi um dos grandes nomes do Partido Socialista Brasileiro e partiu com um legado de uma carreira pública de quase quatro décadas. Ele deixou 3 filhos e a esposa.
Biografia Waldemar Borges foi vereador do Recife por quatro vezes, secretário estadual nas gestões de Miguel Arraes e Eduardo Campos, secretário da Prefeitura do Recife, deputado estadual por quatro mandatos, líder do governo na Assembleia Legislativa (Alepe) e presidente das mais importantes comissões da casa, como a de Constituição, Legislação e Justiça, a de Educação e Cultura e a de Administração Pública.
O Ministério da Fazenda publicou nesta sexta-feira (10) uma portaria que estabelece novas regras para publicidade de apostas online — conhecidas como bets —, e estabelece que toda publicidade de bet será acompanhada de uma advertência, semelhante com o que acontece com propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas. As informações são do g1.
O texto define que as publicidades devem alertar sobre os riscos associados de dependência e de transtornos do jogo patológico, com uma das seguintes frases de advertência obrigatória:
“Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência”;
“Ministério da Fazenda adverte: Apostar faz você perder dinheiro”; ou
“Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento”.
Além disso, a advertência deverá estar na horizontal, serem claras, legíveis e proporcionais ao restante da ação de comunicação e de publicidade, e ter um mínimo de 10% do comprimento ou tamanho do anúncio.
As novas regras entram em vigor no dia 17 de julho.
Além disso, também foi publicada uma portaria em conjunto com o Ministério da Justiça que estabelece regras sobre o conteúdo das publicidades de apostas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (9) que veículos de comunicação estão proibidos de veicular empresas não autorizadas a operar no mercado.
“A gente faz restrições à publicidade de bets no país. Eu não preciso dizer, porque é chover no molhado, a nossa tolerância zero com as ilegais. Então, bet ilegal, em nenhuma medida está autorizada, e nem os publicitários, os veículos de comunicação estão autorizados a veicular qualquer publicidade envolvendo empresa não autorizada a operar no mercado”, afirmou o ministro da Fazenda.
Com as portarias, informou Durigan, empresas ficam proibidas de criar senso de urgência, apresentar apostas como investimento ou solução financeira, mostrar ganhos ou histórico de premiações como incentivo e induzir o consumidor a erro.
Vedações a comentaristas
A portaria também proíbe que as ações de publicidade emitam estratégias, opiniões técnicas ou análises que possam “induzir ou influenciar a realização de apostas de quota fixa em determinado evento ou mercado de apostas”.
“[Não é lícito misturar] um comentário de alguém que é especialista, comentarista, especializado em um determinado jogo, determinado assunto. Ele dizendo que a melhor aposta é uma, ou que o caminho a ser adotado é aquele, portanto induzindo o consumidor a adotar uma certa prática com um verniz de respaldo técnico. Então, isso não deve ser feito”, disse Dario Durigan.
O texto também proíbe propagandas que:
sugiram a obtenção de ganho fácil ou apresentem a aposta como sinal de virtude, de êxito pessoal, social ou financeiro, como prioridade na vida ou como conduta socialmente atraente, inclusive por meio de afirmações de personalidades conhecidas ou de celebridades;
apresentem a aposta como fonte de renda, forma de investimento, alternativa ao emprego, solução para problemas pessoais, sociais ou financeiros ou meio de recuperação de valores perdidos em apostas anteriores ou de outras perdas financeiras;
encorajem práticas excessivas de aposta ou contenham chamadas para ação, inclusive com mecânicas promocionais, que sugiram ato imediato por parte do apostador;
contenham informação falsa ou enganosa, inclusive quanto às probabilidades de ganhar ou quanto à possibilidade de a habilidade, a destreza ou a experiência do apostador influenciar o resultado da aposta;
vinculem apostas a atitudes ou comportamentos ilegais ou discriminatórios, utilizem mensagens de cunho sexual ou de objetificação de atributos físicos ou ofendam crenças culturais ou tradições do País; e
sejam dirigidas, direta ou indiretamente, a crianças e adolescentes.
Com a publicação da portaria, essas regras já passam a valer.
Penalidades
Segundo Durigan, em caso de descumprimento das regras, as penalidades previstas são multas, que podem chegar a 20% do faturamento da empresa que opera a bet. E, também, a suspensão por 180 dias.
Em caso de reincidência grave, pode haver a cassação da autorização para atuação no mercado de apostas online.
O secretário Nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, disse que pode ser aplicado o teto da multa, cerca de R$ 14 milhões, a quem veicular publicidade irregular de bet.
O governo também informou que a empresa vai ser punida caso o influenciador contratado faça uma publicidade irregular, infringindo as novas regras, e o conteúdo também pode ser derrubado.
O deputado federal e pré-candidato ao Senado Eduardo da Fonte (PP) participou, nesta sexta-feira (10), de mais uma edição do projeto Papo Que Transforma, em Águas Belas, no Agreste Meridional. O evento reuniu prefeitos, parlamentares, vereadores e outras lideranças políticas da região. Segundo a assessoria do parlamentar, o mandato de Eduardo da Fonte já destinou mais de R$ 202,6 milhões a municípios do Agreste Meridional, incluindo R$ 6,8 milhões para Águas Belas, em áreas como saúde, infraestrutura e serviços públicos.
Durante o encontro, Eduardo da Fonte afirmou que a iniciativa busca fortalecer o diálogo com os municípios. “Cada edição do Papo Que Transforma fortalece nossa parceria com os municípios. Em Águas Belas e em todo o Agreste Meridional, seguimos construindo soluções, levando investimentos e trabalhando para melhorar a vida das pessoas”, declarou. Também participaram da agenda o prefeito de Águas Belas, Dr. Elton Martins, a vice-prefeita Eniale de Codinho, deputados, prefeitos de outros municípios, vereadores e lideranças políticas.
O Ceará perdeu, nesta sexta-feira (10 de julho de 2026), uma de suas figuras mais multifacetadas. Cid Sabóia de Carvalho, jornalista, radialista, advogado e ex-senador, faleceu aos 90 anos. Sua partida encerra um ciclo de décadas de contribuição para a vida pública, a imprensa e o meio intelectual do Estado.
Nascido em Fortaleza, em 25 de agosto de 1935, Cid Carvalho construiu uma trajetória marcada pela versatilidade. Formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1966, onde também atuou como docente, ele soube equilibrar a técnica jurídica com a paixão pela notícia. As informações são do portal O Intrigante.
No jornalismo, sua voz e escrita foram referências em diversas rádios, jornais e emissoras de televisão da capital cearense. Sua atuação na comunicação sempre esteve atrelada a uma visão humanista, que se refletia também em sua faceta como poeta, com obras voltadas para temas sociais.
Na esfera política, Cid Carvalho serviu ao Ceará no Senado Federal entre os anos de 1987 e 1995. Além da atuação legislativa, exerceu o importante papel de procurador junto ao Tribunal de Contas do Município (TCM), demonstrando um compromisso contínuo com a administração pública e a ética.
Cid Carvalho foi um pilar das instituições culturais cearenses. Membro ativo do Instituto do Ceará, da Academia Cearense de Retórica, da Academia Cearense da Língua Portuguesa e da Associação Brasileira de Bibliófilos, ele também presidiu a fundação da Academia Fortalezense de Letras.
Em 27 de janeiro de 2011, ele ingressou na Academia Cearense de Letras (ACL), ocupando a cadeira de número 10 — cujo patrono é o Padre Mororó —, em sucessão ao historiador Abelardo F. Montenegro.
A notícia de seu falecimento gerou uma onda de pesar entre colegas e entidades. O Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) emitiu uma nota oficial lamentando a perda e destacando o valor histórico do profissional.
“O Sindjorce manifesta solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão neste momento de despedida e presta homenagem à trajetória de Cid Carvalho, cuja atuação deixou um legado para o jornalismo, a comunicação e a vida pública do Ceará”, destacou a entidade.
O legado de Cid Carvalho permanece como um exemplo da união entre o saber jurídico, o exercício político e a sensibilidade das letras, consolidando-o como uma das personalidades mais respeitadas da história contemporânea do Ceará.
Pré-candidato ao Planalto e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) usou as redes sociais para alfinetar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário que enfrentará nas urnas em outubro. Em uma publicação feita no X, o goiano escreveu que “o barco está afundando e os aliados já começaram a pular fora” ao comentar uma matéria jornalística que dizia que o União Brasil e o Progressistas não devem apoiar o candidato do PL na corrida presidencial.
Antes de ingressar no PSD, Caiado foi filiado ao União e enfrentou resistências dentro do partido, recém-filiado ao PP na época, para avançar com sua pré-candidatura presidencial. Em fevereiro, o ex-governador anunciou a saída da sigla e o ingresso na legenda comandada por Gilberto Kassab. No final do mês seguinte, foi anunciado como o escolhido do novo partido para concorrer à Presidência. Além dele, foram considerados os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). As informações são do jornal O GLOBO.
Em pré-campanha e na disputa pelos votos do conservador de direita, Caiado tem subido o tom contra Flávio, principalmente após as revelações da proximidade entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em agenda em Brasília nesta semana, o ex-mandatário criticou a postura do adversário diante da ameaça de um novo tarifaço americano e disse os votos no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) iriam reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
— Temos falhas de um candidato, e todo respeito a ele, do Flávio, em se colocar em uma sessão nos EUA, e dizer que adie a tributação a partir da eleição. É inaceitável isso, você tem que estar dentro do jogo para saber o peso disso para o país — disse Caiado. — Diante do cenário atual, como todas as pessoas sabem, muitos ainda não querem confessar, se você votar no Flávio, vai eleger o Lula.