Majoritariamente vestidos de preto, os milhares de participantes se reuniram no local desde o amanhecer de ontem, mesmo antes de a televisão estatal anunciar, por volta das 6h00 locais (23h30 de sexta-feira no horário de Brasília), o início oficial dos atos.
Muitos empunhavam bandeiras xiitas vermelhas com a inscrição “Mártir”. Segundo um jornalista da AFP, alguns participantes entoaram “Vingança!”, mas também “Morte aos Estados Unidos, morte a Israel!”, um slogan frequente nas manifestações oficiais.
Também foram vistos cartazes vermelhos instando a “#MatarTrump”, no mesmo dia em que os Estados Unidos celebram o 250º aniversário de sua independência. “Prometemos ao líder supremo que permaneceremos com ele até o fim. Todas essas pessoas estão aqui por ele”, disse Reza, um professor universitário de 37 anos.
As autoridades preveem que entre 15 e 20 milhões de pessoas participem dessas homenagens apenas em Teerã, que são anunciadas como as maiores da história do país.
O evento, que durará seis dias, pretende ser uma demonstração de força em plena negociação diplomática entre os Estados Unidos e o Irã, após a assinatura, no mês passado, de um acordo-quadro para pôr fim ao conflito.
No entanto, segue sem haver rastros do filho e sucessor de Khamenei, Mojtaba. Ele não é visto em público desde que foi nomeado líder supremo, no começo de março. Supostamente ferido durante os ataques que mataram seu pai, o dirigente se expressa apenas por meio de mensagens por escrito.
Por ocasião dessa homenagem, que ocorre seis meses depois de importantes manifestações populares contra o alto custo de vida e o governo, o centro da capital iraniana foi transformado em uma fortaleza, com numerosos controles policiais, constatou a AFP.
Mesmo antes do início oficial da cerimônia, várias centenas de pessoas aguardavam na noite de sexta em frente à Grande Mosalla, na esperança de serem as primeiras a entrar. Seguindo a tradição xiita, muitos batiam no peito em sinal de luto. “Queremos dar um último adeus ao nosso guia e, por isso, a espera não é nem dolorosa nem difícil para nós”, disse à AFP Somayye Hamedi, uma professora de 44 anos vestida com um xador preto.
Alguns dos presentes choravam e outros aguardavam sentados no chão, enquanto poemas eram recitados e cânticos religiosos, difundidos. “Vir aqui é a última e a única coisa que podemos fazer” por Ali Khamenei, que “sacrificou sua vida” pelo Irã, comentou Fatemeh Nowdehi, uma estudante de 25 anos, originária do norte do país.
Homenagens
O caixão permanecerá exposto dia e noite até a segunda-feira na Mosalla, antes de uma procissão pelas ruas da capital. Após essas cerimônias, o caixão fará escala em várias cidades do Irã e do Iraque, antes de seu sepultamento em 9 de julho na cidade santa de Mashhad, no nordeste do Irã, onde Ali Khamenei nasceu.
Inicialmente previstas para março, mas adiadas devido à guerra, as exéquias incluem uma visita a dois santuários xiitas em território iraquiano. Diante do público em Teerã, vários altos funcionários iranianos e alguns dignitários estrangeiros prestaram na sexta-feira uma última homenagem ao líder supremo que dirigiu por mais de três décadas os destinos do Irã até sua morte, aos 86 anos.
O chefe da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, apareceu em público pela primeira vez desde o início da guerra. Ele foi nomeado para o cargo no começo de março, após a morte de seu predecessor em 28 de fevereiro. Sob o comando de Ali Khamenei, o Irã deu durante anos apoio a grupos armados de toda a região, entre eles o movimento islamista palestino Hamas e o libanês Hezbollah.
Durante sua estadia em Teerã para assistir às cerimônias fúnebres, delegações das duas organizações se reuniram, ontem (4), com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, segundo a imprensa estatal iraniana.
Para receber iranianos de todo o país, mais de 400 tendas do Crescente Vermelho iraniano foram instaladas em um grande parque da capital, verificou a AFP. Também foram colocados caminhões-pipa, prontos para refrescar a multidão diante de temperaturas que devem ultrapassar os 35°C.
Ao lado do caixão de Khamenei estão os de seus familiares que morreram junto com ele: uma de suas filhas, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses, segundo as autoridades.
Tudo isso enquanto uma imagem do dirigente com o punho erguido, símbolo da resistência que ele reivindicava frente ao Ocidente, permanece onipresente no recinto.
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