O deputado estadual Romero Albuquerque (UB) protocolou, nesta semana, denúncias no Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e no Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) pedindo investigação sobre pagamentos superiores a R$ 160 milhões realizados pelo Governo de Pernambuco à empresa Cetus Construtora, mesmo ela constando como empresa sancionada no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS).
A denúncia tem como base reportagem publicada pelo portal Metrópoles e documentos reunidos pelo parlamentar que apontam possíveis irregularidades na contratação da empresa para serviços de manutenção predial em escolas da rede estadual de ensino.
Leia mais
De acordo com o material apresentado, a contratação ocorreu em junho de 2025, por meio de adesão a uma ata de registro de preços (“carona”), com valor inicial de R$ 148,2 milhões, posteriormente ampliado em 25%, elevando o contrato para cerca de R$ 185 milhões. Mesmo com menos de um ano de execução, os pagamentos já teriam ultrapassado R$ 160 milhões.
Segundo Romero Albuquerque, um dos pontos mais graves é que a empresa estava formalmente sancionada entre março de 2025 e março de 2026, período que coincide com a assinatura do contrato com o Governo do Estado.
“É inadmissível que recursos públicos destinados à manutenção de escolas sejam direcionados a uma empresa registrada como inidônea. Estamos falando de mais de R$ 160 milhões que precisam ser rigorosamente investigados”, afirmou o deputado.
A denúncia também levanta questionamentos sobre a vantajosidade da contratação, já que outra empresa habilitada na mesma ata apresentava preço inferior por unidade de serviço. Ainda segundo a documentação, existem indícios de medições duplicadas, serviços pagos sem comprovação de execução, reutilização de fotos em relatórios e suspeitas de superfaturamento em alguns itens.
Entre os exemplos apontados estão medições repetidas que teriam somado cerca de R$ 797 mil em apenas uma regional de ensino, além de boletins com valores elevados para serviços que, segundo relatos, não teriam sido executados nas unidades escolares.
Outro ponto destacado é que a contratação teria ocorrido sem análise prévia da Procuradoria Geral do Estado, etapa considerada essencial em contratos públicos de grande valor.
Para Romero Albuquerque, os fatos apontam para um cenário que exige investigação urgente pelos órgãos de controle. “Estamos falando de possíveis irregularidades graves envolvendo dinheiro da educação. Por isso acionamos o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado para que todas essas informações sejam apuradas com rigor e transparência”, afirmou.
O parlamentar também defende que Controladoria-Geral da União e demais órgãos de fiscalização acompanhem o caso, especialmente porque parte dos recursos utilizados pode estar vinculada ao financiamento da educação básica. “Se houver qualquer irregularidade, os responsáveis precisam ser identificados e punidos. O dinheiro público precisa ser tratado com seriedade”, concluiu o deputado.
Leia menos