Bombeiros apareceram de todos os lados. Um desses, o deputado Rogério Correia (PT-MG) tornou-se interlocutor em plenário do presidente da Câmara com o partido. O deputado petista de Minas Gerais passou a frequentemente subir até a Mesa Diretora para negociar procedimentos e formas de entendimento dos petistas com o comandante da Casa e com outros partidos.
O deputado mineiro presidiu, durante este ano de 2025, a Comissão de Finanças e Tributação e deu uma entrevista exclusiva ao portal Vero Notícias. Ele teve participação ativa na aprovação dos principais projetos econômicos do governo. Portanto, tem uma visão privilegiada do relacionamento com o Congresso e das prioridades e expectativas do Palácio do Planalto.
Para ele, a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos é o grande problema que o mundo viverá nesse ano de 2026. “Têm muitas situações de atrito no mundo e uma atitude beligerante como esta acaba favorecendo a eclosão de outros conflitos. É um risco muito grande”, afirma.
No campo interno, Correia comenta a crise do Banco Master. Ele defende o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Disse que Moraes “teria que ser muito tapado” para tentar defender um banco privado junto ao Banco Central e fazer pressão sobre a Polícia Federal.
Perguntado se o centrão, ao atacar Moraes, na verdade não está mirando o governo, ele afirmou que “o centro quer desacreditar as instituições e enfraquecer a democracia”. Mas aposta que não vai conseguir e que, na verdade, o centrão não quer uma proximidade muito grande com a oposição bolsonarista.
Segundo o deputado, o governo conta agora, inclusive, com o apoio de Hugo Motta para colocar em pauta a votação e aprovação dos projetos prioritários para o ano eleitoral de 2026. São eles, nada mais nada menos do que o fim da Jornada 6×1 e a Tarifa zero para o transporte coletivo urbano em todo o país, além do Projeto de Lei antifacção e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança.
“A tendência é o centrão no Nordeste se vincular à campanha de reeleição, incluindo o Hugo Motta. Com isto, a extrema direita terá maiores dificuldades e isolamento no Congresso em 2026”, disse. Leia abaixo a entrevista completa:
A invasão da Venezuela pelos Estados Unidos é uma ameaça para o Brasil?
Trump agiu como um sequestrador, que pede como resgate o petróleo da Venezuela. Não houve o menor sinal de golpe e sim um ato terrorista. É uma ameaça gravíssima não só para o Brasil, mas para o mundo. Essa ação imperialista pode levar a conflitos generalizados.
Como assim?
Foi um ato completamente fora da diplomacia internacional, da legislação internacional. E isso abre para que acontecimentos desse tipo possam explodir mundo a fora. Já se tem situações perigosíssimos no Oriente Médio, por exemplo, com ○ próprio Estados Unidos querendo fabricar uma guerra fria no Irã, ameaçando intervenção lá também. Tem a relação da China com Taiwan… Enfim, têm muitas situações de atrito no mundo e uma atitude beligerante como esta acaba favorecendo a eclosão de outros conflitos. É um risco muito grande.
E aqui dentro? Qual sua avaliação sobre essa crise em torno das supostas ligações do ministro Alexandre de Moraes e a esposa com o Banco Master?
Vejo como uma politização muito grande. Muita gente no Congresso Nacional quer prejudicar o ministro e o Supremo. Estou vendo agora entrar em cena a questão das emendas parlamentares. Isso pra não falar da cúpula do Congresso, que também tem muitos problemas com o STF e o ministro Alexandre. Fora os bolsonaristas, os lava-jatistas e o pessoal do Sérgio Moro. Tem muito atrito acumulado nessa história.
Não acho crível que o Alexandre de Moraes fosse pedir ao Banco Central e fazer pressão sobre a Polícia Federal em favor do Banco Master. Ele teria que ser muito tapado. Quanto ao contrato da esposa com o Master, nós podemos ter críticas, mas a esposa tem o direito de ter seus clientes, é um direito legal, não temos como impedir. Então creio que tem muito mais politização nessa história do que verdades.
O senhor fala em politização. Acha que se esteja mirando no STF para de alguma forma atingir ou atrapalhar o governo Lula?
Acho que esse é um efeito colateral. O centro quer desacreditar as instituições e enfraquecer a democracia.
E estão conseguindo? Qual sua avaliação sobre o desdobramento desse caso?
A verdade vai prevalecer. Neste caso temos a sociedade majoritariamente na defesa da democracia e as mobilizações irão impedir estas visões golpistas. O STF tende a manter posições contrárias à anistia ou à dosimetria, pela inconstitucionalidade.
Mas o projeto será vetado pelo presidente Lula e, depois, o veto será derrubado pelo Congresso. Isso não trará desgaste na relação do governo com o Congresso?
Não. É uma pauta da extrema direita da qual o Centrão se aproximou apenas para acenar com alianças, mas não mais que isto.
A propósito, como o senhor acha que o Hugo Motta se comportará em relação ao governo neste ano de 2026?
O PT é muito forte no Nordeste e o presidente Lula é imbatível na Paraíba, especialmente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de candidato a presidente. A tendência é o centrão no Nordeste se vincular à campanha de reeleição, incluindo o Hugo Motta. Com isto, a extrema direita terá maiores dificuldades e isolamento no Congresso em 2026.
Então será um ano calmo no Congresso?
Calmo já é exagero (risos).
Quais as prioridades?
Fim da Jornada 6×1 e Tarifa zero. Mas antes tem o PL antifacção e a PEC da Segurança.
Caramba! Se passarem, a Tarifa Zero e a Jornada 6×1, Lula estará praticamente reeleito. Acha que o centrão aprova?
Até os bolsonaristas vão ter de votar na hora H. Tentarão adiar, mas acabarão votando. Tem é de entrar na pauta. E creio que os presidentes da Câmara e do Senado colocarão na pauta.
O senhor tem feito mais a intermediação entre o Hugo Motta e a bancada em plenário devido ao problema dele com o Lindbergh. Acha que esse problema pode resultar em fissuras no relacionamento com o Planalto?
Eles já estão se relacionando bem. Houve reaproximação também com o Governo. E nosso líder este ano de 2026 será o Pedro Uckzai, do PT de Santa Catarina.
Mas eu tenho visto em plenário que os dois quase não se falam. Só protocolarmente. Nas conversas mesmo, lá junto à cadeira do presidente em plenário, é o senhor quem tem sido mais presente. Acha que esse problema que ele teve com o Lindberg poderá resultar em fissuras no relacionamento com o Planalto?
Não creio. Estão superadas as diferenças políticas entre a Presidência da Câmara e o PT.
Mesmo? E o que teria feito superar?
O bom desempenho do governo. Presidi esse ano a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara e fiz um balanço. Veja que no final do governo Bolsonaro a taxa de desemprego estava em 12,3% e agora, no governo Lula, despencou. Bateu a série histórica, ficando em 5,2%. O mercado previa uma inflação de 6% e agora ela está dentro da meta, em 4,32%. E o melhor, com a inflação dos alimentos em 1,35%, quando o mercado chegou a falar em 8% a 9%.
Ou seja, tivemos a inflação sob controle enquanto a oposição batia cabeça na Papuda. Isso tudo aconteceu com o Produto Interno Bruto do país, o PIB, crescendo 2,25%, também acima do que os economistas previam e apesar da altíssima taxa de juros do Banco Central, que está em 15%.
Tudo isso ajudou muito a superar as dificuldades aqui no Congresso e vai continuar ajudando em 2026.
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