A relação política entre a ex-prefeita de Tabira, Nicinha Melo, e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, tornou-se alvo de críticas e análises após o desfecho das últimas eleições municipais no Pajeú. Nicinha, primeira liderança da região a declarar apoio público à então candidata Raquel Lyra, ainda no período pré-eleitoral estadual, esperava reciprocidade durante sua campanha de reeleição. No entanto, segundo relatos de sua equipe e aliados, o retorno político prometido não veio.
Durante todo o período eleitoral, a governadora não compareceu a nenhuma agenda em Tabira para reforçar o apoio à ex-prefeita, deixando um vazio político notado tanto por aliados quanto por opositores. Além da ausência física, Nicinha Melo não teve atendidos ofícios enviados pela gestão municipal, nos quais solicitava reforço das polícias Civil e Militar para coibir compra de votos na cidade — uma preocupação recorrente na Cidade das Tradições. A falta de resposta, segundo pessoas próximas à ex-prefeita, acabou favorecendo indiretamente o candidato adversário.
Outro ponto de desgaste na relação foi o anúncio tardio da obra da Rodovia José Paulino de Melo, estrada que liga Tabira ao município paraibano de Água Branca. A governadora divulgou o investimento apenas após o período eleitoral, apesar de a obra ter sido uma das principais solicitações levadas reiteradamente por Nicinha Melo ao Governo do Estado enquanto gestora municipal. O atraso no anúncio gerou interpretações políticas sobre estratégia e conveniência.
A postura de Raquel Lyra tem provocado debates na região sobre alianças, reciprocidade e o tratamento dado às lideranças que contribuíram para sua vitória no Pajeú. Enquanto isso, apoiadores da ex-prefeita afirmam que Nicinha segue sua atuação política com independência, mas sem deixar de destacar o que consideram uma quebra de compromisso por parte do Governo do Estado.

















